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Coraline – Neil Gaiman & Chris Riddell


Boa Noite, gente! Tudo bem? Hoje vim falar sobre um livro muito bacana que li recentemente do Neil Gaiman e gostei bastante. Sempre fui fã do autor e amo as suas obras, por esse motivo, sempre que é possível gosto de ler algo de sua autoria. Apesar de já conhecer esse título, ainda não havia tido a oportunidade de lê-lo. Quando vi a belíssima edição da Intrínseca com Capa Dura, miolo todo ilustrado e até fitinha para marcar, tudo seguindo o padrão de cores e tons (clique na próxima foto para ver como ficou por dentro), sabia que não podia esperar mais para conhecer essa história.
Nesse volume conhecemos Coraline, uma jovem que se muda para um apartamento em um casarão antigo com os seus pais. Filha única, às vezes ela se sente muito sozinha, pois seus pais trabalham muito e acabam não dando tanta atenção para a menina. Muito inteligente, nossa protagonista começa a explorar ao seu redor e conhece tudo o que podia, além de visitar os seus vizinhos excêntricos. Quando ela resolve explorar o interior da sua casa, descobre uma porta que dá para uma parede de tijolos. 

Depois de um dia, quando nossa protagonista reabre essa porta, descobre um portal para um outro mundo, onde seus outros pais são criaturas muito pálidas, com botões negros no lugar dos olhos, que lhe dão atenção, amor, carinho, comidas gostosas e mostram diversas brincadeiras, fazendo com que nossa protagonista se sinta mais em casa nesse mundo mágico, onde ela acaba também conhecendo um gato falante com um humor bem ácido.
Com o passar do tempo, vemos que Coraline, sendo uma menina muito esperta, logo repara que tem alguma coisa errada, fazendo com que ela perceba que deve ser corajosa para salvar a si mesma e as pessoas que ama. E com ajuda ela vai viver uma grande aventura.



O Oceano no Fim do Caminho - Neil Gaiman


Meu portão de entrada para Neil Gaiman foi através de seus contos em Coisas Frágeis, na época gostei muito de alguns deles e outros não me surpreenderam, desde então estava ansiosa para saber o que eu iria achar de seus romances. O Oceano no Fim do Caminho, publicado pela Intrínseca foi o que acabou parando nas minhas mãos primeiro, e despertou mais a minha vontade de continuar lendo o autor.

No dia de um velório um homem por volta de seus quarenta anos acaba por voltar a sua casa de infância, e também a casa que fica no fim de sua rua. Essa casa mais do que lembrar de alguns acontecimentos de quando era criança, o faz lembrar de uma grande aventura que viveu com sua vizinha, Lettie Hempstock, depois da estranha morte de um inquilino que roubou o carro de seu pai e cometeu suicídio. Fatos que poderiam ser apenas estranhos na verdade estão a ligados a um mundo que o menino de sete anos passa a conhecer e temer.

Eu poderia fazer um resumo do que é essa estória e sem sombras de dúvida não seria capaz de contar todas as nuances que o autor foi capaz de colocar. Provavelmente soaria ou como uma estorinha boba ou como alguma trama maluca sem pé nem cabeça, mas acredite quando digo que Gaiman conseguiu transitar muito bem entre a realidade e um mundo fantástico, e nos brindar com uma trama instigante e mágica.

A leitura pode ter diversas camadas, desde aquilo que é explicitamente dito, passando por questões criticadas ou trabalhadas até aquelas em que podemos imaginar ou deduzir, mas não são de fato ditas. Assim fica claro que a família Hempstock veio de algum outro universo, segue outras regras e tem alguns poderes, mas não fica claro que tipo de criaturas elas são ou quais são todos os seus poderes, elas dão dicas e algumas teorias podem ser feitas, mas o autor deixa aberto a interpretações sobre a verdade.

Ao mesmo tempo em que trabalha a infância do menino que é retraído, focado na leitura de livros e com dificuldades na interação social, ele trabalha questões mais amplas sobre a formação do universo e comportamento social. A narrativa não segue um lugar comum, e pode fazer com que o leitor as vezes se sinta perdido, já que não trabalha com respostas prontas, e usa a narração em primeira pessoa do menino que limita um pouco a visão de conjunto. Mas alguns dos fatos que um adulto ao ler consegue compreender com facilidade sob o olhar da criança acabam sendo interpretados de forma errada ou incompreendidos, a trama segue por esse viés inocente e ignorante sobre as malícias do mundo.


