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Recursos Desumanos – Pierre Lemaitre


Quando li a sinopse dessa obra, fiquei interessada com o que parecia ser essa história, que inspirou uma série homônima da Netflix. Amo livros de suspense e mistérios que conseguem nos cativar, e após ler algumas críticas positivas sabia que precisava ler o quanto antes.

Nesse volume conhecemos Alain Delambre, um homem de 57 anos, que é ex-diretor de recursos humanos e que já está desempregado há quatro anos. Ele sabe que na sua idade as chances de contratações são pequenas e se sente muito desgastado e ressentido, já que só consegue bicos para se sustentar, além do salário de sua esposa. Quando uma grande empresa resolve considerar a sua candidatura para um cargo na área em que trabalhava, nosso protagonista está disposto a fazer qualquer coisa por esse emprego.

O teste de recrutamento é uma simulação de uma tomada de reféns para identificar como os funcionários reagiriam sobre forte pressão. Então Alain, sedente pela vaga, arrisca tudo para conseguir se preparar, mesmo que isso signifique ter atitudes que outras pessoas possam considerar erradas e questionáveis. Com o seu orgulho ferido e querendo voltar a ter prestígio, nosso protagonista se mostra um cara arrogante e manipulador, porém um marido fiel e um pai preocupado.

Achei esse pano de fundo bem interessante, pois estamos acostumados com esse tema de desemprego e competividade que muitas vezes mexe com o ego das pessoas, e pode inspirá-las a ter atitudes até mesmo diferentes, tudo para não ficar socialmente manchado e para alcançar um objetivo. Como nunca li nada com esse tema, curti bastante a leitura, que foi dividida em três partes: antes, durante e após a simulação de recrutamento.



Um Amor Conveniente – Girl Meets Duke 02 – Tessa Dare


Alexandra Mountbatten conserta relógios e é assim que se sustenta, afinal é órfã e não tem nenhuma família perto. Quando ela passa por uma situação em que perde seu modo de ganhar dinheiro, decide aceitar uma proposta que tinha declinado alguns momentos antes: virar a aia de duas meninas rebeldes, também órfãs, para transformá-las em damas. Tarefa que ninguém conseguiu, afinal elas têm personalidades fortes.

Como o salário é alto e Alex precisa, embarca nessa aventura, se esforçando para que confiem nela. No processo, percebe que as duas não precisam de disciplina, mas sim de um lar com amor e segurança depois de tudo que enfrentaram.

O problema é que o guardião delas é Chase Reynaud, herdeiro de um duque, solteirão convicto e mulherengo. Embora ele se considere uma causa perdida, Alex consegue enxergá-lo com outros olhos, mas não o bastante para Chase mudar todos os seus ideais e decisões. Ou será que um pouco de afeto pode modificar isso?

Esse ano está sendo da Tessa Dare nas minhas leituras. É o 4º livro que leio dela e 2020 está sendo difícil manter meu ritmo, tanto por conta do cenário que ainda estamos vivendo quanto por outras questões pessoais que enfrentamos e que mexeram MUITO com nosso psicológico. Então li menos do que nos anos anteriores (metade), mas ela foi a autora que mais li. E estou apaixonada por suas obras!

Esse é o 2º volume dessa série independente, então já conhecíamos Alex do livro anterior, “Um Casamento Conveniente”, já que ela se tornou uma das amigas de Emma – que também pudemos rever aqui junto com Ashbury e adorei!

Gostei muito de entendê-la melhor, saber mais a fundo seus sentimentos, modo de pensar e agir. Achei bacana que ela tem uma personalidade forte e decidida e gosta de observar os céus atrás de cometas, o que geralmente não vemos abordado em livros do gênero, introduzindo o assunto astronomia no enredo. Ela também traz um passado diferente, pois viveu a infância num barco a mar aberto, trazendo questões emocionais que precisam ser trabalhadas.

Confesso que apesar de ter gostado de Chase, ele não foi meu preferido e me incomodou em algumas situações. Mas no final eu me encantei. Ele também tem questões a serem resolvidas com relação ao seu passado. Mas o grande destaque da trama são as pupilas Rosamund e Daisy, duas crianças muito inteligentes e com gostos peculiares.



Um Casamento Conveniente – Girl Meets Duke #01 – Tessa Dare

A vida do Duque de Ashbury mudou completamente desde a guerra que deixou sua aparência desfigurada, com cicatrizes no corpo e no rosto. Mas não foi apenas seu exterior que ficou marcado. Além de ter mexido bastante com seu psicológico, a reação e o desprezo das pessoas com quem encontrava, inclusive sua própria noiva, o abalaram profundamente.
Porém, por conta do título ele precisa de um herdeiro e está pronto para encontrar uma mulher com quem casar. Mas sabe que esse matrimônio precisará ser por conveniência, já que acredita que nenhuma gostaria de se deitar com ele sem algo em troca. Então ele cria regras e busca quem vai aceitá-las.
E é aí que surge Emma Gladstone, uma jovem costureira que lhe faz uma visita para cobrar uma dívida. Tendo enfrentado coisas ruins, muita dificuldade na vida e percebendo que Ash é mais do que a aparência de monstro que ele quer construir, ela aceita o acordo porque também tem planos que precisam de uma solução. O casamento pode ter começado de fachada, mas será que os sentimentos também permanecerão iguais depois de passarem tempos juntos e se conhecerem melhor?
Adoro releituras de obras que amo, então fiquei muito feliz quando soube que Tessa Dare tinha escrito um Romance de Época, meu gênero favorito, com elementos de A Bela e a Fera, meu Conto de Fadas preferido. E eu simplesmente AMEI o resultado.
Gostei bastante de acompanhar a jornada desse casal vivenciando um casamento de conveniência, depois o surgimento dos sentimentos e evoluindo para uma relação apaixonada. Suspirei em diversos momentos. Foi bacana vê-los se envolvendo e como passaram a admirar um ao outro e também auxiliar na evolução do parceiro com apoio e boas intenções.
A leitura é leve e envolvente, perfeita para passar um tempo em ótima companhia, sorrir enquanto conhece os personagens mais a fundo e terminar com um quentinho no coração. A escrita de Tessa é gostosa, muitos diálogos são sarcásticos e nos fazem rir. E tem uma pegada mais sexy, então há diversas cenas mais explícitas



Gostei bastante de ambos os protagonistas, que são carismáticos, incríveis e combinam juntos. Adorei a construção deles e do romance. Curti ver o desenvolvimento de personalidade de Ashbury e o quão ele precisou entender muitas coisas e aceitar a si mesmo (ainda que o processo tenha sido longo e difícil) e como Emma foi essencial nas etapas. E ver o amadurecimento dela, superando traumas do passado, e entender como é forte, guerreira e maravilhosa, também foi bem bacana e inspirador.


