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O Histórico Infame de Frankie Landau-Banks – E. Lockhart

Até seus quatorze anos de idade, Frankie Landau-Banks era uma garota comum, magricela e desajeitada, e sem grandes artifícios físicos que chamassem a atenção. Na Escola Preparatória Alabaster ela andava com um grupo de calouros levemente nerds (que não eram cafonas nem bobocas), gostava de ler, participava do clube de debates, havia tido apenas um namorado, e passou o ano escolar ilesa por ser irmã da veterana Zada. Ela também era considerada a princesa da família.
Mas, agora com quinze anos, tudo mudou na vida de Frankie. O que aconteceu foi que, durante as férias de verão, a menina desenvolveu seu corpo, ganhando muitas curvas que não estavam ali antes, e virou dona de uma beleza inusitada, mas estonteante, fazendo com que a maioria dos garotos olhasse para ela com outros olhos.
Com essa nova aparência, Frankie volta às aulas para o segundo ano no colégio interno Alabaster, e logo chama a atenção do popular Matthew Livingston, com quem ela começa a namorar em seguida. Ele a apresenta a seu círculo de amigos, com que ela começa a andar, e Frankie logo se vê apaixonada, não apenas por Matthew, mas também por tudo aquilo que seu universo representa: status, camaradagem, piadas internas, etc.

Mas, por mais que se esforce, Frankie nunca sente como se realmente fizesse parte daquele grupo, principalmente com relação a Alfa, o melhor amigo de Matthew e por quem ele a troca em grande parte das vezes. Até que ela descobre que os garotos na verdade fazem parte de uma sociedade secreta que prega peças na escola há décadas, a Leal Ordem dos Bassês, que infelizmente só admite membros do sexo masculino.
Claro que Frankie não se conforma com essa situação e dá o seu jeito de cooperar com os trotes criados pelos Bassês, isso sem que eles nem mesmo saibam de sua participação. Ela, então, começa a bolar planos mirabolantes e consegue manipular os garotos para que eles façam o que ela quer, sem nem desconfiar de que é uma menina quem está no comando, com piadas inteligentes que tem seus propósitos e críticas, muitas delas fazendo com que os alunos pensem sobre o que aconteceu ou o que tudo aquilo deveria significar. Afinal, ela é muito mais do que apenas a garota bonita namorada do mais popular veterano.

Desde que a Diana da Companhia das Letras falou desse livro pela primeira vez em um vídeo sobre os próximos lançamentos da Editora Seguinte, fiquei imensamente empolgada e curiosa a respeito dessa obra, então ficava contando os dias para, enfim, poder lê-la. Nem preciso dizer que li o mais rápido que pude quando a tive em mãos. E fico contente que a história tenha realmente alcançado minhas expectativas.
Me diverti muito com Frankie, principalmente pelo fato de ela não aceitar as coisas facilmente e ainda conseguir enganar todo mundo, inclusive o namorado que achava que estava sendo super discreto e inteligente, quando na verdade era ela quem estava na liderança de tudo aquilo.
Ela é uma jovem bem perspicaz, seus planos eram ótimos e bem pensados, o que faziam com que fossem executados com perfeição, e gostei de toda a crítica social que ela usava como base para criá-los. Como boa parte trama é desenvolvida baseada neles, acho que a autora soube desenvolver o enredo com maestria, mantendo o leitor curioso a respeito do que viria a seguir e torcendo para continuar sigiloso e bem feito. E, claro, rindo por conta de toda a maquinação que Frankie fazia sem ninguém desconfiar. É um orgulho daqueles!

