Vita Prada - Gian Luigi Paracchini

Quem lê as minhas resenhas aqui no blog sabe que amo livros que contam os bastidores das marcas, o por trás das cenas, as fofocas do mundo da moda e coisas desse tipo. Então, sempre que possível, tento colocar nas minhas metas de leituras um livro deste tipo. Foi por isso que escolhi este título para ler, já que amo saber mais sobre as histórias reais que aconteceram com uma marca tão famosa. E, assim que comecei este volume, devorei as páginas e agora venho compartilhar com vocês as minhas opiniões.
Vita Prada conta a história dos bastidores desta famosa grife mundialmente conhecida e que criou tendências ao redor do mundo. Vemos como Miuccia Prada e Patrizio Bertelli, que estão à frente desta grande marca, levaram a Prada a influenciar artistas de cinema, políticos, empresários, entre outros, além de atuar em diversos setores como o da arte, o da arquitetura, e o do cinema, sempre deixando um rastro de sucesso gigantesco.
Se você pensava que este era daquele tipo de obra que só falava de moda, está muito enganado. Aprendemos sobre a marca e sua história, além de conhecer mais sobre a estilista e seu marido, já que Patrizio veio de uma família de advogados e comerciantes, e Miuccia era uma militante comunista (provavelmente a mais arrumada das passeatas), que herdou uma empresa de bolsas e malas. Juntos, eles se casaram e criaram esse império, definindo a identidade da marca como aquele que cria conceitos, que reinventa, além de um design futurista.
O livro contém mais de quarenta fotos, o que achei bem legal, pois amo poder dar rosto aos nomes que estou lendo, fazendo com que eu não tenha que ir ao Google saciar a minha curiosidade. Além disso, este é um livro sobre o mundo da moda, então nada melhor do que ter algumas fotos sobre isso, então também encontramos imagens dos desfiles e de algumas peças da marca.
A narrativa de Gian Luigi é rápida, fluida, bastante gostosa e interessante, e consegue nos prender do início ao fim com fatos importantes e informações que não sabíamos, e ainda desperta nossa curiosidade contando a história deste casal, que, em meio a muitas vitórias e algumas derrotas, criou este império que dominou o mundo da moda.
O projeto gráfico é simples, mas muito bem feito. Eu curto a capa e acho que ela combina perfeitamente com o estilo do livro, dando um ar mais elegante para o mesmo. A diagramação interna tem fonte bem espaçada, folhas em papel couché no meio do miolo com fotografias ilustrando o texto (como comentei antes), e pequenas ilustrações de peças de roupa, sapatos ou acessórios no término de cada capítulo, tudo muito fofo. Além do mais, as páginas são amarelas.
Recomendo “Vita Prada” para todo mundo que, como eu, goste de uma excelente história que consegue nos prender com facilidade enquanto nos mostra sobre como a famosíssima Prada virou essa marca tão reconhecida mundialmente, que conquistou uma grande fatia do mercado, além de influenciar em outras áreas. Foi bem gostoso acompanhar este crescimento, e conhecer mais sobre o casal fundador. Se você ama o mundo da moda não pode deixar de conferir este volume, e se você gosta de saber sobre histórias de sucesso, também não pode deixar de lê-lo.
Avaliação



Comic Con Experience 2015


Por anos a fio eu vejo programas narrando como foi a Comic Con em San Diego, nos Estados Unidos. Ano passado mal me dei conta de quando foi a primeira edição (shame on me!), mas esse ano me arrisquei em um sorteio e ganhei ingressos pela editora Record (obrigado mais uma vez Record!), entretanto um ingresso por dia, e isso significou uma aventura solo para esse templo nerd!

Minha aventura começou no metrô que não tinha nada de estranho inicialmente, mas que depois de algumas estações e uma baldeação teve uma onda camisetas do star wars surgindo, e na estação do Jabaquara a grande maioria próxima estava com camisetas relacionadas ao mundo geek. E como em todo evento de grande porte lá me vou seguindo a legião de camisetas, em sua grande maioria pretas, para uma fila gigante para esperar o ônibus gratuito (que no final nem vale a pena =P!, o local é muito próximo e uma descida só =P).

