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Sombra e Ossos - Grisha #01- Leigh Bardugo

Desde a minha adolescência quando tive meu primeiro contato com a cultura russa fiquei apaixonada por esse país de pequenos detalhes, entre Matrioshkas e pratos típicos eu acho esse país gelado encantador! Quando vi então a capa de Sombra e Ossos, da autora Leigh Bardugo pela editora Gutenberg com uma referência a arquitetura russa já quis ele na minha estante, sem nem saber do que se tratava o livro (sim eu me apaixono por capas antes de saber da história!).

Nessa obra acompanhamos a saga de Alina Starkov uma orfã que trabalha como cartógrafa no regimento militar de Kavka e está prestes a realizar uma missão que deve passar pela dobra das sombras - uma faixa terra repleta de escuridão e criaturas conhecidas como volcras. Ela sabia que enfrentar a escuridão iria mudar sua vida, mas jamais imaginou que depois disso seria outra pessoa quando um volcra ameaça a vida de seu melhor amigo Maly. Depois de descobrir uma luz interior ela é enviada para Os Alta onde esperam que ela desenvolva seu poder, e ajude Ravka a retomar para luz este território de sombras. Alina conseguirá vencer suas próprias sombras e espalhar luz?

Alina é uma jovem que cresceu em um orfanato, assim ela tem o discurso clássico de quem teve privações e boas memórias com seu companheiro de orfanato. O primeiro e único amor é utópico e faz seus dias serem menos monótonos. Ela já estava bem inserida na rotina militar, então quando sua visita a dobra muda tudo ela passa boa parte das páginas seguintes negando sua verdade interior. Sua autoestima é muito baixa, assim ela não acredita ser digna e portadora de qualquer poder. Ela se acha feia e desinteressante.

A forma como ela conquista seu poder pode facilmente ser uma metáfora para o auto conhecimento, quantos de nós somos capazes de alcançar as estrelas e nos contentamos com apenas seu brilho distante? Quando Alina percebe sua verdade ela ganha não só o poder mas o amor próprio que se reforça no final da trama.

Maly, seu amigo e paixão, é um jovem talentoso que consegue rastrear qualquer coisa. Dono de um belo semblante ele desperta atenção de diversas garotas que Alina consideram mais interessantes que ela. Ele embora seja fiel a sua amizade com ela não deixa de aproveitar dos flertes e garotas que surgem no seu caminho. Sua virada na trama também muda a vida de Alina e toda direção da história.

O Darkling é um homem poderoso capaz de manipular as sombras, dono de um charme poderoso ele também é capaz de forma sutil manipular o reinado em Os Alta, e todos que cercam o reino. Se aproxima muito de Alina, e apresenta um mundo mais requintado a ela. Ele oferece um mundo aos seus pés, mas sem dar dicas ele me surpreendeu quanto a suas intenções.


