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Sangue na Neve – Lisa Gardner

O corpo de Brian Darby é encontrado na cozinha de sua casa. Ele foi morto com três tiros certeiros. Sua esposa, a policial Tessa Leoni, afirma ser a responsável pelos disparos. Tudo leva a crer que se trata de assassinato em legítima defesa, o típico caso da esposa agredida fisicamente pelo marido que resolveu se defender. Essa teoria é sustentada pelas diversas lesões corporais espalhadas pelo corpo de Tessa. Entretanto, um fato não se encaixa nessa hipótese: o desaparecimento da pequena Sophie, a filha de seis anos da policial Leoni.
Como apreciadora de livros de suspense, posso dizer que Sangue na Neve não deixa a desejar em nenhum momento. A trama é bem construída, os personagens principais são inteligentes, a narrativa é envolvente e as informações vão aparecendo no momento certo e aos poucos se encaixam no grande quebra-cabeça que é o caso investigado pela detetive D. D. Warren.
O livro é narrado em duas perspectivas diferentes, a dos responsáveis pela investigação, D. D. e Bobby, e a da acusada, Tessa Leoni. Essas duas perspectivas diferentes permitem que o leitor veja os diferentes ângulos do caso e formule sua própria teoria. Os personagens são outro ponto positivo do livro, D. D. e Tessa são mulheres fortes, que já passaram por muita coisa na vida e que têm a inteligência como característica marcante. Mesmo sabendo que é sempre arriscado se apegar a algum personagem nesse tipo de história, foi impossível não torcer para que tudo terminasse bem no final.
“Eu me movi, chutei, me esquivei e soquei. Eu tinha 23 anos novamente. Veja a Matadora de Gigantes. Veja a Matadora de Gigantes realmente furiosa.”
A narrativa flui de tal forma que é difícil deixar o livro de lado antes de desvendar o caso, que fica mais complicado a cada página virada. A emoção também está presente na trama, não só por causa do desaparecimento de Sophie e da busca desesperada por ela, mas por uma descoberta que abala a vida pessoal da aparentemente insensível detetive Warren.
Não posso falar muito sobre a investigação para não dar spoilers, mas garanto que a história foi muito bem formulada pela autora, não deixando pontas soltas na resolução do caso. O livro é um thriller eletrizante, capaz de despertar muitos questionamentos pessoais, tais como a frase mais presente na história: “Quem você ama?”
“Quem você ama?
É uma pergunta que qualquer um deve ser capaz de responder. Uma pergunta que define uma vida, cria um futuro, guia a maioria dos minutos do dia das pessoas. Simples, elegante, envolvente.”
Sangue na Neve é o segundo livro da autora Lisa Gardner publicado no Brasil, o primeiro é Viva para Contar, ambos lançados pela editora Novo Conceito. O livro faz parte da série Detetive D.D. Warren, que conta com seis livros no total. Sangue na Neve (Love You More, no original) é o quinto livro da série, que está sendo lançada fora de ordem pela editora (Viva para Contar é o quarto livro). Gosto bastante dessa capa e, apesar de achar que o título original combina mais com o livro, “Sangue na Neve” é um título adequado, pois a neve tem grande importância na trama.

A leitura não foi prejudicada pela falta de ordem, mas fiquei curiosa para saber mais sobre a vida pessoal da detetive D. D. Warren, seus relacionamentos e seu comportamento nos outros casos, pois nesse livro é a policial Leoni quem mais se destaca. Ainda não li o outro livro da autora já lançado por aqui, mas depois de conhecer o trabalho dela em Sangue na Neve tenho certeza de que vale a pena correr atrás das outras obras de Lisa Gardner.
Avaliação