Cerca de quarenta minutos depois consigo entrar no ônibus, e chegar ao Expo São Paulo. Confusões de fila para trocar o ingresso pela credencial, e depois mais um chá de cadeira em filas gigantescas montadas de maneira inteligente, consegui entrar no local efetivamente quinze para uma da tarde (detalhe eu entrei na fila do ônibus quinze para as onze!).

Aventuras a parte vamos ao evento. O que dizer de um evento que te recebe tocando Pull me Under do Dream Theater? Quando ouvi eu sabia que estava em um local muito nerd rs!! O tamanho do local estava adequado, não era tão grande quanto outras feiras que eu já fui, e arrisco dizer que foi um pouco menor do que a Bienal do Livro (eu sou bem ruim com dimensões, não me julguem!).

Basicamente o que podemos encontrar em um evento como a Comic Con Experience é interação com esses universos fantásticos que tanto gostamos. Praticamente todos os stands que não fossem os de venda efetivamente tinham alguma atração que interagia, exemplo o do Star Wars - O despertar da Força, que contava com cabines de fotografia onde você podia pousar com os sabres de luz (eu tentei fazer algo mais sério na minha foto afinal estamos lutando contra o mal não é?!). Alguns destaques ficam por conta das produtoras, como a Fox, Warner, Universal, Disney e Fox, que contavam com muitas atrações. 

O item mais recorrente nos stands são os action figure  que apareceram em massa em todos os tamanhos, formas e tipos, dos mais em conta  (mini por 10 reais) até alguns que nem preço tinham (medo!rs). Haviam alguns muito realistas, e outros fofos como os funkos que eram vendidos em toda parte também.

Quadrinhos nacionais, importados, antigos e novos também podiam ser encontrados misturados aos nossos amigos da turma da Mônica. Os preços não estavam muito convidativos, mas não esperava o contrário já que estes itens são caros mesmo. Mas é uma experiência legal vê-los todos juntos em um local só.

Falando agora de nossos maiores amores, os livros, estes apareceram em alguns stands de editoras, como a Aleph, Record, Intrínseca, Novo Século, e etc, mas os preços estavam salgados, nada convidativos =/! Consegui marcadores personalizados do evento no stand da Aleph, e outros regulares na Intrínseca, os demais não tinham nada para dar =/!

Minha surpresa foi os marcadores lindos que haviam na área de quadrinistas nacionais, muita gente talentosa, e com trabalhos lindos! Queria levar todos para casa, em especial uma ilustração do Coringa, mas de metrô ele chegaria destruído em casa =/ Um detalhe que não me passou despercebido foi que boa parte deles que estavam nessas mesas estava com um sorriso no rosto, simpáticos transpareciam que estavam fazendo o que amavam!

Ah sim já ia me esquecendo dos cosplay, e como tudo neste evento desde aquele que estava com um chapéu apenas, até aqueles que estavam irreconhecíveis surgiam a cada passo! Aqueles que pegaram as roupas da mãe e aqueles que gastaram mais de um mês de salário! Todo mundo contente, e interagindo com os demais visitantes. Uma pena que eu sozinha não podia parar as pessoas para tirar fotos minhas seja com os stands ou cosplayers, por isso deixo a dica não vá sozinho em um evento como esse, claro você vê tudo, mas sofre uma perda nestes aspectos.

Eu não fui atrás de atrações, não fiquei em filas para autógrafos ou qualquer sessão, pois estava tudo muito lotado e minha paciência para filas já tinha dado, mesmo porque não tinha ninguém que eu quisesse foto ou autografo, só o Frank Miller (mas não estava neste dia =/!). 

Se a Comic Con vale a pena? Acho que sim, é uma experiência de contato direto com tudo isso que muitas vezes fica no mundo virtual, os jogos ganham vida, os personagens de séries e filmes saltam, e mais que isso você encontra outras pessoas que como você acham mágico esse universo geek/nerd que você as vezes parece habitar sozinho (eu não porque meus irmãos também dividem esse espaço comigo, além do meu namorado ).

Se um dia você poder ir, vá! Gostando ou não desses assuntos é uma experiência de vida, uma lembrança, e eu duvido que você não tenha um seriado do coração ou um filme que marcou para compartilhar por lá! Que a força esteja com vocês!!