Confesso que gostei do relacionamento amoroso do casal, apesar de Matthew me irritar algumas vezes quando ele a largava para ir atrás de Alfa como um cachorrinho, e queria que o final tivesse sido diferente, apesar de ter sido realista.
Bom, eu adoro livros voltados para o público mais jovem, então a leitura desse título foi bem prazerosa para mim porque, por mais que Frankie seja brilhante e engenhosa, ela tem apenas quinze anos, então várias de suas atitudes são coniventes com sua idade. Mas também é um livro bem elaborado até para as pessoas da faixa etária a qual ele se destina, então acho legal que a autora não subestime seus leitores.
A leitura é muito gostosa e a narrativa de Lockhart, escrita em terceira pessoa, é bem fluida, fazendo com que as páginas sejam avançadas rapidamente, o que é uma pena, porque esse livro não possui continuação, então não vou mais poder acompanhar as peripécias de Frankie. Antes que vocês perguntem, sim, esse livro teve um final para o proposto nele mesmo e não ficou nada em aberto precisando de complementos, mas eu sempre fico querendo mais das histórias que eu adoro porque não gosto de dar adeus a elas. hahaha

Estou torcendo para a Editora Seguinte publicar outra das obras escritas por E. Lockhart. Eu, sem sombra de dúvidas, vou querer ler todas! Para alegria dos leitores, a maioria dos seus livros é individual, ou seja, não tem continuação, exceto por uma série com quatro volumes, mas nenhum deles ainda foi publicado aqui no Brasil, apesar de já terem sido lançados há anos lá fora, o que é uma pena.
A parte gráfica está ótima. A capa é linda, afinal as partes internas das letras do título apresentam a fachada do colégio interno em tons de azul e preto. A diagramação está muito bem feita, com fonte e espaçamento confortáveis para a leitura, e em cada capítulo, abaixo do título, há uma silhueta em cinza de um cachorro.
O Histórico Infame de Frankie Landau-Banks é uma leitura inteligente e gostosa, com uma protagonista sagaz e carismática, que definitivamente merece um lugar especial na sua estante.
Avaliação


Habibi – Craig Thompson

Gosto muito de Graphic Novels, mas confesso que não sei nada de traços, cores, etc. O meu intuito quando pego uma para ler é passar boas horas na companhia de uma ótima história, igual acontece com os livros. Quando vi a capa de Habibi (sempre as capas que primeiro me chamam a atenção) fiquei interessada em saber mais sobre o que era, e após ler a sinopse sabia que precisava lê-la o quanto antes.
Quando peguei essa graphic novel nas mãos pela primeira vez, não imaginava que seria tão extensa quanto é (tem quase 700 páginas!), mas a leitura é rápida e tão envolvente que quando terminei só fiquei pensando que queria mais.
A história criada por Craig Thompson fala do amor entre dois escravos, Dodola e Zam. Ela foi vendida ainda criança (tinha apenas 9 anos de idade) pelo pai para um escrivão, tornando-se sua esposa. Seu marido não era uma pessoa ruim e até a ensinou a ler e escrever, porém ela perdeu toda a sua infância e inocência ao viver com ele. Até que saqueadores invadiram sua casa, mataram seu marido e a levaram. Dodola então conhece Zam, um menino que ela salva e adota, e eles fogem e ficam refugiados no deserto. Ela cuida dele, alimenta-o e o ensina a ler e escrever, contando histórias. Até que o destino os separa. E eles vão passar por muitas coisas até se reencontrarem novamente.

A leitura é densa e desperta os mais variados sentimentos no leitor, principalmente os ruins, mas não de uma maneira negativa. Foram várias as vezes em que eu precisei parar a leitura porque a passagem que havia lido tinha sido muito para minha cabeça processar, de uma forma que fiquei bem chateada. A trama foi construída por Craig com maestria e mistura drama com ação e suspense, partes comoventes, encantadoras e algumas até cômicas.