Liberta-me – Estilhaça-me #02 – Tahereh Mafi

Há tempos não ficava tão empolgada por uma continuação quanto fiquei assim que terminei de ler “Estilhaça-me”. O segundo volume da trilogia, “Liberta-me” demorou um pouco para ser lançado, mas a espera e a leitura valeram muito a pena. Apesar das minhas altas expectativas, o livro não me decepcionou em nenhum momento, ao contrário, só me deixou ainda mais apaixonada por essa história e por seus personagens.
Juliette Ferrars é uma adolescente que já passou por muita coisa na vida. Ela tem um poder, seu toque é letal e sua força é descomunal. O que Juliette agora sabe é que não é a única a ter um dom especial. Existem outras pessoas com poderes que ela jamais imaginou que pudessem existir. Essas pessoas estão reunidas no Ponto Ômega e se preparam a cada dia para a luta contra o Restabelecimento.
Como novo membro, Juliette tem que se acostumar com os novos companheiros e conhecer mais sobre seu poder, para tentar dominá-lo e usá-lo a seu favor. Nada disso é fácil para a protagonista que, depois de tanto tempo na solidão e acostumada com a rejeição, parece se perder cada vez mais em si mesma.
“- Corra, eu disse a mim mesma. Corra até seus pulmões falharem, até o vento chicotear e estalar nas suas roupas esfarrapadas, até você ser um borrão que se mistura ao cenário.’
Uma das características que mais me agradam na narrativa de Tahereh Mafi é sua capacidade de expressar sentimentos. Os pensamentos às vezes desordenados, que mudam rapidamente e o uso de palavras tachadas (como se a personagem tivesse pensado em duas palavras que se encaixam no pensamento e tivesse optado por uma delas) colaboram não só para prender o leitor na história, mas também para dar a impressão de que estamos na mente de Juliette.
Os personagens são outro ponto positivo da trama. Apesar de ter sido um pouco cansativa nesse segundo volume, gosto da protagonista, pois se levarmos em conta tudo o que ela já sofreu e o que ainda está por vir, não há dúvidas de que ela é extremamente forte, capaz de se defender muito bem nos momentos de mais tensão.
“Vou contar um segredo para você. Eu não me arrependo do que fiz. Não me arrependo nem um pouco.”
Um triângulo amoroso se estabelece nesse momento da história. Acho que nunca fiquei tão indecisa sobre para quem torcer como nessa trilogia. Tenho a péssima mania de ser do contra, então sempre torço pelo que tem menos chances de ficar com a mocinha no final, mas não consegui escolher um lado dessa vez.
De um lado está Adam, o rapaz que conhece Juliette desde criança, que fez o que pode para salvá-la e não mede esforços para ficar ao lado dela. Do outro está o vilão do primeiro livro, Warner, o personagem mais complexo da história, apaixonante, gentil e cruel ao mesmo tempo. Muitos lados desconhecidos de Warner vêm à tona nesse livro, lados que me deixaram ainda mais curiosa para saber mais sobre ele.
“- Quero tantas coisas – ele sussurra. – Quero sua mente. Sua força. Quero ser digno do seu tempo.”
Outros personagens chamam a atenção, sendo Kenji o principal deles. O papel do melhor amigo de Adam nesse volume é muito importante para a trama. Kenji já tinha minha simpatia em Estilhaça-me, mas me conquistou definitivamente em Liberta-me, ele é responsável, sarcástico e é firme com Juliette quando necessário. James, o irmão de Adam, também merece destaque. Além deles, o verdadeiro vilão da trilogia, o pai de Warner e líder do Restabelecimento, Anderson, mostra do que é capaz.
 “- Foi como encontrar uma amiga pela primeira vez.
Por que minhas mãos estão tremendo?
Ele respira fundo. Olha para baixo. Sussurra:
- Estou tão cansado, amor. Tão, tão cansado.
Por que meu coração não desacelera?
- Quanto tempo mais – ele pergunta, depois de um instante – eu tenho antes de me matarem?”
A edição da editora Novo Conceito está boa, com poucos erros, embora a capa tenha me decepcionado muito. A imagem utilizada parece um zoom da capa do primeiro volume, por isso minha decepção.  
Terminei a leitura querendo o último livro para ontem. A distopia e as relações entre os personagens me deixaram ansiosa pelo próximo volume. Como será o desenvolvimento dos poderes de cada um e qual caminho Juliette seguirá daqui em diante são minhas maiores dúvidas após o final eletrizante escrito pela autora.

Para quem gosta de boas cenas de ação, personagens complexos, superpoderes, um triângulo de tirar o fôlego e uma guerra eminente, a trilogia Estilhaça-me está mais do que recomendada. Digo mais, corram para ler! Vale muito a pena.
Avaliação







Destrua-me – Estilhaça-me #1.5 – Tahereh Mafi

Destrua-me é uma história extra da trilogia Estilhaça-me, na qual descobrimos um pouco mais sobre o vilão do primeiro volume da série, Warner, o líder do setor 45.
A história é narrada em primeira pessoa por ele, permitindo assim que conheçamos mais sobre Warner e compreendamos melhor suas atitudes cruéis em Estilhaça-me.  A narração começa em um momento decisivo do primeiro livro, a partir de um ponto em que Juliette não teria como ter narrado.
“Não há palavras no mundo para descrever o que estou sentindo.”
O sentimento de Warner por Juliette fica bem mais claro aqui, assim como suas motivações e a verdade por trás de seu interesse em utilizá-la como arma do Restabelecimento. A relação de Warner com seus soldados e com seu pai também é mais explorada nesse pequeno “livro”.
 “No campo de batalha, sou capaz de me desconectar dos movimentos que aprendi a memorizar. Criei a reputação de ser alguém frio, um monstro que não teme nada nem ninguém.
Mas tudo isso é ilusório.
Porque a verdade é que não passo de um covarde.”
A história termina em um ponto que se passa durante o segundo livro da série, Liberta-me. Não tenho como falar mais sobre Warner sem revelar detalhes sobre enredo, mas garanto que ele é um personagem incrível e que vale a pena ler Destrua-me para conhecê-lo melhor. Para quem é fã da trilogia, Destrua-me é indispensável. Para os que ainda não a acompanham, deem uma chance para a história! Aposto que também vão se apaixonar pelo Warner e espero que gostem da trilogia tanto quanto eu.
A editora Novo Conceito lançou o livro apenas no formato digital. O e-book é gratuito e o download pode ser feito no link:  http://www.editoranovoconceito.com.br/destrua-me/

- Post atualizado em 22/05/2014 com a capa no novo padrão da série.
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Soul Love: À Noite o Céu é Perfeito! – Lynda Waterhouse

