Muitas pessoas me indicaram a
leitura das Crônicas Saxônicas, e eu já tenho o box por aqui fazem alguns anos,
com a virada do ano resolvi tomar vergonha na cara e ler o primeiro livro da
série, O Último Reino, escrito pelo autor britânico Bernard Cornwell, e
publicado pela editora Record.
Uhtred é da aristocracia de
Nortúmbria, pela primeira vez ele sai com o pai para um conflito, mas tudo dá
errado e aos dez anos de idade se vê sem o pai e nas mãos dos vikings que
invadiram seu país. Mas o que pareceria ruim para muitos para ele foi uma
infância felicidade e aprendizado, ele se tornou um deles, um dinamarquês, já
que o Deus cristão não fazia sentido e o panteão pagão sim.
Já acostumado a sua nova família
parte em batalhas sucessivas ao longo da Inglaterra para dominar cada canto
desta, mas sua vida é atravessada por uma tragédia e pelo rei Alfredo de
Wessex, do último reino inglês que não cedeu a invasão dos guerreiros do norte.
Agora do lado inglês ele se vê todo tempo em dúvida de qual o lado que de fato
deve estar, o lado que seu sangue origina ou aquele em que sua alma faz sentido.
Enquanto Uhtred tenta compreender seu lugar no mundo a Inglaterra tenta
resistir, será que Uhtred fará a diferença?
Cornwell faz sua narrativa em
primeira pessoa a partir do protagonista Uhtred que conta sua história de algum
ponto do futuro distante. É uma narrativa dinâmica que constantemente fornece
ação e informação ao leitor. Ao mesmo tempo em que conta fatos históricos
verídicos (o autor explica alguns deles ao final do livro) que se passaram na
Inglaterra, ele trabalha a história de vida do personagem. Os anos se passam, e
em momento algum o livro perde seu interesse, a leitura sempre chama por mais.
Uhtred é um guerreiro, inglês ou
dinamarquês, o que ele descobre gostar de fazer é estar na linha de frente de
uma batalha. E toda sua história seja de um lado ou outro leva a este rumo. Ele
é muito prático, e se adapta bem as diversas mudanças que ocorrem na sua vida.
Embora pareça que ele tenha se decidido ao final de qual lado ele iria ficar da
guerra, ele vacila a todo momento devido ao cristianismo atravessar a vida dos
ingleses, sua visão do mundo ser pagã.
É um personagem detalhado que
cresce com o livro não só porque muda sua personalidade mas também porque
começa o livro como uma criança e termina adulto. É leal a quem ama, e essa é
uma das muitas descobertas que ele faz com a vida, que o amor acima de qualquer
nação é sua maior lealdade.
Ragnar é o líder viking que adota
Uhtred, embora seja letal em batalha trata o jovem como filho, e o ensina a ser
um dinamarquês. É muito dedicado a família e aos filhos, e ao invadir novos
territórios não quer apenas riquezas, mas terras férteis para viver, já que
seus país de origem não possibilita isso. Ravn, o pai de Ragnar é cego, mas é
sábio e bardo, e é quem ensina lições valiosas a Uhtred.
Brida, uma garota inglesa que se
vê em meio a uma invasão em seu vilarejo se torna amiga de Uhtred, assim como
nova integrante do grupo dinamarquês, onde se adapta muito bem. É companheira e
ousada.
Do lado inglês temos o padre
Beocca que é o padre que vivia na fortaleza da família de Uhtred, ele conhece o
menino desde pequeno, devoto tenta em todos os encontros salvar a alma do
protegido, e suas sucessivas tentativas acabam por atrapalhar e muito a vida de
Uhtred, já que ele é o responsável pelo encontro de Uhtred com o Rei Alfredo,
ou diria mala Alfredo? Imaginem uma figura que aprontou todas, e depois resolve
se redimir com a religião e ainda por cima vive doente, eis o rei.
Diversos outros personagens
aparecem ao longo da vida de Uhtred, são muitos ao longo dos anos, mas todos com
personalidades marcantes. Cornwell sabe arquitetar bem as tramas políticas ao
mesmo tempo que as envolve na vida do protagonista. As cenas de batalhas são
vividas e nos fazem sentir dentro de uma parede de escudos!
" A guerra é travada no
mistério. A verdade pode levar dias para viajar. Adiante da verdade voa o boato
e é sempre difícil saber o que realmente está acontecendo, e a arte é arrancar
o osso limpo do fato da carne podre do medo e das mentiras"- (pág. 321)
O Último Reino, é uma viagem na
história, para tempos que as rixas de sangue imperavam, a sobrevivência era a
lei e a fé começava a traçar caminhos duvidosos. Pegue sua espada e seu escudo
porque aqui a batalha é continua, não só pela terra mas pela sua fé!
Avaliação













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