Todo o texto de Craig Thompson é de uma riqueza cultural magnífica, afinal ele pesquisou e trabalhou nessa obra durante sete anos. Ele recorreu ao Corão e às Mil e uma noites para escrever essa graphic novel, inspirando-se na caligrafia árabe, no estilo, e nas narrativas do primeiro, e criou um cenário cheio de lendas e histórias, baseado no segundo. Habibi, apesar de ser ambientado no Oriente, não se passa em nenhum país conhecido, mas mesmo assim há crítica social, incluindo venda de pessoas como escravos, apresenta histórias sobre a cultura árabe, fala de ligação entre amor e religião, inclusive a influência dessa última na vida cotidiana das pessoas, e também sobre a visão cultural e sociológica da mulher como objeto.


Gostei imensamente da construção dos personagens, todos eles são complexos e humanos, alguns nos cativam e ficamos torcendo por eles. Nenhum dos que foram incluídos na história estavam ali sem nenhuma razão, pelo contrário, cada um serviu como parte importante em algum momento.


Sobre a parte gráfica, como comentei anteriormente, não posso dar detalhes técnicos a respeito das ilustrações, mas como gosto pessoal posso afirmar que as achei de muito bom gosto, lindas, e muito bem feitas, inclusive acredito que foram perfeitas para representar a história através de imagens e que outro artista não teria feito tão bem. Além disso, acho que o traço combinou com a forma de narrativa e com o cenário. Elas conseguiram transmitir tudo o que as palavras queriam, e me senti envolvida de uma forma que prestava atenção em tudo atentamente para não perder detalhes.


Todas as ilustrações foram feitas em preto e branco, incluindo a da capa. Falando em capa, adorei ela, a cor vermelha e a fonte utilizada chamam muito a atenção, e a lombada fica maravilhosa na estante. A fonte e espaçamento no miolo também estão ótimos para uma leitura confortável.

Indico a leitura para quem tem interesse em uma história tocante, mais pesada e intensa, muito bem escrita e ilustrada. E, acima de tudo, repleta de amor, através da representação mais bonita desse sentimento.

