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O Juramento dos Vayuputras - Trilogia Shiva #03 - Amish Tripathi

Quando você lê um livro e precisa de alguns dias para pensar na resenha dele isso significa que o livro mexeu com seus conteúdos internos, e que não foi uma simples leitura recreativa (embora eu raramente faça isso porque minha mente analítica não permite coisa diferente!). Terminar a Trilogia Shiva, com seu último volume O "Juramento dos Vayuputras", do indiano Amish, publicado pela nVersos, foi de revirar o inconsciente! As resenhas dos volumes anteriores, "Os Imortais de Meluha" e "O Segredo dos Nagas" também já foram postadas aqui no blog (confiram clicando nos títulos).
Shiva está em busca do verdadeiro mal, e o descobre, mas eliminá-lo da Índia não será simples, pois a principal potência está fortemente ligada a fabricação deste mal e não pretende abrir mão dele. O Mahadeva então parte em busca de aliados e de esclarecer sobre o que está ocorrendo, como um elemento bom pode se tornar o mal? E mais do que promover uma ação bélica ele busca espalhar a mensagem sobre o que tem aprendido na sua jornada, chegando até aqueles que nunca lhe ofereceram ajuda: os Vayuputras. Mas o que fazer quando o destino de um país atravessa sua própria alma exigindo mais do que você é capaz de dar? Shiva conseguirá vencer si mesmo e fazer o certo?
A narrativa de Amish continua em terceira pessoa esmiuçando em ações a cultura hindu, no que tange sua espiritualidade, postura ética e moral. E é fascinante, para não dizer encantador ver em uma história épica aquilo que mantras e deuses indianos contam em tão poucas palavras. As vezes ver a tradução de um trecho em sânscrito soa bonito e poético, mas não é suficiente para compreensão do mesmo, Amish conseguiu colocar tudo isso de forma a possibilitar compreensão do hinduismo antigo,  e  mais a reflexão e pensamento crítico destes ensinamentos, já que Shiva é um personagem que esbarra no ceticismo, e é muito questionador.
Shiva é um herói como poucos, embora represente uma divindade é mais humano que os que o cercam. Até o fim não se contamina com o título e o trabalho que deve realizar. A única coisa que o tira do eixo é mexerem com a sua família. Seu amor por Sati é pleno, e o respeito que ele demonstra por ela é raro nos dias de hoje, ele consegue aceitar o fato de ela tomar suas próprias decisões e não precisar dele como uma mulher indefesa. Neste volume além de lidar com sua missão ele também descobre muito sobre seu passado.
Sati, a esposa de Shiva foi a personagem mais chata, ela cismou com questões de honra e responsabilidade. Ela tinha em si uma culpa muito grande, por ações que ela não compreendeu como além de suas possibilidades, e todo mundo sabe quanto pode ser chata uma pessoa que carrega uma culpa como uma mala de mão não é? O desfecho desta personagem me abalou, não por ela mas pelos que a cercam. O modo como aconteceu, e tudo que isso gerou foi arrebatador!
Existe uma diversidade grande de personagens que costuram este livro, alguns com nomes de fácil assimilação, outros que se confundem. Ganesha, filho de Sati, ganha destaque junto com seu irmão Kartik, uma dupla de peso que gera toda a ação e estratégia desta guerra. Gopal, o líder Vasudeva é a voz da razão que acompanha Shiva. E diversos outros aparecem com frequência e personalidade, não existem personagens desnecessários, tudo é amarrado com intenção e sabedoria.
Disse na resenha anterior, e volto a dizer (e mostrar na imagem que não mente rs!) que a versão livro em capa econômica estragou o livro. Por tratar-se de uma obra maior que permanece mais tempo nas mãos toda a película da capa acabou se soltando, deixando o livro com uma aparência péssima por mais cuidado que eu tivesse. E dói ter uma trilogia desse porte assim =/!
Durante nossas jornadas na vida absorvemos muito conhecimento, muitos são os livros lidos, as aulas assistidas e assuntos conversados, mas pouca coisa possibilita e transmite sabedoria,  O Juramento dos Vayuputras é uma obra que exala sabedoria para quem se permitir absorver. É como o deus Shiva, transforma tudo que toca! Hare, hare Mahadeva!

