No fantástico
“Sombra e Ossos”, livro de estreia da autora Leigh Bardugo, e primeiro da
trilogia Grisha, somos apresentados a um novo mundo governado por rei e
dividido em povos que vivem em regiões afastadas, e onde pessoas com certos
poderes mágicos são chamados Grishas, e vivem em um local para treinamento e
aperfeiçoamento de suas habilidades. Eles são divididos em grupos denominados
Corporalki, Etherealki e Materialki, dentro deles são divididos em categorias
de acordo com o que podem fazer, e são comandados por um homem com um poder
superior, o Darkling, a quem todos têm respeito.
Nesse
contexto, conhecemos a protagonista Alina Starkov, uma garota que é órfã desde
pequena, e viveu em na propriedade do Duque junto com outros jovens que também
não tinham família, já que ele os abrigava. Foi lá que ela conheceu um menino,
também órfão, Maly, com quem logo criou fortes laços de amizade que dura até os
dias atuais.
Depois de
saírem desse lar, eles acabam indo treinar no serviço militar juntos, no Primeiro
Exército (o segundo é composto por membros Grishas), só que ela vira uma
simples Cartógrafa, enquanto ele é um Rastreador, e o melhor. A missão deles no
momento é atravessar um local de escuridão quase impenetrável chamado de Dobra
das Sombras (ou “Não Mar”), um corte negro que separa o local que eles estão da
parte costeira, único lugar que possui mar de toda a região. A grande maioria
das pessoas que o atravessa não saem de lá com vida, principalmente porque, além
de toda a escuridão há os Volcras, criaturas terríveis e enormes, com asas e
garras, que atacam quem atravessa o Não Mar.
Durante a
passagem deles pela Dobra, um caos começa, e Maly é atacado e brutalmente
ferido por um desses predadores, é nesse momento que os instintos de proteção
de Alina entram em jogo e ela acaba revelando um grande poder, que nem mesmo ela
imaginou que tinha, o que acaba mudando sua vida completamente a partir desse
momento.
O Darkling
acredita que Alina pode ser a chave para que, junto com ele, possa destruir a
Dobra das Sombras e livrar os povos desse mal horrível. Para isso ela é enviada
para o Pequeno Palácio, onde os outros Grishas residem, e lá vai aprender a se
virar fisicamente, e a dominar e melhorar seu dom para, assim, enfrentar a
escuridão da Dobra.
Agora Alina
está num local totalmente novo para ela, cheio de riquezas e repleto de luxo,
aprendendo coisas que nunca pensou que iria saber, e o pior, está sozinha sem
ninguém conhecido e longe de Maly. Sua atração pelo poderoso Darkling está cada
vez maior, e com o tempo ela vai descobrindo que nada é o que parece, e ela vai
precisar descobrir quem fala a verdade, enquanto enfrenta seus medos e suas
descobertas, e busca um lugar onde possa sentir que pertence a ele.
O gênero
aventura não é dos meus preferidos (só se estiver misturado com sobrenatural ou
distopia), mas por se tratar de uma protagonista feminina, na faixa etária de
Alina, eu acabei me interessando mais para começar a ler, e não é que fiquei
muito encantada com a proposta e o desenvolvimento criados por Leigh Bardugo? A
história é sensacional e, ao terminar a leitura, me vi apaixonada por sua obra,
sua escrita e seus personagens, e posso afirmar que esse título entrou para minha
lista de queridinhos preferidos.
Achei
fantástico esse mundo criado pela autora, com todas essas “categorias” de
poderes e a ambientação. Os cenários foram muito bem descritos, mas não achei a
quantidade de informações cansativa, pelo contrário, acho que deram ainda mais
riqueza à ambientação. E eu ainda me senti bem introduzida a esse mundo, como
se também fizesse parte dele.
Parece bem
complicada, porém, a mitologia criada pela autora não é complexa demais, e o
modo como ela é explicada é fácil, fluido e envolvente. No começo tive um pouco
de dificuldade para gravar todos esses nomes estranhos, simplesmente pelo fato
de que não tinha costume com eles, mas depois de um tempo começou a ficar mais
natural, e acabei me acostumando com os termos diferentes.
A narrativa é
em primeira pessoa na maior parte do tempo, exceto pelo primeiro capítulo, que
é tipo uma introdução (como um prólogo), chamado de Antes, e o último capítulo, que parece um epílogo, chamado de Depois, que são em terceira pessoa.