Deuses Americanos – Sombras #01 – Neil Gaiman, P. Craig Russell & Scott Hampton

Como uma fã de Neil Gaiman e de quadrinhos, tento ler as suas histórias sempre surge uma oportunidade, ainda mais as que viram HQs e ganham traços maravilhosos. Sendo assim, sempre que possível leio os seus volumes e com esse título não poderia ser diferente. Agora, venho compartilhar com vocês as minhas opiniões sobre a versão em HQ de um dos títulos mais famosos do autor, “Deuses Americanos”.
Nesse volume conhecemos Shadow, um presidiário que está prestes a ser solto, porém, alguns dias antes da sua liberdade, descobre que a sua esposa sofreu um acidente de carro junto com o seu melhor amigo, e esse acidente acabou resultando na morte do dois, mudando totalmente os planos de nosso protagonista para a sua soltura. Sem ter para onde ir, ele acaba conhecendo o misterioso Wednesday, um homem enigmático que lhe oferece um emprego, bem fácil e informal, onde nosso protagonista deve virar o braço direito dele e o levar para rever algumas pessoas, sendo uma longa viagem pelos Estados Unidos, cheia de mistérios e trapaças.
Em certo ponto, Shadow percebe que acabou se envolvendo em uma batalha entre Deuses antigos e Deuses Americanos, já que Wednesday na verdade é a encarnação de Odin (Deus que é pai de todos), e está tentando reunir os antigos Deuses da mitologia para participar de uma guerra contra os novos Deuses, já que os poderes dos velhos estão diminuindo por conta da obsessão dos americanos por celebridades, tecnologia, etc.
 Esse volume é cheio de histórias paralelas, lendas urbanas e desenhos maravilhosos que fazem a gente ficar babando todo o tempo nesse enredo maravilhoso. Os pequenos detalhes fazem toda a diferença nessa história, que é totalmente original e empolgante e faz com que a gente não consiga parar de ler nem por um minuto até chegar ao fim.


Se você chegou a ler Mitologia Nórdica de Neil Gaiman vai ter mais facilidade em entender esse volume, pois ele continua usando muito do seu conhecimento dessa mitologia nesse título, então achei bem mais fácil o entendimento de algumas coisas, pois eu já as conhecia devido a minha leitura dessa outra obra.
O livro todo é muito maravilhoso, seja pela história muito bem escrita e criativa, quanto pelas ilustrações perfeitas de artistas variados que são um show à parte. Os personagens, tanto os principais quanto os secundários, conseguem nos conquistar, cada um com suas particularidades, e vemos que todos eles foram muito bem trabalhados e construídos.
A edição em quadrinhos é uma adaptação da história original de Neil Gaiman, com roteiro e layouts de P. Craig Russell, arte de Scott Hampton, capa de David Mack, e ilustrações de diversos artistas, entre eles Walter Simonson, Colleen Doran, Glenn Fabry e Fábio Moon.


