Escândalos na Primavera - As Quatro Estações do Amor #04 - Lisa Kleypas

Este livro é o último da série “As Quatro Estações do Amor”, sendo que cada um dos volumes conta a história de uma das quatro amigas: Annabelle, Lillian, Evangeline e Daisy. Como todas as obras anteriores já foram todas resenhadas aqui no blog, vocês podem conferir um pouco mais sobre as tramas delas, assim como o motivo de terem se tornado amigas, e o que achei dos livros, basta clicar no nome de cada protagonista, que será redirecionado para a resenha em questão.
“Escândalos na Primavera” fala sobre a última das amigas, Daisy Bowman, que só tem vinte e dois anos, é americana e sua irmã é Lilian, que se casou com o Lorde Westcliff. Seus pais foram para a Inglaterra, pois queriam que suas filhas se casassem com nobres,  já que o seu pai era um rico fabricante de sabão. Como Lilian conseguiu e Daisy, não, seu pai ficou furioso, pois estava investindo nela há dois anos e morando em um hotel de luxo para que ela arrumasse um pretendente. E até então, nada. Sendo assim, ele lhe dá um ultimato, para que em dois meses ela arrume um marido ou ele mesmo lhe arranjará um.
Mas ela passa mais tempo lendo, o que adora fazer por sinal, e de nada lembra garotas à procura de casamento, já que, na época, moças interessantes seriam as prendadas e submissas aos rapazes, futuros pretendentes. Só que essa vida sem amor e cheia de submissão não estava nem nos sonhos dela. Daisy gostaria, sim, de casar e constituir uma família, mas primeiramente casar-se por amor e sem arranjos.
Daisy tem pouca estatura, é frágil, com cabelos e olhos escuros e pele clara. Muitas vezes a chamavam de miúda e travessa, só que este último quesito afasta muitos pretendentes, pois foge dos padrões. E ela escapa de ser esposa ideal, pois não gosta muito de administrar uma casa e não se importa muito com essas coisas. Ela gosta mesmo é de um bom livro e sonha com as suas histórias. É muito ligada à sua irmã mais velha, Lilian, e sempre se apoiam e se amam muito. Vivem aprontando de um jeito bem delas mesmo, ainda que Lilian já seja casada.
O Sr. Bowman decidiu agir e fez com que Matthew fosse convidado para ir a Inglaterra com a intenção de casá-lo com Daisy. Só que este nem imaginava essa pretensão, e aceitou o convite para ir à Londres mesmo assim. Sua reação quando soube das intenções do Sr. Bowman foi de surpresa, mas ele também não queria casar com ela se Daisy não gostasse dele.
Mas, com o tempo, eles foram se envolvendo e ela acabou percebendo que havia sentimentos por Matthew, os mesmos que ele já nutria por ela há muito tempo, mesmo sem demonstrar por receio de ser rejeitado e por conta de um segredo que possuía. Então, por mais que o pai tenha tido um pouco de envolvimento com o reencontro dos dois, eles acabaram ficando juntos sem qualquer imposição de alguém.
Sabe o que mais gostei deste livro? Do protagonista masculino, Matthew, ele é um fofo. Soube esconder tudo que sentia por Daisy por todos aqueles anos, e quando finalmente veio à tona, foi muito lindo. Agora nem sei de qual livro da série eu gosto mais, mas se for por conta do mocinho, este ganha sem dúvidas. Apesar dos outros terem me cativado também, cada um com seu jeito, o Matthew foi, sem dúvidas, o mais especial: de um tolo apaixonado, que nunca havia captado a atenção da mocinha, para um jovem que fez de tudo para melhorar sua aparência, seus modos, e se empenhando em seu trabalho, para conquistar seu verdadeiro amor, mesmo que no começo ela não tenha desconfiado de nada. As românticas de plantão com certeza vão entender tudo o que senti com este livro. Foi incrível.
“Ele a queria havia tanto tempo! Mil vezes lembrara a si mesmo de todos os motivos pelos quais nunca a queria. E tinha sido muito mais fácil saber que ela o detestava e que não havia nenhum motivo para ter esperança. Mas a possibilidade de os sentimentos de Daisy terem mudado, de ela também querê-lo, o encheu de uma emoção vertiginosa.”


