Quando você
lê um livro e precisa de alguns dias para pensar na resenha dele isso significa
que o livro mexeu com seus conteúdos internos, e que não foi uma simples
leitura recreativa (embora eu raramente faça isso porque minha mente analítica
não permite coisa diferente!). Terminar a Trilogia Shiva, com seu último volume
O "Juramento dos Vayuputras", do indiano Amish, publicado pela nVersos, foi de
revirar o inconsciente! As resenhas dos volumes anteriores, "Os Imortais de Meluha" e "O Segredo dos Nagas" também já foram postadas aqui no blog (confiram clicando nos títulos).
Shiva está
em busca do verdadeiro mal, e o descobre, mas eliminá-lo da Índia não será
simples, pois a principal potência está fortemente ligada a fabricação deste
mal e não pretende abrir mão dele. O Mahadeva então parte em busca de aliados e
de esclarecer sobre o que está ocorrendo, como um elemento bom pode se tornar o
mal? E mais do que promover uma ação bélica ele busca espalhar a mensagem sobre
o que tem aprendido na sua jornada, chegando até aqueles que nunca lhe
ofereceram ajuda: os Vayuputras. Mas o que fazer quando o destino de um país
atravessa sua própria alma exigindo mais do que você é capaz de dar? Shiva
conseguirá vencer si mesmo e fazer o certo?

Shiva é um
herói como poucos, embora represente uma divindade é mais humano que os que o
cercam. Até o fim não se contamina com o título e o trabalho que deve realizar.
A única coisa que o tira do eixo é mexerem com a sua família. Seu amor por Sati
é pleno, e o respeito que ele demonstra por ela é raro nos dias de hoje, ele
consegue aceitar o fato de ela tomar suas próprias decisões e não precisar dele
como uma mulher indefesa. Neste volume além de lidar com sua missão ele também
descobre muito sobre seu passado.
Sati, a
esposa de Shiva foi a personagem mais chata, ela cismou com questões de honra e
responsabilidade. Ela tinha em si uma culpa muito grande, por ações que ela não
compreendeu como além de suas possibilidades, e todo mundo sabe quanto pode ser
chata uma pessoa que carrega uma culpa como uma mala de mão não é? O desfecho
desta personagem me abalou, não por ela mas pelos que a cercam. O modo como
aconteceu, e tudo que isso gerou foi arrebatador!
Existe uma
diversidade grande de personagens que costuram este livro, alguns com nomes de
fácil assimilação, outros que se confundem. Ganesha, filho de Sati, ganha
destaque junto com seu irmão Kartik, uma dupla de peso que gera toda a ação e
estratégia desta guerra. Gopal, o líder Vasudeva é a voz da razão que acompanha
Shiva. E diversos outros aparecem com frequência e personalidade, não existem
personagens desnecessários, tudo é amarrado com intenção e sabedoria.

Durante
nossas jornadas na vida absorvemos muito conhecimento, muitos são os livros
lidos, as aulas assistidas e assuntos conversados, mas pouca coisa possibilita
e transmite sabedoria, O Juramento dos
Vayuputras é uma obra que exala sabedoria para quem se permitir absorver. É
como o deus Shiva, transforma tudo que toca! Hare, hare Mahadeva!
"Os
olhos do Neelkanth se arregalaram. A
pergunta-chave não é 'O que é o Mal?. A pergunta-chave é: 'Quando o Bem
se torna o Mal? Quando a moeda gira?".
Avaliação
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