O Livro do Cemitério em HQ #01 - Neil Gaiman & P. Craig Russell

Um homem chamado Jack tinha um trabalho a cumprir: assassinar uma família inteira, composta por um pai, uma mãe e dois filhos. Depois de realizar com sucesso os três primeiros homicídios, só falta um bebê para concluir o serviço. Porém, algo sai errado e o bebê desaparece. Com um misto de curiosidade e sorte, este pequeno fugiu do berço e de casa, indo parar num cemitério, onde foi encontrado por almas que lhe ajudaram prontamente. Quando o fantasma da mãe aparece e implora para que aqueles espíritos antigos salvem seu filho, a Sra. Owens lhe faz uma promessa de que cuidará dele como seu fosse o seu próprio filho, e, com a bênção dos outros moradores do cemitério e também de Silas e da Dama de cinza, montada em um cavalo, ela o faz.
O menino ganha o nome de Ninguém Owens, comumente chamado de Nin, e passa a viver no Cemitério com todos aqueles fantasmas de diversas épocas e costumes, e recebe a Liberdade do Cemitério, podendo enxergar no escuro e se locomover por onde quer que vá dentro daquele espaço. Entre covas e lápides, o garoto vai crescendo e vamos acompanhando sua vida, seus aprendizados e as amizades que constrói. Ele passa a viver rodeado de almas boas e prestativas e com carinho, além de ter a companhia de seu guardião, Silas, o único que pode sair do local, que sempre lhe trata bem, como a um igual, cuida dele e lhe explica tudo o que Nin lhe pergunta, sem enrolações.
Em meio a aventuras, Nin começa a se questionar a respeito de algumas coisas e, mesmo obediente, passa a ultrapassar algumas barreiras devido a sua curiosidade aguçada. Ele conhece outras pessoas de fora e passa por situações que ficarão para sempre em sua memória. Mas o mal está sempre à espreita e ele deve ter cuidado, pois Jack ainda não terminou seu serviço e, mesmo que anos tenham se passado desde aquele fatídico dia em que toda a família de Ninguém foi assassinada, ele não desistirá até cumprir com sua missão.
Já li algumas obras de Neil Gaiman e, claro, já tinha escutado comentários sobre “O Livro do Cemitério”, um dos trabalhos mais famosos e bem-sucedidos do autor. Mas nunca antes tinha parado para ler esta história, ainda que a mesma tenha sido publicada pela primeira vez em 2008 no exterior e em 2010 pela Rocco Jovens Leitores aqui no Brasil. Porém, no final de 2017, uma edição em HQ chegou por aqui e não resisti a ela. Afinal, queria conhecer essa trama tão premiada deste autor consagrado.
Essa versão que li foi uma adaptação feita por P. Craig Russell, ganhadora dos prêmios Harvey e Eisner, do romance que já era best-seller ganhador das Medalhas Newbery e Carnegie. As ilustrações ficaram a cargo de Kevin Nowlan, P. Craig Russell, Tony Harris e Scott Hampton, Galen Showman, Jill Thompson e Stephen B. Scott, sendo que cada um ficou responsável por um capítulo, no qual Nin aparece com uma idade diferente.
A história é bem interessante, tem um quê de poética e é repleta de aventuras e até passagens reflexivas. Nin é um personagem adorável e gostei de poder acompanhá-lo vivendo no cemitério e aprendendo as coisas da vida com pessoas já mortas. Todos ali sempre lhe trataram muito bem, em especial seu guardião Silas, que pode parecer frio por fora, mas tive a impressão de que é alguém digno e que se importa muito com nosso pequeno garoto.
Como li a edição adaptada, não posso comentar com detalhes sobre a escrita de Gaiman, porém conheço o trabalho do autor e sei que é maravilhoso. Além do mais, é possível notar toda a sensibilidade do texto, mesmo através dessas frases curtas encontradas nos quadrinhos. Sua narrativa é leve, envolvente e viciante, e o leitor logo se vê inserido naquele universo, sentindo-se próximo de Ninguém, esse personagem cativante e curioso.
A leitura flui muito bem e é possível ler a obra inteira em pouquíssimas horas. As ilustrações destes talentosos artistas casaram muito bem com o enredo, fazendo com que se tornassem um complemento certeiro para a leitura, o que resultou em um trabalho fantástico.
Mesmo os ilustradores de cada capítulo sejam diferentes, achei bem bacana acompanhar seus trabalhos e particularidades, que deram o tom certo em cada momento da trama. As cores também se encaixaram com maestria no contexto, fazendo com que a harmonia fosse linda e passasse o clima da história, com um ar mais sombrio, sensível e misterioso ao mesmo tempo.


Mitologia Nórdica - Neil Gaiman

Como uma amante dos livros de Neil Gaiman, sempre que um novo volume do autor é publicado no Brasil, eu saio correndo para conseguir ler. Isso porque ele é um dos meus autores favoritos e um dos maiores escritores de fantasia dos últimos tempos, trazendo sempre histórias encantadoras, que nos prendem do início ao fim. Quando vi que ele iria lançar “Mitologia Nórdica”, fiquei empolgada por esta leitura, uma vez que esse volume é inspirado pela mitologia antiga e o exemplar impresso tem um trabalho gráfico perfeito. Quando peguei esse título em mãos, fiquei impressionada com tamanha qualidade e capricho que a editora teve com o mesmo. Agora, depois de ter passado ele na frente em minha pilha de leituras, venho compartilhar com vocês todas as minhas opiniões.
Neste volume somos apresentados a quinze contos que narram, em ordem cronológica, desde a origem do mundo até ao Ragnarök, o chamado apocalipse dos deuses que irá levar ao fim do mundo. Lemos esses contos que trazem personagens como Thor, Odin, Loki, Balder, entre outros, e nos prendemos na forma de escrita de Gaiman, que consegue, com o seu jeito único, nos conquistar e surpreender em todos os momentos trazendo as características desses deuses de forma crua. Ou seja, ele nos mostra suas características como quer, trazendo até mesmo as que são menos citadas, como Thor com sua força imbatível, mas com sua inteligência um pouco desfavorecida, e  também sobre as ideias de Loki, e como as mesmas irritavam todos os Deuses, assim como descobrimos o porquê dos terremotos existirem, entre outras coisas que durante toda a leitura vão contribuindo para os leitores irem aprendendo um pouquinho mais.
“Mitologia Nórdica” nos desperta diversos tipos de sentimentos, como amor e ódio pelo mesmo personagem, fazendo com que a gente não consiga parar de ler nem por um segundo, já que, apesar de serem contos que podem ser lidos separados, juntos eles trazem uma grande história. Então, quando acabamos um, logo estamos loucos para ler o outro. Com uma narrativa rápida e fluida, acompanhamos os personagens centrais em uma trama repleta de traição, que conta com o humor ácido e natural do autor, que romantiza a trama de sua maneira.
Neil também consegue arrancar diversas gargalhadas, com cenas muito bem descritas e algumas até cômicas, e nesse volume encontramos muita ação, principalmente com Thor e seu martelo, nos trazendo uma leitura impossível de largar. Gostei bastante de como ele apresentou todos os personagens, cada um com o seu jeito de ser, deixando tudo ainda mais gostoso. Muitos dos personagens apresentados aqui eu já conhecia, mesmo que pouco, mas encontrei alguns novos, o que achei bem legal.