Sombra e Ossos - Grisha #01- Leigh Bardugo

Desde a minha adolescência quando tive meu primeiro contato com a cultura russa fiquei apaixonada por esse país de pequenos detalhes, entre Matrioshkas e pratos típicos eu acho esse país gelado encantador! Quando vi então a capa de Sombra e Ossos, da autora Leigh Bardugo pela editora Gutenberg com uma referência a arquitetura russa já quis ele na minha estante, sem nem saber do que se tratava o livro (sim eu me apaixono por capas antes de saber da história!).

Nessa obra acompanhamos a saga de Alina Starkov uma orfã que trabalha como cartógrafa no regimento militar de Kavka e está prestes a realizar uma missão que deve passar pela dobra das sombras - uma faixa terra repleta de escuridão e criaturas conhecidas como volcras. Ela sabia que enfrentar a escuridão iria mudar sua vida, mas jamais imaginou que depois disso seria outra pessoa quando um volcra ameaça a vida de seu melhor amigo Maly. Depois de descobrir uma luz interior ela é enviada para Os Alta onde esperam que ela desenvolva seu poder, e ajude Ravka a retomar para luz este território de sombras. Alina conseguirá vencer suas próprias sombras e espalhar luz?

Alina é uma jovem que cresceu em um orfanato, assim ela tem o discurso clássico de quem teve privações e boas memórias com seu companheiro de orfanato. O primeiro e único amor é utópico e faz seus dias serem menos monótonos. Ela já estava bem inserida na rotina militar, então quando sua visita a dobra muda tudo ela passa boa parte das páginas seguintes negando sua verdade interior. Sua autoestima é muito baixa, assim ela não acredita ser digna e portadora de qualquer poder. Ela se acha feia e desinteressante.

A forma como ela conquista seu poder pode facilmente ser uma metáfora para o auto conhecimento, quantos de nós somos capazes de alcançar as estrelas e nos contentamos com apenas seu brilho distante? Quando Alina percebe sua verdade ela ganha não só o poder mas o amor próprio que se reforça no final da trama.

Maly, seu amigo e paixão, é um jovem talentoso que consegue rastrear qualquer coisa. Dono de um belo semblante ele desperta atenção de diversas garotas que Alina consideram mais interessantes que ela. Ele embora seja fiel a sua amizade com ela não deixa de aproveitar dos flertes e garotas que surgem no seu caminho. Sua virada na trama também muda a vida de Alina e toda direção da história.

O Darkling é um homem poderoso capaz de manipular as sombras, dono de um charme poderoso ele também é capaz de forma sutil manipular o reinado em Os Alta, e todos que cercam o reino. Se aproxima muito de Alina, e apresenta um mundo mais requintado a ela. Ele oferece um mundo aos seus pés, mas sem dar dicas ele me surpreendeu quanto a suas intenções.


A Redenção - The Travis Family #02 - Lisa Kleypas

Eu já havia lido alguns dos romances de época de Lisa Kleypas e gostado bastante das histórias, pois gosto da sua narrativa e de sua forma de escrita. Então, algum tempo atrás, quando vi que a Editora Gutemberg iria lançar o primeiro volume desta série, “The Travis Family”, sendo de romances contemporâneos, não pude deixar de incluir na minha lista de “preciso”. Sendo assim, me apaixonei pela história e fiquei contando os dias para a sua continuação. Quando tive a oportunidade de ter esse segundo volume em mãos, comecei a leitura, e agora venho compartilhar todas as minhas opiniões.
Neste título conhecemos a história de Haven, uma mulher bastante obstinada que vive de acordo com os próprios princípios, mesmo que para isso ela tenha que ir contra o seu pai, um verdadeiro magnata do Texas. Quando ela apresenta o seu namorado à família, todos logo o desaprovam, e o seu pai diz com todas as letras que ele só estava interessado no nome dela e que, se ela seguisse adiante com esse relacionamento, ele tiraria seu nome do testamento. Com um temperamento forte e com a ajuda de seu irmão, Haven se casa mesmo assim com o Nicholas, e é nesse período que ela vê sua vida se transformar em um verdadeiro inferno.
Em seu casamento, Nicholas se ressente com nossa protagonista por vários motivos, como, por exemplo, eles não poderem ter um segundo carro, ou até mesmo pela forma de ela passar a roupa, e querendo sempre que Haven parasse de tomar suas pílulas, pois, caso engravidasse, sua família iria voltar a ajudá-los financeiramente. Ou seja, foi um relacionamento abusivo, cheio de brigas, onde no final ele acaba batendo nela e deixando-a sozinha, sem nem os documentos, fazendo com que ela tenha que ligar para os irmãos e dar um basta nesta vida.
É assim que nossa protagonista tenta refazer a sua vida, e buscando ajuda profissional para conseguir seguir em frente. Ela também começa a trabalhar na empresa de um dos seus irmãos, que é dono de uma administradora de imóveis, e, lá, começa com um cargo pequeno como assistente da nova gerente. Porém, sua nova chefe, com medo de perder o seu emprego por conta de Haven ser a irmã do dono, começa a pegar no pé de nossa protagonista, colocando-a para fazer trabalhos menores.
Certo dia, ela encontra Hardy Cates, o homem que beijou no casamento de Gage com Liberty no primeiro volume, e de quem ela deveria ficar longe, já que ele foi apaixonado por Liberty quando era jovem e a largou para crescer na vida, por ser um homem ambicioso. E logo ele mostra interesse em nossa protagonista, mas ela fica com medo, e mesmo ele prometendo que não é para atingir a sua família, Haven ainda está muito fragilizada com tudo o que aconteceu em sua vida.
Foi muito gostoso ler esse livro. Eu já havia me apaixonado por esta família no primeiro volume, e gostei ainda mais deste, que trouxe como protagonista a caçula da família. A autora conseguiu continuar a história, trazendo até mesmo um personagem do primeiro volume que eu até não gostava muito, e conseguiu me mostrar um outro lado dele, fazendo com que eu ficasse encantada pelo mesmo.