Miquilis



Desaparecidas – Lauren Oliver

Nick e Dara são duas irmãs com personalidades opostas, mas que se amam e se admiram mutuamente. Ou pelo menos era assim na infância delas, porém, de um tempo para cá, tudo mudou. A relação passa a ser permeada de ciúmes e críticas e, quando Dara começa a ter uma relação romântica com o melhor amigo de Nick, Parker, tudo vai por água abaixo.
Depois de saírem de carro juntas, as irmãs sofrem um acidente que deixam sequelas profundas nas duas: em Dara, físicas, em Nick, psicológicas. Nick vai viver com seu pai por um tempo, mas, depois de um incidente, precisa voltar para a cidade para passar o verão.
E é neste momento que ela decide que vai fazer de tudo para voltar a se aproximar da irmã mais nova, mas parece que Dara tem outros planos e não quer falar com ela. E, pior, desaparece no próprio aniversário. Nick acha que não passa de uma brincadeira de mal gosto, mas depois percebe que Dara pode estar em apuros, principalmente porque uma menina de nove anos, Madeline Snow, também desapareceu, e ela tem cada vez mais certeza de que os dois acontecimentos podem estar interligados. Saindo numa jornada desesperada atrás da irmã, Nick vai acabar encontrando a verdade, uma que ela nem imaginou que estaria no fim do túnel.
A narrativa é em primeira pessoa e conhecemos de perto tanto Dara quanto Nick através de capítulos com datas, indicando o Antes e o Depois, páginas do diário de Dara, e postagens em blogs com comentários, estes narrados por outras pessoas, claro. Cada um destes pontos de vista, com atenção aos detalhes, contém pistas que serão de suma importância para desvendarmos o final do livro.
Confesso que não adorei nenhuma das duas protagonistas, mas se eu tivesse mesmo que escolher uma que preferi um pouco mais, essa foi a Dara. Eu sei que a menina é meu total oposto e faz diversas coisas para chamar a atenção e age sem pensar nas consequências, mas não foi por nenhuma destas características que eu a achei menos pior. Toda a sua forma de ser e agir tem propósitos, e um deles é que ela se sentia inferior à irmã.
O que tornou tudo isso mais compreensível para mim é que tinha fundamento. Nick sempre se achou superior, sempre agiu assim, falando mal da irmã e de seu comportamento inúmeras vezes. Como se ela mesma fosse perfeita e não errasse (o que se mostrou ser bem errado). A garota, inclusive, falou mal da mãe, num trecho que me irritou muito, já que insinuou que seu pai tinha se separado dela porque a mesma não cuidava mais de sua aparência como antes. Um casamento não deveria ser construído só com base na aparência física, e não é porque uma pessoa não se cuida mais da mesma forma de antes que deveria ficar sem seu companheiro. E aquele pensamento foi realmente a gota d’água para mim, admito. Claro que Nick também tinha ciúme da sua irmã, sua capacidade de fazer determinadas coisas e sua personalidade, mas, ainda assim, achei que ela se sentia muito superior.