Criaturas Estranhas - Histórias Selecionadas Por Neil Gaiman

A primeira coisa que me chamou bastante atenção nesse título foi essa capa maravilhosa que só de olhar já dá vontade de ter o livro. E, claro, o nome de Neil Gaiman bem grandão foi outra coisa que me fez querer ler essa obra. Você deve estar pensando assim: “ Mas é um livro de contos, então apenas um foi escrito por ele”. Só que o exemplar foi organizado pelo autor, portanto eu já tinha certeza, antes mesmo de ler, que iria encontrar muita coisa boa por ali.
Como resenhar um livro de contos é sempre bem difícil, uma vez que são muitas histórias – neste caso, dezesseis –, para eu falar de cada uma delas. Por isso, vou comentar apenas sobre as que mais gostei. Mas essa é uma coletânea de contos povoada por seres fantásticos, magníficos e às vezes assustadores, que vão te conquistar em todos os momentos. Foi bem gostoso poder ler todos eles, e não achei que nenhum tenha sido ruim e que eu não leria ou indicaria.
Uma coisa que achei bem legal é que esse volume possui ilustrações de Briony Morrow-Cribbs no início de cada um dos contos, e eu, como amo uma boa ilustração, fiquei doida com isso e achei que completou a obra de uma forma incrível, nos dando uma visão de cada trama.
Vou começar falando do conto do próprio Neil Gaiman, chamado “Pássaro do Sol”. Nele, conhecemos a história de uma sociedade de cavalheiros que comiam criaturas estranhas como besouros, restos de mamutes e coisas esquisitas assim, que eram consideradas mágicas. Esse grupo de cavalheiros se reunia diariamente para provar dessas iguarias e a única coisa que eles ainda não haviam comido era o pássaro do sol.
O “Prismática”, de Samuel R. Delaney, também me chamou bastante atenção trazendo a história de um homem muito magro e de cabelos grisalhos, que entrou em uma taverna carregando um grande baú, que, segundo ele, trazia dentro um querido amigo, oferecendo, então, uma recompensa em dinheiro para quem o ajudasse a encontrar uma cura para o mesmo. E vemos que, após conseguir ajuda de Amos, os dois saem em uma jornada em busca de três fragmentos de um espelho mágico.
Outra história que também achei bem legal foi “O Lobisomem Cabal”, de Anthony Boucher, onde conhecemos um professor de alemão, Lobato Lobo, que, ao receber a visita de um homem que se diz mágico e repetir algumas palavras, o seu gene de lobisomem é acionado. A história foi bem divertida e tomou um rumo mirabolante. Além disso, nesse conto encontramos bastante ação e nos divertimos muito com esse professor.


A Bela e a Adormecida - Neil Gaiman

Era uma vez, num reino não muito distante, uma maldição que colocava todas as pessoas para dormir um sono eterno. E, conforme o tempo passava, sua área de atuação aumentava e mais cidadãos começavam a dormir. A Rainha (aqui ninguém tem o nome revelado), prestes a se casar, não podia deixar isso crescer até alcançar seu reino e, acompanhada pelos anões, segue rumo a um destino que desconhece, atrás de seu objetivo: salvar a Princesa e quebrar a maldição. Será que ela vai conseguir ou também vai sucumbir ao sono?
Já li algumas obras de Neil Gaiman, que possui um currículo bem extenso e é ganhador de muitos prêmios. Particularmente, gosto bastante do autor e sinto uma grande admiração por ele, então quando vi mais um de seus títulos infantojuvenis no catálogo da Rocco Jovens Leitores, sabia que precisava tê-lo. Ainda mais com uma edição tão bonita dessas.