Avaliação





Tabuleiro dos Deuses – A Era de X #01 – Richelle Mead

Eu ainda não tinha lido nenhum livro desta autora, mas como conheço várias pessoas que já leram, inclusive minha irmã, pedi a prova deste volume para conhecer um pouco sobre a escrita que tantos elogiam, e também porque a premissa da história me pareceu incrível e fiquei com bastante vontade de ler.
Em Tabuleiro dos Deuses, de Richelle Mead, vimos que anos atrás o mundo todo foi afetado por um vírus chamado Mefistófeles, que matou metade da população mundial e que, por conta deste caos, a RANU, República da América do Norte Unida, com sua tecnologia avançada, conseguiu desenvolver uma vacina para acabar com o vírus.
Agora, esses cidadãos que restaram passaram por diversas mudanças. Entre elas, são proibidas de adorar um Deus, para que assim o mundo seja mantido em paz, e, por isso, a população é constantemente supervisionada pelo governo, apenas a “Igreja da humanidade” era permitida, pois ela não adorava ninguém, apenas discutia assuntos do cotidiano, etc. Para vigiar as pessoas que possam tentar burlar as regras existe a “Divisão de investigação de cultos e seitas” fechando grupos que não cumprem as normas da sociedade, pois esses grupos são considerados uma ameaça à soberania do Estado.
Justin March é um investigador de religiões que trabalhava na República da América do Norte Unida (RANU) fechando esses grupos não licenciados, mas algo aconteceu e fez com que ele fosse expulso do país e exilado no Panamá por quatro anos. Agora, como começaram a surgir diversas mortes que parecem estar ligadas a seitas clandestinas, Justin é convidado a voltar para tentar descobrir o que está acontecendo, pois alguns acreditam que ele é o único que pode desvendar esse mistério.
Neste volume também conhecemos Mae Koskinen, que faz parte da elite do serviço militar do país, mas que após se envolver em uma briga, é enviada para servir de guarda-costas para Justin nesta sua missão. É com este plano de fundo que passamos a conhecer o livro, se encantar com a história e investigar junto de nosso protagonista, fazendo com que a gente não consiga parar de ler, já que a narrativa mistura deuses, crimes, manipulações genéticas, um país totalmente pós-apocalíptico, sendo uma distopia de tirar o fôlego.
Essa história criada por Mead apresenta muitos termos que, por não serem tão convencionais para nós, leitores, acabam nos confundindo. Eu, por exemplo, precisava procurar o glossário para lembrar o que era o que toda hora, então fico contente que a Editora Paralela tenha mandado essa lista de nomes com explicações para me ajudar a entender, me situar, e não me deixar totalmente perdida.
Apesar de ser legal a criação de um mundo com coisas totalmente novas, acho que ficou meio confuso e cansativo, não permitindo que eu conseguisse ler rapidamente e até me enjoando no meio de tanta explicação, sendo que algumas nem mesmo traziam boas respostas para o que buscamos.
A capa, pelo que pude ver pela prova (ainda não tive o livro finalizado em mãos), está muito linda e faz com que eu fique com vontade de ler só de olhar. A diagramação, que ainda deve ficar um pouco diferente do que a do exemplar que está comigo, já está com um tamanho de letra super confortável para leitura e as palavras estão com um ótimo espaçamento, acho que isso com certeza deve ser mantido.
Gostei bastante da história, que conta com uma narrativa em terceira pessoa, o que faz com que a gente consiga entender tudo de uma maneira geral, e achei bem interessante como a Richelle criou este novo mundo. Como este é um livro voltado para o público adulto, algumas cenas e palavras são um pouco mais fortes.
Só acho que, por possuir uma narrativa tão lenta e arrastada, os vários pontos positivos criados pela autora acabaram ficando para segundo plano. Ou seja, eu gostei muito da história, mas acho que a escritora pecou no desenvolvimento da mesma, porém, acredito que Richelle Mead consiga dar a volta por cima e o próximo volume tem potencial para melhorar muito, então com certeza vou continuar acompanhando a série.
Recomendo este exemplar para todo mundo que goste de uma boa história, bem complexa e com teor bem investigativo, que consegue prender a gente do início ao fim com personagens cativantes, mas tenham em mente que a leitura não flui muito bem, o que pode acabar incomodando algumas pessoas.
Avaliação


A Coisa Terrível que Aconteceu com Barnaby Brocket – John Boyne

Alistair e Eleanor Brocket sempre se vangloriaram por terem uma família perfeitamente normal, sem chamar a atenção ou fazer algo fora do comum. Eles sempre evitaram pessoas que eram o mínimo de diferentes ou complicadas, e conseguiram isso muito bem por muito tempo, levando uma vida tranquila e pacata com seus dois filhos, Henry e Melanie, e seu cachorro de estimação de raça e pedigree indefinidos, o Capitão W. E. Johns.
Até que, com a terceira gravidez de Eleanor, tudo muda; logo após o parto a coisa mais anormal acontece: Barnaby Brocket, o novo membro da família, sai flutuando pelo quarto do hospital. O orgulho de Alistair e Eleanor foi ferido, afinal o novo filho se recusava “a obedecer a mais fundamental das regras. A lei da gravidade.”.
Eles imaginaram que essa teimosia de Barbany em ficar flutuando era coisa passageira, de criança esquisita, mas conforme os anos passavam e ele não mudava, seus pais começaram a ficar muito preocupados com a reputação da família e com o bem estar dos membros da mesma. Eles escondiam a criança o máximo que conseguiam, não deixando que ele saísse de casa e nem frequentasse escolas normais, afinal os vizinhos teriam a impressão errada deles e isso seria vergonhoso demais para aguentarem.