A narrativa da autora é, sim, envolvente, interessante e desperta curiosidade. Confidencio aqui, porém, que esta última parte se deu mais por conta da sinopse do que do que estava lendo até chegar mais ou menos na página duzentos, porque antes disso nada de tão interessante acontecia, só íamos acompanhando ambas as irmãs levando uma vida normal no presente e alguns flashbacks do passado. Até este momento, considero a narrativa bem lenta, eu não tinha muito interesse em saber o que vinha a seguir porque era mais do mesmo. Até que o desaparecimento descrito na sinopse ocorre, e, junto com Nick, acabamos ficando aflitas para entender tudo logo. Os acontecimentos a partir desta situação acabaram ganhando mais ritmo e teorias da personagem, nos envolvendo com cada detalhe do que ia sendo desvendado, o que fez com que a narrativa ficasse mais ágil e fluida até, finalmente, descobrirmos ou termos ainda mais certeza cada um dos mistérios que rondaram todas aquelas páginas anteriores.
Confesso que o final não me surpreendeu porque eu já desconfiava que aquilo tinha acontecido. Não tinha certeza, é claro, mas minha esperança de que eu estivesse enganada estava enraizada porque eu sabia que não iria gostar nada se minha previsão estivesse certa. E ela estava. Estes acontecimentos podem surpreender algumas pessoas – e provavelmente vão –, só que eu não fui uma delas, se a autora tivesse seguido pelo caminho contrário é que eu teria ficado surpresa e com certeza teria até adorado o desfecho.
Eu até entendo o atrativo deste tipo de leitura para muitas pessoas, mas, infelizmente, não funciona para mim e eu terminei o livro com bastante raiva. Só que isso é um gosto pessoal meu, eu não consigo gostar deste tipo de acontecimentos nos livros que leio e ponto. Não tem explicação, são sentimentos, e o que sentimos grande parte das vezes não pode nem mesmo ser entendido.
Esse livro é do gênero jovem adulto e está classificado como um thriller, mas não sei se o considero assim, pelo menos não até passar da metade do livro. Então, no geral, acho que o chamaria mais de drama, porque a história tem toda uma carga emocional, de brigas entre irmãs, sentimentos aflorados com relação a ciúmes e comportamentos alheios, e repleto de lamentações sobre o passado e sobre o amor que sentiam uma pela outra e toda a cumplicidade que tinham quando mais novas, até um garoto mudar tudo entre elas e a relação sofrer graves consequências por causa dele mais do que de todo o resto. O suspense fica mais para o final, e não acho que se sobrepõe ao drama.
Há outras questões fortes permeando a trama principal, como, por exemplo, abuso de menores e sequestro, mas Lauren Oliver soube dosar de forma a não ficar nada muito pesado, mesmo sendo importantes e reflexivas.
Este é o quinto livro da autora publicado no Brasil e eu já li três deles, que fizeram parte da trilogia “Delírio” (clique no título para conferir as três resenhas), uma das minhas distopias favoritas do gênero jovem adulto. O outro, “Antes que eu Vá”, é uma obra contemporânea sem continuações e já foi resenhado aqui no blog também. “Panic”, outro de seus títulos, também foi comprado pela Verus, só não há previsão de lançamento ainda. Já percebi que em suas histórias contemporâneas a autora gosta de construir uma trama bem dramática, o que não faz muito o estilo de livro que curto ler, mas aos que adoram, é um prato cheio.
Se você gosta de livros de suspense com um forte teor dramático, relações problemáticas com altos e baixos bem definidos e apresentados, questões psicológicas bem trabalhadas, que a narrativa apresente vários detalhes de fácil percepção para desvendarmos o mistério, e com um desfecho arrebatador e triste, provavelmente vai apreciar “Desaparecidas” mais do que eu.
Avaliação



