Há tempos não ficava tão
empolgada por uma continuação quanto fiquei assim que terminei de ler
“Estilhaça-me”. O segundo volume da trilogia, “Liberta-me” demorou um pouco
para ser lançado, mas a espera e a leitura valeram muito a pena. Apesar das
minhas altas expectativas, o livro não me decepcionou em nenhum momento, ao
contrário, só me deixou ainda mais apaixonada por essa história e por seus
personagens.
Juliette Ferrars é uma
adolescente que já passou por muita coisa na vida. Ela tem um poder, seu toque
é letal e sua força é descomunal. O que Juliette agora sabe é que não é a única
a ter um dom especial. Existem outras pessoas com poderes que ela jamais
imaginou que pudessem existir. Essas pessoas estão reunidas no Ponto Ômega e se
preparam a cada dia para a luta contra o Restabelecimento.
Como novo membro, Juliette tem
que se acostumar com os novos companheiros e conhecer mais sobre seu poder,
para tentar dominá-lo e usá-lo a seu favor. Nada disso é fácil para a
protagonista que, depois de tanto tempo na solidão e acostumada com a rejeição,
parece se perder cada vez mais em si mesma.
“- Corra, eu disse a mim mesma. Corra até seus pulmões falharem, até
o vento chicotear e estalar nas suas roupas esfarrapadas, até você ser um borrão
que se mistura ao cenário.’
Uma das características que mais
me agradam na narrativa de Tahereh Mafi é sua capacidade de expressar
sentimentos. Os pensamentos às vezes desordenados, que mudam rapidamente e o
uso de palavras tachadas (como se a personagem tivesse pensado em duas palavras
que se encaixam no pensamento e tivesse optado por uma delas) colaboram não só
para prender o leitor na história, mas também para dar a impressão de que
estamos na mente de Juliette.
Os personagens são outro ponto
positivo da trama. Apesar de ter sido um pouco cansativa nesse segundo volume,
gosto da protagonista, pois se levarmos em conta tudo o que ela já sofreu e o
que ainda está por vir, não há dúvidas de que ela é extremamente forte, capaz
de se defender muito bem nos momentos de mais tensão.
“Vou contar um segredo para você. Eu não me arrependo do que fiz.
Não me arrependo nem um pouco.”
Um triângulo amoroso se
estabelece nesse momento da história. Acho que nunca fiquei tão indecisa sobre
para quem torcer como nessa trilogia. Tenho a péssima mania de ser do contra,
então sempre torço pelo que tem menos chances de ficar com a mocinha no final,
mas não consegui escolher um lado dessa vez.
De um lado está Adam, o rapaz
que conhece Juliette desde criança, que fez o que pode para salvá-la e não mede
esforços para ficar ao lado dela. Do outro está o vilão do primeiro livro,
Warner, o personagem mais complexo da história, apaixonante, gentil e cruel ao
mesmo tempo. Muitos lados desconhecidos de Warner vêm à tona nesse livro, lados
que me deixaram ainda mais curiosa para saber mais sobre ele.
“- Quero tantas coisas – ele sussurra. – Quero sua mente. Sua força.
Quero ser digno do seu tempo.”
Outros personagens chamam a
atenção, sendo Kenji o principal deles. O papel do melhor amigo de Adam nesse
volume é muito importante para a trama. Kenji já tinha minha simpatia em
Estilhaça-me, mas me conquistou definitivamente em Liberta-me, ele é
responsável, sarcástico e é firme com Juliette quando necessário. James, o
irmão de Adam, também merece destaque. Além deles, o verdadeiro vilão da
trilogia, o pai de Warner e líder do Restabelecimento, Anderson, mostra do que
é capaz.
“- Foi como encontrar uma amiga pela primeira
vez.
Por que minhas mãos estão tremendo?
Ele respira fundo. Olha para baixo. Sussurra:
- Estou tão cansado, amor. Tão, tão cansado.
Por que meu coração não desacelera?
- Quanto tempo mais – ele pergunta, depois de um instante – eu tenho antes de me matarem?”
Ele respira fundo. Olha para baixo. Sussurra:
- Estou tão cansado, amor. Tão, tão cansado.
- Quanto tempo mais – ele pergunta, depois de um instante – eu tenho antes de me matarem?”
A edição da editora Novo Conceito
está boa, com poucos erros, embora a capa tenha me decepcionado muito. A imagem
utilizada parece um zoom da capa do primeiro volume, por isso minha decepção.
Terminei a leitura querendo o
último livro para ontem. A distopia e as relações entre os personagens me
deixaram ansiosa pelo próximo volume. Como será o desenvolvimento dos poderes
de cada um e qual caminho Juliette seguirá daqui em diante são minhas maiores
dúvidas após o final eletrizante escrito pela autora.
Para quem gosta de boas cenas de
ação, personagens complexos, superpoderes, um triângulo de tirar o fôlego e uma
guerra eminente, a trilogia Estilhaça-me está mais do que recomendada. Digo
mais, corram para ler! Vale muito a pena.
Avaliação

















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