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A Última Camélia - Sarah Jio


Eis aqui o exemplo de livro que a capa engana o leitor, A Última Camélia, da autora Sarah Jio, lançado pela editora Novo Conceito, parece ser um romance água com açúcar, mas não julgue o livro pela capa, porque não é sobre isso que essas páginas nos conta.

Flora, uma jovem americana sonha em trabalhar com as plantas, mas ela percebe que os negócios dos pais não vão bem, e decide aceitar uma proposta de trabalho na Inglaterra. O trabalho envolve trabalhar como babá na Mansão Livingston e descobrir onde está plantada uma camélia rara, muito cobiçada pelos comerciantes de flores. O que ela não esperava era se envolver com a família que perdeu recentemente sua matriarca. Sessenta anos depois Addison, uma paisagista vai parar com seu marido na mesma mansão, ele para se inspirar em seu romance novo, ela para fugir de seu passado que a persegue. Mas o que a estória de duas mulheres distantes tem em comum? O que esta Camélia rara vai fazer com a vida das duas nesta mansão tão repleta de tristeza e dor que esconde uma grande mistério?

A narrativa de Jio é feita em primeira pessoa com capítulos alternados entre Flora e Addison de forma muito emocional, já que ambas mulheres carregam uma forte carga emocional. Flora por deixar os pais nos EUA e estar traindo sua própria ética ao buscar a flor em uma casa com crianças que acabaram de perder a mãe, e Addison por sua adolescência marcada pela violência e morte que voltou a assombrá-la pelo homem que cometeu esses crimes.

Gostei especialmente de como a autora conseguiu narrar uma estória com um clima de mistério continuo. Todo mundo esconde algum acontecimento do passado que quer esquecer, e ao mesmo tempo seguir em frente. Até a última página ela consegue nos deixar presos a trama, sem entregar muito e ser previsível. Muito foi dito sobre os personagens, mas muito ainda poderia ser dito, e ao contrário do que poderia soar não fez falta, mas também não faria excesso, é uma narrativa equilibrada.

Flora é uma jovem muito doce e com muita empatia, quando conhece cada uma das crianças já decidiu em seu intimo seguir com a missão de ajudá-las e perde de vista a busca pela camélia. Ela consegue promover pequenas transformações nesta família, mas não consegue ficar em paz sem saber como estão seus pais do outro lado do oceano. Seu amor pelas plantas é uma das ligações com Addison no futuro.

Já Addison vive uma nova vida, com um novo nome, mas sem contar ao marido o que passou, assim ela vive todo tempo com medo do homem do passado que a ameaça, ao mesmo tempo em que quer se dedicar ao jardim da mansão. Seu maior problema é a falta de atitude, no passado sua passividade casou morte, no presente ameaça seu casamento.
O mistério central que perdura por todos estes anos que envolve a morte da matriarca, Lady Anna e a camélia rara é muito instigante e prende a atenção ao livro. Os links através do tempo são bem desenvolvidos, as vezes citados em um tempo e explicados em outro. Tudo transcorre de forma suave e pensada. O desfecho é muito bonito e trás uma mensagem de esperança.

Os personagens secundários como funcionários da mansão e as crianças, além do marido de Addison têm personalidades bem definidas e despertam atenção para suas características. Lady Anna é um mistério até o fim do livro, sua atmosfera misteriosa é presente, mesmo muito diferente das mulheres da sua época ela parece ter deixado a todos apaixonados por sua pessoa. A Sra. Dilloway é a governanta da casa e aparece nos dois tempos do livro, com muita culpa pelos atos cometidos ela pega como missão cuidar do jardim na ausência de Anna e também guardar seus segredos.


As Violetas de Março – Sarah Jio

Vou começar a resenha descrevendo esse livro com a primeira expressão que me vem à cabeça todas as vezes que penso nele: esse é um livro de domingo à tarde. E isso, para mim, significa que esse é um livro leve, com um clima extremamente agradável, que nos dá certa nostalgia, mas que também nos faz sorrir, com certa tristeza.
Quando peguei Violetas De Março para ler, eu não tinha exatamente nenhuma expectativa. Eu nunca tinha ouvido falar do livro antes, e o nome da autora, Sarah Jio, não me era conhecido. Exatamente por não esperar nada do livro, foi uma grata surpresa quando o terminei e me descobri sinceramente tocada.
Emily Wilson é uma escritora que, uma vez, lançou um livro que se tornou um famosíssimo Best-seller, apresentando-a rapidamente para a fama e prestígio. Tudo deveria correr bem a partir dali, mas, depois de escrever esse livro, ela acaba sendo atacada por um enorme bloqueio criativo, que a impede de escrever qualquer coisa.
Alguns anos depois, apesar do bloqueio criativo, Emily estava casada e feliz, e seu casamento não tinha quaisquer problemas até que, de repente, seu marido a avisa que está apaixonado por outra mulher, e que quer terminar tudo. Sentindo que precisa arejar as ideias, Emily resolve passar um mês na casa da tia, na qual passava os verões quando era criança.
A ideia era se afastar de todos os problemas por um tempo. Mas, ao chegar à ilha de verão e descobrir um misterioso diário, Emily vai acabar descobrindo coisas que desconhecia sobre todos os habitantes da ilha, e, acima de tudo, sobre si mesma—coisas que podem significar o recomeço de sua vida e a descoberta de um novo amor.
Esse é um livro adorável. Primeiramente se apresentando como um simples romance e depois acrescentando algumas doses consideráveis de suspense, me envolveu completamente na jornada de Emily para descobrir o significado dos fatos relatados no diário, que tem uma ligação profunda com os habitantes da ilha. Os fatos se desenrolam sem pressa, não jogando nenhuma informação na sua cara—tudo é apresentado de forma gradual, tornando a história agradável.
A escrita de Sarah é maravilhosa e fácil, e ela intercalou bem os momentos de romance com momentos de drama que nos fazem querer chorar junto com os personagens. Por ser uma história realmente nostálgica, ela nos passa esse sentimento de saudade, e eu terminei o livro com um aperto no peito—o final foi razoável, mas não foi o que eu esperava, infelizmente. Todas as dúvidas foram respondidas, mas eu fiquei com a sensação de que poderia ter sido melhor.
Já a diagramação desse livro me fez querer abraçar a Novo Conceito, levar para casa e não soltar mais. A capa é linda, combinando perfeitamente com a história, e todas as páginas têm o detalhe de flores no rodapé, detalhe que também aparece nos inícios de capítulos. Livro lindo, um ponto positivo para a Editora Novo Conceito pelo capricho.

Enfim, esse é um livro para quem gosta de romance, um leve suspense (bem leve) e uma dose bem considerável de drama e nostalgia. Recomendadíssimo!