Romance Com o Duque - Castles Ever After #01 - Tessa Dare

Isolde Ophelia Goodnight sempre viveu rodeada de histórias, com personagens corajosos, romances e finais felizes. E por um tempo, ela sonhou em viver tudo isso também. Até que a realidade bateu à sua porta e a moça percebeu que aquela não poderia ser sua vida, afinal nunca foi a mais bela de todas e os homens nem mesmo a enxergavam como uma mulher adulta, com desejos e ideias próprias, pois ela sempre seria a pequena Izzy, a garotinha inocente dos livros de seu pai, que ouvia sobre as aventuras e a história de amor dos personagens principais, Cressida e Ulric. Izzy, então, vivia num mundo de fantasia, apesar do pé na realidade por não esperar um príncipe encantado de verdade chegando a seu cavalo branco para lhe salvar.
Até que tudo muda, já que Izzy agora se vê órfã, e todos os bens de seu pai são passados para um primo distante que sempre a detestou e nunca lhe ajudaria. Passando por necessidades e sem ter para onde ir, nossa protagonista vê sua vida mudada novamente, só que desta vez para muito melhor: um amigo de seu pai morreu e deixou nada mais, nada menos do que um castelo abandonado para nossa jovem.
Claro que ela não sabe muito como vai mantê-lo, já que não possui qualquer dinheiro no bolso para comer, quem dirá para administrar o local. Mas parece que seus problemas não acabam por aí, afinal o Castelo Gostley vem com um morador inesperado: Ransom, o Duque de Rothbury. E ele não pretende sair de lá de jeito nenhum. Só que isso será um problema, afinal Izzy Goodnight também não vai deixar que um homem bravo e grande pegue o local que lhe é seu por direito, principalmente porque ela mesma não tem para onde ir.
Então eles precisam entrar num acordo para que tudo aquilo dê certo, enquanto tentam descobrir se ele por acaso sofreu algum tipo de golpe por parte de pessoas próximas, já que ele nunca vendeu seu castelo, mas mesmo assim ela o ganhou de presente de outra pessoa. Passando a conviver no mesmo teto, Ransom e Izzy precisarão conhecer melhor um ao outro, enquanto se aturam e descobrem mais sobre si mesmos também. Será que o desfecho será positivo para os dois ou algum dos lados sairá prejudicado nisso tudo? E o que acontecerá no caminho? E qual será o resultado disso? Você terá que ler para saber, mas garanto que a viagem valerá a pena.
Como uma das editoras que mais investem em romances de época no Brasil, a Gutenberg está de parabéns por mais este título maravilhoso! “Romance Com o Duque” é o primeiro volume da série “Castles Ever After”, nova série da já adorada pelos leitores nacionais, Tessa Dare, por conta de “Spindle Cove”, a série que já possui três volumes mais um conto publicados por aqui, de um total de cinco exemplares e três contos publicados lá fora.
Eu ainda não havia lido nada da autora e, portanto, não conheço ainda esta sua primeira série lançada por aqui. Mas, depois de ter lido “Romance Com o Duque”, não vejo a hora de ter todos as outras obras de Tessa Dare na estante! E, claro, já estou desejando que a editora publique logo os demais livros que ela já escreveu na vida!
O enredo de maneira geral é muito divertido, leve e envolvente, com personagens maravilhosos, algumas reviravoltas, e conta com uma narrativa fluida e gostosa que nos deixa empolgados e querendo descobrir o que mais vai acontecer em seguida. Além do mais, contém um romance arrebatador, que faz os leitores suspirarem e desejarem por mais.
Adorei a protagonista, Izzy! Ela é divertida, carismática, forte, determinada, criativa, doce, e esconde um segredo incrível, que me fez admirá-la ainda mais! Com certeza ela é uma das melhores personagens de romances de época que já conheci até hoje!


Entre a Culpa e o Desejo - Clube dos Canalhas #02 - Sarah MacLean

Lady Philippa Marbury está há poucos dias de seu casamento, mas ela não consegue se sentir confortável entrando nesta nova vida sem saber sobre tudo o que envolve o enlace, principalmente as partes sobre desejo carnal, procriação, obediência e servidão. E ela não é como as outras moças de sua época que se importam com bailes e vestidos, mas, sim, uma cientista que precisa de experimentos e comprovações para chegar a conclusões.
Então resolve fazer uma pesquisa sobre o assunto antes da temida data. Só que não pode encontrar as informações de que precisa com o noivo, um homem que ela mal conhece e com quem nem mesmo tem muito em comum. Com isso, Pippa desenvolve um plano e, depois de investigar, vai atrás da pessoa perfeita que poderá ajudá-la no que precisa: o canalha Sr. Cross, um dos sócios de um dos cassinos mais famosos de Londres.
Mas, diferentemente de tudo o que ela pensou ter descoberto sobre este misterioso homem e sua fama, Cross possui muitos segredos obscuros e um passado que o persegue ainda na atualidade, e vai fazer de tudo para afastá-la antes que seja tarde demais para ele e, principalmente, para a própria Pippa. Ele só não esperava que a moça fosse tão insistente e decidisse buscar ajuda em lugares e/ou com pessoas totalmente impróprias para ela. Agora Cross terá que se desdobrar para manter a reputação dela intacta, enquanto precisa protegê-la dos perigos, que incluem ele mesmo, e resistir a tentação de entregar a ela muito mais do que Pippa desejaria receber.
Há alguns anos eu não gostava de romances de época, e não porque eu tinha lido algum e não tinha gostado, mas pelo fato de não ter lido um para saber se eu iria gostar. Ficou meio confuso? Hahaha A questão é que eu não tinha preconceito (isso nunca ocorreu com nenhum tipo de leitura), só não tinha vontade de pegar um título do gênero para ler. Mas que idiotice! Hoje em dia eu fico animada com todos os lançamentos que são anunciados aqui no Brasil e, assim que possível, logo pego o próximo para iniciar a leitura.
Até o momento eu adorei todos que li, sem exceção, e com este exemplar, meu primeiro contato com Sarah MacLean, não foi diferente. E vocês podem estar se perguntando: mas este não é o segundo volume da série? Sim, é, mas como a série é independente e eu tive a oportunidade de ler este exemplar primeiro, não hesitei e logo comecei minha leitura.
A escrita de MacLean é leve, envolvente e bastante fluida, além de contar com uma pitada de diversão na medida certa para nos fazer sorrir e ficarmos encantados com tudo o que estamos lendo. Fiquei apaixonada pelo casal e o modo como começaram a se envolver foi realmente diferente, de um jeito engraçado e intrigante.  
Pippa é uma protagonista divertida e também bastante peculiar, principalmente para a época (não tinha lido algum livro com uma personagem nem remotamente semelhante a ela), e adorei acompanhá-la. A única característica de sua personalidade que não me agradou é que ela é sincera até demais, daquele tipo que não consegue não falar a verdade, não importando qual seja, mesmo quando é melhor ficar calada. O ruim desta questão é que ela acaba sendo ingênua além do necessário e também dá o poder na mão da outra pessoa com muita facilidade, principalmente porque não consegue guardar segredos, nem mesmo de sua própria identidade. Então, apesar de ser um pouco revolucionária para a época, ela se deixava ficar muito na mão de Cross, permitindo que ele soubesse tudo sobre ela e seus sentimentos, mesmo que ele nunca lhe retribuísse, e também fazendo tudo o que ele mandava. Ou seja, em alguns momentos a admirava, enquanto em outros ficava irritada por sua submissão.
Na maior parte do tempo, gostei de Cross que, apesar de ter um passado semelhante ao de outros personagens masculinos de obras semelhantes, em seu presente ele é totalmente diferente dos demais, e isso o tornou muito especial. Toda aquela fama que homens da época possuíam de libertinos, por exemplo, Cross deixou no passado, já que agora se transformou em alguém digno, que não se envolve com nenhuma mulher para não estragar um futuro que ele pode disponibilizar aos sobrinhos, filhos de sua irmã mais nova. Achei isso bem diferente e, consequentemente, ótimo.
Mas preciso confessar que a parte que mais gostei foi uma atitude de Pippa, que ela colocou em prática lá para o final da leitura, que obviamente eu não posso comentar sobre porque seria um spoiler enorme, mas quem leu sabe do que estou falando. Nossa carismática protagonista mostrou todo o poder de uma mulher inteligente e fez um plano de mestre para ajudar Cross, e eu não poderia ter ficado mais orgulhosa dela.
Os livros do gênero geralmente possuem alguma cena mais quente, de sexo explicito, e desta vez não ocorreu de forma diferente. As cenas mais íntimas não apareceram com frequência (se não me engano só ocorreram em dois momentos) e até que não são tão demoradas, mas são intensas e bem descritas.
A série Clube dos Canalhas possui quatro volumes no total e todos eles já foram publicados aqui no Brasil para a felicidade geral da nação que gosta de romances de época. Cada um tem como protagonista masculino um dos sócios do clube Anjo Caído, e suas respectivas mocinhas. No primeiro há o marquês de Bourne com Lady Penélope Marbury (irmã de Pippa), no terceiro acompanhamos Temple e no último Chase.
Após a finalização da história há duas páginas com o título Observação da Autora, onde ela fala sobre a inspiração para colocar alguns elementos que citou em sua trama, e algumas pequenas mudanças de coisas reais que ela transformou em algo semelhante, porém ficcional. Além dos agradecimentos.
A parte gráfica da edição impressa está muito bem feita. Gosto bastante dessa capa, que segue um padrão com o restante da série, sendo que cada exemplar tem uma cor predominante e a deste caso é roxo, e dos detalhes gráficos que percorrem o miolo, tanto em volta do número das páginas quanto os óculos pequeninos que servem para dividir os capítulos por dentro, que são totalmente fofos e têm tudo a ver com a protagonista. O texto interno é bem espaçado e a fonte tem um tamanho bastante confortável, além de contar com páginas amarelas de alta gramatura.
“Entre a Culpa e o Desejo” é um delicioso romance de época bem diferente de outros que já li devido a sua protagonista científica, carismática e honesta, que se envolve em algumas situações hilárias enquanto desenvolve uma pesquisa para ser arruinada por Cross, um dos donos de um famoso cassino, que ainda por cima é um grande canalha. Prepare-se para mergulhar nestas páginas, soltar algumas risadas e se comover como toda a situação vivenciada pelos personagens. Você também vai adorar!
Avaliação