As informações que eu tinha sobre “Soul Love” quando comecei a ler o livro eram poucas. Me lembrava de ter lido alguma resenha sobre ele há muito tempo e de ter ficado interessada, por isso aproveitei uma promoção para comprá-lo e posso afirmar que não me arrependi, e sim fiquei surpresa com o quanto gostei desse livro.
“Soul Love” conta a história da adolescente Jenna, de 15 anos, que é considerada uma “garota problema” por ter sido expulsa da escola que frequentava em Londres. Por causa de toda a confusão causada pela filha, a mãe de Jenna leva-a para a pequena cidade de Netherby, na qual ela passará um tempo com a sua tia Sarah.
Jenna vai para Netherby contando os dias para voltar para a sua casa em Londres, mas nem imagina como o tempo naquela cidade vai mudar sua vida. Ela logo percebe que Sarah está passando por uma crise após ser abandonada pelo namorado e que precisará de seu apoio para cuidar da livraria que administra e para seguir em frente.
A espera se torna mais suportável para Jenna quando ela avista um garoto misterioso na casa vizinha, garoto que ela descobre depois se tratar de Gabe, um jovem bonito e reservado que faz parte de uma banda de antifolk com os dois jovens vizinhos da tia Sarah e com uma garota antipática chamada Cléo. Gabe e Cléo tem uma relação bastante próxima e compartilham um segredo.
“- Estou vendo como é um saco morar num lugar onde todos sabem o que é que você pretende fazer da sua vida.
- Pensam que sabem – corrigiu Gabe – Odeio quando essa gente cria hipóteses sobre quem você é.”
Desde o início do livro fica claro que Jenna foi expulsa da escola por ter assumido a culpa sozinha por uma confusão pela qual sua melhor amiga e o garoto do qual gostava também eram responsáveis. O segredo sobre qual seria o motivo da expulsão me deixou curiosa por um tempo, mas é algo bem mais simples se comparado com o segredo de Gabe.
O subtítulo da edição brasileira, “À noite o céu é perfeito!”, faz todo o sentido na trama, pois conforme vão se conhecendo melhor, Jenna e Gabe passam a se encontrar à noite para conversar e observar as estrelas. O romance entre os dois é bem realista e muito bonito, principalmente por acontecer aos poucos, e apesar dos segredos que ambos escondem.
“Naquele momento, o centro das minhas preocupações era Gabe. Nós nos separávamos todas as noites com um beijo.”
O segredo de Gabe não foi tão surpreendente para mim por causa de alguns detalhes da história, mas é um tema que eu nunca tinha visto em outro livro. O modo como a autora abordou um assunto tão complicado e pouco abordado me agradou e fez com que eu gostasse mais ainda do livro. Torci pelos personagens e me identifiquei com eles ao longo da história, não só com o casal principal, mas também com os outros.
O livro é curto (206 páginas) e a leitura flui bem, de modo que é possível terminar de ler em poucas horas. “Soul Love” tem uma capa simples, é narrado em primeira pessoa pela protagonista e é dividido em pequenos capítulos. A narrativa da autora é envolvente e fez com que a leitura fosse muito agradável.

O final me surpreendeu bastante, por ser realista e passar longe de um desfecho idealizado no qual tudo se resolve no fim da história. Não fiquei muito feliz com o rumo que as coisas tomaram, mas o final é plausível, romântico de certa forma e bastante aberto, deixando um gostinho de quero mais e a vontade de que a história tivesse uma continuação. Recomendo a leitura para todos que gostam de um bom romance e tenho certeza de que vocês vão se surpreender com essa história.
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Fazendo Meu Filme 2: Fani na Terra da Rainha - Paula Pimenta