Até que Alistair e Eleanor não aguentavam mais passar por isso e, quando Barnaby completou oito anos de idade, eles montaram um plano que resultou no menino sair flutuando por aí, tendo que contar com a própria sorte para sobreviver e encontrar um destino. A coisa terrível que aconteceu com Barnaby acaba se transformando em uma viagem pelo mundo, onde ele acaba conhecendo lugares incríveis e pessoas tão espetaculares quanto ele, já que nenhuma delas é assim tão normal também.
Gente, estou completamente apaixonada por Barnaby! Que criança fofa e magnífica, e que história sensacional! Sério, toda vez que eu olho para esse livro fico com aquela sensação boa e gostosa de quando nós realmente gostamos muito mesmo de uma leitura. Fico sorrindo e suspirando (tá, pareço uma boba falando isso, mas relevem! Hahaha).


Nunca tinha lido nenhum livro de John Boyne e agora, além de me arrepender de ter demorado tanto para começar, entendo perfeitamente o que ele tem de tão bom escritor. Sei que esse livro é voltado para o público juvenil e, portanto, a linguagem é mais fácil e direta, mas desde já dá para perceber que ele é muito bom no que faz.
Gostei muito da narrativa, que é em terceira pessoa e, apesar de não ser minha preferida, algumas vezes é necessário que seja feita assim, e nesse caso ela encaixou perfeitamente com a história, nos deixando totalmente encantados. A sensação é que parece estar sendo contada por aquele tipo de narrador que faz com que o leitor sinta como se estivesse em uma conversa real, lhe ouvindo falar daqueles acontecimentos como sendo lembranças boas, como se fossem verdadeiros.


É uma narrativa deliciosa e reflexiva, afinal não há como definir o que é ser normal, já que cada um tem a sua própria concepção dessa palavra e o que ela significa para um, no sentido amplo, provavelmente não é o mesmo que para o próximo.
Barnaby passeia por diversos lugares no mundo (inclusive o Brasil), conhecendo muitas pessoas e vivendo aventuras espetaculares. Ser diferente do que é considerado normal o faz encontrar pessoas que o aceitam como ele é, sendo elas também de bom coração e já tendo vivenciado coisas terríveis, igual a ele. E, como um bom menino que é, ele sempre faz algo para retribuir a ajuda que recebeu das pessoas, o que acaba mudando positivamente a vida dos demais para melhor. Suas intenções são sempre boas e é muito bonito ver um menino tão pequeno que sofreu nas mãos dos pais ser tão diferente deles e propagar o amor ao próximo ao invés de se tornar alguém carrancudo e malvado.


“(...) Mas para mim elas parecem bem normais.
Palmira deu um sorriso.
– É porque elas são normais – disse ela. – Nós todos somos. A ideia que elas têm de normal, por acaso, é diferente das que outras pessoas têm. Mas esse é o mundo em que a gente vive. Algumas pessoas simplesmente não aceitam uma coisa que fuja da experiência que elas têm.”
Claro que a história tem um ar de fantasia, afinal essas situações não poderiam existir na nossa realidade por diversos fatores, mas, por incrível que pareça, a explicação que Boyne encontrou para o fato de Barbany flutuar é aceitável, e em uma dimensão paralela quase poderia ser real.


Dos personagens, nem precisava comentar, mas realmente odiei os pais, e não entendo como podem fazer algo tão terrível com o próprio filho e, pior ainda, sendo ele uma criança, mesmo que tenham suas motivações para agirem como agem na questão do “ser normal”. Pior que existem muitos pais horríveis por aí que fazem coisas tão ruins quanto com seus pequenos e isso me revolta profundamente!!
Enquanto isso, amei os irmãos de Barbany, que crianças meigas, mesmo com esses pais péssimos, também adorei conhecer junto com Barnaby boa parte das pessoas que ele encontrou no caminho e, claro, fiquei apaixonada pelo Capitão W. E. Johns (o cachorro da família), eu sou uma pessoa que ama animais e confesso que cães são os meus preferidos para ter de estimação, então fiquei ainda mais apaixonada com o melhor amigo de Barnaby.


