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Invisível – Tarryn Fisher


Gosto muito da escrita da autora, por isso sempre que possível leio todos os seus livros. Agora foi a vez de “Invisível”, uma história interessante e instigante que me conquistou desde que li a sinopse. Conhecemos Margô, uma garota que mora em uma casa velha em bairro abandonado e é ignorada pela mãe. Ela vive sua vida pacata, onde trabalha em um brechó e se sente invisível. Até que Judah, seu vizinho cadeirante, aparece em sua vida e eles começam uma amizade. Ele mostra que ela pode ver o mundo de outra forma, e Margô começa a sonhar, criar planos, etc.
Nossa protagonista sempre pegava o ônibus com uma menina de sete anos, que era a única pessoa que falava com ela antes de Judah. Então, quando descobre que essa menina sumiu, resolve começar uma investigação por conta própria junto com o seu vizinho para descobrir o que aconteceu.
Agora, ela embarca em um caminho sem volta para tentar fazer com que a justiça seja feita. E nessa jornada vemos nossa protagonista amadurecendo, transformando-se de menina tímida em uma garota determinada.
Gostei muito dessa leitura, Margô é uma personagem complexa, que consegue conquistar a gente com o seu jeito. Foi bacana ver como ela foi criando mais força e se tornando quem se tornou. Curti bastante mergulhar nas páginas dessa obra que aborda temas importantes como desigualdade, relacionamentos, traumas psicológicos, pais e filhos, autoestima, etc.





Acerto de Contas – John Grisham


Como já li alguns dos livros de John Grisham no passado e curti sua escrita, tinha vontade de ler outras de suas obras na atualidade. Quando surgiu a oportunidade, resolvi ler seu lançamento mais recente no Brasil, “Acerto de Contas”, pois a sinopse parecia trazer uma história incrível e intrigante.
Nesse volume conhecemos Pete Banning, um herói da 2ª Guerra Mundial, pai devotado e amoroso com os seus filhos, Joel e Stella, que estavam longe estudando, marido apaixonado pela esposa Liza, fazendeiro próspero, um homem bom e membro fiel da Igreja Metodista. Certa manhã, em 1946, Pete entra na Igreja e mata o reverendo Dexter Bell com três tiros. Isso acabou chocando todo mundo, ainda mais porque ele não quis dizer para ninguém as suas motivações. E mesmo que tenha que ir para a cadeira elétrica não revela nada. Como ambos eram muito queridos pela cidade, nenhum morador podia imaginar o que havia acontecido.
Dividido em três partes, na primeira vemos o crime e as consequências causadas por ele, na segunda vemos nosso protagonista na guerra quando era um soldado, e nesse momento temos cenas de violência mais explícitas. E a terceira e última parte, que deu o título ao livro, traz o acerto de contas, e vemos os segredos, intrigas, revelações e a disputa no tribunal.
Com muitos segredos de família, reviravoltas e um final surpreendente, esse volume consegue nos conquistar com um bom thriller jurídico com suspenses e bastante drama, em uma narrativa fluida e muito bem construída. Conseguimos notar todo o trabalho de pesquisa do autor para trazer um pouco sobre a 2ª Guerra Mundial, especificamente nas Filipinas onde soldados americanos foram aprisionados pelos japoneses.





