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O Último Reino - Crônicas Saxônicas #01 - Bernard Cornwell

Muitas pessoas me indicaram a leitura das Crônicas Saxônicas, e eu já tenho o box por aqui fazem alguns anos, com a virada do ano resolvi tomar vergonha na cara e ler o primeiro livro da série, O Último Reino, escrito pelo autor britânico Bernard Cornwell, e publicado pela editora Record.

Uhtred é da aristocracia de Nortúmbria, pela primeira vez ele sai com o pai para um conflito, mas tudo dá errado e aos dez anos de idade se vê sem o pai e nas mãos dos vikings que invadiram seu país. Mas o que pareceria ruim para muitos para ele foi uma infância felicidade e aprendizado, ele se tornou um deles, um dinamarquês, já que o Deus cristão não fazia sentido e o panteão pagão sim.

Já acostumado a sua nova família parte em batalhas sucessivas ao longo da Inglaterra para dominar cada canto desta, mas sua vida é atravessada por uma tragédia e pelo rei Alfredo de Wessex, do último reino inglês que não cedeu a invasão dos guerreiros do norte. Agora do lado inglês ele se vê todo tempo em dúvida de qual o lado que de fato deve estar, o lado que seu sangue origina ou aquele em que sua alma faz sentido. Enquanto Uhtred tenta compreender seu lugar no mundo a Inglaterra tenta resistir, será que Uhtred fará a diferença?

Cornwell faz sua narrativa em primeira pessoa a partir do protagonista Uhtred que conta sua história de algum ponto do futuro distante. É uma narrativa dinâmica que constantemente fornece ação e informação ao leitor. Ao mesmo tempo em que conta fatos históricos verídicos (o autor explica alguns deles ao final do livro) que se passaram na Inglaterra, ele trabalha a história de vida do personagem. Os anos se passam, e em momento algum o livro perde seu interesse, a leitura sempre chama por mais.

Uhtred é um guerreiro, inglês ou dinamarquês, o que ele descobre gostar de fazer é estar na linha de frente de uma batalha. E toda sua história seja de um lado ou outro leva a este rumo. Ele é muito prático, e se adapta bem as diversas mudanças que ocorrem na sua vida. Embora pareça que ele tenha se decidido ao final de qual lado ele iria ficar da guerra, ele vacila a todo momento devido ao cristianismo atravessar a vida dos ingleses, sua visão do mundo ser pagã.

É um personagem detalhado que cresce com o livro não só porque muda sua personalidade mas também porque começa o livro como uma criança e termina adulto. É leal a quem ama, e essa é uma das muitas descobertas que ele faz com a vida, que o amor acima de qualquer nação é sua maior lealdade.

Ragnar é o líder viking que adota Uhtred, embora seja letal em batalha trata o jovem como filho, e o ensina a ser um dinamarquês. É muito dedicado a família e aos filhos, e ao invadir novos territórios não quer apenas riquezas, mas terras férteis para viver, já que seus país de origem não possibilita isso. Ravn, o pai de Ragnar é cego, mas é sábio e bardo, e é quem ensina lições valiosas a Uhtred.

Brida, uma garota inglesa que se vê em meio a uma invasão em seu vilarejo se torna amiga de Uhtred, assim como nova integrante do grupo dinamarquês, onde se adapta muito bem. É companheira e ousada.

Do lado inglês temos o padre Beocca que é o padre que vivia na fortaleza da família de Uhtred, ele conhece o menino desde pequeno, devoto tenta em todos os encontros salvar a alma do protegido, e suas sucessivas tentativas acabam por atrapalhar e muito a vida de Uhtred, já que ele é o responsável pelo encontro de Uhtred com o Rei Alfredo, ou diria mala Alfredo? Imaginem uma figura que aprontou todas, e depois resolve se redimir com a religião e ainda por cima vive doente, eis o rei.

Diversos outros personagens aparecem ao longo da vida de Uhtred, são muitos ao longo dos anos, mas todos com personalidades marcantes. Cornwell sabe arquitetar bem as tramas políticas ao mesmo tempo que as envolve na vida do protagonista. As cenas de batalhas são vividas e nos fazem sentir dentro de uma parede de escudos!

" A guerra é travada no mistério. A verdade pode levar dias para viajar. Adiante da verdade voa o boato e é sempre difícil saber o que realmente está acontecendo, e a arte é arrancar o osso limpo do fato da carne podre do medo e das mentiras"- (pág. 321)

O Último Reino, é uma viagem na história, para tempos que as rixas de sangue imperavam, a sobrevivência era a lei e a fé começava a traçar caminhos duvidosos. Pegue sua espada e seu escudo porque aqui a batalha é continua, não só pela terra mas pela sua fé!




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