Mostrando postagens com marcador Estilhaça-me. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Estilhaça-me. Mostrar todas as postagens

Liberta-me – Estilhaça-me #02 – Tahereh Mafi

Há tempos não ficava tão empolgada por uma continuação quanto fiquei assim que terminei de ler “Estilhaça-me”. O segundo volume da trilogia, “Liberta-me” demorou um pouco para ser lançado, mas a espera e a leitura valeram muito a pena. Apesar das minhas altas expectativas, o livro não me decepcionou em nenhum momento, ao contrário, só me deixou ainda mais apaixonada por essa história e por seus personagens.
Juliette Ferrars é uma adolescente que já passou por muita coisa na vida. Ela tem um poder, seu toque é letal e sua força é descomunal. O que Juliette agora sabe é que não é a única a ter um dom especial. Existem outras pessoas com poderes que ela jamais imaginou que pudessem existir. Essas pessoas estão reunidas no Ponto Ômega e se preparam a cada dia para a luta contra o Restabelecimento.
Como novo membro, Juliette tem que se acostumar com os novos companheiros e conhecer mais sobre seu poder, para tentar dominá-lo e usá-lo a seu favor. Nada disso é fácil para a protagonista que, depois de tanto tempo na solidão e acostumada com a rejeição, parece se perder cada vez mais em si mesma.
“- Corra, eu disse a mim mesma. Corra até seus pulmões falharem, até o vento chicotear e estalar nas suas roupas esfarrapadas, até você ser um borrão que se mistura ao cenário.’
Uma das características que mais me agradam na narrativa de Tahereh Mafi é sua capacidade de expressar sentimentos. Os pensamentos às vezes desordenados, que mudam rapidamente e o uso de palavras tachadas (como se a personagem tivesse pensado em duas palavras que se encaixam no pensamento e tivesse optado por uma delas) colaboram não só para prender o leitor na história, mas também para dar a impressão de que estamos na mente de Juliette.
Os personagens são outro ponto positivo da trama. Apesar de ter sido um pouco cansativa nesse segundo volume, gosto da protagonista, pois se levarmos em conta tudo o que ela já sofreu e o que ainda está por vir, não há dúvidas de que ela é extremamente forte, capaz de se defender muito bem nos momentos de mais tensão.
“Vou contar um segredo para você. Eu não me arrependo do que fiz. Não me arrependo nem um pouco.”
Um triângulo amoroso se estabelece nesse momento da história. Acho que nunca fiquei tão indecisa sobre para quem torcer como nessa trilogia. Tenho a péssima mania de ser do contra, então sempre torço pelo que tem menos chances de ficar com a mocinha no final, mas não consegui escolher um lado dessa vez.
De um lado está Adam, o rapaz que conhece Juliette desde criança, que fez o que pode para salvá-la e não mede esforços para ficar ao lado dela. Do outro está o vilão do primeiro livro, Warner, o personagem mais complexo da história, apaixonante, gentil e cruel ao mesmo tempo. Muitos lados desconhecidos de Warner vêm à tona nesse livro, lados que me deixaram ainda mais curiosa para saber mais sobre ele.
“- Quero tantas coisas – ele sussurra. – Quero sua mente. Sua força. Quero ser digno do seu tempo.”
Outros personagens chamam a atenção, sendo Kenji o principal deles. O papel do melhor amigo de Adam nesse volume é muito importante para a trama. Kenji já tinha minha simpatia em Estilhaça-me, mas me conquistou definitivamente em Liberta-me, ele é responsável, sarcástico e é firme com Juliette quando necessário. James, o irmão de Adam, também merece destaque. Além deles, o verdadeiro vilão da trilogia, o pai de Warner e líder do Restabelecimento, Anderson, mostra do que é capaz.
 “- Foi como encontrar uma amiga pela primeira vez.
Por que minhas mãos estão tremendo?
Ele respira fundo. Olha para baixo. Sussurra:
- Estou tão cansado, amor. Tão, tão cansado.
Por que meu coração não desacelera?
- Quanto tempo mais – ele pergunta, depois de um instante – eu tenho antes de me matarem?”
A edição da editora Novo Conceito está boa, com poucos erros, embora a capa tenha me decepcionado muito. A imagem utilizada parece um zoom da capa do primeiro volume, por isso minha decepção.  
Terminei a leitura querendo o último livro para ontem. A distopia e as relações entre os personagens me deixaram ansiosa pelo próximo volume. Como será o desenvolvimento dos poderes de cada um e qual caminho Juliette seguirá daqui em diante são minhas maiores dúvidas após o final eletrizante escrito pela autora.

