Até seus
quatorze anos de idade, Frankie Landau-Banks era uma garota comum, magricela e
desajeitada, e sem grandes artifícios físicos que chamassem a atenção. Na
Escola Preparatória Alabaster ela andava com um grupo de calouros levemente
nerds (que não eram cafonas nem bobocas), gostava de ler, participava do clube
de debates, havia tido apenas um namorado, e passou o ano escolar ilesa por ser
irmã da veterana Zada. Ela também era considerada a princesa da família.
Mas, agora
com quinze anos, tudo mudou na vida de Frankie. O que aconteceu foi que,
durante as férias de verão, a menina desenvolveu seu corpo, ganhando muitas
curvas que não estavam ali antes, e virou dona de uma beleza inusitada, mas
estonteante, fazendo com que a maioria dos garotos olhasse para ela com outros
olhos.
Com essa
nova aparência, Frankie volta às aulas para o segundo ano no colégio interno
Alabaster, e logo chama a atenção do popular Matthew Livingston, com quem ela
começa a namorar em seguida. Ele a apresenta a seu círculo de amigos, com que
ela começa a andar, e Frankie logo se vê apaixonada, não apenas por Matthew,
mas também por tudo aquilo que seu universo representa: status, camaradagem,
piadas internas, etc.
Mas, por
mais que se esforce, Frankie nunca sente como se realmente fizesse parte
daquele grupo, principalmente com relação a Alfa, o melhor amigo de Matthew e
por quem ele a troca em grande parte das vezes. Até que ela descobre que os
garotos na verdade fazem parte de uma sociedade secreta que prega peças na
escola há décadas, a Leal Ordem dos Bassês, que infelizmente só admite membros
do sexo masculino.
Claro que
Frankie não se conforma com essa situação e dá o seu jeito de cooperar com os
trotes criados pelos Bassês, isso sem que eles nem mesmo saibam de sua
participação. Ela, então, começa a bolar planos mirabolantes e consegue
manipular os garotos para que eles façam o que ela quer, sem nem desconfiar de
que é uma menina quem está no comando, com piadas inteligentes que tem seus
propósitos e críticas, muitas delas fazendo com que os alunos pensem sobre o
que aconteceu ou o que tudo aquilo deveria significar. Afinal, ela é muito mais
do que apenas a garota bonita namorada do mais popular veterano.
Desde que a
Diana da Companhia das Letras falou desse livro pela primeira vez em um vídeo
sobre os próximos lançamentos da Editora Seguinte, fiquei imensamente empolgada
e curiosa a respeito dessa obra, então ficava contando os dias para, enfim,
poder lê-la. Nem preciso dizer que li o mais rápido que pude quando a tive em
mãos. E fico contente que a história tenha realmente alcançado minhas
expectativas.
Me diverti
muito com Frankie, principalmente pelo fato de ela não aceitar as coisas
facilmente e ainda conseguir enganar todo mundo, inclusive o namorado que
achava que estava sendo super discreto e inteligente, quando na verdade era ela
quem estava na liderança de tudo aquilo.
Ela é uma
jovem bem perspicaz, seus planos eram ótimos e bem pensados, o que faziam com
que fossem executados com perfeição, e gostei de toda a crítica social que ela
usava como base para criá-los. Como boa parte trama é desenvolvida baseada
neles, acho que a autora soube desenvolver o enredo com maestria, mantendo o
leitor curioso a respeito do que viria a seguir e torcendo para continuar
sigiloso e bem feito. E, claro, rindo por conta de toda a maquinação que
Frankie fazia sem ninguém desconfiar. É um orgulho daqueles!
Confesso que
gostei do relacionamento amoroso do casal, apesar de Matthew me irritar algumas
vezes quando ele a largava para ir atrás de Alfa como um cachorrinho, e queria
que o final tivesse sido diferente, apesar de ter sido realista.
Bom, eu
adoro livros voltados para o público mais jovem, então a leitura desse título
foi bem prazerosa para mim porque, por mais que Frankie seja brilhante e
engenhosa, ela tem apenas quinze anos, então
várias de suas atitudes são coniventes com sua idade. Mas também é um livro bem
elaborado até para as pessoas da faixa etária a qual ele se destina, então acho
legal que a autora não subestime seus leitores.
A leitura é
muito gostosa e a narrativa de Lockhart, escrita em terceira pessoa, é bem
fluida, fazendo com que as páginas sejam avançadas rapidamente, o que é uma
pena, porque esse livro não possui continuação, então não vou mais poder
acompanhar as peripécias de Frankie. Antes que vocês perguntem, sim, esse livro
teve um final para o proposto nele mesmo e não ficou nada em aberto precisando
de complementos, mas eu sempre fico querendo mais das histórias que eu adoro
porque não gosto de dar adeus a elas. hahaha
Estou
torcendo para a Editora Seguinte publicar outra das obras escritas por E.
Lockhart. Eu, sem sombra de dúvidas, vou querer ler todas! Para alegria dos
leitores, a maioria dos seus livros é individual, ou seja, não tem continuação,
exceto por uma série com quatro volumes, mas nenhum deles ainda foi publicado
aqui no Brasil, apesar de já terem sido lançados há anos lá fora, o que é uma
pena.
A parte
gráfica está ótima. A capa é linda, afinal as partes internas das letras do
título apresentam a fachada do colégio interno em tons de azul e preto. A
diagramação está muito bem feita, com fonte e espaçamento confortáveis para a
leitura, e em cada capítulo, abaixo do título, há uma silhueta em cinza de um
cachorro.
O Histórico
Infame de Frankie Landau-Banks é uma leitura inteligente e gostosa, com uma
protagonista sagaz e carismática, que definitivamente merece um lugar especial
na sua estante.
Avaliação





























































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