“Fazendo Meu Filme 2 - Fani na Terra da Rainha” é o segundo volume da série Fazendo meu Filme, que tem como protagonista a adolescente Estefânia Castelino Belluz, mais conhecida como Fani. A história começa com a chegada de Fani à Inglaterra para a realização de seu aguardado intercâmbio. Ela vai passar um ano na cidade de Brighton, na qual é acolhida pela família de Kyle e Julie Marshall, que conta ainda com os três filhos do casal, a adolescente Tracy e seus irmãos mais novos, Teddy e Tom.
Fani enfrenta algumas dificuldades para se adaptar no novo país e na nova escola, mas a maior dificuldade é a saudade que sente da família, dos amigos e do seu grande amor. Durante a história, o humor da protagonista varia muito, da tristeza completa até a mais contagiante alegria. O que chama a atenção é a intensidade com a qual essas emoções tomam conta dela, tudo é muito intenso, não há um meio termo.
O amadurecimento da personagem também pode ser percebido, pois mesmo estando cercada por pessoas dispostas a ajudá-la, ela está em outro país sem as pessoas que mais ama e há situações que precisa resolver por si mesma. Ela nem sempre faz a escolha certa e é isso que torna a história mais próxima da realidade. Fani erra como todo mundo e aprende com seus erros.
O romance nesse livro é bastante tumultuado, tanto que sofri pela protagonista em alguns momentos.  Fani não sabe como lidar com a distância e com a saudade que sente de Léo.  Isso prejudica o relacionamento dos dois e faz com que o garoto tome uma atitude que é fundamental para o restante da história.
“Gosto muito de você, sei que sempre vou gostar e, por isso mesmo, quero sinceramente que você seja feliz.”
Essa foi uma das poucas coisas que não me agradaram nesse livro. Apesar de compreender as atitudes e escolhas dos personagens, não pude deixar de me incomodar. O drama feito por Fani em algumas situações, apesar de ser compreensível, me pareceu exagerado. Mesmo assim gostei muito da leitura e me emocionei com as novas experiências vividas por ela, vibrei ao perceber como ela estava superando sua timidez e me diverti acompanhando-a em seus passeios pela Inglaterra.
As descrições de locais e as explicações de como algumas coisas funcionam na Inglaterra são outro ponto positivo da história. A escola inglesa na qual a Fani estuda, por exemplo, é dividida por casas que competem entre si por um prêmio especial no final do período letivo, divisão comparada pela própria Fani com a de Hogwarts, a famosa escola da série Harry Potter. Adorei essa comparação e fiquei com muita vontade de conhecer essa escola!
“Sabe Hogwarts, a escola do Harry Potter? Eu achava que aquela história da divisão dos alunos por casas era invenção da autora, só que descobri que isso não é ficção. [...] A diferença da minha escola – que se chama Brighton Hill – para Hogwarts é que não é um chapéu seletor que indica quem vai para cada casa, e sim a ordem alfabética.”
Merecem destaque também os novos personagens que aparecem nesse volume da série. Além da família inglesa da Fani, temos a Ana Elisa, uma menina brasileira que estuda na classe dela e que se torna sua melhor amiga na Inglaterra, e o Christian, um jovem brasileiro que faz faculdade de Cinema no país e parece muito interessado na nossa protagonista. Acredito que esses novos personagens também terão importância no próximo volume da série, no qual dividirão espaço com os personagens já conhecidos que tiveram pouca participação nesse volume.
“Ele não esperou que eu dissesse mais nada. Pegou o meu rosto com as duas mãos, como se estivesse segurando a coisa mais frágil do mundo, e puxou devagar em direção ao dele. A roda gigante voltou a girar e eu nem percebi.”
A narrativa da Paula Pimenta é muito boa e, aliada à qualidade da história, colabora para que os capítulos passem rapidamente. Os e-mails trocados entre os personagens tem um bom espaço na trama, pois Fani está longe de seus amigos e familiares e se comunica com eles dessa forma. O segundo volume segue o padrão do primeiro, tanto na capa, que é muito bonita, como no interior, com um trecho de um dos filmes favoritos de Fani abrindo cada capítulo e algumas listas de músicas (em CDs especiais gravados por alguns personagens) e indicações de filmes que ela faz durante a história.

Por ter gostado muito do primeiro livro da série, minha expectativa para a continuação era muito alta e, apesar de não ter adorado, gostei muito do livro e estou ansiosa para ler o próximo volume.  “Fazendo Meu Filme 2 - Fani na Terra da Rainha” é uma história envolvente, fofa e contagiante, que eu recomendo para todos que gostam de um bom romance!
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Apaixonada por Palavras – Paula Pimenta


Conheci o trabalho da escritora brasileira Paula Pimenta através da série Fazendo Meu Filme e gostei muito da narrativa, da história e dos personagens criados por ela. Por ter gostado tanto da obra de ficção da autora, fiquei curiosa para conhecer suas crônicas. Como está escrito na orelha do livro: “Aqui a protagonista é a Paula. Aqui é o destino dela que conta e que se conta”.
O aspecto mais legal do livro para mim fui justamente isso: conhecer melhor uma escritora cujos livros que li até agora me conquistaram. “Apaixonada por Palavras” conta com 55 crônicas, escritas entre 2000 e 2009.  Elas foram publicadas primeiramente no site “Crônica do Dia”, do qual a escritora era colunista.
“Sua lembrança vai constantemente iluminar a minha alma, e acredito que ela vai estar comigo a cada momento que eu precisar de algum consolo para amenizar a saudade que vou sentir.”
Uma coisa interessante é que a Paula diz na introdução do livro que preferiu não modificar as crônicas, pois as palavras ali escritas representavam quem ela era e como pensava quando as escreveu. Sendo assim, mesmo agora pensando diferente sobre algumas coisas, a autora publicou as crônicas sem editá-las por reconhecer a importância delas para que ela fosse como é hoje. Graças a isso é possível perceber como a escrita da autora evoluiu com a experiência e perceber algumas características presentes nas outras obras lançadas por ela. Para os fãs da série Fazendo meu Filme, a crônica “A História do meu Livro” é um prato cheio.
A paixão da autora pelas palavras é outra coisa que merece destaque, a facilidade com a escrita é percebida em vários momentos, assim como o talento. As crônicas contêm de 2 a 3 páginas e a leitura flui com uma facilidade impressionante, tanto que quando percebi já tinha terminado o livro.
“Apaixonada por palavras. Assim sou eu, assim sempre fui, até onde consigo recordar. Muito antes de aprender a ler eu já folheava livros e revistas, sonhando em desvendar aquelas letras agrupadas, em descobrir o significado daquele mundo de papel que passava diante dos meus olhos.”
As crônicas abordam vários temas diferentes, tem crônica sobre perdas, amor, escolha de carreira, família, amizade e outras coisas. Não me identifiquei com todos os pensamentos, mas gostei muito de algumas crônicas. Minhas crônicas preferidas foram as que me causaram maior identificação, seja de pensamento ou de alguma situação pela qual eu também passei. As minhas favoritas foram: “Apaixonada por palavras”, “Oh, dúvida cruel!”, “Brasil X Argentina”, “Velhice”, “Minha coisa preferida”, “Casa”, “Inveja Transparente” e “Ausência Presente”.
“Claro que alguns tiros se perdem, mas a sensação de acertar o alvo certo, com minha própria mira, compensa. Melhor mesmo é parar de fazer suposições sobre o que poderia ter sido e aproveitar ao máximo o que realmente é.”
Acredito que as preferências vão variar de leitor para leitor, mas tenho certeza de que é impossível não se identificar e gostar muito de pelo menos uma delas. Esse é um dos pontos mais legais das crônicas que, por serem quase sempre pessoais ou trazerem pensamentos sobre temas de conhecimento de todos, costumam provocar reações e sentimentos diferentes em cada leitor.
“É indescritível a sensação de ler um texto e me identificar totalmente com as palavras do escritor. É como se ele tivesse roubado a ideia que eu ainda não havia tido, mas que já existia em mim.”
A capa do livro é uma das mais bonitas que já vi. Ela está cheia de bolinhas, que são como M&M's e tem vários detalhes envernizados. O interior do livro é rosa, sendo que cada crônica tem um trecho destacado e é finalizada com um coração, a diagramação é realmente linda! Tenho um carinho ainda maior pela minha edição por ela estar autografada. Por morar longe, nunca pude participar de alguma seção de autógrafos da Paula Pimenta, por isso fiquei muito feliz quando ela fez uma promoção dos livros pela internet e pude comprar meu exemplar com autógrafo.
Recomendo esse livro para todas as pessoas que gostam de crônicas. Para os que não estão acostumados com esse estilo, garanto que vale a pena dar uma chance. Espero que vocês também se apaixonem pelas palavras!
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Just Listen – Sarah Dessen