Gaiman uniu dois contos de fadas, A Bela Adormecia e Branca de Neve, e criou um novo, com elementos de ambos bastante evidentes na trama, como a existência de anões ligados à protagonista, uma maldição que fez uma princesa dormir por anos, assim como seus familiares e todo o reino, à espera de alguém para quebrar o feitiço e todos acordarem, entre outros pontos tão famosos quanto. Mas sua trama é nova e cheia de detalhes inéditos.

E preciso confessar que estava esperando por uma coisa, mas aconteceu um plot twist e fui pega, totalmente desprevenida, quando outra aconteceu no lugar. Achei isso muito interessante porque foi original e completamente inesperado. E gostei de como a história tomou este rumo diferente.

O mais bacana de tudo é que o autor se preocupou em demonstrar o poder e a independência feminina em diversas passagens, seja porque a Rainha decidiu adiar seu casamento porque queria fazer outras coisas que considerava mais importantes primeiro, seja porque ela foi tentar solucionar um problema por si só, enfrentando, inclusive, percalços pelo caminho, entre outras situações de igual importância.

O livro é curto e tem apenas setenta e duas páginas, a narrativa do autor é leve, envolvente e descontraída, sua escrita é fácil e direta, e sua forma de narrar é tão interessante que a gente não consegue desgrudar da leitura até tê-la concluído.

A edição nacional, publicada pela Rocco Jovens Leitores, está mais do que completamente maravilhosa e apaixonante. Desde o primeiro instante que pus meus olhos no exemplar, fiquei encantada. A primeira coisa com a qual nos deparamos é a jacket (aquela sobrecapa que algumas edições de capa dura possuem, principalmente lá fora), que ganhou impressão numa folha transparente fosca LINDA, com apenas alguns detalhes nela, como as flores com os caules em DOURADO, o título com margem e algumas letras também na mesma cor dourada, e o nome do autor, na quarta capa os espinhos e uma rosa estão nesta cor, com os demais desenhos em preto e branco, e um pequeno texto como sinopse.

Ao retirarmos a jacket, temos acesso à capa dura, que possui uma ilustração em preto e branco da Bela Adormecida dormindo (essa imagem que aparece na capa do começo do post, como podem ver pelas fotografias também) e na quarta capa uma caveira nas mesmas cores. Quando abrimos o exemplar, encontramos um mapa na folha de guarda e depois algumas ilustrações para, enfim, começarmos a leitura.

E o miolo também é todo ilustrado por Chris Riddell, que, inclusive, já fez parceria com Neil Gaiman em diversos outros projetos, assinando a parte gráfica de muitas obras do autor. Gosto muito dos seus traços, que eu já conhecia de outros livros, inclusive com escritores diferentes, que são facilmente reconhecíveis. Os traços são finos, realistas e bem detalhados, criando cenas completas, que se juntam ao texto transformando a experiência de leitura em algo muito mais rico. Todas as cenas complementam o texto de forma ideal, nos mantendo entretidos e admirados ao mesmo tempo.

As páginas são em papel couché (aquele estilo folha de revista, porém mais grosso), com alta qualidade de impressão. Todas as ilustrações foram feitas em preto e branco, com detalhes em dourado, dentro do desenho ou nas margens do mesmo. Esta cor maravilhosa ainda está presente em pequenos trechos de texto e em detalhes gráficos que enfeitam as letras iniciais de alguns parágrafos. Pelas fotos já dá para ter uma ideia do quão bonita esta edição está, mas garanto que ao vivo é ainda mais bela.

Adorei esta nova versão dos contos de fada criada por Neil Gaiman e ilustrada por Chris Riddell! Se você gosta de adaptações destas histórias, que são voltadas para públicos de todas as idades, com personagens cativantes, uma pitada de aventura e um final totalmente surpreendente, então esta edição MARAVILHOSA de “A Bela e a Adormecida” merece um lugarzinho especial na sua coleção e na sua estante.


