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Harry Potter e a Criança Amaldiçoada - J. K. Rowling, Jack Thorne e John Tiffany


O universo de Harry Potter é fascinante para mim não só pela estória em si, mas porque tudo se passa em um mundo onde bruxaria e magia são reais, um mundo que para mim não só soa como encantado, mas muito próximo de uma realidade que eu acredito com as devidas proporções. Assim tudo que sai sobre eu quero ler, ver e ter fervorosamente, não só pela série em si, mas por crenças pessoais. Quando o mundo de Rowling voltou com força com o lançamento de Harry Potter e A Criança Amaldiçoada e o lançamento de Animais Fantásticos eu fiquei mais do que satisfeita de voltar para este universo, eu me senti em casa!

No oitavo livro da série conhecemos Alvo Severo Potter que tem que lidar com a difícil missão de ser ninguém menos do que filho do grande Harry Potter. Para ajudar com a sua reputação duvidosa ele se torna amigo de Escórpio Malfoy, filho de Draco Malfoy, outra criança que sofre pelo pai que tem. Juntos ele buscam seu lugar no mundo, e para isso irão trás de tentar consertar erros do passado, mas ao mexer com o passado o futuro pode ser comprometer e as trevas ressurgirem!

O livro é uma edição do roteiro de ensaio, ou seja, a narrativa são diálogos com breves descrições de cenas. A estória é de J. K. Rowling, mas escrita para o teatro por Jack Thorne. Logo a leitura é muito rápida e acessível, e pode causar estranhamento em quem nunca leu peças de teatro, confesso que só li Hamlet, e minha experiência é baixa, logo senti falta de descrições e maiores detalhes na trama.

Quanto a ideia da estória é ótima, para quem assistiu Efeito Borboleta ou conhece a teoria, é nela que se baseia toda a trama. Não a toa que dizemos que não podemos voltar a flecha atirada, uma vez feito não existe volta, não importa quantas vezes tentamos, as peças nunca mais se encaixam da mesma forma, ou ainda da forma que acreditamos poder manipular. E Alvo e Escórpio descobrem isso da pior maneira.

Alvo, filho de Harry, é um jovem muito chatinho, embora eu acredite que não seja fácil ser filho de Potter e todo o legado que este deixou, ele também é uma criança muito difícil de lidar, que não deixa claro porque afinal de tantos problemas onde não existe!. Ele parte sem muita ideia em busca de uma missão, algo que o faça ser mais do que filho de um grande homem. Esse surto dele é muito repentino e meio sem densidade, soou um pouco forçado. O grande problema é que ele não é capaz de realizar tão rápido o que seu pai levou anos para fazer, e os pés se enfiam pelas mãos! Ele tem seu talento próprio, mas lidar com suas próprias sombras é muito complicado.

Escórpio vive sob um boato sobre seu nascimento, boato esse muito grave! É um jovem solitário, e muito inteligente! É um excelente amigo para Alvo, e nada lembra seu pai, Draco. Mesmo sem a mesma ambição do amigo ele o auxilia em sua missão suicida simplesmente pela amizade. E é fundamental para o desenvolvimento da trama. Gostei muito mais dele do que de Alvo.

Quanto ao Harry Potter velho...não reconheci nele o jovem Potter! É como se de forma abrupta alguém imaginasse como alguém que ainda não envelheceu fosse ficar daqui alguns anos. E esse vão de anos fica claro, e para mim falho. O Harry que surge no livro é mais inseguro, mais traumatizado e mais perturbado do que o jovem um dia foi. E tenho dificuldade em crer que ele ficou assim, os dados deixados nos livros anteriores não caminharam para isso! E acredito que essa falha se deva pelo fato de como Rowling não ter ano a ano da vida dele detalhado. O autor tinha que crescer com o personagem, envelhecer com o mesmo, e não imaginar como isso seria, como ele seria.