Sabem quando um livro entra para sua lista de desejados desde que você lê a sinopse? E quando você tem certeza de que vai gostar de um livro antes mesmo de ter lido a primeira página? Então, Just Listen foi esse tipo de livro para mim. Faz tanto tempo que eu tinha vontade de lê-lo que nem lembro ao certo quando foi meu primeiro contato com ele.
Por algumas razões, demorei muito para finalmente comprá-lo. Dessa forma, assim que tive o livro em mãos pela primeira vez, comecei minha leitura. A maior desvantagem de criar altas expectativas para determinado livro é que podemos nos decepcionar.  Felizmente, não foi isso que aconteceu comigo. Just Listen atendeu todas as minhas expectativas e, como esperado, entrou para minha lista de livros favoritos.
Just Listen tem como protagonista a jovem Annabel Greene, que após ser flagrada em uma festa com o namorado de sua melhor amiga Sophie, foi deixada de lado e teve a conhecida fúria de sua ex-amiga voltada para si.  Acostumada a evitar conflitos e a omitir tudo o que pudesse causar raiva nas outras pessoas, Annabel se calou sobre o acontecido e guardou para si o peso da verdade.
Depois do que aconteceu na festa, a vida de Annabel mudou. Antes acostumada a seguir Sophie, agora ela estava sozinha. É essa solidão que a aproxima de Owen Armstrong, um garoto com fama ruim que estava sempre com seus fones de ouvido.
Ao contrário de Annabel, Owen é sincero sempre. Enquanto Owen tenta controlar seus momentos de raiva, graças ao tratamento para Gerenciamento de Raiva que fez após o episódio responsável por sua má fama na escola, Annabel guarda tudo para si e não sabe lidar com esse tipo de sentimento.
Embora opostos em diversos aspectos, a amizade entre os dois vai ajudando Annabel a superar seus maiores medos e a aprender a ser sincera, mesmo que sua sinceridade possa magoar as pessoas que ela ama. Tudo acontece aos poucos. É possível perceber como os sentimentos entre eles vão crescendo a cada nova conversa e como Annabel consegue ser sincera quando está com Owen. As conversas entre eles, que na maioria das vezes eram sobre música, foram as cenas do livro que mais me encantaram.
“Ah. – ele olhou a lista de músicas. – Mas ela tem bom gosto. Quero dizer, tem Led Zeppelin aqui, mas pelo menos não é “Stairway to Heaven”. Na verdade - ele disse, parecendo estar impressionado – “Thank you” é a minha música favorita do Led Zeppelin.
- Sério?
- Sério. Tem uma coisa de balada romântica brega. Meio irônica, mas verdadeira. Posso colocar?
- Claro. – respondi. – Obrigada por perguntar.
- Você tem que perguntar – ele disse, colocando o CD no aparelho. – Só um verdadeiro babaca toma liberdades com o som do carro de outra pessoa. Isso é sério.”  Pág. 125
Owen é apaixonado por música e tem um programa de rádio no qual toca canções desconhecidas pela grande massa que, segundo ele, agradam as pessoas “iluminadas”. As referências musicais são outro ponto positivo do livro. O trabalho de Annabel e de suas irmãs como modelo também tem considerável importância na trama. A história deixa uma questão a ser pensada: até que ponto o que parecemos ser é igual ao que realmente somos?
“Eu queria dizer para ela naquele exato momento que isso não era verdade. Que eu estava longe de ser a garota que tem tudo. Que nem era mais aquela garota nas fotos, se é que algum dia eu fui. A vida de ninguém é daquele jeito, feita apenas de momentos gloriosos, principalmente a minha.” Pág. 178
Sobre os personagens, posso dizer que são bem construídos, principalmente no que se refere à família da protagonista. A família de Annabel e como seus membros lidam com os problemas, principalmente com relação ao distúrbio alimentar que uma das irmãs dela está enfrentando, acrescenta valor à trama.
“Era muito provável que nós nunca voltássemos a ser como éramos, 
mas pelo menos estávamos juntos”.
Annabel tem seus motivos para ser introspectiva, mas apesar das dificuldades é bom ver como ela vai crescendo como pessoa. Me identifiquei em alguns pontos e torci muito por ela durante toda a história. Owen é um personagem adorável, daqueles que dificilmente serão esquecidos. As irmãs da protagonista, Whitney e Kirsten, tem grande importância na história e colaboram para torná-la ainda melhor. Os personagens são tão bons, que até mesmo os que não têm tanta importância ganharam minha simpatia.
O livro não poderia ter um título mais adequado. “Just Listen”, ou “Apenas ouça”, descreve bem a história, que tem como protagonista uma garota que sempre guardou tudo para si, mas que aprende aos poucos e com muita dificuldade o quanto é importante colocar essas coisas para fora.
No Brasil, o livro foi lançado com o subtítulo “A Garota que esconde um Segredo”. Confesso que o segredo ao qual esse subtítulo se refere não me surpreendeu, mas o percurso até que ele seja finalmente revelado tem ainda mais importância.
A capa não me agradou, apesar de achar boa a ideia da garota escondida atrás do que eu acredito ser uma porta, a modelo da capa não é nada parecida com a Annabel da minha imaginação. O livro tem alguns erros de revisão, mas nada que atrapalhe a leitura.
A narrativa da autora é excelente e o modo como ela conduz a trama é envolvente. O livro é narrado em primeira pessoa pela Annabel, que intercala o presente com algumas lembranças marcantes. É o primeiro livro da Sarah Dessen que eu li, mas espero que seja o primeiro de muitos.
Não preciso nem dizer que recomendo MUITO esse livro, né? Para os que gostam de uma boa história, com temas fortes, boa narrativa e personagens marcantes, Just Listen é mais do que recomendado.
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Aprisionada – Lauren Destefano