A Protegida - The Travis Family #01 - Lisa Kleypas

Quando li a sinopse deste volume me interessei bastante, isso porque estou em uma vibe de romances, tanto os de época quanto os contemporâneos, então, foi uma junção da sinopse, de ler boas resenhas sobre o mesmo, e, principalmente porque eu adoro a autora, com quem já tive contato antes devido a sua série de época “Os Hathaways” (clique para conferir as resenhas). Foi tudo isso que me levou a querer ler este livro o mais rápido possível.
Em “A Protegida” conhecemos a história de Liberty Jones, uma menina que perdeu o pai muito cedo, e que vive com a mãe, uma mulher muito bonita que vive trocando de namorados.  A vida sem o pai de Liberty foi bem difícil, até porque sua mãe, Diana, não fazia boas escolhas, o que fez com que elas acabassem indo morar em um trailer, muitas vezes chegando até mesmo a passar fome e não ter o que vestir. Era nesses momentos que sua mãe saía, ficava fora por um tempo e voltava com as contas pagas, comida, etc., fazendo com que elas ficassem bem por um período.
Quando as duas moravam em um trailer no Texas, nossa protagonista conhece Hardy Cates, um menino que é considerado bad boy, mas que sempre foi muito gentil com ela. Sua família passava por dificuldades por conta do pai que foi preso, fazendo com que Hardy fizesse pequenos serviços para ajudar e casa, além de ir para escola e ter grandes sonhos. Ele sempre soube que para ser alguém deveria sair de onde morava e se aventurar pelo mundo, e foi o que fez. Mesmo tendo uma forte atração por Liberty, ele acaba deixando-a para seguir seu sonho.
Nossa protagonista ganha uma irmã, Carrington, e em determinado momento do livro vemos que ela acaba perdendo a mãe, ficando no mundo sozinha com a responsabilidade de cuidar de sua irmãzinha. As coisas estavam difíceis até que, de repente, tudo começa a dar certo para ela. A jovem arranja uma bolsa de estudos, começa a trabalhar em um salão onde conhece um milionário que a convida para ser como uma secretária particular, recebendo um bom salário e morando com ele em sua mansão. Claro que nem tudo são flores e vemos que o filho mais velho deste milionário não está nem um pouco satisfeito com a presença de nossa protagonista.
Gostei bastante da narrativa desta autora em um romance contemporâneo, gênero bastante diferente do qual estava acostumada com sua escrita. Confesso que no início achei a trama meio parada, mas, conforme vamos lendo, a leitura ganha certo ritmo e fluidez que deixa a história ainda mais gostosa. Em todo momento encontramos diversos mistérios na vida de nossa protagonista, e o livro é como se fosse dividido em duas partes. Primeiro conhecemos Liberty mais jovem, passando pelas dificuldades que passou, logo depois conhecemos ela mais velha, mais destemida, sendo uma mulher bonita e determinada.
A obra é narrada em primeira pessoa pelo ponto de vista de nossa protagonista, o que gostei bastante já que assim conseguimos entender melhor tudo que ela estava passando e sentindo. Além do mais, foi muito bom poder acompanhar todo o crescimento que a mesma teve durante toda a história.
Acho esta capa bem fofinha, do tipo que chamaria a minha atenção mesmo que eu não conhecesse a autora. A diagramação do texto está bem confortável para leitura com sua fonte e espaçamentos em tamanhos ideais, e no meio das páginas, nas divisões das mesmas, há pequenas ilustrações em preto e branco de malas de viagem. As páginas são amarelas.
“The Travis Family” é uma série com quatro livros no total, sendo que todos eles já foram publicados lá fora, porém apenas o primeiro chegou por aqui até o momento. Mas, como é independente, você não precisa ler todos e nem na ordem para entender as histórias de cada volume individualmente. Quero muito ler os próximos e vou ficar torcendo para a Gutenberg publicar os demais no Brasil.
Este é daquele tipo de livro que traz uma narrativa rápida e fluida, que nos prende do início ao fim com uma protagonista forte e determinada, um pano de fundo maravilhoso, que contém vários mistérios, além de uma trama deliciosa. Recomendo este volume para todo mundo que goste de romances que conseguem prender a gente através de uma escrita incrível.
Avaliação


