Mostrando postagens com marcador Victor Bonini. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Victor Bonini. Mostrar todas as postagens

Quando Ela Desaparecer – Victor Bonini


Desde que li “ O Casamento” deste autor, virei fã de sua escrita ágil e envolvente, que consegue surpreender. Sendo assim, quando tive esse novo título em mãos, devorei a história bem rápido, pois não conseguia largar.
Conhecemos Kika, uma jovem muito bonita de 16 anos que já passou por muitas coisas na vida, perdeu seu pai, sofreu bullying e 2 anos antes esteve à beira da morte. Até que ela desaparece durante uma excursão escolar e a única pista que a polícia encontra é um colar quebrado achado no meio da mata.
Agora, anos depois, vemos a história do seu desaparecimento contada por Sarah, uma jovem jornalista que estudava no mesmo colégio que Kika, e resolveu contar a verdade sobre o caso que chocou Guarulhos. E assim conhecemos os acontecimentos através de recortes de jornal, posts de Facebook, trocas de e-mail, etc.
A trama foi muito bem construída e é cheia de reviravoltas. Durante a investigação vamos elegendo possíveis suspeitos e criando várias teorias para o caso. Com uma trama bem estruturada, cheia de segredos e mentiras, esse livro nos conquistar do início ao fim com capítulos curtos, que vão intercalando entre o presente e o passado em uma narrativa direta, rápida e fluida.
Com um verdadeiro plot twist a obra nos surpreende e Victor Bonini prova mais uma vez que consegue bagunçar com as nossas cabeças e nos confundir. Nem tudo o que parece é verdade. O final teve um desfecho avassalador, foi realmente de tirar o fôlego.





Vozes do Joelma - Marcos DeBrito, Marcus Barcelos, Rodrigo de Oliveira e Victor Bonini


Desde a minha infância eu ouço meus pais contarem sobre o incêndio do edifício Joelma, para eles foi muito impactante ver o prédio em chamas e pessoas se jogando das janelas. Mais velha, a cerca de três anos no enterro do meu avô eu passei pelo túmulo das treze almas no cemitério onde ele fica, que por sinal é bem perto da minha casa. Assim esse assunto acabou sendo familiar a mim e fiquei muito curiosa com a proposta do livro Vozes do Joelma, com contos dos autores Marcos DeBrito, Marcus Barcelos, Rodrigo de Oliveira e Victor Bonini, publicado pela Faro Editorial.

Antes de falar sobre cada conto preciso contextualizar o acidente. O edifício Joelma foi construído em 1971 na região central da cidade de São Paulo. E já em fevereiro de 1974 sofreu um incêndio que deixou 187 mortos e mais de 300 feridos. Este é considerado o terceiro pior incêndio em arranha-céu por vitimas fatais do mundo. Após todo o incidente diversas lendas, boatos e estórias surgiram tanto quanto ao local onde o prédio foi construído, quanto de barulhos e aparições no prédio na atualidade, assim como vozes e aparições na região do túmulo das treze almas. São baseados nesses relatos que os autores se inspiraram para criar seus contos.

O livro apresenta quatro contos com apresentação dos mesmos pelo autor Tiago Toy em uma narração em primeira pessoa com se fosse a morte. Gostei bastante de suas introduções que provocam o leitor sobre sua própria natureza. O primeiro conto é do autor Marcos DeBrito, um dos meus autores nacionais favoritos, sua estória se chama Os Mortos não Perdoam, nela ele relata o crime do poço em uma versão mais assustadora. O crime do Poço foi um crime que ocorreu em 1948, onde um químico matou sua mãe e suas duas irmãs e as escondeu em um poço.

Minha maior expectativa era com o conto deste autor, já que tinha gostado do que tinha lido anteriormente, mas narrado em terceira pessoa seus escritos não me empolgaram. Não trata-se de uma narrativa ruim, mas sim bastante branda e básica. Acostumada com uma escrita mais visceral, sangrenta e criativa de DeBrito, achei o conto sem sal e sem tanta criatividade. Ele pouco ousou além dos fatos reais do crime. E uma curiosidade a residência onde aconteceu o crime é muito próxima ao edifício Joelma, mas não é o mesmo terreno.

Seguimos com Nos Deixem Queimar do autor Rodrigo de Oliveira, que narra em detalhes o momento do incêndio criando uma versão do porque o incêndio se iniciou. Devo dizer que ele conseguiu me enganar bem durante todo a narrativa em terceira pessoa, e não imaginava pela virada final. Assim ele me agradou mesmo me fazendo sentir que estava para ser queimada a qualquer momento com os personagens, já que ele não nos poupa da violência ou realidade que os personagens vivenciam. A protagonista Samara passa por momentos terríveis e vamos ao seu lado até o final!