“E aí ocorreu a Barnaby que ser normal não era tudo isso que diziam. Afinal de contas, quantos garotos que se dizem normais já haviam passado pelas mesmas aventuras que ele, ou conhecido as mesmas pessoas que ele? Quantos já haviam visto tanta coisa do mundo ou tanta gente pelo caminho?
[...]
E foi nesse momento que percebeu que gostava de ser diferente. Afinal de contas, havia nascido assim. E era assim que devia ser.”
O final é muito fofo! Na verdade ficou em aberto e não sabemos o que vai acontecer em seguida, e eu não sou muito fã desse tipo de finalização, porém, acho que nesse livro não poderia ter sido diferente porque se encaixou com tudo o que tinha acontecido, e nos deixou com aquele ar feliz e esperançoso de que coisas melhores viriam a seguir.


Ilustração do autor, John Boyne
A história é pequena e tem apenas 256 páginas, gostaria que fosse maior só porque eu queria poder acompanhar mais Barnaby nas suas aventuras, mas acho que teve um tamanho perfeito, já que deu tempo de acontecer tudo e ainda nos deixar com esse gostinho de quero mais. Além disso, a narrativa é tão rápida, fluida e cativante que as páginas são avançadas rapidamente e quando nos damos conta, infelizmente, o livro chegou ao fim. Ao fechar o livro ficamos com uma mensagem linda em nossos corações e aprendemos que o mais importante é nos aceitarmos como somos, independente das outras pessoas.
A parte gráfica também está maravilhosa, a começar pela capa linda com essa ilustração fofa em tons de verde e roxo com detalhes em azul, amarelo, marrom e vermelho, e apresenta capa complementar a contracapa. Para o livro ficar ainda mais bonito, a diagramação está incrível, a fonte do miolo, que apresenta tamanho e espaçamento confortável, não é preta e, sim, roxa, assim como todas as ilustrações internas feitas por Oliver Jeffers, que estão presentes em quase todos os capítulos, com traços e preenchimento na mesma cor. Os títulos dos capítulos estão em uma fonte diferente, assim como as legendas das imagens. As páginas são amarelas, facilitando a leitura por um período maior de tempo.


Indico “A Coisa Terrível que aconteceu com Barnaby Brocket” para pessoas de todas as idades. Às crianças, para aprenderem que ser diferente não é ruim, só o torna alguém especial, aos adultos porque tenho certeza de que vão se emocionar e se encantar com a singela e comovente história do menino Barnaby Brocket.
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O Cavaleiro Fantasma - Cornelia Funke

Eu já havia lido as séries “Mundo de Tinta” e "Reckless" escritas por essa autora, e como gostei bastante das histórias e de sua narrativa, então fiquei louca para ler outra de suas obras. Foi quando descobri que este livro iria ser lançado aqui no Brasil e logo o coloquei em minha lista de preciso ler urgente. E agora, depois de ter terminado esta leitura, venho contar para vocês tudo o que achei a respeito dela.
Em “O Cavaleiro Fantasma” conhecemos Jon Whiteroft, um menino de apenas onze anos que acaba sendo forçado contra a sua vontade a ir para um internato em Salisbury (o mesmo que seu pai havia frequentado quando era jovem), já que ele não se dá muito bem como o novo namorado de sua mãe e todas suas tentativas de acabar com o namoro deles acabaram dando errado. Agora ele está em um lugar com várias pessoas esquisitas, perto de um cemitério, e Jon não para de ter a esperança de que sua mãe perceba que foi um erro manda-lo para lá e acabe buscando ele de volta.
O que nosso protagonista não contava é que ele iria começar a ser assombrado por quatro fantasmas que perseguem a sua família há um tempo. Para lidar com esses seres sobrenaturais ele vai contar com a ajuda de Ella, uma menina que mora com a avó ao lado do internato, que, como nosso protagonista, é destemida, forte e corajosa, e que, apesar de ser séria e mandona, vai conseguir conquistar o coração do personagem principal com todo seu fascínio sobre fantasmas. Juntos, eles vão entrar em uma aventura e pedir ajuda a um bondoso cavaleiro que, ao auxiliar esses dois, também espera receber uma ajuda em troca para que possa ficar em paz. É junto deles que vamos descobrindo tudo que essa pequena cidade tem a oferecer e todos os mistérios que ela guarda.