VEM AÍ: Lançamentos Literários 2016 – Parte 01


Oii, gente! Como vocês estão? Uma coisa que eu simplesmente adoro é saber quais livros serão publicados pelas editoras aqui no Brasil, inclusive aqueles que só estão nas programações e que serão lançados meses depois de anunciados, ou seja, a maioria deles ainda não possui capa ou título nacional.
Pensando nisso, resolvi fazer posts contando sobre algumas obras que estão previstas para serem publicadas ainda este ano por diversas editoras brasileiras. Tem muita coisa bacana e eu nem sei decidir quais são os que eu mais quero! Lembrando que são previsões, ou seja, as datas podem ser modificadas. Caso isso aconteça, anunciaremos novas datas aqui no blog ou nas nossas redes sociais.
Como são muitos lançamentos e toda hora saem novas informações deste tipo, resolvi colocar apenas informações curtas como capa (nacional ou original, a que estiver disponível), título, autor, previsão de lançamento e se faz parte de alguma série ou é livro único, e dividir por editoras. Para ler a sinopse, basta clicar no título para ser redirecionado ao Skoob ou ao Goodreads do livro.
Farei outros posts do estilo em breve também, com outras editoras e títulos. Informações sobre publicações próximas, ou seja, as que já estão saindo do forno, continuarão a ser apresentadas em posts das editoras específicas ou na nossa Fan Page, curta lá se ainda não fez isso! :D
Galera Record
Abril


Maio e Junho


Final do Primeiro Semestre


Segundo Semestre


Editora Seguinte
Abril

- Maré Congelada - A Queda dos Reinos #04 - Morgan Rhodes - (Resenhas de "A Queda dos Reinos" e "A Primavera Rebelde", primeiro e segundo volumes da série)

Maio



Eu Odeio Te Amar - Liliane Prata

Em “Eu Odeio Te Amar” conhecemos a história de Débora, uma jovem de vinte e quatro anos que está na véspera do seu casamento e está super feliz com isso, pois vai entrar em uma nova etapa de sua vida com um marido perfeito. Ela está bastante ansiosa para dizer sim no dia seguinte, já que ambos estão bastante apaixonados e Felipe é incrível. Porém, já que seu noivo acaba tendo que ficar até tarde no seu escritório para resolver algumas pendências, nossa personagem resolve surpreendê-lo fazendo uma visita. Mas quem acaba surpreendida é ela, já que, ao chegar lá, acaba pegando o seu noivo em uma situação bem comprometedora com Luma, irmã do sócio.
Era de se esperar que nossa protagonista fizesse um escândalo, cancelasse o casamento e coisas desse tipo, mas a reação dela é bem diferente, já que sai de lá sem que ninguém perceba e começa a pensar em um plano de vingança para dar a volta por cima.
Assim, Débora percebe que o melhor jeito de se vingar é trai-lo da mesma forma e fazer com que Felipe descubra. Então passamos a acompanhar os altos e baixos da vida desta moça em busca de uma pessoa para ser seu amante enquanto vive uma vida de casada.
A primeira coisa deste livro que me chamou bastante atenção foi esta capa maravilhosa. É quase humanamente impossível alguém, que gosta deste estilo de ilustração, achá-la feia, então, logo que a vi, fiquei morrendo de vontade de saber mais sobre esta história, e assim que descobri a sinopse fiquei animada com o que li e curiosa para desvendar mais do enredo. Agora venho compartilhar com vocês as minhas opiniões a respeito desta obra escrita pela brasileiríssima Liliane Prata.
O livro é narrado em primeira pessoa pelo ponto de vista da nossa protagonista Débora, o que foi bem legal, já que assim conseguimos acompanhar tudo que ela estava sentindo e passando, além de nos divertirmos horrores com essa protagonista engraçadíssima.
Os personagens são bacanas, cada um com o seu jeito de ser, nos encantando em vários momentos. Débora é uma mulher forte, mas não consegue lidar muito bem com todos os sentimentos que estão acompanhando-a desde que descobriu da traição, fazendo com que ela tenha ações imaturas e até mesmo desnecessárias.
A leitura é rápida, fluida, bastante gostosa e consegue prender a gente com facilidade devido a sua história, que é narrada de forma leve e engraçada. Apesar de o final ser um pouco previsível, gostei bastante de como a autora concluiu este desfecho e ela conseguiu me agradar bastante.
Como falei no início desta resenha, a capa é divina. Eu amo ilustrações e as cores casaram muito bem com elas, que ficou perfeita para a proposta da obra, ainda mais porque combinam com o gênero, chick-lit, com seu ar divertido e interessante. A diagramação interna é bem feita, a fonte aparece em um tamanho agradável, assim como os espaçamentos, e há alguns detalhes gráficos espalhados pelas páginas. As folhas são amarelas.
Você curte um bom chick-lit? Daquele tipo que consegue nos prender do início ao fim com uma história leve, descontraída e super engraçada? Esta obra é para você, pois reúne tudo isso e ainda conta com o bônus de a autora ser brasileira, e é sempre bom a gente prestigiar os escritores nacionais.
Avaliação