Sedução da Seda - As Modistas #01 - Loretta Chase

Eu amo romances de época, e a editora Arqueiro está trazendo cada vez mais ótimos títulos desse gênero para os leitores brasileiros, fazendo com que eu me torne ainda mais viciada. Por este motivo, sempre que posso, começo a leitura de um desses exemplares e me delicio com as protagonistas nesse universo de duques e ladys.
Em “Sedução da Seda”, conhecemos a história da modista Marcelline Noirot, que é a mais velha das três irmãs proprietárias de um refinado ateliê londrino. Com seu jeito único de fazer roupas lindas, as habilidades em finanças de sua irmã, Leone, e com o carisma de Sophia para vendas, juntas elas conseguiram abrir a Maison Noirot. E, apesar de nossa protagonista ser uma costureira de mão cheia, sua loja ainda não é popular entre a aristocracia, já que as mulheres da alta sociedade acabam indo para a loja Downes, da proprietária Hortence Downes, mesmo que as suas roupas sejam tão mais bonitas.
Para conseguir novas clientes, a nossa protagonista logo pensa na lady Clara Fairfax, já que o duque de Clevedon vai retornar a Londres e ficar noivo da lady, e se ela começar a usar as suas roupas, as outras pessoas da sociedade também vão começar a usar, e com isso o ateliê das irmãs vai passar a ter novas clientes. Com essa ideia fixa de fazer as roupas de Clara, vemos que Marcelline vai para Paris, no intuito de convencer o duque de que ela é a modista perfeita para vestir a futura duquesa.
Conhecemos, então, Gervaise, o duque Clevedon. Ele é um homem que está acostumado a ter tudo o que quer. Dono de um charme sem limites, ele perdeu a família muito jovem e ficou aos cuidados de um amigo da família e sempre soube que se casaria com a filha deles. Desde cedo criou uma amizade com Clara, e como já estava certo o seu casamento com ela, nosso duque resolveu passar uma temporada em Paris para aproveitar a solteirice. Quando Marcelline vai atrás dele, a primeira coisa que repara é em sua beleza que se destaca, além de sua autoconfiança.
Vemos como a relação dos dois vai se desenrolando, e mesmo ele sendo comprometido e ela com uma vida bagunçada, sendo solteira e tendo uma filha de seis anos, consegue mexer com a cabeça e os sentimentos do nosso duque. Ainda que ela queira apenas crescer profissionalmente, já que sempre foi a responsável pela sua família, e não foi atrás dele procurando nada mais do que conseguir deslanchar na sua carreira, a vida dos dois muda completamente.
Gostei bastante dessa trama, que traz uma protagonista forte, destemida, e, diferente das demais, com uma filhinha de seis anos e muita vontade de crescer na vida profissional. Ela não mede esforços para conseguir o que quer, sendo até mesmo manipuladora. O que achei mais incrível é que sua filha, apesar de ser apenas uma criança, já se parece muito com a mãe e rouba a cenas inúmeras vezes.


O Despertar do Príncipe - Deuses do Egito #01 - Colleen Houck

Passeando na minha estante, entre os livros eu encontrei um livro que eu jurava que não tinha, como uma figurinha que tinha certeza que não tinha, e que ri alegremente de você colada no álbum. Tamanha foi minha surpresa que resolvi escolher ele mesmo para a próxima leitura. E eis que dono de uma das minhas capas favoritas, O Despertar do Príncipe, Livro I da série Deuses do Egito, da autora Colleen Houck, publicado pela Arqueiro começou a desenrolar seus encantos.

Liliana Young é moradora de um cobertura em um famoso hotel em Nova York, filha de pais ricos e bem sucedidos, dona de uma carteira recheada e uma cidade a explorar. E é em um desses passeios que escolhe o MET para suas reflexões a cerca de sua carreira. Isolada em um setor em reforma ela se vê em meio a uma exposição egípcia, só o que ela não esperava era que uma múmia da exposição ganhasse vida, e pedisse ajuda para salvar o mundo da irá do deus Seth!

Devo confessar que o começo desse livro foi difícil, eu estava muito resistente acreditando que o livro seguiria o caminho comum dos livros juvenis que envolvem fantasia, mas assim como o primeiro livro da outra série de Houck, O Despertar do Príncipe me encantou na delicadeza e na sutileza de sua estória. Sua narrativa feita em primeira pessoa não só nos brinda com uma boa trama regada a muita mitologia egípcia como também trabalha a solidão humana que está entre quem as vezes parece ter tudo, seja um deus egípcio, ou uma jovem rica.

Liliana, ou Lily como ela passa a preferir é uma adolescente que tem tudo que uma jovem possa querer em termos materiais, mas quase nada quando se trata de carinho, atenção e compreensão dos pais. Ela é uma marionete que age de acordo com o esperado, meio anestesiada pelas necessidades. A solidão é sua companheira, e mesmo assim é dona de um coração bom e valente.

