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Habibi – Craig Thompson

Gosto muito de Graphic Novels, mas confesso que não sei nada de traços, cores, etc. O meu intuito quando pego uma para ler é passar boas horas na companhia de uma ótima história, igual acontece com os livros. Quando vi a capa de Habibi (sempre as capas que primeiro me chamam a atenção) fiquei interessada em saber mais sobre o que era, e após ler a sinopse sabia que precisava lê-la o quanto antes.
Quando peguei essa graphic novel nas mãos pela primeira vez, não imaginava que seria tão extensa quanto é (tem quase 700 páginas!), mas a leitura é rápida e tão envolvente que quando terminei só fiquei pensando que queria mais.
A história criada por Craig Thompson fala do amor entre dois escravos, Dodola e Zam. Ela foi vendida ainda criança (tinha apenas 9 anos de idade) pelo pai para um escrivão, tornando-se sua esposa. Seu marido não era uma pessoa ruim e até a ensinou a ler e escrever, porém ela perdeu toda a sua infância e inocência ao viver com ele. Até que saqueadores invadiram sua casa, mataram seu marido e a levaram. Dodola então conhece Zam, um menino que ela salva e adota, e eles fogem e ficam refugiados no deserto. Ela cuida dele, alimenta-o e o ensina a ler e escrever, contando histórias. Até que o destino os separa. E eles vão passar por muitas coisas até se reencontrarem novamente.

A leitura é densa e desperta os mais variados sentimentos no leitor, principalmente os ruins, mas não de uma maneira negativa. Foram várias as vezes em que eu precisei parar a leitura porque a passagem que havia lido tinha sido muito para minha cabeça processar, de uma forma que fiquei bem chateada. A trama foi construída por Craig com maestria e mistura drama com ação e suspense, partes comoventes, encantadoras e algumas até cômicas.


Todo o texto de Craig Thompson é de uma riqueza cultural magnífica, afinal ele pesquisou e trabalhou nessa obra durante sete anos. Ele recorreu ao Corão e às Mil e uma noites para escrever essa graphic novel, inspirando-se na caligrafia árabe, no estilo, e nas narrativas do primeiro, e criou um cenário cheio de lendas e histórias, baseado no segundo. Habibi, apesar de ser ambientado no Oriente, não se passa em nenhum país conhecido, mas mesmo assim há crítica social, incluindo venda de pessoas como escravos, apresenta histórias sobre a cultura árabe, fala de ligação entre amor e religião, inclusive a influência dessa última na vida cotidiana das pessoas, e também sobre a visão cultural e sociológica da mulher como objeto.


Gostei imensamente da construção dos personagens, todos eles são complexos e humanos, alguns nos cativam e ficamos torcendo por eles. Nenhum dos que foram incluídos na história estavam ali sem nenhuma razão, pelo contrário, cada um serviu como parte importante em algum momento.


Sobre a parte gráfica, como comentei anteriormente, não posso dar detalhes técnicos a respeito das ilustrações, mas como gosto pessoal posso afirmar que as achei de muito bom gosto, lindas, e muito bem feitas, inclusive acredito que foram perfeitas para representar a história através de imagens e que outro artista não teria feito tão bem. Além disso, acho que o traço combinou com a forma de narrativa e com o cenário. Elas conseguiram transmitir tudo o que as palavras queriam, e me senti envolvida de uma forma que prestava atenção em tudo atentamente para não perder detalhes.


Todas as ilustrações foram feitas em preto e branco, incluindo a da capa. Falando em capa, adorei ela, a cor vermelha e a fonte utilizada chamam muito a atenção, e a lombada fica maravilhosa na estante. A fonte e espaçamento no miolo também estão ótimos para uma leitura confortável.

Indico a leitura para quem tem interesse em uma história tocante, mais pesada e intensa, muito bem escrita e ilustrada. E, acima de tudo, repleta de amor, através da representação mais bonita desse sentimento.

Avaliação