Ruína e Ascensão - Grisha #03 - Leigh Bardugo

Apesar de este livro ser o terceiro da trilogia, nesta resenha não há qualquer tipo de spoiler de nenhum dos três exemplares. Se você tiver interesse de conhecer as histórias dos anteriores, conferira as resenhas clicando nos títulos: Sombra e Ossos” e “Sol e Tormenta”.
Depois de um final arrebatador com o segundo volume da trilogia Grisha, “Sol e Tormenta”, a história deste exemplar começa pouco tempo depois do anterior, e acompanhamos Alina passando por um período bastante difícil, vivendo sob uma proteção duvidosa, com um título que herdou sem nunca querer, seus poderes não sendo mais os mesmos, e buscando uma forma de sair dali para encontrar a única coisa que ainda pode salvar a todos: o último dos amplificadores de Morozova.
Como toda a esperança de Ravka está em suas mãos (e as dela estão quase no fim), Alina terá que lutar com todas as suas forças e fazer escolhas que possam doer mais do que ela jamais imaginou enfrentar, para salvar toda a população da escuridão e do que há de pior neste mundo.
Mas, com uma descoberta que vai mudar tudo completamente, será que nossa protagonista está realmente preparada para reivindicar o poder necessário para acabar com a destruição de Ravka e salvar os que ainda estão vivos, ou tudo isto está além do que ela pode aguentar sem destruir o que resta de bom em si mesma e na pessoa que mais ama neste mundo?
Desde que li o primeiro livro desta trilogia fantástica, “Sombra e Ossos”, fiquei contando os dias para ler as continuações para saber como esta história escrita por Leigh Bardugo iria ser desenvolvida e como encontraria o seu desfecho. Então, logo que tive a oportunidade, li “Sol e Tormenta” que, confesso, não foi tudo o que eu esperava depois de ter amado tanto o primeiro, mas, mesmo assim, gostei bastante e estava empolgada para saber como seria o final da história de Alina.
Quando a editora me ofereceu a prova de “Ruína e Ascensão” para resenha, não hesitei nem por um segundo e aceitei, afinal, como comentei anteriormente, estava contando os dias. E não é que a autora conseguiu superar o segundo e fazer com que esta finalização fosse incrível (mesmo que “Sombra e Ossos” ainda tenha sido meu preferido)?
Gosto bastante da narrativa de Bardugo, acho que ela sabe encontrar as palavras certas para nos levar nesta jornada com os personagens de um jeito incrivelmente envolvente, fazendo com que o leitor torça para as coisas se encaminharem para algo bom, mesmo quando tudo parece perdido.
A autora também sabe como trazer muitas reviravoltas e momentos de tensão, o que deixa a trama bastante movimentada, e, muitas vezes, nem sabemos qual será o próximo passo nisto tudo. Eu fico criando teorias conforme avanço nas páginas, então acho ótimo quando os escritores nos dão esta possibilidade e acertamos algumas vezes, porém erramos em outras.
A minha personagem preferida sempre foi a Alina, admiro-a muito por tudo o que passou e enfrentou, mesmo que algumas de suas decisões não tenham sido as mais sensatas e eu não as tenha “aprovado”, ou nem mesmo pensaria em seguir pelo mesmo caminho que ela em alguns momentos, mas sua força para continuar em frente e não abandonar seu destino, mesmo que isto fosse mais fácil ou tentador, é realmente incrível.
Em alguns momentos, vários deles para falar a verdade, eu fiquei apreensiva de que algo de muito ruim acontecesse com um personagem querido por conta de uma descoberta que foi feita em uma ocasião, que, por acaso, foi totalmente surpreendente e me pegou desprevenida. Nunca pensei que a autora iria seguir por este caminho, e gostei de sua ousadia exatamente porque me pegou de surpresa e eu adoro quando isso acontece.
As ações que os personagens tiveram, principalmente Alina, cortaram meu coração, mas, depois de outra reviravolta, eu curti o modo como a autora escolheu encerrar a trilogia e o que ela fez com a lenda/fama da Conjuradora do Sol, resultando em um final maravilhoso e que pareceu simplesmente o certo se olharmos para o passado da protagonista e levarmos em consideração a jornada dela desde o começo da história, ainda no primeiro volume, até aqui.
Claro que há mortes neste exemplar, muitas bastante significantes, mas alguns dos personagens que eu estava torcendo totalmente para continuarem vivos, ficaram. Então, mesmo que a gente sinta a falta de alguns, fico contente com a sobrevivência de outros queridos.
Acho muito interessante que a autora tenha trazido esta questão do bem/mal e luz/escuridão para sua trama de um jeito diferente, trazendo para um nível mais real do que apenas a metáfora que estas palavras representam. E foi bem legal ver que isto permaneceu com um dos pontos mais importantes durante os três livros, encontrando seu desfecho aqui.
Confesso que já gostei muito do Darkling, e adoro Nikolai desde o primeiro momento em que apareceu, mas sempre achei que Alina deveria ficar com Maly (pelo menos a certeza veio depois de uma revelação do primeiro volume – quem leu sabe o que estou dizendo), e sempre vi Nikolai mais como um amigo do que algo além. Nunca me pareceu que eles pudessem ser um casal romântico, talvez apenas político, como foi citado inúmeras vezes, mas não senti algo mais do que isso, ou seja, por mais que eu goste do personagem, acho que Maly combina melhor com ela como um par amoroso. Só que eu queria mais cenas dos dois com esta intenção, mas senti que falou algo mais desenvolvido desde o segundo livro e aqui ainda foi assim. Não posso dizer com qual dos personagens a protagonista fica, mas sei que muitos vão ficar apaixonados, enquanto outros vão se decepcionar.
Como esta é uma prova da obra, não posso dizer nada com certeza absoluta sobre a diagramação, mas acredito que ela deva manter o padrão dos dois volumes anteriores cheio de detalhes gráficos no início de cada capítulo. Só sei que eu não vejo a hora de ter a minha edição finalizada em mãos para saber como ficou o resultado final e para colocar junto com os outros volumes na minha estante para ficar admirando-as. E posso dizer que a capa é maravilhosa e combina totalmente com as anteriores.
Mesmo sendo apenas três livros, a autora escreveu mais quatro contos complementares (#0.5, #1.5, #2.5 e #2.6) que, infelizmente, não foram traduzidos nem publicados aqui no país. Apesar de esta trilogia ter chegado ao fim, a autora está escrevendo uma série spin-off chamada The Dregs, que será no mundo dos Grishas também, cujo primeiro volume, “Six of Crows”, já tem capa e previsão de lançamento para outubro deste ano lá fora. Ainda não há data de publicação nacional, mas já foi confirmado pela própria Gutenberg que eles a trarão para o Brasil.
O mesmo produtor de Harry Potter, David Heyman, está preparando uma adaptação cinematográfica do primeiro livro da trilogia, “Sombra e Ossos”, mas ainda não há qualquer informação certa a respeito do filme, além de ele poder ser trabalhado pela Dreamworks. Se tivermos qualquer notícia, avisamos no blog ou nas redes sociais, mas eu vou torcer para que esta história incrível saia do papel e ganhe espaço também nos cinemas.
Indico muito a leitura da trilogia Grisha para todos os leitores que buscam uma fantasia incrível, com personagens carismáticos e muito bem construídos, um pano de fundo diferente e original, uma narrativa envolvente, deliciosa e com bastante ação. E, como bônus, três livros que mantém o ritmo e a qualidade, trazendo início, meio e fim sensacionais.
Avaliação