Quando Amon, a múmia que é um príncipe do antigo Egito a pede ajuda ela não sabe bem como lidar com o pedido, mas ao mesmo tempo se vê diante da oportunidade de viver, sair da vitrine, e sentir o que de fato é importante na vida. E logo também o que é o amor que transcende dimensões. Embora enfrente uma forte dose de acontecimentos que arriscam sua vida, ela não faz o tipo de mulher em perigo e nem de mocinha que quebrou as unhas. Ela ao contrário se encanta com a vida que surge diante de seus olhos nas areias do deserto.

Amon é um peça rara! Imagine alguém que não desperta por mais de mil anos, e que antes disso estava no Egito e de repente está em Nova York? Embora ele seja acostumado a adoração e a ser servido, é humilde, gentil, e logo pega o jeito da vida moderna. É um bom partido, salvo o fato de sua morte eminente e sua idade avançada. É um personagem vezes enigmático e muito poético. Ele evoca toda a riqueza e profundidade da cultura egípcia antiga que se dá nas palavras e nos pequenos atos.


Volta Para Mim - Volta Para Mim #01 - Mila Gray

“Volta Para Mim” é uma história de dois jovens que se apaixonam. A moça em questão é Jessa Kingsley, que tinha apenas dezoito anos e não conseguia ter um relacionamento, pois seu pai, que era militar, era muito exigente com ela. Quanto a Kit Ryan, era um jovem bonito e envolvente, que tinha um carisma sem igual. Era chamado de conquistador inveterado, e a mulherada caia em cima.
Ele era o melhor amigo do irmão dela, Riley, então já se conheciam há muito tempo, mas nunca antes haviam se envolvido, mesmo que ele já tivesse um interesse por ela. Até que numa folga do serviço militar, ele volta à Califórnia com o amigo. A partir daí, Kit e Jessa se atraem mutuamente e ele decide se arriscar e se envolve com a garota, ainda que seja por apenas quatro semanas. Mas o que era para ser um breve relacionamento, acaba se tornando intenso.
Foi lindo. Em tão pouco tempo, com a força que ele lhe deu, acabou tornando-a mais independente da família, e tudo que seu pai antes lhe proibia de fazer, tipo dirigir, fazer testes para atuar, e muitos outros, ele a ajudava a realizar. Eles se envolveram chegando as vias de fato. A descoberta do amor para Jessa foi surpreendente, já que seu pai a criava rigidamente e ela tinha uma família super protetora, e agora conseguia encontrar uma certa liberdade para se encontrar como pessoa.
Só que teve um porém, em poucos dias Kit e Riley tiveram que voltar para a guerra. E, sim, nossa protagonista ficaria longe por um ano das pessoas que mais amava: seu irmão e seu namorado. Mas o destino não brinca, e coisas como a guerra mudam a vida das pessoas, pois o que pode acontecer se torna muitas vezes inevitável e as consequências podem ser muito doloridas.
E o pior acontece. Mesmo que Jessa estivesse esperando que Kit voltasse da guerra junto com seu irmão, uma notícia muito triste chega: um dos dois morreu em serviço. Resta a Jessa sobreviver à dor de perder uma das pessoas que mais ama no mundo. Será que ela vai conseguir?
O que será que virá depois de tantas coisas? A libertação de um pai opressor? A volta do seu amor ou do seu irmão? Como vidas viverão a partir de uma coisa tão forte? Será que os envolvidos superarão? São respostas que você deverá buscar nestas páginas, pois tudo se estabilizará após uma tempestade. No final do túnel sempre há uma luz e a luz desta história você irá descobrir qual é após a leitura.
Antes de ler este exemplar, relutei um pouco, porque no momento estou mais focada na leitura de romances de época, mediúnicos e policiais. Só que, como gosto de inovar, resolvi ler este título do gênero new adult, que são personagens após a adolescência e antes de se tornarem adultos. Confesso que curti muito, pois é uma história bem interessante, com uma pitada de drama e superação que me atrai.
Um dos pontos que mais gostei é que podemos acompanhar os acontecimentos pelo ponto de vista de ambos os personagens, Jessa e Kit, já que a trama é narrada pelos próprios protagonistas e por capítulos alternados, ou seja, o ponto de vista de cada um separadamente. Isso foi muito bom, pois assim conseguimos uma visão bem ampla de tudo, além de entendermos melhor os sentimentos deles.