Avaliação



A Verdade É uma Caverna nas Montanhas Negras - Neil Gaiman

Começo esta resenha dizendo que não posso comentar muito sobre o enredo do livro, visto que o bacana de ler esta história é entendê-la quando o propósito da jornada do protagonista é revelado. Além disso, ela é muito curta e, qualquer coisa que eu pudesse dizer mais elaborada sobre ela, acabaria sendo um spoiler e o leitor perderia toda a graça antes do tempo. Mas posso dizer que este é um conto onde dois personagens saem em uma expedição em busca de um tesouro escondido numa caverna. Mas o ouro é amaldiçoado e há um preço para aqueles que entram naquele espaço e saem com o que desejam.
Já li algumas das obras de Neil Gaiman, sendo a mais famosa dentre elas “Stardust – O Mistério da Estrela”, que já foi adaptada para uma versão cinematográfica com Claire Danes, Michelle Pfeiffer, Robert De Niro e Charlie Cox, que eu amo tanto quanto o livro, apesar de serem bem diferentes (tem resenha de ambas aqui no blog com comparações, clica no título para conferir).
Os demais títulos do autor que li foram curtos, sendo contos ou não ficção e absolutamente adorei todos. Gaiman tem uma habilidade com as palavras tão incrível, que a gente se sente conectada a elas de uma forma magnética, quase sem desgrudar os olhos das páginas, principalmente porque desejamos saber o que vai acontecer no final, o que ele preparou para aquele desfecho.
Foi essa a sensação que tive com “A Verdade É uma Caverna nas Montanhas Negras”. Comecei a leitura sem saber muito o que esperar em relação ao enredo, sabia que era do aclamado escritor, que tinha relação com família e amor e nada mais. Então a cada virada de página eu não necessariamente sabia o que estava acontecendo, porque precisava continuar avançando para entender qual era o objetivo de toda aquela jornada. E, olha, foi surpreendente! Confesso que não esperava algo assim, mas achei o final bem positivo, apesar de trágico.
É aquele tipo de livro que vai mexer com os sentimentos do leitor, fazê-lo indagar seu próprio comportamento caso estivesse na mente do protagonista. O que faria? Teria agido igual ou escolheria um caminho diferente? Tudo depende do seu coração, da sua capacidade de agir de tal forma e qual a sua posição quanto a vinganças e o que ela traz de volta para seu coração e sua mente. O que seria necessário acontecer com você para que pudesse aguentar as consequências de uma atitude extrema, que fizesse valer o que de ruim viesse com sua decisão?
“– Às vezes acho que a verdade é um lugar. Para mim, é como uma cidade: pode haver uma centena de estradas, uma centena de caminhos que, no fim, nos levarão ao mesmo lugar. Não importa de onde venhamos. Se seguirmos na direção da verdade, vamos alcançá-la, independentemente do rumo que tomamos.
[...]
Está enganado. A verdade é uma caverna nas Montanhas Negras. Há somente um caminho até lá, e um caminho apenas. Um caminho árduo e traiçoeiro. E, se seguir na direção errada, vai morrer sozinho na montanha.”
Há um quê de misterioso nesta história de Gaiman que nos prende nas páginas, a gente entende o que está havendo meio que superficialmente, porque acompanhamos os acontecimentos no momento em que ocorrem, mas sabemos que há algo sob a superfície, algo que vai aparecer mais cedo ou mais tarde e mudar tudo, trazer uma nova perspectiva de cada episódio vivenciado para chegar até esta revelação.
A narrativa do autor é bastante fluida e gostosa, fazendo com que nossa leitura avance com facilidade e rapidamente. O cenário e o pano de fundo histórico são mencionados e eu gostei de conhecê-los, principalmente porque me remeteram a uma série televisiva que tanto amo, Outlander, baseada em obras literárias da autora Diana Gabaldon. Aqui, os personagens também caminham pela Escócia, nas Highlands, no período dos jacobitas.
A edição impressa da Intrínseca está um verdadeiro primor. A capa é dura, o formato do livro é um pouco menor que o padrão nacional, é quadrado e tem 20 cm x 20 cm. As páginas são em papel couché (estilo folha de revista, só que mais grosso), com alta qualidade de impressão.
O livro tem apenas oitenta páginas, mas consegue encantar neste curto espaço, principalmente levando em consideração a forma como a trama foi contada: além do texto em prosa com ilustrações complementando as cenas de forma fantástica, ainda há alguns trechos em quadrinhos com suas características falas em balão. Os traços do ilustrador, Eddie Campbell, são diferentes a cada momento, ora mais parecido com pinturas com uma pegada mais realista, ora mais voltado para o desenho, e detalhados com foco nos personagens na maior parte do tempo, deixando o cenário mais como pano de fundo mesmo em alguns momentos e como destaque em outros.
Neil Gaiman já teve diversas de suas obras publicadas, inclusive muitas já foram traduzidas para o português, e há resenha de algumas aqui no blog (clique no nome do autor para conferir), ele já ganhou diversos prêmios, inclusive por “A Verdade É uma Caverna nas Montanhas Negras”, e “é considerado um dos dez maiores escritores pós-modernos vivos”.
Depois de terminado o conto, há um texto do autor explicando que ele foi convidado para participar de um festival no Opera House de Sydney e escolheu um ainda inédito, que é este aqui. Para acompanhá-lo nesta apresentação, ele escolheu o artista Eddie Campbell para ilustrar as projeções e o Quarteto de Cordas FourPlay (que compôs o tema de Doctor Who) para cuidar da música. É claro que essa apresentação não poderia ter sido menos do que um sucesso absoluto. E depois a obra literária, “uma obra que passeia entre o livro ilustrado e o graphic novel, desafiando os limites entre texto e imagem em uma explosão de cor e sombra”, foi idealizada.
“A Verdade É uma Caverna nas Montanhas Negras” é uma história curta, reflexiva, tocante e profunda, que só um bom escritor poderia ter feito. E Gaiman já provou inúmeras vezes que se encaixa perfeitamente nesta categoria. Recomendo muito!
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João e Maria - Neil Gaiman