Ruína e Ascensão - Grisha #03 - Leigh Bardugo

Apesar de este livro ser o terceiro da trilogia, nesta resenha não há qualquer tipo de spoiler de nenhum dos três exemplares. Se você tiver interesse de conhecer as histórias dos anteriores, conferira as resenhas clicando nos títulos: Sombra e Ossos” e “Sol e Tormenta”.
Depois de um final arrebatador com o segundo volume da trilogia Grisha, “Sol e Tormenta”, a história deste exemplar começa pouco tempo depois do anterior, e acompanhamos Alina passando por um período bastante difícil, vivendo sob uma proteção duvidosa, com um título que herdou sem nunca querer, seus poderes não sendo mais os mesmos, e buscando uma forma de sair dali para encontrar a única coisa que ainda pode salvar a todos: o último dos amplificadores de Morozova.
Como toda a esperança de Ravka está em suas mãos (e as dela estão quase no fim), Alina terá que lutar com todas as suas forças e fazer escolhas que possam doer mais do que ela jamais imaginou enfrentar, para salvar toda a população da escuridão e do que há de pior neste mundo.
Mas, com uma descoberta que vai mudar tudo completamente, será que nossa protagonista está realmente preparada para reivindicar o poder necessário para acabar com a destruição de Ravka e salvar os que ainda estão vivos, ou tudo isto está além do que ela pode aguentar sem destruir o que resta de bom em si mesma e na pessoa que mais ama neste mundo?
Desde que li o primeiro livro desta trilogia fantástica, “Sombra e Ossos”, fiquei contando os dias para ler as continuações para saber como esta história escrita por Leigh Bardugo iria ser desenvolvida e como encontraria o seu desfecho. Então, logo que tive a oportunidade, li “Sol e Tormenta” que, confesso, não foi tudo o que eu esperava depois de ter amado tanto o primeiro, mas, mesmo assim, gostei bastante e estava empolgada para saber como seria o final da história de Alina.
Quando a editora me ofereceu a prova de “Ruína e Ascensão” para resenha, não hesitei nem por um segundo e aceitei, afinal, como comentei anteriormente, estava contando os dias. E não é que a autora conseguiu superar o segundo e fazer com que esta finalização fosse incrível (mesmo que “Sombra e Ossos” ainda tenha sido meu preferido)?
Gosto bastante da narrativa de Bardugo, acho que ela sabe encontrar as palavras certas para nos levar nesta jornada com os personagens de um jeito incrivelmente envolvente, fazendo com que o leitor torça para as coisas se encaminharem para algo bom, mesmo quando tudo parece perdido.
A autora também sabe como trazer muitas reviravoltas e momentos de tensão, o que deixa a trama bastante movimentada, e, muitas vezes, nem sabemos qual será o próximo passo nisto tudo. Eu fico criando teorias conforme avanço nas páginas, então acho ótimo quando os escritores nos dão esta possibilidade e acertamos algumas vezes, porém erramos em outras.
A minha personagem preferida sempre foi a Alina, admiro-a muito por tudo o que passou e enfrentou, mesmo que algumas de suas decisões não tenham sido as mais sensatas e eu não as tenha “aprovado”, ou nem mesmo pensaria em seguir pelo mesmo caminho que ela em alguns momentos, mas sua força para continuar em frente e não abandonar seu destino, mesmo que isto fosse mais fácil ou tentador, é realmente incrível.
Em alguns momentos, vários deles para falar a verdade, eu fiquei apreensiva de que algo de muito ruim acontecesse com um personagem querido por conta de uma descoberta que foi feita em uma ocasião, que, por acaso, foi totalmente surpreendente e me pegou desprevenida. Nunca pensei que a autora iria seguir por este caminho, e gostei de sua ousadia exatamente porque me pegou de surpresa e eu adoro quando isso acontece.