Achei a
construção da protagonista, Alina, sensacional, ela não soube sempre de seu
poder, nem como usá-lo, então quando foi a hora certa, senti como se ela o tivesse
conquistado, e então aprendido como fazer para utilizá-lo. Ela é uma personagem
bem real, que teve uma vida difícil, é cheia de qualidades e transborda de
defeitos, como qualquer pessoa, então sua personalidade não foi forçada. É bem vulnerável,
e pode ter feito algumas escolhas não muito positivas, mas que achou corretas
na hora, talvez por ser ingênua também. Ela não tem medo de dizer o que pensa,
mesmo para seus superiores, ao mesmo tempo em que se controla para não falar
tudo o que deseja. Alina cresceu na trama, se esforçando para ser forte e corajosa,
mesmo quando tinha medo ou algum receio, aprendendo mais sobre si mesma e se
aceitando, sem abusar do seu novo e incrível poder, se preocupando com o
próximo e sem deixar de lado seu senso de justiça.
Eu realmente
adorei a protagonista, a única coisa que eu não gostei, é que ela acreditava
muito no que os outros diziam a respeito de sua aparência, então ela acabava se
vendo de uma forma bem negativa, e muitas vezes ela repetia que era muito magra
e tinha uma aparência de doente, e eu não gosto de ver as pessoas se diminuindo
tanto assim.
Adorei o
romance. Vocês já devem saber que eu adoro casais e acompanhar o
desenvolvimento dos sentimentos dos personagens, e esse me conquistou demais. Há
um início de um triângulo amoroso, com dois personagens bem importantes, um
deles com aquele jeito meio bad boy,
e ambos com fama de conquistadores, mas já nesse volume ele se dissolve e o
romance é concentrado em apenas um dos personagens masculinos, mas admito que a
autora soube mexer com a minha cabeça (e tenho certeza que com grande parte de
vocês também) antes de definir quem seria o par ideal para Alina.
Aliás, todos
os personagens foram bem construídos e tiveram alguma importância na trama, uns
mais, outro menos. Gostei de alguns que nos foram apresentados, mas ainda não
sei o que esperar deles.
Tem uma
questão política como parte do pano de fundo, mas não é passado ao leitor de
uma maneira chata, apenas como um pedaço de algo muito maior, e talvez o ponto
inicial para despertar algumas revoltas que acabam mudando o rumo da história.
E há um jogo de bem e mal, e você acaba aprendendo que não pode confiar em
ninguém, não sabe quem fala a verdade, e o que querem por trás do que dizem,
mesmo depois de fechar a última página.
Confesso que
esperava que a história não se desenvolvesse tanto assim. Como faz parte de uma
trilogia, e até um bom pedaço a protagonista estava sendo introduzida nesse
ambiente que era novo para ela, com suas novas tarefas, novas companhias e
fama, eu pensei que ia ficar por isso até o final, mas me surpreendi
positivamente quando a autora desenvolveu mais a história, e já vimos uma grande
evolução da trama principal, e podemos até dizer que uma parte dela já teve um
fechamento nesse volume mesmo.
Adorei o
final e posso dizer que estou super ansiosa pelos próximos volumes. "Siege
and Storm", segundo livro da trilogia, foi lançado lá fora há pouco tempo,
e o terceiro e último livro, "Ruin and Rising", tem previsão só para
2014 lá nos EUA, o que nos resta é torcer para que seja no primeiro semestre e
que não demore muito para ser traduzido aqui.
A autora
utilizou a Rússia como inspiração. Ela se interessou por uma capa de um atlas
imperial, que achou meio sem querer sobre o país, e depois de ler sabia que era
dali que queria buscar ideias. Pesquisou sobre a história, a cultura e o
folclore do local para construir seu cenário fictício, assim como as
vestimentas. As palavras criadas pela autora também foram inspiradas na
linguagem russa, algumas ela usou as originais, outras ela pegou fragmentos e acrescentou
algo (letras, prefixos, etc.) para o significado que queria.

Sobre a parte
gráfica, como recebi a prova da Editora Gutenberg, não posso dar todos os detalhes da parte impressa,
se tem algo de diferente, como é a capa ao vivo, mas alguns detalhes acredito
que não serão modificados, como um mapa do local, encontrado antes da história
começar para ajudar na ambientação, uma página sobre os Grishas antes do
primeiro capítulo, que me ajudou muito para não ficar perdida, e há um símbolo
no começo dos capítulos, e no rodapé das páginas, junto da numeração, muito legais
e que tem a ver com a trama.
Com um enredo
cheio de originalidade, reviravoltas, acontecimentos de tirar o fôlego, uma mistura
de fantasia, aventura, amizade, romance, e magia, que deu muito certo, uma
trama envolvente, original e criativa, e personagens incríveis, é impossível
não se apaixonar pela escrita e pela história de Leigh Bardugo. Então o que
está esperando para começar a ler? Só um aviso: prepare-se para ser surpreendido
em vários momentos!
Avaliação