Sweet - Contornos do Coração #03 - Tammara Webber

Tudo começou a um tempo atrás, numa praia. Ele salvou a vida dela, mas quando seus olhares se encontraram, ela também o salvou, mesmo que nenhum dos dois tenha percebido isso naquele instante. Boyce Wynn e Pearl Frank sempre foram amigos, mesmo que mais ninguém soubesse disso. Em alguns momentos, bem próximos, em outros, mais afastados, mas sempre estiveram ali, presentes um para o outro, ainda que indiretamente, em todos os momentos mais importantes da vida alheia.
A relação deles sempre foi de amizade, sim, mas sempre houve um sentimento por trás daquilo tudo, rondando os dois e esperando para se libertar de dentro deles. Mas Pearl foi embora e o deixou para trás. Agora, já se passaram quatro anos e ela decidiu voltar para a pequena cidade com o intuito de mudar de vida e seguir o que deseja para si, diferente dos planos que sua mãe traçou.
E, enquanto todos ficam contra ela e sua decisão, Boyce é o único que lhe apoia, inclusive fornecendo mais ajuda ainda quando ela mais precisou. A amizade está fortalecida, mas os sentimentos de ambos também, basta eles deixarem as inseguranças para trás. Boyce tem que perceber que pode ser, sim, tudo o que ela precisa, e Pearl tem que entender que ela é tudo o que ele deseja. Antes que seja tarde demais.
A escrita da autora é bem gostosa e fluida e, comparando com o outro livro que li dela, “Entrelinhas”, que foi publicado no Brasil há pouco tempo, mas foi o primeiro que ela escreveu, dá para notar que Tammara evoluiu bastante e soube construir uma trama bem amarrada, com personagens carismáticos e envolventes, e conseguiu trabalhar melhor os sentimentos deles.
Vamos acompanhar toda a história sob o ponto de vista dos dois protagonistas, através de capítulos intercalados e uma narrativa em primeira pessoa, ou seja, temos acesso aos seus pensamentos e a tudo o que estão sentindo. E isso foi ótimo e também a melhor forma de contar esta trama especificamente porque a autora trabalha muito com o que um pensa e sente pelo outro, mas não têm ousadia o suficiente para confessarem em voz alta, então é essencial adentrar em suas mentes para entendê-los melhor, assim como a paixão que nutrem.
Toda a trama é bem intensa, o pano de fundo foi bem trabalhado e construído de maneira satisfatória para nos prender, torcer para que as coisas melhorem para Boyce porque ele enfrentou várias tragédias e, mesmo quando tem certeza de que tudo vai ficar bem, vem a vida e dá uma nova rasteira nele. Ainda assim, o rapaz não é daquele tipo amargurado ou chato, pelo contrário, ele ainda encontra coisas boas em sua vida e até é feliz com ela.
Os problemas de Pearl não são nem de perto tão dramáticos quanto os dele, mas mesmo assim ela tem sua boa dose de questões mal resolvidas, mas sabe lidar bem com elas também, sempre com a cabeça erguida e lutando pelo que realmente quer para sua vida.
Gostei extremamente dos dois personagens, da força, perseverança, a forma de verem a vida, principalmente o Boyce, que é bem admirável. Além do mais, eu tenho uma queda gigantesca por mocinhos que tem uma aparência estonteante, ao mesmo tempo em que são doces. E Boyce é apaixonante. Pearl é dona de um caráter incrível e eu adoro a relação que ela tem com sua mãe e o padrasto.
Como eles se conhecem desde sempre, vemos os sentimentos aflorarem e se fortalecerem, mas ainda ficarem guardados dentro de si com o passar dos anos, já que, através de lembranças dos dois, vamos conhecendo cada um dos momentos mais importantes que vivenciaram juntos, e como estes foram responsáveis por fazer o amor aumentar, assim como cada detalhe e interação do presente fez o forte sentimento se enraizar mais em seus corações.