A narrativa é em primeira pessoa, e ela é incrível, sendo leve e descontraída e que consegue nos prender do início ao fim, sendo que em todo momento há novos acontecimentos que aparecem na trama, não deixando a história ficar cansativa ou parada. O que achei bem interessante é que a história e os personagens existiram antes, ou seja, foram criados baseados em fatos reais, lendas que foram passadas por gerações e locais que existem até hoje no mundo.
O melhor é que esse livro é um volume único, ou seja, não tem continuação, então as pessoas que não aguentam mais começar séries novas podem conhecer a incrível narrativa de Cornelia Funke sem precisar esperar outros volumes para encontrar o final da aventura.

A capa deste título é maravilhosa, sendo toda em prateado com o fundo em azul, fazendo com que esta seja uma das minhas capas preferidas de todos os tempos, além de remeter bastante à história do livro. Outra coisa que achei bem legal é que a diagramação está perfeita, com a letra em um tamanho e espaçamento confortáveis para a leitura, fazendo com que a gente consiga ler por mais tempo sem cansar a vista. O papel do livro é aquele em amarelo, o que também ajuda bastante.
Recomendo este título para todas as pessoas que gostem de uma boa obra, que consegue nos prender desde o momento em que começamos a leitura até fecharmos a última página, com sua história cheia de ação, magia e suspense, além de ter uma pitada de sobrenatural em um livro jovem adulto que vai agradar todas as idades, introduzindo o leitor em um mundo de fantasia que consegue nos divertir e ser uma ótima e prazerosa leitura.

Avaliação


A Primavera Rebelde – A Queda dos Reinos #02 – Morgan Rhodes

Quando vi que este título foi lançado aqui no Brasil fiquei louca, pois, para quem não sabe, eu já havia lido e adorado o primeiro volume desta série, A Queda dosReinos (clique no título para ler a resenha), e estava contando os dias para ter em mãos a continuação. Agora venho contar para vocês todas as minhas opiniões a respeito desta trama, que é cheia de fantasia e consegue nos prender do começo ao fim com sua história fantástica.
Neste volume vemos que o rei Gaius quer mais do que tudo ser rei de toda a Mítica, mas para isso ele precisa colocar as mãos na Tétrade, os cristais que contem todo o poder dos elementia. Claro que o Gaius não é o único a querer colocar as mãos nos cristais, e por isso vemos uma corrida para quem consegue capturar eles primeiro, fazendo com que Cleo e Jonas também tenham que enfrentar um grande desafio.
Além de “A Primavera Rebelde” cumprir bem o papel de segundo livro, dando continuidade à trama e não resolvendo todos os mistérios para deixar alguns já existentes e outros novos para a continuação, é um livro que eu recomendo para todas as pessoas, pois ele consegue nos prender com sua narrativa tanto quanto o volume anterior.


Vemos que esse volume está bastante focado nos problemas políticos da ilha Mítica por conta dos acontecimentos do primeiro livro, mas ainda encontramos todos aqueles pontos fortes que me fizeram amar A Queda dos Reinos, como magia, aventura, romance, batalhas, fantasia, etc. Além de muita ação e reviravoltas que nos fazem ficar pensando: E agora, o que vai acontecer?


A narrativa é rápida e fluida, e desde o início, vemos uma diferença do livro anterior, pois ao invés de focar nos reinos, ela agora é focada em cada um dos personagens, que conseguem nos surpreender cada vez mais com suas atitudes e pensamentos. O final do livro foi muito bom, trouxe algumas das respostas bastante esperadas por nós em toda leitura, e virou um daquele tipo que faz com que a gente precise ler a continuação urgente.

