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Deuses Americanos – Sombras #01 – Neil Gaiman, P. Craig Russell & Scott Hampton

Como uma fã de Neil Gaiman e de quadrinhos, tento ler as suas histórias sempre surge uma oportunidade, ainda mais as que viram HQs e ganham traços maravilhosos. Sendo assim, sempre que possível leio os seus volumes e com esse título não poderia ser diferente. Agora, venho compartilhar com vocês as minhas opiniões sobre a versão em HQ de um dos títulos mais famosos do autor, “Deuses Americanos”.
Nesse volume conhecemos Shadow, um presidiário que está prestes a ser solto, porém, alguns dias antes da sua liberdade, descobre que a sua esposa sofreu um acidente de carro junto com o seu melhor amigo, e esse acidente acabou resultando na morte do dois, mudando totalmente os planos de nosso protagonista para a sua soltura. Sem ter para onde ir, ele acaba conhecendo o misterioso Wednesday, um homem enigmático que lhe oferece um emprego, bem fácil e informal, onde nosso protagonista deve virar o braço direito dele e o levar para rever algumas pessoas, sendo uma longa viagem pelos Estados Unidos, cheia de mistérios e trapaças.
Em certo ponto, Shadow percebe que acabou se envolvendo em uma batalha entre Deuses antigos e Deuses Americanos, já que Wednesday na verdade é a encarnação de Odin (Deus que é pai de todos), e está tentando reunir os antigos Deuses da mitologia para participar de uma guerra contra os novos Deuses, já que os poderes dos velhos estão diminuindo por conta da obsessão dos americanos por celebridades, tecnologia, etc.
 Esse volume é cheio de histórias paralelas, lendas urbanas e desenhos maravilhosos que fazem a gente ficar babando todo o tempo nesse enredo maravilhoso. Os pequenos detalhes fazem toda a diferença nessa história, que é totalmente original e empolgante e faz com que a gente não consiga parar de ler nem por um minuto até chegar ao fim.


Se você chegou a ler Mitologia Nórdica de Neil Gaiman vai ter mais facilidade em entender esse volume, pois ele continua usando muito do seu conhecimento dessa mitologia nesse título, então achei bem mais fácil o entendimento de algumas coisas, pois eu já as conhecia devido a minha leitura dessa outra obra.
O livro todo é muito maravilhoso, seja pela história muito bem escrita e criativa, quanto pelas ilustrações perfeitas de artistas variados que são um show à parte. Os personagens, tanto os principais quanto os secundários, conseguem nos conquistar, cada um com suas particularidades, e vemos que todos eles foram muito bem trabalhados e construídos.
A edição em quadrinhos é uma adaptação da história original de Neil Gaiman, com roteiro e layouts de P. Craig Russell, arte de Scott Hampton, capa de David Mack, e ilustrações de diversos artistas, entre eles Walter Simonson, Colleen Doran, Glenn Fabry e Fábio Moon.


O Livro do Cemitério em HQ #01 - Neil Gaiman & P. Craig Russell

Um homem chamado Jack tinha um trabalho a cumprir: assassinar uma família inteira, composta por um pai, uma mãe e dois filhos. Depois de realizar com sucesso os três primeiros homicídios, só falta um bebê para concluir o serviço. Porém, algo sai errado e o bebê desaparece. Com um misto de curiosidade e sorte, este pequeno fugiu do berço e de casa, indo parar num cemitério, onde foi encontrado por almas que lhe ajudaram prontamente. Quando o fantasma da mãe aparece e implora para que aqueles espíritos antigos salvem seu filho, a Sra. Owens lhe faz uma promessa de que cuidará dele como seu fosse o seu próprio filho, e, com a bênção dos outros moradores do cemitério e também de Silas e da Dama de cinza, montada em um cavalo, ela o faz.
O menino ganha o nome de Ninguém Owens, comumente chamado de Nin, e passa a viver no Cemitério com todos aqueles fantasmas de diversas épocas e costumes, e recebe a Liberdade do Cemitério, podendo enxergar no escuro e se locomover por onde quer que vá dentro daquele espaço. Entre covas e lápides, o garoto vai crescendo e vamos acompanhando sua vida, seus aprendizados e as amizades que constrói. Ele passa a viver rodeado de almas boas e prestativas e com carinho, além de ter a companhia de seu guardião, Silas, o único que pode sair do local, que sempre lhe trata bem, como a um igual, cuida dele e lhe explica tudo o que Nin lhe pergunta, sem enrolações.
Em meio a aventuras, Nin começa a se questionar a respeito de algumas coisas e, mesmo obediente, passa a ultrapassar algumas barreiras devido a sua curiosidade aguçada. Ele conhece outras pessoas de fora e passa por situações que ficarão para sempre em sua memória. Mas o mal está sempre à espreita e ele deve ter cuidado, pois Jack ainda não terminou seu serviço e, mesmo que anos tenham se passado desde aquele fatídico dia em que toda a família de Ninguém foi assassinada, ele não desistirá até cumprir com sua missão.
Já li algumas obras de Neil Gaiman e, claro, já tinha escutado comentários sobre “O Livro do Cemitério”, um dos trabalhos mais famosos e bem-sucedidos do autor. Mas nunca antes tinha parado para ler esta história, ainda que a mesma tenha sido publicada pela primeira vez em 2008 no exterior e em 2010 pela Rocco Jovens Leitores aqui no Brasil. Porém, no final de 2017, uma edição em HQ chegou por aqui e não resisti a ela. Afinal, queria conhecer essa trama tão premiada deste autor consagrado.
Essa versão que li foi uma adaptação feita por P. Craig Russell, ganhadora dos prêmios Harvey e Eisner, do romance que já era best-seller ganhador das Medalhas Newbery e Carnegie. As ilustrações ficaram a cargo de Kevin Nowlan, P. Craig Russell, Tony Harris e Scott Hampton, Galen Showman, Jill Thompson e Stephen B. Scott, sendo que cada um ficou responsável por um capítulo, no qual Nin aparece com uma idade diferente.
A história é bem interessante, tem um quê de poética e é repleta de aventuras e até passagens reflexivas. Nin é um personagem adorável e gostei de poder acompanhá-lo vivendo no cemitério e aprendendo as coisas da vida com pessoas já mortas. Todos ali sempre lhe trataram muito bem, em especial seu guardião Silas, que pode parecer frio por fora, mas tive a impressão de que é alguém digno e que se importa muito com nosso pequeno garoto.
Como li a edição adaptada, não posso comentar com detalhes sobre a escrita de Gaiman, porém conheço o trabalho do autor e sei que é maravilhoso. Além do mais, é possível notar toda a sensibilidade do texto, mesmo através dessas frases curtas encontradas nos quadrinhos. Sua narrativa é leve, envolvente e viciante, e o leitor logo se vê inserido naquele universo, sentindo-se próximo de Ninguém, esse personagem cativante e curioso.
A leitura flui muito bem e é possível ler a obra inteira em pouquíssimas horas. As ilustrações destes talentosos artistas casaram muito bem com o enredo, fazendo com que se tornassem um complemento certeiro para a leitura, o que resultou em um trabalho fantástico.
Mesmo os ilustradores de cada capítulo sejam diferentes, achei bem bacana acompanhar seus trabalhos e particularidades, que deram o tom certo em cada momento da trama. As cores também se encaixaram com maestria no contexto, fazendo com que a harmonia fosse linda e passasse o clima da história, com um ar mais sombrio, sensível e misterioso ao mesmo tempo.