"Os olhos do Neelkanth se arregalaram. A  pergunta-chave não é 'O que é o Mal?. A pergunta-chave é: 'Quando o Bem se torna o Mal? Quando a moeda gira?".
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O Segredo dos Nagas - Trilogia Shiva #02 - Amish Tripathi


Não consigo colocar em palavras quanto é gratificante fazer uma leitura que mais do que lhe contar uma boa estória também faça você um ser humano melhor ao fim da leitura. O autor indiano Amish é mestre nessa arte, o segundo volume da Trilogia Shiva- O Segredo dos Nagas, publicado pela N'Versos tem muita sabedoria em suas páginas e causa esse efeito na sua narrativa.

Voltamos a acompanhar a história de Shiva, o Mahadeva, Neelkanth, que tem como missão acabar com todo mal sobre a Índia, ele acredita que para conseguir seu intento ele deve buscar os Nagas, que foram responsáveis pela morte de seu grande amigo Brahaspati. Para encontrá-los ele viaja para outros reinos, mas mais do que encontrar os nagas ele encontra verdades e injustiças que ele precisa reparar, mas será que Shiva é capaz de encontrar a verdade que se esconde? Afinal onde se esconde este mal que ele deve vencer?

Amish é impecável em sua narrativa em terceira pessoa, consegue transmitir em suas palavras toda densidade da cultura hindu repleta de alegorias, metáforas, mitologia e honestidade. Embora o panteão hindu até seja conhecido, pelo menos as figuras centrais, aqui ele explora outros deuses e suas histórias, de forma acessível e linda. A única dificuldade fica por conta dos nomes que podem confundir, já que a língua não é de nossa familiaridade.

Shiva consegue transcender, tirar o véu que colocaram nele, e saber além do que os olhos podem ver. Através de suas conversas com os Vasudevas ele consegue insights de conhecimento que valem cada página de leitura. Eu disse na resenha anterior da série e volto a afirmar minha conexão com este deus se fortaleceu, é uma energia tão rara e bonita que tudo que tive vontade de fazer foi invocá-lo para uma boa conversa. E eis a beleza da obra, a vontade não é de fazer um altar em seu nome, mas chamá-lo para vida e poder tê-lo compartilhando seu poder. Trazer essa conexão para fora das páginas é para poucos.

Sati, a esposa de Shiva é o tipo de mulher que falta por ai, ela não vive nas sombras do poderoso marido, ela escreve sua própria história, cumprindo com aquilo que acredita que veio fazer no mundo, mesmo que isso signifique sua morte. É uma personagem que gera equilíbrio em Shiva.

Os Nagas tem importância vital na virada deste livro, não posso revelar muito a respeito pois a grande graça está nas revelações, mas posso dizer que me apaixonei por eles? Ops! rs! Eles são personagens com histórias muito interessantes e que se amarram a história central de forma muito envolvente e inteligente.

Os companheiros de Shiva em sua jornada são homens em geral muito íntegros, mais do que seguir homens ou ideias, seguem aquilo que a verdade revela. Parvateshwar, o guerreiro que vai conhecer o amor; Veerbhadra seu amigo fiel; Nandi a sombra que o protege e Bhagirath o príncipe leal, todos são ricos em construção e são ótimos na costura da trama central.

O único problema do livro fica por conta da própria editora que fez a capa naquela versão econômica, sem orelhas, o que gera com a leitura pequenas orelhas nas pontas da capa, uma pena!

Muitas coisas são questionadas ao longo do livro, sobre por exemplo quanto a tradição e leis devem permanecer com o passar do tempo. Há pessoas que se apegam a uma verdade mesmo quando até o autor desta verdade já mudou de caminho. A sabedoria está em reconhecer o erro e mudar o rumo. E estar constantemente em movimento, transformando e não se cristalizar em velhas ideias.

O Segredo dos Nagas, mais do que narrar uma história, nos evoca a reflexão, especialmente sobre o papel do mal e o que é o verdadeiro mal. Não somos seres bons ou ruins, somos o equilíbrio dessas polaridades, ser mal é diante de uma escolha se render a esses impulsos, mas ninguém é mal ou bom por completo. Om Namah Shivaiy!