As ações que os personagens tiveram, principalmente Alina, cortaram meu coração, mas, depois de outra reviravolta, eu curti o modo como a autora escolheu encerrar a trilogia e o que ela fez com a lenda/fama da Conjuradora do Sol, resultando em um final maravilhoso e que pareceu simplesmente o certo se olharmos para o passado da protagonista e levarmos em consideração a jornada dela desde o começo da história, ainda no primeiro volume, até aqui.
Claro que há mortes neste exemplar, muitas bastante significantes, mas alguns dos personagens que eu estava torcendo totalmente para continuarem vivos, ficaram. Então, mesmo que a gente sinta a falta de alguns, fico contente com a sobrevivência de outros queridos.
Acho muito interessante que a autora tenha trazido esta questão do bem/mal e luz/escuridão para sua trama de um jeito diferente, trazendo para um nível mais real do que apenas a metáfora que estas palavras representam. E foi bem legal ver que isto permaneceu com um dos pontos mais importantes durante os três livros, encontrando seu desfecho aqui.
Confesso que já gostei muito do Darkling, e adoro Nikolai desde o primeiro momento em que apareceu, mas sempre achei que Alina deveria ficar com Maly (pelo menos a certeza veio depois de uma revelação do primeiro volume – quem leu sabe o que estou dizendo), e sempre vi Nikolai mais como um amigo do que algo além. Nunca me pareceu que eles pudessem ser um casal romântico, talvez apenas político, como foi citado inúmeras vezes, mas não senti algo mais do que isso, ou seja, por mais que eu goste do personagem, acho que Maly combina melhor com ela como um par amoroso. Só que eu queria mais cenas dos dois com esta intenção, mas senti que falou algo mais desenvolvido desde o segundo livro e aqui ainda foi assim. Não posso dizer com qual dos personagens a protagonista fica, mas sei que muitos vão ficar apaixonados, enquanto outros vão se decepcionar.
Como esta é uma prova da obra, não posso dizer nada com certeza absoluta sobre a diagramação, mas acredito que ela deva manter o padrão dos dois volumes anteriores cheio de detalhes gráficos no início de cada capítulo. Só sei que eu não vejo a hora de ter a minha edição finalizada em mãos para saber como ficou o resultado final e para colocar junto com os outros volumes na minha estante para ficar admirando-as. E posso dizer que a capa é maravilhosa e combina totalmente com as anteriores.
Mesmo sendo apenas três livros, a autora escreveu mais quatro contos complementares (#0.5, #1.5, #2.5 e #2.6) que, infelizmente, não foram traduzidos nem publicados aqui no país. Apesar de esta trilogia ter chegado ao fim, a autora está escrevendo uma série spin-off chamada The Dregs, que será no mundo dos Grishas também, cujo primeiro volume, “Six of Crows”, já tem capa e previsão de lançamento para outubro deste ano lá fora. Ainda não há data de publicação nacional, mas já foi confirmado pela própria Gutenberg que eles a trarão para o Brasil.
O mesmo produtor de Harry Potter, David Heyman, está preparando uma adaptação cinematográfica do primeiro livro da trilogia, “Sombra e Ossos”, mas ainda não há qualquer informação certa a respeito do filme, além de ele poder ser trabalhado pela Dreamworks. Se tivermos qualquer notícia, avisamos no blog ou nas redes sociais, mas eu vou torcer para que esta história incrível saia do papel e ganhe espaço também nos cinemas.
Indico muito a leitura da trilogia Grisha para todos os leitores que buscam uma fantasia incrível, com personagens carismáticos e muito bem construídos, um pano de fundo diferente e original, uma narrativa envolvente, deliciosa e com bastante ação. E, como bônus, três livros que mantém o ritmo e a qualidade, trazendo início, meio e fim sensacionais.
Avaliação