A capa é bem bonita e chama bastante atenção, além de ser bem similar com a do primeiro volume, o que faz com que a gente olhe para um e automaticamente lembre do outro. A diagramação está ótima com letras bem espaçadas e uma fonte em tamanho confortável, fazendo com que a gente consiga ler por mais tempo sem cansar a vista, e as páginas são amarelas, o que ajuda bastante na hora da leitura.

Super recomendo este volume para todas as pessoas que gostem de uma boa obra de ação e magia, que consegue nos prender do começo até acabar a última página, com uma história incrível, recheada de romance, aventura, várias reviravoltas que conseguem nos surpreender, além de ser um livro que contém ótimos personagens, e apresentar um final incrível que nos deixa ansiosos querendo o próximo livro.

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Sombras Vivas – Reckless #02 – Cornelia Funke

Desde que o primeiro volume desta série foi lançado, venho aguardando ansiosamente para ler sua continuação. Como eu dei sorte de “Sombras Vivas” ter sido lançado antes de eu acabar de ler “A Maldição da Pedra” (clique no título para ler a resenha), pude continuar a leitura com pouco tempo de intervalo e acompanhar mais nossos protagonistas no Mundo do Espelho, com todos os acontecimentos ainda fresquinhos na minha mente. Agora, venho contar para vocês tudo o que achei a respeito deste livro escrito por Cornelia Funke.
Vimos no volume anterior que Jacob fez de tudo para salvar a vida do irmão, até mesmo enfrentar a poderosa magia das fadas, e como as coisas não saíram como o planejado, Jacob vai ter que pagar um preço alto pela cura de Will.
Agora, em Sombras Vivas, vemos nossos protagonistas começarem uma nova aventura atrás de itens e soluções mirabolantes para ajudar Jacob, que está com seus dias contados. 


Depois de tentar utilizar diversos itens para sua cura e nada dar certo, vemos que a única coisa que pode ajudar Jacob é a balestra, uma arma poderosa, que pode destruir exércitos inteiros ou ajudar a quem precisa, mas essa aventura vai ser um pouco mais difícil do que nossos personagens estavam esperando, já que o temível goyl Nerron, também está atrás deste item.

Vimos que com o tempo do nosso protagonista se esgotando, ele passa ser uma pessoa mais emotiva, abrindo mais espaço para este lado dele, não apenas o racional e durão como havíamos visto no volume anterior, e autora explorar este lado dele foi realmente bem legal, e considero também um ponto alto deste livro. Agora, sendo uma pessoa mais emotiva, ele é capaz de enxergar sentimentos que não havia notado antes, e nos deixar torcendo cada vez mais por esta história.

A leitura é rápida, gostosa, e consegue nos prender como no volume anterior. Cornelia utilizou em sua narrativa no início do livro, uns momentos onde podemos relembrar alguns dos acontecimentos do primeiro volume, pequenos detalhes que vão fazer a diferença para esta história, principalmente para as pessoas que não conseguiram ler como eu, com um curto intervalo de tempo entre um e outro, não ficarem perdidas em meio aos acontecimentos da trama.

A capa é metalizada e está bem bonita com elementos em tons de prata, além de representar bem a história. Em todo começo de capítulo temos uma ilustração, que completam nossa leitura. A diagramação está ótima com páginas amarelas e, apesar da letra ser pequena, como a do volume anterior, o espaçamento está bom.

Recomendo esta leitura para todas as pessoas que gostem de um bom livro que mistura aventura e fantasia, em um mundo de contos de fada, que consegue ser cruel e lindo ao mesmo tempo, e que nos prende desde o começo até fim com uma história fantástica e uma narrativa incrível, que desvenda acontecimentos deixados no primeiro livro e cria novos para o próximo volume, nos deixando loucas para a continuação.

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