Imagine um mundo evoluído cientificamente, no qual o grande mal do século XX, o câncer, deixou de ser uma ameaça há muito tempo. Graças aos avanços genéticos, uma “primeira geração” de humanos fortes e saudáveis surgiu. As consequências dessas alterações genéticas foram graves para os filhos da primeira geração. Os descendentes, ao contrário de seus pais, não passam da casa dos vinte. Mulheres morrem aos vinte anos. Homens, aos vinte e cinco.
Um vírus é apontado como o causador das mortes precoces. Alguns buscam incansavelmente o antídoto, outros acreditam que o mundo não tem mais salvação. Este é o plano de fundo de “Aprisionada”.
O medo de que a sociedade seja extinta dá espaço para os chamados “Coletores”, pessoas que capturam jovens e as vendem para famílias mais ricas, para que estas procriem e garantam a continuação da espécie.  Rhine Ellery é mais uma vítima dos Coletores e, assim como outras duas garotas, é vendida para o Senhorio Vaughn, cujo interesse é fazer dela uma das novas esposas de seu filho Linden. Enquanto ela é privada de sua verdadeira liberdade, as que não foram escolhidas tem um fim pior. Em um mundo sem esperanças, pessoas sem “serventia” são facilmente descartadas.
“[...] o amor não é suficiente para manter nenhum de nós vivo.”
Esse foi um dos pontos que me fez refletir sobre a história. Por mais cruel que pareça, o mais preocupante é a percepção de que existem pessoas que agem da mesma forma fora da ficção. O universo distópico foi bem construído pela autora e impressiona por ser possível. Não há nada ali que não possa ser imaginado como o futuro da humanidade.
A questão da morte é um dos pontos que mais me interessou na história, afinal, saber com quantos anos você provavelmente vai morrer, ou melhor, de qual idade você não passará é algo difícil de imaginar. Esse é o grande diferencial de “Aprisionada”, pois essa informação altera muitos aspectos da sociedade.
“Não sei muita coisa sobre casamentos tradicionais; nunca fui a um [...]. Com a raça humana morrendo tão jovem, quase ninguém se casa mais.”
Rhine e as outras jovens, Cecely e Jenna, reagem de formas diferentes em meio a essa situação. A relação entre as três, que se tornam “esposas irmãs”, é um ponto interessante da trama. A poligamia é um tema completamente estranho para mim, por isso me vi indignada com algumas situações que são consideradas normais na sociedade apresentada no livro.
“Não pergunte o que o mundo tem que este lugar não tenha, porque a resposta é algo que eu só posso mostrar para você.”
Gostei de alguns personagens, mas nenhum deles me conquistou. Rhine não é uma protagonista ruim. Ela não se deslumbra, tenta sempre se lembrar do que foi tirado dela e não desiste da ideia de recuperar sua liberdade e reencontrar seu irmão. Em meio a toda essa turbulência, há o envolvimento amoroso com um dos criados da casa, Gabriel.
“É o pensamento no meu irmão, sozinho naquela casa vazia, que me força a parar de sentir pena de mim mesma.”
No outro lado está Linden, que apesar de gentil não ganhou minha simpatia. Algumas características dele me incomodaram, mas o casamento polígamo por si só foi um fator importante para que o personagem não me agradasse. Percebi claramente com esse livro como a cultura em que fomos criados interfere no nosso julgamento sobre determinadas situações.
“Ele está respirando na minha nuca, dando beijinhos ali. – Por favor, não fuja de mim.”
O livro é narrado em primeira pessoa pela Rhine. Apesar de um pouco parada, a história flui com facilidade e a narrativa é boa.
A diagramação do livro é muito bonita, contando com uma pequena ilustração que se repete em todos os inícios de capítulo. Na parte gráfica, o trabalho da Editora Underworld está ótimo. A capa original, que acho muito bonita, foi mantida e conta com pequenas partes envernizadas tanto na capa quanto nas orelhas. Por outro lado, existem alguns erros de revisão.