Sol e Tormenta - Grisha #02 - Leigh Bardugo

Mesmo que esta resenha seja de uma continuação, não há qualquer tipo de spoilers deste, nem do primeiro volume.
Depois de um final de tirar o fôlego em “Sombra e Ossos” (clique no título para conferir a resenha), agora acompanhamos Alina e Maly como fugitivos, tentando levar uma vida normal em uma terra desconhecida, mesmo com a memória aterrorizando-os. Só que Alina não é uma simples trabalhadora e não poderia viver por muito tempo como tal, mesmo mantendo sua verdadeira identidade em segredo. E o passado volta assombrá-la e seu destino fica cada vez mais óbvio.
Alguém, que eles pensaram ter ficado para trás, retorna das sombras com um aterrorizante novo poder e um plano ainda pior, que tem Alina como uma das peças principais. Agora, ela precisa correr contra o tempo e trabalhar para saber ainda mais sobre seu poder para conseguir escapar deste futuro e ainda salvar a toda população antes que as sombras voltem a reinar e muitas outras mortes ocorram, enquanto precisa lidar com sua vida pessoal e sua nova posição de poder.
Desde que li o começo da trilogia Grisha, estava super ansiosa por “Sol e Tormenta” e, ao término desta leitura, posso afirmar com certeza que ela me agradou de muitas formas. Só que minhas expectativas estavam altas demais e nem sempre isso é bom, porque a gente acaba esperando muito do livro e, mesmo por pouco, ele pode não ser tudo aquilo que você esperava.
De maneira geral este é um livro maravilhoso e eu gostei demais da leitura, quase tanto quanto do primeiro volume, Sombra e Ossos, mas acho que faltou algo para chegar ao mesmo nível. Talvez isso ocorra porque nesta trilogia só há realmente um vilão importante, o Darkling, por conta disso, é claro que no segundo livro não íamos encontrar o desfecho deste embate. Então, no primeiro tivemos a chance de conhecer este mundo, os personagens, descobrir o que eles pretendiam e o que a série prometia, mas esta sequência só poderia servir como uma ponte entre o anterior e o final desta história, que eu acredito que vá arrasar e ser tão boa ou até melhor do que o começo dela.
Confesso que Maly me incomodou em alguns trechos neste volume, porque o achei egoísta. Alina não estava buscando o melhor somente para si, mas, sim, para toda a população, para se verem livres do poder do Darkling e da escuridão. E Maly queria largar aquilo tudo porque as coisas não eram mais as mesmas e ele queria que fossem, almejava ter uma vida mais simples, somente na companhia de Alina, vivendo pelo mundo, ou seja, estava pensando no melhor para si próprio, e não para os outros.
Só que Maly também pareceu se incomodar com a evolução do poder de nossa protagonista e a confiança que ela aparentava estar ganhando, diferente da culpa e vergonha que sempre sentia antes. Ao meu ver, pareceu como se ele não gostasse de saber que Alina estava tendo mais importância do que ele, que estava ficando para trás e as pessoas se focavam mais nela, como sempre tinha sido durante toda a sua vida. Então o garoto queria voltar a ser o que era antes, a ser mais importante e ter mais destaque.
Por outro lado, também dá para aceitar um pouco dos seus sentimentos, porque isso tudo é igualmente novo para Maly, que tem que lidar com a falta de importância que agora vivencia, e com uma nova realidade onde sente que não faz muita coisa, já que ele queria mais, ansiava por sentir mais útil, e sente falta dela da mesma forma que ela sente dele. Mas o Rastreador não é quem está totalmente errado nisto tudo, porque Alina também se distancia do garoto, e, mesmo que sinta saudade, não diz isso, assim como ele não fala, ou seja, são dois orgulhosos que omitem seus sentimentos um do outro, a pessoa mais importante de todas para cada um, e não deveriam fazer isso.