O meu conto favorito foi o terceiro, Os Treze, que se passa aqui perto no cemitério São Pedro, onde as Treze Almas foram enterradas. A narrativa em primeira pessoa ajuda muito na empatia com a experiência do protagonista, Amilton, que após maus bocados na vida acaba por trabalhar no cemitério e teve experiências sobrenaturais depois que recebeu os treze corpos em seu terreno. Tanto do ponto de vista do personagem que teve uma vida sofrida muito próxima da realidade quanto da trama dos espíritos em si, Marcus Barcelos conseguiu despertar a curiosidade e o suspense onde a jornada terminaria.

O Homem na Escada, do autor Victor Bonini, fecha o livro. Não é baseado em nada da realidade além de se passar no prédio do incêndio, na verdade é uma versão alternativa onde o edifício ao invés de ser reformado, é invadido e vira uma ocupação, onde um espírito estranho parece ser responsável por crimes. Uma das ocupantes vê sua filha sofrer na mão de seu namorado e toma atitudes estranhas.


O Casamento - Victor Bonini

A primeira coisa que chamou muito a minha atenção neste volume, lançamento da Faro Editorial, foi a sinopse, que parecia trazer uma história incrível e cheia de mistérios, e isso me deixou bastante intrigada para poder conhecer um pouco mais sobre a mesma. Por este motivo, assim que tive a oportunidade de ter meu exemplar em mãos, não consegui deixar de ler nem por um segundo, e, agora, venho compartilhar com vocês tudo o que achei sobre essa obra escrita por Victor Bonini, que é um brasileiro muito talentoso que merece ser conhecido por todo mundo.
Em “O Casamento”, conhecemos Plínio e Diana, dois jovens que vão se casar no Hotel-Fazenda Cardeais no município de Joanópolis, onde terão quatro dias de festas. Ambos vivem um relacionamento estranho, já que ninguém diria que eles ficariam juntos. Muito diferentes um do outro, eles se conheceram na faculdade e nenhuma das famílias aprova o relacionamento, mas eles resistiram a tudo e todos e, agora, vão dar esse novo grande passo.
Tudo estava indo muito bem, até que um pouco antes da cerimônia um assassinato acontece deixando todos apavorados devido a tamanha brutalidade, e, por isso, o casamento precisa ser interrompido. E assim a história volta ao passado para nos mostrar um pouco mais dos personagens, e é dessa forma que conhecemos o protagonista do livro, o detetive particular Conrado Bardelli, amigo do pai da noiva, é ele quem ganha destaque em todos acontecimentos. Ele não foi à cerimônia como um simples convidado. Contratado por Ricardo Gurgel, um empresário bem rico, ele foi com a missão de descobrir quem é a pessoa que descobriu algo particular sobre a vida de Ricardo, e por este motivo está chantageando-o, e extorquindo dinheiro do mesmo.
Com o assassinato, vemos que o detetive começa uma investigação paralela a da polícia para tentar descobrir quem foi o assassino, com a informação de que existe um chantagista entre os convidados, coisa que nem a polícia sabe. Então vemos nosso detetive entrar em uma grande teia de assassinatos, mentiras e muito mistério.
A trama foi narrada em terceira pessoa, o que foi bem legal, já que assim conseguimos ter uma visão mais ampla de todos os acontecimentos nos dando um melhor entendimento sobre o enredo. Este volume é dividido em prólogo e mais quatro partes, nas quais vemos os acontecimentos antes, durante e depois da cerimônia. Ao longo da narrativa, vamos conseguindo cada vez mais informações, que nos levam a ficar na dúvida, nos intrigando em todos os momentos e fazendo com que a gente não consiga parar de ler.
Algo que acho válido comentar é que os livros da Faro Editorial sempre ganham um trabalho gráfico excepcional e desta vez não foi diferente. Fico muito contente de ver que uma editora nacional se empenha tanto em produzir exemplares bem feitos, unindo a qualidade de escrita da obra com a parte visual da mesma. A parte de trás da capa traz uma imagem de um buquê de flores com um tom vermelho, passando o clima da trama, cada parte do livro inicia-se com uma folha preta com uma fotografia e o título, há detalhes gráficos em algumas páginas e as folhas são amarelas. Não posso afirmar que tenha amado a capa em si, mas curti os elementos utilizados na mesma, já que têm a ver com o conteúdo, e estão com verniz localizado, e o título ganhou um acabamento vermelho metálico.