“Aprisionada” é o primeiro volume da trilogia do Jardim Químico. A história tem qualidade e potencial para ser ainda melhor. O romance me decepcionou um pouco, mas estou curiosa para saber mais sobre essa sociedade. Pretendo ler os dois livros restantes, mas até o momento não há previsão para o lançamento do segundo volume no Brasil.
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Estilhaça-me – Tahereh Mafi


Juliette Ferrars tem apenas dezessete anos, mas nunca teve um amigo com quem conversasse. Seus pais a culpavam por ter arruinado a vida deles. As outras crianças não se aproximavam dela na escola. Todos mantinham distância, mas alguns a maltratavam, verbalmente ou fisicamente – chutando-a e atirando pedras nela.  O motivo? Eles foram avisados para não se aproximarem da garota, por isso pensavam que ela era uma aberração, mesmo não sabendo o que a tornava perigosa. O que fazia dela uma ameaça era sua maldição seu poder: matar uma pessoa com um simples toque.
“Na ausência de relacionamentos humanos, criei laços com as personagens de papel. Vivi amor e perda por meio das histórias enredadas na história; experimentei a adolescência por associação. Meu mundo é uma teia entrelaçada de palavras, amarrando membro a membro, osso a tendão, pensamentos e imagens todos juntos. Sou um ser composto de letras, uma personagem criada por frases, um produto da imaginação fabricado por meio da ficção.” Pág. 65 - 66
Um acidente faz com que os dias de liberdade de Juliette terminem. Ninguém se preocupa em ouvir a versão dela sobre o acontecido e seus pais não hesitam ao entregá-la para as autoridades. São três anos de tentativas frustradas de descobrir o que ela tem de tão errado. Até que eles desistem e simplesmente a aprisionam em um espaço reservado para “doentes mentais”.           
A sociedade na qual se passa a história é um mundo em caos. Os pássaros não voam mais. Existem poucos animais e plantas – a maior parte delas envenenada.  Comida, água e eletricidade são luxos que poucos possuem. O abuso para com a natureza finalmente trouxe consequências. É um mundo sem esperanças, comandado pelo “Restabelecimento”, grupo que prometeu consertar as coisas para assumir o poder.
O Restabelecimento não tenta recuperar os indivíduos problemáticos, apenas se livra deles. Tudo o que atrapalha o “avanço” é descartado. A sociedade parece paralisada diante desse mundo sem perspectiva de futuro, mas nem todos estão assim, alguns pretendem lutar e se preparam para isso.
“Estilhaça-me” foi uma leitura que me surpreendeu. Não possuía altas expectativas para o livro, mas aos poucos a história e a linguagem me prenderam, de forma que se tornou muito difícil abandonar minha leitura para fazer outras coisas.
As características da linguagem da escritora Tahereh Mafi me causaram certo desconforto no início, mas aos poucos tornaram a história mais interessante. O livro é narrado em primeira pessoa por Juliette. A narrativa é repleta de metáforas, com repetição de palavras como “muito muito muito” sem o uso de vírgulas, a aparição constante de uma mesma frase – sinal de que aquela é uma ideia fixa – e o uso do efeito tachado em várias frases e palavras fizeram com que o fluxo de pensamento da protagonista, e as diversas dúvidas que fazem parte dele, fosse melhor compreendido. Em alguns momentos, me senti como se estivesse realmente dentro da cabeça atormentada de Juliette.
Suas mãos sobre meu corpo suas mãos sobre meu corpo suas mãos sobre meu corpoPág. 242
Os personagens são outro fator que me fez gostar do livro. Apesar de ter passado por diversas situações ruins, Juliette é uma protagonista forte. Mesmo tendo que lidar com seus estranhos poderes e com sua mente às vezes confusa, a garota não foge da luta, é leal, corajosa e, apesar de todo sofrimento que lhe foi imposto, se nega a machucar um inocente.
Adam Kent, o mocinho da história, também me conquistou. Fazia tempo que eu não gostava tanto assim de um personagem. Além de lindo, Adam é um ser humano admirável. O vilão também possui seus encantos, que não são apenas físicos. Warner é um paradoxo ambulante, capaz de uma gentileza surpreendente e de uma crueldade assustadora momentos depois.
“- Você é o único que sempre se importou – Meus olhos se enchem de lágrimas e eu pisco para contê-las e sinto o fogo na garganta e tudo tudo tudo dói.” Pág. 196
Outros bons personagens aparecem mais para o final da trama, que é uma boa junção de romance e ação. O final não me surpreendeu tanto, mas me agradou muito. Da mesma forma, me deixou louca pela continuação. Há um bom tempo não fico tão animada e ansiosa pelo segundo volume de uma série. Espero que a escritora não perca os rumos no próximo livro, pois “Estilhaça-me” tem muito potencial. Não vou adiantar mais detalhes, mas esse é o tipo de história que eu sempre quis ver nos livros.
Resumindo, recomendo muito muito muito esse livro e espero que vocês gostem tanto da história quanto eu.
Avaliação