Acho que uma grande parte deste volume teve um ritmo mais monótono, porque estávamos acompanhando a preparação e a estratégia para a batalha iminente. Começa com muita ação, nos deixando apreensivos e instigados, depois muda para uma coisa mais calma, parada, para, posteriormente, voltar com tudo para cenas mais eletrizantes e terminar o exemplar em um ápice do enredo, mesmo que ainda cheios de dúvidas, tanto antigas quanto novas, principalmente: O que será que vai acontecer agora? E como?
Aqui também encontramos acréscimos de personagens que se tornam muito importantes na história como um todo, entre eles devem ser citados Tamar, Tolya, e, principalmente, Nikolai, que muda totalmente os rumos dos personagens principais e de toda a trama. Gostei muito de conhecer os três, sem exceção, e de ver seus papéis neste livro.
Esta sequência nos entregou algumas respostas para nossas dúvidas nascidas no primeiro volume e também algumas criadas neste segundo livro, mas também molda muitas novas questões que precisam de soluções.
Este livro ainda trata bastante de política e seus conflitos internos e até complexos, do mesmo jeito que no primeiro, sem ser chato ou cansativo e, sim, fazendo parte de algo maior e muito relevante. E, desta vez, além da questão política também encontramos religião, fé e até fanatismo, transformando a trama em algo melhor, com pontos bem interligados, e mais intrincados, de uma maneira bem interessante.
Quando à retomada da história, a autora soube fazê-la bem por um lado, mas não acho que tenha sido totalmente feliz nesta área, porque eu não consegui recordar de tudo o que foi importante no primeiro livro, e eu já li há um bom tempo, o que acabou sendo algo negativo. Mas alguns trechos ela soube nos fazer lembrar, então não posso dizer que estou totalmente desapontada nesta área.
A parte gráfica e diagramação mantém o padrão de “Sombra e Ossos”. A começar por esta capa magnífica, que é a original e foi adaptada para o português e tem tudo a ver com o conteúdo do livro, além de ser muito bem trabalhada. Logo quando abrimos o exemplar encontramos um mapa estendido em relação ao que encontramos no anterior, até porque este tem a ver com o que acontece neste volume, depois há uma mesma folha sobre os Grishas, que foi ótima porque eu não me lembrava dos nomes muito bem. Todo início de capítulo há um elemento gráfico, assim como no rodapé, próximo à numeração da página. A fonte está em um tamanho bom e os espaçamentos também estão contribuindo para uma experiência de leitura melhor, além de contar com páginas amarelas.
Mais para o final do livro fui surpreendida positivamente por uma atitude de Alina que eu não estava esperando nem por um segundo, o que torna o ato muito mais agradável e admirável de ser acompanhado. Gostei bastante de sua decisão e do modo como a conduziu.
Estou muito ansiosa pelo desfecho desta história, que será encontrado em “Ruin and Rising”, terceiro livro da trilogia, que foi publicado em junho deste ano lá fora, que ainda não tem título nem data de publicação brasileira, mas acredito que em 2015 ele será lançado em português, então assim que tiver notícias aviso a vocês.
Se você busca um livro jovem adulto sobrenatural com uma trama bem escrita e estruturada, contando ainda com um enredo original e muito engenhoso, recheado de reviravoltas, personagens cativantes e encantadores, um vilão interessante, ação, aventura e magia, então nem precisa continuar procurando, porque a trilogia Grisha é o que precisa.
Avaliação