O Que Aconteceu com Annie – C.J. Tudor


Amo livros de suspense e mistérios. Por esse motivo, assim que li a sinopse desse volume fiquei vidrada com o que parecia ser essa história. Precisava ler o quanto antes para tentar descobrir o que aconteceu com a Annie. Sendo assim, quando tive a oportunidade comecei essa leitura e agora venho compartilhar as minhas opiniões.
Conhecemos Joe Thorne, um homem desempregado, cheio de dívidas e vícios, que após vinte e cinco anos do desaparecimento da sua irmã mais nova, recebe um e-mail anônimo que o faz voltar ao passado. Agora, ele resolve retornar a Arnhill, sua antiga cidade, para ser professor na escola de sua infância e fugir de uma dívida causada pelo vício em jogos.
Vamos acompanhando nosso protagonista e entendendo o que ocorreu com Annie no passado e como tudo tem relação com o que acontece por agora na cidade. Acompanhamos velhas feridas sendo reabertas, o reencontro com pessoas que ele pensava que não veria novamente, além de ameaças para ir embora. Vemos que nem todo mundo é o que parece e vamos descobrindo um pouco mais sobre as pessoas que faziam e fazem parte da vida do nosso protagonista.
Achei essa leitura bem bacana, pois o livro aborda temas importantes como bullying, e a narrativa mistura passado com o presente para nos dar um melhor entendimento sobre todos os acontecimentos. Narrado em primeira pessoa pelo ponto de vista de Joe, conhecemos de forma mais ampla seus pensamentos, medos, anseios e vemos o seu senso de humor ácido. Com uma escrita articulada, essa obra consegue nos conquistar com reviravoltas, segredos e uma mistura de sobrenatural com o real, que consegue nos intrigar.





O Homem de Giz - C.J. Tudor

Eu simplesmente adoro o modo como livros podem ser caixinhas de surpresa, mesmo quando achamos que sabemos algo sobre eles, estes podem nos surpreender, tanto sobre seus temas, quanto sobre suas estórias e o sentimento que eles despertam durante a leitura. A memória que eu tinha sobre O Homem de Giz, escrito pela inglesa C.J. Tudor, publicado pela Intrínseca, era de um livro sobre um crime e os anos 80, de fato existem crimes e os anos 80, mas o livro foi bem diferente do que eu pensava.

Em 1986 Eddie era um adolescente descobrindo o mundo, ainda inocente ele se vê próximo de algumas mortes, mortes estas que não foram bem explicadas, e que no ano de 2016 ele se vê obrigado a reviver e a finalmente saber o que aconteceu entre seus bonecos de giz.

A narrativa em primeira pessoa através de Eddie é muito instigante e interessante - a cada final de capítulo, que alterna entre os anos de 1986 e 2016, nos vemos frente a uma nova revelação. E logo no começo do livro um acidente no parque já tira a perspectiva de leveza do livro. Ao contrário do que pode-se esperar não temos um serial killer, ou um único crime que permeia todo livro. São sucessivos fatos que se amarram e que aos poucos são revelados e criam cada uma das cenas de forma muito inteligente e crível.

Eddie é um personagem inocente, seja jovem, seja adulto ele não amadureceu o suficiente para ver a maldade ou a malícia das pessoas, e essa visão simplista que conduz a estória. Embora seja um homem recluso e nerd, ele possui segredos um tanto bizarros que parecem inocentes, mas que tem um toque bem macabro.

Seus amigos Gav, Nikk, Hoppo e Mickey são bastante explorados em suas personalidades que se chocam com o dia a dia dos personagem e dos principais acontecimentos da trama. Vê-los crianças e depois adultos é uma possibilidade interessante de perceber como cada um deles evoluiu diante dos fatos que passaram quando ainda jovens. E o mais interessante é que aqui não existem mocinhos, são personagens reais e dúbios, que fazem aquilo que suas paixões e emoções os conduzem a fazer.

Por conta dessas emoções os acontecimentos não são tão previsíveis, e algumas surpresas aparecem a cada passo da estória. Honestamente eu nem estava preocupada em quem era o assassino do crime principal, porque o grande destaque é a construção ao redor, o crescimento e evolução destas crianças e os adultos que estão a sua volta.

É preciso ressaltar o fato de que embora tenham crianças na trama não se trata de um livro leve. Algumas cenas podem impressionar, cenas de violência, de abuso (enquanto eu lia eu pensava sério que eles estão fazendo isso?!) e suicídio. Não são cenas extensas, e apesar do seu conteúdo achei que a autora passou seu recado sem pesar na mão, mesmo assim ela narra de forma muito objetiva os acontecimentos, sem deixar dúvidas do ocorrido.

O desfecho é ótimo, porque até personagens que parecem apenas apoio para Eddie tem uma importância e segredos para revelar. O capítulo final é sombrio, é muito macabro, não é um fato que você possa esperar de uma criança.