João e Maria são duas crianças adoráveis, que vivem na floresta com seus pais e levam uma vida muito boa, saudável e divertida. Até que as guerras chegam e os momentos de crise vêm com elas: pilhagens, extermínios, fogos, mais batalhas, perdas de animais e colheitas, e, ainda, fome.
As crianças, então, são levadas floresta adentro e ficam abandonadas e perdidas por lá. Na tentativa de voltarem para o lar, acabam parando em frente a uma casa dos sonhos, principalmente em meio a fome e ao desespero que enfrentavam: a casa era totalmente feita de doces. Dentro dela vivia uma velhinha bondosa, que logo os convidou para entrar e os alimentou. Mas não demorou muito para João e Maria perceberem que a aparência dela na verdade escondia uma pessoa de personalidade muito ruim e com intenções ainda piores.



Acredito que este é um dos contos de fadas mais conhecidos por nós, brasileiros. Lembro que desde pequena eu já ouvia esta história, assim como outras tão conhecidas em nossa cultura, e sempre gostei da inteligência e da coragem das duas crianças no meio dos perigos que precisavam enfrentar durante o caminho que foram “obrigados” a percorrer, e contra aquela senhora malvada que queria fazer pedacinhos deles para se alimentar.


Quando vi o lançamento desta versão escrita pelo tão aclamado autor Neil Gaiman, e ilustrada por Lorenzo Mattotti, em uma edição de luxo pela Editora Intrínseca, sabia que precisava tê-la em minha estante. Inclusive porque eu adoro contos de fadas e suas edições publicadas e, sempre que posso, saio comprando as que vejo pela frente.




Mas confesso que estava com “medo” do final, pois gosto mesmo é de finais felizes e odeio as versões que acabam bem diferentes e desoladores. E tive a impressão de que seria assim o final deste. Mas tive uma grata surpresa de perceber que ele optou por dar um final feliz aos pequenos viajantes, numa história mais próxima da que eu já conhecia da minha infância. E ainda nos apresentou um pequeno futuro dos dois, que eu adorei tomar conhecimento.


Ao final da leitura do conto, há duas páginas como se fossem uma matéria de jornal com o título “Um Conto de Fadas e suas Transformações”, explicando aos leitores sobre as variadas versões deste tão famoso conto, além de falar sobre os irmãos Grimm, do simbolismo por trás do enredo, o momento histórico vivido por João e Maria na trama e onde ele se encaixa na linha do tempo mundial, já que muitas pessoas acreditam que a origem seja no período medieval, em torno de 1315, e também há uma pequena bibliografia.


Gostei muito das ilustrações de Lorenzo Mattotti, que deram às páginas um ar mais sombrio e belo ao mesmo tempo, em meio a sombras e escuridão, e ainda complementaram perfeitamente o texto de Gaiman. Parece uma viagem a uma mente humana nebulosa e assombrada, ao mesmo tempo em que é intrigante.


Esta edição está belíssima com capa dura envernizada, dando um efeito muito bacana ao vivo. As páginas são grossas e a qualidade de impressão é excepcional. O texto está bem espaçado, com uma fonte de tamanho grande e cada folha apresenta margens ilustradas com flores, além de apenas a primeira letra de alguns parágrafos em vermelho, todo o resto segue um padrão preto e branco. As laudas ilustradas vêm sempre em duplas e a cena acompanha o momento da história.

