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A Sabedoria do Condado – Noble Smith

Elen síla lúmenn' omentielvo ! (1)
A primeira coisa a ser dita nessa resenha é que eu sou fã incondicional de Tolkien, o admiro como pessoa e amo as obras dele como escritor. Dito isso, quando saiu o livro A Sabedoria do Condado, do autor Noble Smith, pela Novo Conceito, eu quis na hora lê-lo, mas com muito receio de que fosse um livro de autoajuda se aproveitando da onda de O Hobbit.
Fico feliz em dizer que não, o livro não é sobre autoajuda, e nem o autor é alguém que está se aproveitando da moda. O que ele se propõe então? Smith, baseando-se especialmente na trilogia O Senhor dos Anéis e no livro O Hobbit, trabalha com as características psicológicas dos personagens para propor um novo estilo de vida ou que seja pequenas ações que visam uma vida melhor.
Esses comportamentos analisados são em sua maioria do povo pequeno, os Hobbits, que de fato são seres encantadores que exalam amor. Outros personagens também são trabalhados, como Gandalf, Aragorn, Faramir, Boromir e etc. Assim o dia a dia dos hobbits é explorado em detalhes com trechos das obras relacionadas para justificar o que é dito.
Temas como alimentação, sono e habitação; comportamentos diante das tentações da vida (quantos têm em suas vidas um precioso, ou alguém que aja como o Gollum?), amor, fardos da vida e muitos outros mais são colocados sob as perspectivas do povo da Terra Média que passou por uma guerra sem perspectivas de saírem vitoriosos.
O mais interessante para mim, que já li tanto O Senhor dos Anéis quanto O Hobbit, são os detalhes de bastidores que o autor aborda, sejam da vida pessoal de Tolkien, seja da produção filme e seus atores. Eu adoro saber tudo a respeito de Arda e de todos que fizeram parte dela em algum momento.
É uma obra deliciosa escrita em primeira pessoa com relatos inclusive da vida pessoal de Smith, o que nos perceber que ele é fã de Tolkien há muitos anos, e leva uma vida bem 'tolkiniana'. A diagramação é simples e todo fim de capítulo conta com 'A sabedoria do condado nos diz...' que é uma frase que resume a ideia do capítulo.
No fim do livro existe um capítulo que ensina como fazer seu jardim hobbit (uma pena que eu não tenha espaço por aqui, eu simplesmente babo pela ideia de ter uma horta bem fofa!) e outro com o teste muito divertido para saber quanto hobbit você é, e digo com um sorriso satisfeito que sou uma super-hobbit, rs!
Talvez você esteja se perguntando se o livro pode ser lido por quem não leu os livros ou viu os filmes. Bem, se você não conhece nada da obra de Tolkien acho difícil que você compreenda ou ache graça do que é dito. Mas se você já viu pelo menos os filmes e gostou já vai ter bons momentos de leitura.
Agora se você é como eu fã de carteirinha, se joga, a leitura é muito proveitosa e organiza diversos setores da Terra Média de forma muito bem amarrada e pagã. Isso mesmo, eu não consigo colocar de outra forma, embora em nenhum momento seja falado de religião, a essência do paganismo é tão marcante que me faz suspirar. Tolkien mesmo dizia que os hobbits desenvolveram "uma amizade íntima com a Terra", ou seja, são parte do Condado tanto quanto o solo, as rochas, os rios e as árvores.
E como psicóloga posso dizer que é muito interessante as análises breves que o autor faz dos comportamentos dos personagens. Como por exemplo, Bilbo passou de um hobbit medroso para um pequeno com sede de aventura.
Tentando extrair o melhor do que Tolkien nos deixou em suas obras, para promover pessoas sensíveis, sinceras consigo mesmas, críticas e com sabedoria para fazer das coisas simples momentos de magia, A Sabedoria do Condado é tocante e mágica, como só Tolkien pode inspirar!

(1) É um ditado éfico que significa  "Que a estrela brilhe na hora da nossa reunião !" que trabalha mais do que a frase diz, que dizer que espera-se que quem diz espera torna-se seu amigo e que esta amaizade dure. Não é encantador?
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