Uma Dama Imperfeita - Os Preston #02 - Lucy Vargas

O ano é 1816, e estamos na Inglaterra, onde Lydia Preston participa de sua primeira temporada. Há muitas expectativas para esse período, recheado de eventos, danças e situações diversificadas. Lydia não é a mais calma e ajuizada das moças, o que pode ser terrível para sua reputação, não que ela esteja realmente ligando para isso, o que com certeza pode vir a ser um grande problema. Mas ela está com sorte, afinal conta com uma acompanhante de peso, a também jovem Bertha, que não está se apresentando na sociedade por vir de uma família mais humilde, sem recursos ou títulos, apesar de ter tido toda a educação que Lydia teve, afinal foi criada pelos Preston com todo amor, carinho e respeito, como se pertencesse à família, com o consentimento de seus pais.
Bertha Gale leva sua função bem a sério, fazendo de tudo para manter Lydia na linha, mas as duas logo passam a fazer parte de um divertidíssimo grupo de amigos que vai acabar se revelando um pouco mais rebelde do que a sociedade permite. E, no meio deles, vai conhecer justamente Eric Northon, o belo, adorável, rico e melhor partido da temporada, já que é o mais cobiçado por todas, justamente porque tem a intenção de se casar naquele ano e é um visconde que logo se tornará conde. Ele mexe com nossa protagonista de uma forma que ninguém poderia prever, a faz ficar balançada, deixa sua vida de pernas para o ar e muda tudo o que ela sempre achou que sabia.
Será que Bertha será capaz de abrir seu coração e entregá-lo a ele, colocando em risco tudo o que construiu até agora? Indo contra diversas pessoas, principalmente porque ela sente que não o merece, levando em consideração seu nível social com relação ao dele e o que todo mundo acha ser correto? Ou ela irá vencer todas as batalhas com força de vontade e lutar pelo seu amor, não importando as consequências? A decisão será difícil e ela enfrentará diversos percalços pelo caminho, como já podemos imaginar, mas será que o amor falará mais alto?
Desde que a Editora Charme publicou “O Refúgio do Marquês”, primeiro livro da série “Os Preston”, em 2015, tenho muita vontade de lê-lo, afinal, trata-se de um romance de época escrito por uma autora nacional! Para quem não sabe, amo esse gênero, que é um dos meus favoritos, e acho importante sempre prestigiar talentos brasileiros, afinal é um grande orgulho vê-los escrevendo maravilhosamente bem e sendo reconhecidos pelas editoras, o que não ocorre com a frequência que gostaríamos. Mas, infelizmente, não tive oportunidade de ler o volume inicial desta série ainda, o que não me impediu de desejar arduamente esta continuação, já que conta com outros protagonistas e seu próprio enredo com começo, meio e fim. Então, assim que recebi meu exemplar, mergulhei nessas páginas e posso afirmar que a experiência foi, como já esperava, maravilhosa.
A narrativa de Vargas é realmente deliciosa, e ela soube inserir momentos cômicos muito bem, assim como as maravilhosas cenas românticas de fazer suspirar, e ainda incluiu situações tensas, tristes e desesperadoras, só para deixar tudo mais completo e despertar os mais diversos tipos de sentimentos no leitor.
Uma das coisas que mais gostei neste livro é o contexto histórico que a autora inseriu em sua trama, afinal dá para notar claramente que ela fez muitas pesquisas sobre a época, os costumes, os cenários e até acontecimentos, importantes ou corriqueiros, de como era a vida no século XIX, e soube transmitir isso ao leitor de uma forma completamente prazerosa e muito interessante. Afinal, a gente consegue se imaginar inserido naquele cenário como se realmente estivéssemos vivendo nele e não nos dias de hoje, dois séculos depois.
Apesar de o foco do livro ser a vida de Bertha, com grande destaque para o romance que ela vive com Eric, a autora não se prendeu a eles dois ou aos acontecimentos em que eles fossem os principais. Podemos acompanhar diversos outros personagens (mesmo que não com a mesma proporção), a interação entre eles, o ciclo de amizades que se forma entre alguns jovens que estão frequentando a temporada, alguns acontecimentos da época e, ainda, um pano de fundo do casamento e família de Henrik e Caroline, protagonistas do primeiro livro, fazendo com que os leitores que acompanharam estes dois possam saber o que o futuro lhes reservou, e ainda possam ver algumas dificuldades que acabaram enfrentando em suas vidas.