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O menino do pijama listrado – John Boyne


Muitos já leram esse livro, outros viram o filme. Eu não havia feito nenhuma das duas coisas até alguns dias atrás. Sempre ouvi ou li comentários sobre “O menino do pijama listrado”, comentários sempre elogiosos, acompanhados da famosa frase “Chorei muito lendo esse livro” ou “Chorei muito assistindo ao filme” ou até mesmo “Eu chorei tanto com o livro quanto com o filme” e por aí vai.
Mesmo sempre tendo ouvido esse tipo de comentário, e apesar do meu interesse pelo livro, acabei não comprando, sempre deixando de lado a ideia de comprá-lo quando via as quão poucas páginas ele tinha. Cheguei a achar que não o leria tão cedo, mas, para minha felicidade, estava enganada.
Mesmo estando no meio de outras leituras, peguei “O menino do pijama listrado” emprestado, abandonei temporariamente os outros livros e me concentrei em descobrir por que essa história era tão elogiada.
A leitura da orelha do livro me deixou mais curiosa ainda, exatamente por não conter quase nenhum detalhe sobre a trama.
“É muito difícil descrever a história de O menino do pijama listrado. Normalmente, o texto da orelha traz alguma dica sobre o livro, alguma informação, mas nesse caso acreditamos que isso poderia prejudicar sua leitura, e talvez seja melhor realizá-la sem que você saiba nada sobre a trama.”
Foi assim que eu realizei minha leitura. A única coisa que eu sabia sobre a história antes de lê-la é que ela tinha alguma relação com a Segunda Guerra Mundial. Após terminar de ler, senti na pele a dificuldade de descrever a trama. É sempre complicado falar sobre um livro que se tornou um de seus favoritos, mas no caso de O menino do pijama listrado a dificuldade é ainda maior.
A história é narrada em terceira pessoa, segundo o ponto de vista de Bruno, um garoto de nove anos. Bruno morava com a família em Berlim, até o dia em que encontrou Maria, a governanta da casa, empacotando suas coisas.
Foi nesse dia que o garoto descobriu que ele e a família (seus pais e sua irmã Gretel) se mudariam para longe de Berlim por causa do emprego de seu pai, para quem todos diziam que o Fúria (nome que o pai de Bruno dizia que o garoto não estava pronunciando corretamente) tinha grandes planos. A nova casa não era nem de longe tão bonita quanto a antiga e ficava em um lugar afastado de tudo que, para Bruno, se chamava Haja-vista.
Haja-vista era um lugar isolado que, além de Bruno, sua família e os empregados, parecia ser habitado apenas pelos soldados, que eram comandados pelo pai do garoto.  Bruno descobriu que eles não eram os únicos naquele lugar na primeira vez que olhou pela janela de seu quarto.  Do outro lado de uma cerca enorme, viviam muitas pessoas.
“E um pensamento final passou pela cabeça de seu irmão, enquanto ele observava as centenas de pessoas na distância prosseguindo com seus assuntos, e era o fato de que todos eles [...] usavam as mesmas roupas: um conjunto de pijama cinza listrado com um boné cinza listrado na cabeça.” Pág. 40
O menino do pijama listrado é um livro curto, com menos de duzentas páginas, por isso não seria bom falar muito mais sobre a história. O importante é saber que, em certo momento, Bruno conhecerá Shmuel.  É como somos alertados na orelha do livro:
“Caso você comece a lê-lo, embarcará em uma jornada ao lado de um garoto de nove anos chamado Bruno [...]. E cedo ou tarde chegará com Bruno a uma cerca. Cercas como essa existem no mundo todo. Esperamos que você nunca se depare com uma delas.”
A partir da visão que Bruno tem das coisas que acontecem ao seu redor, o leitor pode ir associando os acontecimentos a fatos históricos, fazendo diversas descobertas ao longo da trama.
Não há como expressar as sensações que senti lendo essa história. Meus olhos lacrimejaram algumas vezes, mas não chorei. Para mim, o final foi previsível, mas nem por isso menos marcante. O menino do pijama listrado é uma história inesquecível, que traz à tona velhos questionamentos sobre o limite da crueldade humana, se é que esse limite existe.
“Já não sinto mais nada.” Pág. 152
Quando terminei a leitura, fiquei um bom tempo refletindo sobre a história, pensando em como eu veria os acontecimentos se fosse uma criança na época da Segunda Guerra Mundial. Não encontrei resposta para esse questionamento e nunca encontrarei, mas agora tenho uma ideia de como uma criança de nove anos enxerga o mundo.
A capa do livro é simples, mas bonita e significativa. Se você ainda não leu O menino do pijama listrado, que levou apenas dois dias e meio para ser escrito, um conselho: leia esse livro o quanto antes! Garanto que a jornada de Bruno vai te emocionar e permanecer com você para sempre.
Avaliação


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