Quando encontrei esse livro na biblioteca da minha cidade, eu não
sabia realmente o que esperar dele. Sempre tive o costume de escolher livros
pelas capas, e interessada pela desse, acabei pegando-o emprestado, sem saber a
leitura que viria pela frente. É um
livro relativamente antigo, e eu já o li faz algum tempo, mas até hoje tenho as
passagens muito vívidas na memória, por ser realmente uma história muito
marcante.
O livro conta a história de Susie Salmon, brutalmente estuprada e
assassinada na década de setenta, onde os recursos atuais, como o DNA, ainda
não existiam. É um livro de esperança e
humor, embora tenha como pontapé um acontecimento triste, e, infelizmente,
muito visto nos dias atuais.
A culpa do humor da história foi a escolha certeira de Alice Sebold
de colocar a própria Susie como narradora. Desde as primeiras páginas, nós
sabemos que ela está morta, e também nos é revelado o responsável por sua
morte, embora ela não possa fazer nada sobre isso. Do céu, Susie narra para nós
todos os acontecimentos após a sua morte—a luta de seu pai arrasado para
conseguir justiça, o distanciamento da mãe da família, a luta da sua irmã na
pressão de se tornar a substituta, e ser, ao mesmo tempo, a menina mais popular
e rejeitada da escola e a confusão do irmãozinho de apenas 4 anos, que quer
apenas que os pais parem de chorar e que sua irmã volte logo “de viagem”. Ao
mesmo tempo, ela também narra os cuidados do assassino para não ser descoberto,
as investigações infrutíferas da polícia local, a vida do garoto de quem ela
gostava e também de uma garota distante, estranhamente envolvida na história.
Em meio à tudo isso, temos também os devaneios de Susie com seus
sentimentos e suas lembranças, devaneios bem adequados para uma garota de
apenas quatorze anos. Ela sabe da injustiça de tudo aquilo, e às vezes fala de
seus sonhos para o futuro, num tom ao mesmo tempo infantil e maduro.
Foi isso que realmente me marcou. A história por si só não tem
grandes reviravoltas, com alguns acontecimentos isolados distribuídos pelas
páginas, mas foi pela protagonista que eu realmente me apaixonei. Enquanto
assiste impotente do Céu tudo se desenrolar lá embaixo, ela nos passa lições
importantes de coragem, esperança e fé, torcendo pela reconstrução de sua
família e pela justiça que sabe que não virá. Uma situação triste, mas que
pelas palavras da resignada Susie, acaba se tornando uma fábula para o leitor.
A escrita da autora é simplesmente adorável, ao mesmo tempo leve e
densa, de modo que nos envolvemos na história desde a primeira página. A
sequência de acontecimentos é dinâmica, não muito detalhada, mas ainda assim
prende o leitor de uma forma inacreditável.
Terminamos o livro e ficamos com aquele gostinho de quero mais, apesar
de não haver realmente uma continuação.
Minha única reclamação é sobre o final. Depois de uma história tão
emocionante, ele se revela fraco e insatisfatório. Nada que realmente estrague
a leitura, mas me decepcionou bastante. A diagramação da Ediouro, pelo que me
lembro, foi satisfatória—simples, mas sem muitos erros. Nada notório. E a capa,
que foi o que realmente me interessou à princípio, não faz jus à história, que
é linda, marcante e maravilhosa.
Ao que me consta, há uma adaptação cinematográfica para este livro,
que no Brasil foi traduzido como Um Olhar Do Paraíso, estrelado por Saiorse
Ronan. Não tenho interesse no filme, porque, seguindo meu modesto conhecimento
sobre adaptações cinematográficas, ele não vai conseguir passar nem metade da
emoção do livro. Procurando sobre isso, porém, acabei encontrando banners de
divulgação tão maravilhosamente lindos que mereciam ser a capa do livro—isso, é
claro, é apenas uma opinião minha.
Parabéns para Alice Sebold e
para sua ótima história, que, mesmo depois de tanto tempo, permanece vívida em
minha memória, com suas lições de esperança e renovação.
Avaliação












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