O ódio é o amor estragado, o contrário do amor é a indiferença!

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Os Imortais de Meluha - Trilogia Shiva #01 - Amish Tripathi

Fazem alguns anos que em doses homeopáticas tenho tido contato com a cultura e religião hindu. No IPPB, local onde frequento palestras fazem alguns anos, sempre são bastante divulgados mantras, conceitos, mitologia e etc da Índia. Acho incrível o modo como eles conseguem sintetizar em uma palavra um conceito profundo, permitindo que as pequenas coisas sejam carregadas de significado. Foi neste clima hindu que Os Imortais de Meluha, primeiro volume da Trilogia Shiva, escrito pelo indiano Amish Tripathi, e publicado pela editora NVersos, foi escrito.

Em 1900 a.C. em uma tribo no vale do Indo, conhecemos Shiva,um  guerreiro e líder de um pequeno grupo que mora nas margens de um rio. Tendo que defender constantemente seu território, ele decide aceitar o convite de um Suryavanshi para se mudar para Meluha, onde teriam moradia e comida.

O que Shiva não sabia é que existe uma profecia neste povo, e que esta profecia envolvia ninguém menos do que ele. Mas será que um imigrante tibetano será capaz de destruir todo o mal ao mesmo tempo que as leis de Lorde Rama são mantidas?

Amish tem a narrativa em terceira pessoa, repleta de detalhes mas com uma leveza ímpar. A história soa autêntica e original, já que esse universo é raramente explorado em livros. O fato de o autor ser indiano também permite uma riqueza de detalhes e respeito pela cultura hindu tocante. A diagramação foi bem executada e a capa transmite toda a majestade de Shiva.

Shiva, um tibetano do 'interior', pouco conhece sobre as terras que o cercam, mesmo assim é dono de um sensibilidade e sabedoria gigantes. Embora tenha grandes missões, e a ele lhe atribuam grandes títulos em momento algum ele perde de vista sua simplicidade, trata de maneira respeitosa desde um mendigo de rua até o imperador, não poupando qualquer um de sua verdade. Seu critério de justiça é muito apurado, e sua capacidade de mobilizar as pessoas é encantadora. Ele é engraçado e encantador!

Sati, é a mocinha da trama, mas não imagine uma filha de imperador que fica em seu trono, aqui conhecemos uma mulher com M maiúsculo, que sabe se defender com espada e tem uma língua afiada. Descobre em Shiva uma nova chance de ser feliz, e se reencontrar consigo mesma.

Diversos personagens secundários e bem explorados surgem ao longo da história, como Nandi o suryavanshi que primeiro tem contato com Shiva e se torna seu fiel escudeiro; Daksha o imperador de Meluha e pai de Sati, homem sábio que coloca a família em primeiro lugar e confia plenamente na profecia; Parvateshwar líder do exército Meluhano que não acredita na profecia e tem dificuldades em aceitar Shiva e seu pensamento vanguarda, entre outros repletos de pequenos detalhes.

A sabedoria Hindu é muito explorada, especialmente nas conversas de Shiva com os Pandits, os sacerdotes hindus. Os nomes em hindu podem confundir no começo, já que fogem do tradicional, assim como os diversos termos utilizados, mas caso a dúvida apareça o livro conta com um glossário bem trabalhado.

"Com frequência, para encontrar o conhecimento, uma boa longa viagem pelas palavras, por assim dizer, faz com que atingir a sabedoria seja muito mais satisfatório - disse o pandit- E mais importante, ajuda a entender o contexto do conhecimento com muito mais facilidade". (pág.279)

A proposta do autor é trazer para uma realidade um possível conto do deus Shiva como humano, e ele foi brilhante nisto, pois o personagem têm com características de divindade sem perder traços humanos e reais. A trilogia  já tem o segundo volume publicado pela editora, O Segredo dos Nagas.

O livro é comparado ao Senhor dos Anéis por algumas críticas, não chega a tanto em sua complexidade, mas sem dúvida é de uma sabedoria similar, e indico de olhos fechados para qualquer um que queira sair da superfície e ler algo que entretenha ao mesmo tempo em que ensina. Os Imortais de Meluha é denso, é profundo e fala da vida através do verdadeiro.

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