Para quem gosta de boas cenas de ação, personagens complexos, superpoderes, um triângulo de tirar o fôlego e uma guerra eminente, a trilogia Estilhaça-me está mais do que recomendada. Digo mais, corram para ler! Vale muito a pena.
Avaliação







Estilhaça-me – Tahereh Mafi


Juliette Ferrars tem apenas dezessete anos, mas nunca teve um amigo com quem conversasse. Seus pais a culpavam por ter arruinado a vida deles. As outras crianças não se aproximavam dela na escola. Todos mantinham distância, mas alguns a maltratavam, verbalmente ou fisicamente – chutando-a e atirando pedras nela.  O motivo? Eles foram avisados para não se aproximarem da garota, por isso pensavam que ela era uma aberração, mesmo não sabendo o que a tornava perigosa. O que fazia dela uma ameaça era sua maldição seu poder: matar uma pessoa com um simples toque.
“Na ausência de relacionamentos humanos, criei laços com as personagens de papel. Vivi amor e perda por meio das histórias enredadas na história; experimentei a adolescência por associação. Meu mundo é uma teia entrelaçada de palavras, amarrando membro a membro, osso a tendão, pensamentos e imagens todos juntos. Sou um ser composto de letras, uma personagem criada por frases, um produto da imaginação fabricado por meio da ficção.” Pág. 65 - 66
Um acidente faz com que os dias de liberdade de Juliette terminem. Ninguém se preocupa em ouvir a versão dela sobre o acontecido e seus pais não hesitam ao entregá-la para as autoridades. São três anos de tentativas frustradas de descobrir o que ela tem de tão errado. Até que eles desistem e simplesmente a aprisionam em um espaço reservado para “doentes mentais”.           
A sociedade na qual se passa a história é um mundo em caos. Os pássaros não voam mais. Existem poucos animais e plantas – a maior parte delas envenenada.  Comida, água e eletricidade são luxos que poucos possuem. O abuso para com a natureza finalmente trouxe consequências. É um mundo sem esperanças, comandado pelo “Restabelecimento”, grupo que prometeu consertar as coisas para assumir o poder.
O Restabelecimento não tenta recuperar os indivíduos problemáticos, apenas se livra deles. Tudo o que atrapalha o “avanço” é descartado. A sociedade parece paralisada diante desse mundo sem perspectiva de futuro, mas nem todos estão assim, alguns pretendem lutar e se preparam para isso.
“Estilhaça-me” foi uma leitura que me surpreendeu. Não possuía altas expectativas para o livro, mas aos poucos a história e a linguagem me prenderam, de forma que se tornou muito difícil abandonar minha leitura para fazer outras coisas.
As características da linguagem da escritora Tahereh Mafi me causaram certo desconforto no início, mas aos poucos tornaram a história mais interessante. O livro é narrado em primeira pessoa por Juliette. A narrativa é repleta de metáforas, com repetição de palavras como “muito muito muito” sem o uso de vírgulas, a aparição constante de uma mesma frase – sinal de que aquela é uma ideia fixa – e o uso do efeito tachado em várias frases e palavras fizeram com que o fluxo de pensamento da protagonista, e as diversas dúvidas que fazem parte dele, fosse melhor compreendido. Em alguns momentos, me senti como se estivesse realmente dentro da cabeça atormentada de Juliette.
Suas mãos sobre meu corpo suas mãos sobre meu corpo suas mãos sobre meu corpoPág. 242
Os personagens são outro fator que me fez gostar do livro. Apesar de ter passado por diversas situações ruins, Juliette é uma protagonista forte. Mesmo tendo que lidar com seus estranhos poderes e com sua mente às vezes confusa, a garota não foge da luta, é leal, corajosa e, apesar de todo sofrimento que lhe foi imposto, se nega a machucar um inocente.
Adam Kent, o mocinho da história, também me conquistou. Fazia tempo que eu não gostava tanto assim de um personagem. Além de lindo, Adam é um ser humano admirável. O vilão também possui seus encantos, que não são apenas físicos. Warner é um paradoxo ambulante, capaz de uma gentileza surpreendente e de uma crueldade assustadora momentos depois.
“- Você é o único que sempre se importou – Meus olhos se enchem de lágrimas e eu pisco para contê-las e sinto o fogo na garganta e tudo tudo tudo dói.” Pág. 196
Outros bons personagens aparecem mais para o final da trama, que é uma boa junção de romance e ação. O final não me surpreendeu tanto, mas me agradou muito. Da mesma forma, me deixou louca pela continuação. Há um bom tempo não fico tão animada e ansiosa pelo segundo volume de uma série. Espero que a escritora não perca os rumos no próximo livro, pois “Estilhaça-me” tem muito potencial. Não vou adiantar mais detalhes, mas esse é o tipo de história que eu sempre quis ver nos livros.
Resumindo, recomendo muito muito muito esse livro e espero que vocês gostem tanto da história quanto eu.
Avaliação


>> Esse post está participando do Top Comentaristas Nº 10 - FORMULÁRIO