“João e Maria” é para todos aqueles que são apaixonados por contos de fadas e sempre querem complementar sua coleção com edições belas, ou para quem ainda não leu este clássico ou quer relembrá-lo, agora nas mãos de alguém tão incrível quanto Gaiman. Apesar de sombria, a história pode ser lida por leitores de todas as idades, pois mostra que, mesmo em meio a toda escuridão e coisas ruins que podem haver em nossa volta, a coragem e a inteligência nos ajudam a seguir em frente e enfrentar qualquer coisa. É uma ótima lição de vida apresentada de forma sutil e interessante, com certeza vale super a pena!



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Faça Boa Arte – Neil Gaiman

“Este livro é para todos que estão olhando ao redor e pensando: E Agora?”
Maio de 2012. University of the Arts na Filadélfia. Na formatura dos alunos, ninguém menos do que o escritor Neil Gaiman sobe ao palco para um discurso incrível que, durante dezenove minutos, inspirou a todos os ouvintes com palavras de incentivo, lembranças de experiências passadas, encorajou-os a também errar porque erros podem ser úteis e te ajudar futuramente, deu conselhos para cada um buscar aquilo que deseja, mesmo que pareça impossível. E lhes disse para aproveitarem cada etapa de sua jornada, porque isto é o mais importante.
Gaiman estava lá, ao vivo, falando com e para cada um daqueles formandos, mas, quando lemos este livro, que é a representação gráfica de seu discurso na íntegra, ou assistimos o vídeo dele falando pela internet, é como se ele estivesse falando aquelas palavras para mim, para você, e para cada um de nós individualmente.
Provavelmente todos que forem ler esta resenha já ouviram falar de Neil Gaiman, famoso e conceituado autor de romances e quadrinhos (entre outros estilos literários), em algum momento de suas vidas, ou pelo menos conhecem um de seus vários trabalhos. Eu não li muitos dos títulos escritos por ele ainda, mas “Stardust – O Mistério da Estrela” é um dos meus livros queridinhos da vida, assim como sua adaptação cinematográfica. Mas Gaiman é ainda mais conhecido por outras obras com maior destaque, como Sandman e Coraline.


Mesmo que o discurso tenha sido feito para formandos de artes, suas experiências e várias das palavras ditas ali sejam mais voltadas para a área, não acho que deva ser restringido apenas a pessoas que têm alguma ligação com a arte, já que alguns dos conselhos servem para qualquer indivíduo levar para a vida, independente de sua carreira.
Todo ser humano passa por dúvidas e incertezas, o que Neil quis foi nos mostrar que ninguém é diferente, e nós devemos sempre seguir em frente quando as coisas dão errado e também quando dão certo.


Além disso, é sempre inspirador ver alguém tão conhecido pelo que faz hoje em dia falar um pouco do início de sua vida profissional, quando as coisas ainda eram difíceis, e muito trabalho não ganhava espaço. Nos dá mais esperanças e, claro, inspira força de vontade para batalharmos mais para um dia, quem sabe, sermos alguém tão bom e famoso por nosso trabalho quanto Gaiman.


Para deixar este livro ainda melhor, Chip Kidd, renomado designer gráfico, fez a parte visual da obra e deu movimento às palavras de Gaiman com o uso de tipografias variadas, cores fortes e chamativas, misturando os tamanhos das fontes com posições das palavras e formas geométricas para acompanhá-las em muitas páginas. Eu, como uma apaixonada por design gráfico, estou encantada por este exemplar.


Também é uma ótima dica de livro para dar de presente para aquele amigo querido, um conhecido que você deseja coisas boas, e serve, inclusive, como uma obra para decoração porque a versão impressa é linda. Com um formato um pouco menor do que o padrão nacional, com 13 x 18 cm, 80 páginas, capa dura em soft touch (emborrachada), verniz localizado no título, e cores bem impressas tanto na capa quanto no miolo.


Se antes eu já admirava o trabalho do autor e ele como pessoa, agora admiro ainda mais. Seu discurso é incrível e inspirador, e suas dicas, maravilhosas. Realmente todos os leitores deveriam dar uma chance para suas palavras. Este é aquele tipo de livro para ser lido e relido, com trechos para pregarmos na parede, na agenda ou onde mais possamos ler sempre para nos inspirar todo dia mais.
"E agora vão, e cometam interessantes, impressionantes, gloriosos, fantásticos erros. Quebrem regras. Deixem o mundo mais interessante por estarem nele."

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