Concurso Cultural Literário – Sombra e Ossos


Oii, gente! Como vocês estão?
O post de hoje é um concurso cultural muito legal, que deveria ter ido ao ar ontem, mas a minha internet não colaborou, então tive que deixar para hoje, desculpem-me por isso! :D
Quem acompanha o blog deve ter visto que eu simplesmente AMEI “Sombra e Ossos”, primeiro livro da trilogia Grisha, escrito por Leigh Bardugo. Se você ainda não leu a resenha, pode clicar no título para conferir.
Agora, com o apoio da Editora Gutenberg, alguns blogs, incluindo o House of Chick, vão poder premiar seus leitores queridos com um exemplar desse lançamento incrível. E sabe o que é ainda melhor? Para concorrer é muito fácil e não precisa contar com a sorte, só com a criatividade! Quer saber como participar?


Sombra e Ossos – Grisha #01 – Leigh Bardugo

No fantástico “Sombra e Ossos”, livro de estreia da autora Leigh Bardugo, e primeiro da trilogia Grisha, somos apresentados a um novo mundo governado por rei e dividido em povos que vivem em regiões afastadas, e onde pessoas com certos poderes mágicos são chamados Grishas, e vivem em um local para treinamento e aperfeiçoamento de suas habilidades. Eles são divididos em grupos denominados Corporalki, Etherealki e Materialki, dentro deles são divididos em categorias de acordo com o que podem fazer, e são comandados por um homem com um poder superior, o Darkling, a quem todos têm respeito.
Nesse contexto, conhecemos a protagonista Alina Starkov, uma garota que é órfã desde pequena, e viveu em na propriedade do Duque junto com outros jovens que também não tinham família, já que ele os abrigava. Foi lá que ela conheceu um menino, também órfão, Maly, com quem logo criou fortes laços de amizade que dura até os dias atuais.
Depois de saírem desse lar, eles acabam indo treinar no serviço militar juntos, no Primeiro Exército (o segundo é composto por membros Grishas), só que ela vira uma simples Cartógrafa, enquanto ele é um Rastreador, e o melhor. A missão deles no momento é atravessar um local de escuridão quase impenetrável chamado de Dobra das Sombras (ou “Não Mar”), um corte negro que separa o local que eles estão da parte costeira, único lugar que possui mar de toda a região. A grande maioria das pessoas que o atravessa não saem de lá com vida, principalmente porque, além de toda a escuridão há os Volcras, criaturas terríveis e enormes, com asas e garras, que atacam quem atravessa o Não Mar.
Durante a passagem deles pela Dobra, um caos começa, e Maly é atacado e brutalmente ferido por um desses predadores, é nesse momento que os instintos de proteção de Alina entram em jogo e ela acaba revelando um grande poder, que nem mesmo ela imaginou que tinha, o que acaba mudando sua vida completamente a partir desse momento.
O Darkling acredita que Alina pode ser a chave para que, junto com ele, possa destruir a Dobra das Sombras e livrar os povos desse mal horrível. Para isso ela é enviada para o Pequeno Palácio, onde os outros Grishas residem, e lá vai aprender a se virar fisicamente, e a dominar e melhorar seu dom para, assim, enfrentar a escuridão da Dobra.
Agora Alina está num local totalmente novo para ela, cheio de riquezas e repleto de luxo, aprendendo coisas que nunca pensou que iria saber, e o pior, está sozinha sem ninguém conhecido e longe de Maly. Sua atração pelo poderoso Darkling está cada vez maior, e com o tempo ela vai descobrindo que nada é o que parece, e ela vai precisar descobrir quem fala a verdade, enquanto enfrenta seus medos e suas descobertas, e busca um lugar onde possa sentir que pertence a ele.
O gênero aventura não é dos meus preferidos (só se estiver misturado com sobrenatural ou distopia), mas por se tratar de uma protagonista feminina, na faixa etária de Alina, eu acabei me interessando mais para começar a ler, e não é que fiquei muito encantada com a proposta e o desenvolvimento criados por Leigh Bardugo? A história é sensacional e, ao terminar a leitura, me vi apaixonada por sua obra, sua escrita e seus personagens, e posso afirmar que esse título entrou para minha lista de queridinhos preferidos.
Achei fantástico esse mundo criado pela autora, com todas essas “categorias” de poderes e a ambientação. Os cenários foram muito bem descritos, mas não achei a quantidade de informações cansativa, pelo contrário, acho que deram ainda mais riqueza à ambientação. E eu ainda me senti bem introduzida a esse mundo, como se também fizesse parte dele.
Parece bem complicada, porém, a mitologia criada pela autora não é complexa demais, e o modo como ela é explicada é fácil, fluido e envolvente. No começo tive um pouco de dificuldade para gravar todos esses nomes estranhos, simplesmente pelo fato de que não tinha costume com eles, mas depois de um tempo começou a ficar mais natural, e acabei me acostumando com os termos diferentes.
A narrativa é em primeira pessoa na maior parte do tempo, exceto pelo primeiro capítulo, que é tipo uma introdução (como um prólogo), chamado de Antes, e o último capítulo, que parece um epílogo, chamado de Depois, que são em terceira pessoa.