Sol e Tormenta - Grisha #02 - Leigh Bardugo

Mesmo que esta resenha seja de uma continuação, não há qualquer tipo de spoilers deste, nem do primeiro volume.
Depois de um final de tirar o fôlego em “Sombra e Ossos” (clique no título para conferir a resenha), agora acompanhamos Alina e Maly como fugitivos, tentando levar uma vida normal em uma terra desconhecida, mesmo com a memória aterrorizando-os. Só que Alina não é uma simples trabalhadora e não poderia viver por muito tempo como tal, mesmo mantendo sua verdadeira identidade em segredo. E o passado volta assombrá-la e seu destino fica cada vez mais óbvio.
Alguém, que eles pensaram ter ficado para trás, retorna das sombras com um aterrorizante novo poder e um plano ainda pior, que tem Alina como uma das peças principais. Agora, ela precisa correr contra o tempo e trabalhar para saber ainda mais sobre seu poder para conseguir escapar deste futuro e ainda salvar a toda população antes que as sombras voltem a reinar e muitas outras mortes ocorram, enquanto precisa lidar com sua vida pessoal e sua nova posição de poder.
Desde que li o começo da trilogia Grisha, estava super ansiosa por “Sol e Tormenta” e, ao término desta leitura, posso afirmar com certeza que ela me agradou de muitas formas. Só que minhas expectativas estavam altas demais e nem sempre isso é bom, porque a gente acaba esperando muito do livro e, mesmo por pouco, ele pode não ser tudo aquilo que você esperava.
De maneira geral este é um livro maravilhoso e eu gostei demais da leitura, quase tanto quanto do primeiro volume, Sombra e Ossos, mas acho que faltou algo para chegar ao mesmo nível. Talvez isso ocorra porque nesta trilogia só há realmente um vilão importante, o Darkling, por conta disso, é claro que no segundo livro não íamos encontrar o desfecho deste embate. Então, no primeiro tivemos a chance de conhecer este mundo, os personagens, descobrir o que eles pretendiam e o que a série prometia, mas esta sequência só poderia servir como uma ponte entre o anterior e o final desta história, que eu acredito que vá arrasar e ser tão boa ou até melhor do que o começo dela.
Confesso que Maly me incomodou em alguns trechos neste volume, porque o achei egoísta. Alina não estava buscando o melhor somente para si, mas, sim, para toda a população, para se verem livres do poder do Darkling e da escuridão. E Maly queria largar aquilo tudo porque as coisas não eram mais as mesmas e ele queria que fossem, almejava ter uma vida mais simples, somente na companhia de Alina, vivendo pelo mundo, ou seja, estava pensando no melhor para si próprio, e não para os outros.
Só que Maly também pareceu se incomodar com a evolução do poder de nossa protagonista e a confiança que ela aparentava estar ganhando, diferente da culpa e vergonha que sempre sentia antes. Ao meu ver, pareceu como se ele não gostasse de saber que Alina estava tendo mais importância do que ele, que estava ficando para trás e as pessoas se focavam mais nela, como sempre tinha sido durante toda a sua vida. Então o garoto queria voltar a ser o que era antes, a ser mais importante e ter mais destaque.
Por outro lado, também dá para aceitar um pouco dos seus sentimentos, porque isso tudo é igualmente novo para Maly, que tem que lidar com a falta de importância que agora vivencia, e com uma nova realidade onde sente que não faz muita coisa, já que ele queria mais, ansiava por sentir mais útil, e sente falta dela da mesma forma que ela sente dele. Mas o Rastreador não é quem está totalmente errado nisto tudo, porque Alina também se distancia do garoto, e, mesmo que sinta saudade, não diz isso, assim como ele não fala, ou seja, são dois orgulhosos que omitem seus sentimentos um do outro, a pessoa mais importante de todas para cada um, e não deveriam fazer isso.
Acho que uma grande parte deste volume teve um ritmo mais monótono, porque estávamos acompanhando a preparação e a estratégia para a batalha iminente. Começa com muita ação, nos deixando apreensivos e instigados, depois muda para uma coisa mais calma, parada, para, posteriormente, voltar com tudo para cenas mais eletrizantes e terminar o exemplar em um ápice do enredo, mesmo que ainda cheios de dúvidas, tanto antigas quanto novas, principalmente: O que será que vai acontecer agora? E como?
Aqui também encontramos acréscimos de personagens que se tornam muito importantes na história como um todo, entre eles devem ser citados Tamar, Tolya, e, principalmente, Nikolai, que muda totalmente os rumos dos personagens principais e de toda a trama. Gostei muito de conhecer os três, sem exceção, e de ver seus papéis neste livro.
Esta sequência nos entregou algumas respostas para nossas dúvidas nascidas no primeiro volume e também algumas criadas neste segundo livro, mas também molda muitas novas questões que precisam de soluções.
Este livro ainda trata bastante de política e seus conflitos internos e até complexos, do mesmo jeito que no primeiro, sem ser chato ou cansativo e, sim, fazendo parte de algo maior e muito relevante. E, desta vez, além da questão política também encontramos religião, fé e até fanatismo, transformando a trama em algo melhor, com pontos bem interligados, e mais intrincados, de uma maneira bem interessante.
Quando à retomada da história, a autora soube fazê-la bem por um lado, mas não acho que tenha sido totalmente feliz nesta área, porque eu não consegui recordar de tudo o que foi importante no primeiro livro, e eu já li há um bom tempo, o que acabou sendo algo negativo. Mas alguns trechos ela soube nos fazer lembrar, então não posso dizer que estou totalmente desapontada nesta área.
A parte gráfica e diagramação mantém o padrão de “Sombra e Ossos”. A começar por esta capa magnífica, que é a original e foi adaptada para o português e tem tudo a ver com o conteúdo do livro, além de ser muito bem trabalhada. Logo quando abrimos o exemplar encontramos um mapa estendido em relação ao que encontramos no anterior, até porque este tem a ver com o que acontece neste volume, depois há uma mesma folha sobre os Grishas, que foi ótima porque eu não me lembrava dos nomes muito bem. Todo início de capítulo há um elemento gráfico, assim como no rodapé, próximo à numeração da página. A fonte está em um tamanho bom e os espaçamentos também estão contribuindo para uma experiência de leitura melhor, além de contar com páginas amarelas.
Mais para o final do livro fui surpreendida positivamente por uma atitude de Alina que eu não estava esperando nem por um segundo, o que torna o ato muito mais agradável e admirável de ser acompanhado. Gostei bastante de sua decisão e do modo como a conduziu.
Estou muito ansiosa pelo desfecho desta história, que será encontrado em “Ruin and Rising”, terceiro livro da trilogia, que foi publicado em junho deste ano lá fora, que ainda não tem título nem data de publicação brasileira, mas acredito que em 2015 ele será lançado em português, então assim que tiver notícias aviso a vocês.
Se você busca um livro jovem adulto sobrenatural com uma trama bem escrita e estruturada, contando ainda com um enredo original e muito engenhoso, recheado de reviravoltas, personagens cativantes e encantadores, um vilão interessante, ação, aventura e magia, então nem precisa continuar procurando, porque a trilogia Grisha é o que precisa.
Avaliação