Eu gostei muito da leitura e fiquei empolgada para conferir os demais livros da autora que ainda não tive a oportunidade de pegar para ler, mas confesso que ainda acho que faltou algo para que eu me apaixonasse totalmente pelo casal. Fiquei torcendo por eles, desejando que ficassem juntos logo, mas queria mais. Talvez isso se deva ao fato de que Boyce e Pearl já tinham uma história juntos e uma característica da autora neste exemplar foi relembrar muito o passado, e em alguns trechos isso ficou até mais evidente do que próprio presente deles.
Por outro lado, o romance entre eles é muito realista, você facilmente pode se visualizar vivenciando algo semelhante ou mesmo conhece alguém que já passou por algo assim: duas pessoas que se gostam, mas sentem medos, receios ou falta de coragem de dar o primeiro passo para tomar alguma atitude e ficarem juntos. Mas eu sempre torci para que isso ocorresse logo e, no final, posso dizer que fiquei muito satisfeita com o casal, que foi muito fofo e nos deixa com um sorriso bobo de satisfação quando fechamos a última página.
“Depois daquele momento, o objetivo da vida dele nunca foi procurar a sua outra metade, porque ele sabia onde ela estava. Sua missão era esperar que a menina soubesse que ele havia deixado o coração na mão dela naquele dia na praia, e torcer para um dia ela trazê-lo de volta.” Pág. 313
Esta é uma obra new adult, um dos meus gêneros favoritos e sempre fico feliz quando há um novo lançamento do estilo e eu tenho a oportunidade de lê-lo. Depois de terminada a leitura, posso afirmar que este já virou um dos meus queridinhos.
Como o esperado, há cenas mais quentes e a autora soube trabalhá-las bem, não deixando que o sexo seja mais importante do que os sentimentos, apenas um complemento para o relacionamento que constroem.
Este é o quarto livro da autora publicado no Brasil, e eu só tinha tido contato com uma de suas obras, “Entrelinhas” (clique no título para conferir a resenha), primeiro da série homônima que ainda não teve suas continuações (faltam três) lançadas em território nacional.
Quem está se perguntando se este livro pode ser lido mesmo sem ter feito a leitura dos dois volumes anteriores, a resposta é sim. Eu mesma fiz isso, pois, apesar de este ser o terceiro da série “Contornos do Coração”, ele é independente dos dois primeiros, visto que aqui conhecemos um novo casal de protagonistas e sua história, juntos e separados, em um enredo com começo, meio e fim.
Eles só pertencem a uma mesma série porque o ponto de vista masculino desta obra fica por conta de Boyce, que é o melhor amigo de Lucas, protagonista dos dois primeiros exemplares. Mas, podem ficar tranquilos porque, mesmo que este ocorra após os demais, não há qualquer tipo de spoilers deles. Mas, para quem leu os anteriores e está com saudades dos personagens, uma ótima notícia: há aparições deles aqui, com mais foco no Lucas, mesmo que breves.
Mas acredito que a autora tenha deixado várias pontas para escrever livros de outros personagens que tiveram participações neste. Uma delas, a que estou torcendo para ser a próxima protagonista, é a melhor amiga de Pearl, Mel. Outra que foi uma surpresa agradável, apesar de não ter tido muito destaque foi a Brit, a qual vejo muito potencial, e não me importaria de que a Webber voltasse no tempo e nos contasse a história de amor de Essie e Thomas (mãe e padrasto de Pearl).
“Sweet”, como o próprio nome já sugere, é uma história doce, mas também é intensa e bonita, com dois melhores amigos que descobrem o amor, mas demoram a admitir que são a alma gêmea um do outro. É uma história de amor e amizade com pitadas de drama, mas com um olhar positivo com relação à vida, é sobre buscar o que é melhor para você e a felicidade vai aparecer em sua porta. É feliz, é fofa e apaixonante. Recomendo demais!
Avaliação