Achei a construção da protagonista, Alina, sensacional, ela não soube sempre de seu poder, nem como usá-lo, então quando foi a hora certa, senti como se ela o tivesse conquistado, e então aprendido como fazer para utilizá-lo. Ela é uma personagem bem real, que teve uma vida difícil, é cheia de qualidades e transborda de defeitos, como qualquer pessoa, então sua personalidade não foi forçada. É bem vulnerável, e pode ter feito algumas escolhas não muito positivas, mas que achou corretas na hora, talvez por ser ingênua também. Ela não tem medo de dizer o que pensa, mesmo para seus superiores, ao mesmo tempo em que se controla para não falar tudo o que deseja. Alina cresceu na trama, se esforçando para ser forte e corajosa, mesmo quando tinha medo ou algum receio, aprendendo mais sobre si mesma e se aceitando, sem abusar do seu novo e incrível poder, se preocupando com o próximo e sem deixar de lado seu senso de justiça.
Eu realmente adorei a protagonista, a única coisa que eu não gostei, é que ela acreditava muito no que os outros diziam a respeito de sua aparência, então ela acabava se vendo de uma forma bem negativa, e muitas vezes ela repetia que era muito magra e tinha uma aparência de doente, e eu não gosto de ver as pessoas se diminuindo tanto assim.
Adorei o romance. Vocês já devem saber que eu adoro casais e acompanhar o desenvolvimento dos sentimentos dos personagens, e esse me conquistou demais. Há um início de um triângulo amoroso, com dois personagens bem importantes, um deles com aquele jeito meio bad boy, e ambos com fama de conquistadores, mas já nesse volume ele se dissolve e o romance é concentrado em apenas um dos personagens masculinos, mas admito que a autora soube mexer com a minha cabeça (e tenho certeza que com grande parte de vocês também) antes de definir quem seria o par ideal para Alina.
Aliás, todos os personagens foram bem construídos e tiveram alguma importância na trama, uns mais, outro menos. Gostei de alguns que nos foram apresentados, mas ainda não sei o que esperar deles.
Tem uma questão política como parte do pano de fundo, mas não é passado ao leitor de uma maneira chata, apenas como um pedaço de algo muito maior, e talvez o ponto inicial para despertar algumas revoltas que acabam mudando o rumo da história. E há um jogo de bem e mal, e você acaba aprendendo que não pode confiar em ninguém, não sabe quem fala a verdade, e o que querem por trás do que dizem, mesmo depois de fechar a última página.
Confesso que esperava que a história não se desenvolvesse tanto assim. Como faz parte de uma trilogia, e até um bom pedaço a protagonista estava sendo introduzida nesse ambiente que era novo para ela, com suas novas tarefas, novas companhias e fama, eu pensei que ia ficar por isso até o final, mas me surpreendi positivamente quando a autora desenvolveu mais a história, e já vimos uma grande evolução da trama principal, e podemos até dizer que uma parte dela já teve um fechamento nesse volume mesmo.
Adorei o final e posso dizer que estou super ansiosa pelos próximos volumes. "Siege and Storm", segundo livro da trilogia, foi lançado lá fora há pouco tempo, e o terceiro e último livro, "Ruin and Rising", tem previsão só para 2014 lá nos EUA, o que nos resta é torcer para que seja no primeiro semestre e que não demore muito para ser traduzido aqui.
A autora utilizou a Rússia como inspiração. Ela se interessou por uma capa de um atlas imperial, que achou meio sem querer sobre o país, e depois de ler sabia que era dali que queria buscar ideias. Pesquisou sobre a história, a cultura e o folclore do local para construir seu cenário fictício, assim como as vestimentas. As palavras criadas pela autora também foram inspiradas na linguagem russa, algumas ela usou as originais, outras ela pegou fragmentos e acrescentou algo (letras, prefixos, etc.) para o significado que queria.

Sobre a parte gráfica, como recebi a prova da Editora Gutenberg, não posso dar todos os detalhes da parte impressa, se tem algo de diferente, como é a capa ao vivo, mas alguns detalhes acredito que não serão modificados, como um mapa do local, encontrado antes da história começar para ajudar na ambientação, uma página sobre os Grishas antes do primeiro capítulo, que me ajudou muito para não ficar perdida, e há um símbolo no começo dos capítulos, e no rodapé das páginas, junto da numeração, muito legais e que tem a ver com a trama.

Com um enredo cheio de originalidade, reviravoltas, acontecimentos de tirar o fôlego, uma mistura de fantasia, aventura, amizade, romance, e magia, que deu muito certo, uma trama envolvente, original e criativa, e personagens incríveis, é impossível não se apaixonar pela escrita e pela história de Leigh Bardugo. Então o que está esperando para começar a ler? Só um aviso: prepare-se para ser surpreendido em vários momentos!
Avaliação



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