De Volta aos Quinze – Meu Primeiro Blog #01 – Bruna Vieira

Em “De Volta aos Quinze” conhecemos Anita, uma mulher de 30 anos que não está nada satisfeita com sua vida atual, já que tudo é bem diferente de como ela pensou que seria. Até que, depois de uma grande confusão com a família no casamento da irmã, ela recebe um e-mail de uma amiga com o link de um blog que Anita era dona quando tinha 15 anos. Ao acessá-lo, porém, ela não sabia que algo inusitado aconteceria: Anita volta no tempo para aquela época e pode reviver seu passado de 15 anos, ou seja, ela tem o corpo de adolescente, mas a mente de uma mulher de 30 anos, e vai poder refazer tudo, mas do jeito certo desta vez.
Só que, a partir do momento que ela mexe com o passado, o futuro da nossa protagonista acaba se modificando também. E as consequências desses atos podem não ser nada do que ela estava esperando.
Minhas expectativas estavam altas e eu gostei bastante deste livro, mas acho que esperava um pouco mais. Mesmo assim, essa foi uma ótima estreia de Bruna Vieira nos romances (porque ela já tinha escrito um livro de crônicas) e eu com certeza vou continuar acompanhando a série para saber o que vai acontecer com Anita e os demais personagens.


A princípio, a história me lembrou bastante do filme “De Repente 30”, só que ao contrário, mas a trama desenvolvida por Bruna seguiu um rumo diferente. Aqui ela volta no tempo várias vezes, não apenas uma, alternando sua vida entre presente e passado, o que é diferente do que eu pensei inicialmente, então achei interessante essa abordagem. Essa jogada foi legal porque sempre que ela modificava seu passado, podíamos acompanhar o que isso mudava no seu futuro (no caso o presente de 30 anos), podendo entender as consequências dos seus novos atos, então a gente sempre criava expectativas, junto com a protagonista, sobre o que teria mudado.


 Esse livro é mais focado em Anita e em sua vida e suas escolhas, principalmente porque acompanhamos seus pensamentos, já que a narrativa foi feita em primeira pessoa, mas eu acabei sentindo falta de um maior desenvolvimento dos personagens secundários. Queria ter conhecido eles melhor e espero (acredito também) que a autora deva mudar isso e colocar mais destaque neles nos próximos volumes.
De uma maneira geral, eu gostei da protagonista. Principalmente porque é possível o leitor criar uma identificação com ela e seus problemas, a insatisfação por nossa vida não ter seguido os nossos planos exatamente como gostaríamos, e as consequências de atitudes que, depois de refletirmos, gostaríamos de ter feito diferente. A Bruna com certeza se inspirou na sua própria vida para a construção de muitos elementos e características da personagem principal, o que eu achei bem legal porque já conhecemos esse pedacinho de sua vida por conta do blog dela, então nos sentimos ainda mais próximos da Anita.


Mas, algumas de suas atitudes não foram as melhores e até bem imaturas, o que acaba irritando um pouco porque a gente fica com aquela sensação de que, mesmo se pudéssemos entrar no livro para dar uma sacudida em Anita, ela não teria mudado seus planos e faria tudo igual, milhões de vezes se fosse preciso, ferrando com sua vida de novo e de novo, desnecessariamente.
Acho que se ela parasse só um pouquinho e refletisse de verdade no que iria fazer, poderia evitar muitas coisas ruins para si, afinal na vida real nós nunca temos a chance de refazer algo, então se essa chance de repente aparecesse, deveríamos fazê-la da melhor maneira possível, portanto antes de cada ação seria melhor pensar antes de agir para evitar forçar que algumas situações se desenrolassem da forma como gostaríamos, porque obviamente isso não aconteceria já que não podemos controlar as reações das pessoas, somente as nossas.


Esse é um livro bem leve e descontraído, e, com o propósito de entreter os leitores mais jovens, com certeza a autora teve êxito. Mas, se você espera algo super desenvolvido, com uma trama cheia de emoções à flor da pele, ou que vá mudar completamente a sua forma de pensar a vida, acho que deveria buscar uma outra leitura.
Apesar disso, esse tipo de história sempre nos faz refletir sobre as escolhas em nossas vidas, o que poderia ser diferente se tivéssemos optado por seguir um caminho oposto em alguma das situações que vivenciamos em nosso passado. Será que tudo teria mudado para pior ou melhor? Será que uma simples mudança em alguma de nossas atitudes teria mudado todo o nosso futuro ou o destino faria com que nossas próximas escolhas nos levassem de volta ao eixo? Infelizmente essas são perguntas que nunca poderíamos responder, afinal não temos a mesma chance de Anita de voltar ao passado para modificar as coisas. Mas é sempre interessante ter esses momentos de reflexão. Pelo menos eu acho.


Achei a narrativa da Bruna bem envolvente, cheia de reviravoltas e gostosa de acompanhar, além de ser bem fluida, então a gente acaba lendo muito rápido e nem sente o tempo passar. O que eu achei legal é que em alguns momentos a gente sentia como se estivesse assistindo a um filme desses bem gostosinhos de sessão da tarde. Só teve um erro de continuidade no começo, quando ela volta ao passado, que poderia ter sido modificado.


Amo essa capa, assim como todas as outras dos livros da Bruna, que são feitas por ilustradoras brasileiras diferentes, o que eu adorei porque mostra o talento nacional e eu amo ilustrações! A desse livro foi feita por Mariana Valente (Malipi), de quem eu já conhecia o trabalho e já adorava, então foi uma ótima escolha. De todas as três, gostei mais dessa em especial porque tem um cenário totalmente a ver com o conteúdo do livro, além dos elementos presentes na história, o cenário da parte da frente é SP e de trás é a cidade do interior de MG, que nossa protagonista vivia antes de se mudar. Além disso, as cores em tons pastel e o verniz localizado na bonequinha e no título deram um toque ainda mais fofo para o livro, e as folhas do miolo são amarelas e grossas.


A diagramação está muito bem feita. Além de fonte e espaçamento confortáveis para a leitura, o livro é cheio de ilustrações fofas e detalhes gráficos em preto e branco, que complementam este exemplar de uma maneira espetacular. Tem também playlist para quem curte ler um livro acompanhado das músicas “oficiais”.
Esse volume acaba daquele jeito que você fica louca e querendo saber o que vai acontecer em seguida, então agora eu preciso ler o próximo! A Bruna já está escrevendo o segundo livro, então provavelmente ele não vai demorar a chegar a nossas mãos, acho que o lançamento será na Bienal de SP, que acontece no final de agosto de 2014.


Recomendo a leitura para todos aqueles que buscam um livro leve e descontraído, com uma personagem um pouco doidinha que tem a possibilidade de voltar no passado e acaba fazendo tantas loucuras quanto da primeira vez, mesmo que diferentes, e com uma narrativa encantadora.


Avaliação