A Verdade É uma Caverna nas Montanhas Negras - Neil Gaiman

Começo esta resenha dizendo que não posso comentar muito sobre o enredo do livro, visto que o bacana de ler esta história é entendê-la quando o propósito da jornada do protagonista é revelado. Além disso, ela é muito curta e, qualquer coisa que eu pudesse dizer mais elaborada sobre ela, acabaria sendo um spoiler e o leitor perderia toda a graça antes do tempo. Mas posso dizer que este é um conto onde dois personagens saem em uma expedição em busca de um tesouro escondido numa caverna. Mas o ouro é amaldiçoado e há um preço para aqueles que entram naquele espaço e saem com o que desejam.
Já li algumas das obras de Neil Gaiman, sendo a mais famosa dentre elas “Stardust – O Mistério da Estrela”, que já foi adaptada para uma versão cinematográfica com Claire Danes, Michelle Pfeiffer, Robert De Niro e Charlie Cox, que eu amo tanto quanto o livro, apesar de serem bem diferentes (tem resenha de ambas aqui no blog com comparações, clica no título para conferir).
Os demais títulos do autor que li foram curtos, sendo contos ou não ficção e absolutamente adorei todos. Gaiman tem uma habilidade com as palavras tão incrível, que a gente se sente conectada a elas de uma forma magnética, quase sem desgrudar os olhos das páginas, principalmente porque desejamos saber o que vai acontecer no final, o que ele preparou para aquele desfecho.
Foi essa a sensação que tive com “A Verdade É uma Caverna nas Montanhas Negras”. Comecei a leitura sem saber muito o que esperar em relação ao enredo, sabia que era do aclamado escritor, que tinha relação com família e amor e nada mais. Então a cada virada de página eu não necessariamente sabia o que estava acontecendo, porque precisava continuar avançando para entender qual era o objetivo de toda aquela jornada. E, olha, foi surpreendente! Confesso que não esperava algo assim, mas achei o final bem positivo, apesar de trágico.
É aquele tipo de livro que vai mexer com os sentimentos do leitor, fazê-lo indagar seu próprio comportamento caso estivesse na mente do protagonista. O que faria? Teria agido igual ou escolheria um caminho diferente? Tudo depende do seu coração, da sua capacidade de agir de tal forma e qual a sua posição quanto a vinganças e o que ela traz de volta para seu coração e sua mente. O que seria necessário acontecer com você para que pudesse aguentar as consequências de uma atitude extrema, que fizesse valer o que de ruim viesse com sua decisão?
“– Às vezes acho que a verdade é um lugar. Para mim, é como uma cidade: pode haver uma centena de estradas, uma centena de caminhos que, no fim, nos levarão ao mesmo lugar. Não importa de onde venhamos. Se seguirmos na direção da verdade, vamos alcançá-la, independentemente do rumo que tomamos.
[...]
Está enganado. A verdade é uma caverna nas Montanhas Negras. Há somente um caminho até lá, e um caminho apenas. Um caminho árduo e traiçoeiro. E, se seguir na direção errada, vai morrer sozinho na montanha.”
Há um quê de misterioso nesta história de Gaiman que nos prende nas páginas, a gente entende o que está havendo meio que superficialmente, porque acompanhamos os acontecimentos no momento em que ocorrem, mas sabemos que há algo sob a superfície, algo que vai aparecer mais cedo ou mais tarde e mudar tudo, trazer uma nova perspectiva de cada episódio vivenciado para chegar até esta revelação.
A narrativa do autor é bastante fluida e gostosa, fazendo com que nossa leitura avance com facilidade e rapidamente. O cenário e o pano de fundo histórico são mencionados e eu gostei de conhecê-los, principalmente porque me remeteram a uma série televisiva que tanto amo, Outlander, baseada em obras literárias da autora Diana Gabaldon. Aqui, os personagens também caminham pela Escócia, nas Highlands, no período dos jacobitas.
A edição impressa da Intrínseca está um verdadeiro primor. A capa é dura, o formato do livro é um pouco menor que o padrão nacional, é quadrado e tem 20 cm x 20 cm. As páginas são em papel couché (estilo folha de revista, só que mais grosso), com alta qualidade de impressão.
O livro tem apenas oitenta páginas, mas consegue encantar neste curto espaço, principalmente levando em consideração a forma como a trama foi contada: além do texto em prosa com ilustrações complementando as cenas de forma fantástica, ainda há alguns trechos em quadrinhos com suas características falas em balão. Os traços do ilustrador, Eddie Campbell, são diferentes a cada momento, ora mais parecido com pinturas com uma pegada mais realista, ora mais voltado para o desenho, e detalhados com foco nos personagens na maior parte do tempo, deixando o cenário mais como pano de fundo mesmo em alguns momentos e como destaque em outros.
Neil Gaiman já teve diversas de suas obras publicadas, inclusive muitas já foram traduzidas para o português, e há resenha de algumas aqui no blog (clique no nome do autor para conferir), ele já ganhou diversos prêmios, inclusive por “A Verdade É uma Caverna nas Montanhas Negras”, e “é considerado um dos dez maiores escritores pós-modernos vivos”.
Depois de terminado o conto, há um texto do autor explicando que ele foi convidado para participar de um festival no Opera House de Sydney e escolheu um ainda inédito, que é este aqui. Para acompanhá-lo nesta apresentação, ele escolheu o artista Eddie Campbell para ilustrar as projeções e o Quarteto de Cordas FourPlay (que compôs o tema de Doctor Who) para cuidar da música. É claro que essa apresentação não poderia ter sido menos do que um sucesso absoluto. E depois a obra literária, “uma obra que passeia entre o livro ilustrado e o graphic novel, desafiando os limites entre texto e imagem em uma explosão de cor e sombra”, foi idealizada.
“A Verdade É uma Caverna nas Montanhas Negras” é uma história curta, reflexiva, tocante e profunda, que só um bom escritor poderia ter feito. E Gaiman já provou inúmeras vezes que se encaixa perfeitamente nesta categoria. Recomendo muito!
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