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A Cidade do Sol - Khaled Hosseini


   “A cidade do Sol”, segundo livro do afegão Khaled Hosseini, repete o sucesso de “O caçador de pipas” usando uma fórmula bem parecida: a construção da amizade inserida em um contexto repleto de tensões. Dessa vez, porém, o sucesso de público e crítica tem raízes muito mais centradas em uma perspectiva feminina.
   A primeira parte do livro apresenta-nos Mariam, uma menina de quinze anos que é resultado do relacionamento entre Jalil, um homem rico da região de Herat, e Nani, a ex-empregada dele. Sua mãe insiste em dizer que ela é uma “harami” (“bastarda”), e a ligação da garota com o pai é resumida em algumas visitas. A vida de Mariam segue sem maiores perturbações até que Nani morre e ela, forçada pelas circunstâncias, decide procurar por auxílio indo até seu pai. Ao chegar lá e entender que Jalil tem uma família consolidada e não pretende incluir em seus planos uma filha nascida em um caso extraconjugal, ela é obrigada a se casar com Rashid, um sapateiro trinta anos mais velho e que representa a parcela mais autoritária dos homens do Afeganistão.
   Na segunda parte, a narrativa salta alguns anos e é focada na vida de Laila, uma menina que mora na mesma rua de Mariam e Rashid. Ela, porém, tem muito mais expectativas: é estudiosa, tem um pai amoroso e que a apoia, e tem um amigo que compensa qualquer sofrimento que a guerra possa causar - Tariq. Pouco tempo depois, ela engravida de Tariq e, como se não bastasse esse impacto emocional, perde os pais na ocasião da queda de um míssil. Sem enxergar outra possibilidade, acaba abrigada por Rashid e sendo sua segunda esposa, atribuindo a paternidade de seu filho a ele.
   A terceira parte é dedicada a explorar a ligação que nasce, aos poucos, entre as duas protagonistas. Mariam e Laila, depois de um breve momento de rejeição mútua, passam a se ajudar na busca por um objetivo maior: alcançar a felicidade, mesmo em uma realidade que se mostra tão dura.
   Em todas as 364 páginas, Khaled desempenha com excelência o trabalho de emocionar o leitor. Muitas questões que não são comuns no estilo de vida ocidental são exploradas com perspicácia, como a morte por apedrejamento – este é, sem dúvida, um dos trechos que pode deixar os mais sensíveis com lágrimas nos olhos. O livro é importante por desmitificar alguns aspectos facilmente associados ao Afeganistão e por introduzir novos conceitos quando o assunto é o Oriente Médio.
    “A cidade do Sol” é um retrato do cotidiano de um país em meio a tantos conflitos e que tenta, desesperadamente, encontrar uma ponta de reconstrução e esperança onde quer que ela possa estar. Assim como Hosseini, que dedicou seu sucesso “às mulheres do Afeganistão”, indico a leitura para mulheres – e homens – que queiram se deparar com exemplos magníficos de força e coragem, além de uma dose majestosa de inspiração pessoal e uma lição de que os sentimentos, quando verdadeiros, podem resistir a qualquer tipo de sofrimento e dor.

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O Caçador de Pipas – Khaled Hosseini


“O caçador de pipas” conta a história de Amir e Hassan, dois meninos que têm suas vidas ao mesmo tempo ligadas e distantes. Enquanto o primeiro é rico e possui tudo que quer, exceto a admiração de seu pai; o segundo é filho de Sanaubar, uma mulher cuja índole não é confiável, e Ali, um empregado do pai de Amir que sofre com as implicações físicas da poliomelite que sofreu quando mais jovem.
Além das diferenças sociais, fronteiras religiosas e ideológicas também separam os meninos. Ainda assim, eles não deixam de ser amigos, cada qual com suas características e realidades. Hassan, preso ao analfabetismo, adora ir ao cinema, brincar e ouvir as histórias dos livros indecifráveis de Amir que, embora goste da companhia dele, sente que seu pai tem preferência pelo garoto e acaba tomando algumas atitudes maldosas para tentar reverter a situação.
Durante um campeonato de pipas, uma tradição afegã, Amir vê a oportunidade de finalmente garantir o respeito de seu pai. Conforme planejado, ele ganha a competição e espera que Hassan, que o está ajudando, busque a última pipa, que representa o mais cobiçado troféu que ele pode ter. Porém, Assef, um adolescente mais velho com aspirações neonazistas que mantêm conflitos recorrentes com os meninos, encontra Hassan e o ameaça, afirmando que somente não o machucará se ele entregasse a pipa. Hassan, num gesto de extrema lealdade, prefere sofrer a trair Amir. As marcas e consequências desse dia de inverno, porém, ficariam pra sempre no coração de ambos.                                                                         _________________________________________________
“O caçador de pipas” é o romance de estreia do médico e escritor afegão Khaled Hosseini. Desde que foi publicado, o livro conquistou milhares de fãs ao redor do globo e ganhou inúmeros prêmios. Foi adaptado para os cinemas e atingiu praticamente o mesmo sucesso no Ocidente, embora tenha sido bastante reprimido no país que inspirou sua produção.
Eu o li há alguns anos, e posso afirmar que está entre os melhores. A partir dele, comecei a buscar cada vez mais informações e outros livros que tivessem como temática a vida no Afeganistão e no Oriente Médio. Aos poucos, encontrei-me perplexa com os costumes tão diferentes e com a realidade que parece surreal. Acho muito interessante o modo de vida, as tradições, todo o sistema que rege essa parte do mundo.
Atualmente, na minha condição de pré-vestibulanda, sinto-me agradecida pelos livros que li sobre esse assunto. As tortuosas relações políticas da região são temas muito recorrentes nas principais provas do país. Obviamente, a simples leitura do romance não é suficiente, mas ajuda a introduzir uma linha de pensamento muito explorada pela geografia.
Além disso, a história é intensamente humana. Perfeita para quem gosta de um drama com fundamentos históricos (meu caso).  Recomendo para todos que estão interessados em uma leitura de qualidade, repleta de momentos emocionantes, sejam eles tristes ou felizes – do jeito que a vida real é. 
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