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Bruce Dickinson: Uma Autobiografia - Bruce Dickinson


Eu não me lembro se em alguma resenha anterior eu citei que sou headbanger, ou seja, ouço metal em diversas vertentes e sou adepta ao estilo de quem curte esse gênero. Para quem nunca esteve entre nós pode soar como baboseira, mas só quem já foi em um show de metal e esteve entre os fãs sabe quanto é incrível ter pessoas com quem você têm diversas coisas em comum. Nesse sentido foi muito natural escolher ler uma biografia de um dos maiores vocalistas de uma das maiores bandas de metal, o Iron Maiden. E aproveitando que a quarentena tem mexido com minhas ansiedades ler Bruce Dickinson: Uma Biografia, escrito pelo próprio Bruce, e publicado pela editora Intrínseca, foi uma companhia excelente para esquecer um pouco o que está ao redor.

Já li algumas biografias, e em geral elas seguem um padrão de nascimento, estudos, relacionamentos e etc. Aqui Dickinson começou sim pela sua infância, mas o modo como ele conduziu sua própria história não seguiu o que eu esperava. Assim que ele começa a estudar não sabemos mais praticamente nada sobre sua família, seus relacionamentos amorosos e amigos. O foco dele é nas disciplinas que ao longo da vida ele estuda, as oportunidades e trabalhos que ele executa e sua relação com a música. Apenas nas páginas finais que ele aborda o câncer que teve e foi a parte mais pessoal sem dúvida que ele abordou. No posfácio ele explica que escolheu tirar a parte sobre relacionamentos porque o livro seria muito grande e que assim ninguém o leria (acho que ele não sabe do que um bookaholic é capaz!!rs)

Com isso talvez pareça que a biografia fique desinteressante, mas não se engane, mesmo sem o que soaria como fofoca, a história de vida deste homem é muito interessante! Isso porque ele é uma pessoa que se arrisca como ninguém a fazer qualquer coisa que alguém ofereça a ele, e veja bem se com isso parece que ele faz o estilo drogas e rock'n'roll, esqueça porque ele faz bem mais o estilo lobo solitário que bebe quieto lendo seus livros. Então se você procura algo mais voltado para esse mundo louco do rock sugiro que você assista o filme do motley crue, porque as vezes eu até esquecia que quem estava escrevendo era o Bruce do Iron Maiden.

Para fãs do Iron Maiden é um livro obrigatório que apresenta o vocalista como ele é em sua essência. Sem dúvida eu jamais imaginaria, por exemplo, que seu primeiro contato com o rock seria através de shows de rock dentro de seu colégio interno que era um tanto estranho eu diria. E menos ainda que ele havia começado a cantar de forma tão espontânea e nada esperada, isso porque ele queria ser baterista, mas sem uma bateria e na falta de um vocalista ele acabou achando que o padre da sua infância que tinha o alertado de sua boa voz seria a validação necessária para se arriscar.






Reinações de Monteiro Lobato: Uma Biografia - Marisa Lajolo & Lilia Moritz Schwarcz

A maioria dos brasileiros já ouviu falar sobre Monteiro Lobato e/ou uma de suas criações. Isso porque ele é o criador de alguns dos personagens literários mais famosos do Brasil: Emília, Narizinho, Tia Nastácia, Dona Benta, Visconde de Sabugosa, etc. Algumas pessoas leram essas histórias quando crianças, outras acompanharam as adaptações que passaram na TV, e há aquelas que apenas ouviram falar deles. Independente de que grupo você se encaixa, o famoso Sítio do Picapau Amarelo fez muito sucesso sendo parte do lar de milhares de brasileiros.
Agora é nossa vez de conhecer melhor a pessoa por trás das criações. E nessa biografia ilustrada escrita diretamente para o público infantil, temos a chance de saber sobre a vida e os pensamentos do autor narrados por ele mesmo!
Li algumas historinhas quando criança e acompanhei um pouco da adaptação que passava na TV, mas não conhecia muito sobre Lobato ou sua vida, então quis mergulhar nessas páginas para descobrir.
Um ponto que curti muito foi a forma de narrativa das autoras, que construíram o texto como se fosse o próprio Monteiro conversando com as crianças de hoje. Em 1ª pessoa, ele conta sobre a infância, juventude, a época que estudou direito, seu casamento, os filhos, viagens, como escreveu e suas opiniões sobre vários assuntos (ele achava que tinha sempre razão).






Xeque-Mate da Rainha - Elizabeth Fremantle

Sempre gostei de estórias com princesas, reis e rainhas, mas depois da minha viagem para Londres eu virei fã de carteirinha da monarquia inglesa. Ver a monarquia atuante é o tipo de experiência que transforma, e surtiu uma grande conexão comigo. Desde então procuro conhecer a história pregressa dessa família, Xeque-Mate da Rainha, da autora Elizabeth Fremantle, publicado pela Paralela, foi uma chance de conhecer a vida de Katherine Parr a sexta e última esposa do rei Henrique VIII.

Henrique VIII está em busca de uma nova esposa, e Katherine Parr acaba de perder o marido muito doente, após uma visita a corte o rei passa a cortejá-la, e decide que ela será sua nova esposa. Katherine não pode dizer não mesmo quando seu coração já tem outro dono. Cercada por intrigas, traições e disputas de poder, ela terá que ser a rainha e ainda manter sua fé a prova da inquisição.

A primeira coisa que precisa ficar clara ao ter esse livro em mãos é que trata-se de um livro histórico, ou seja, por mais que tenha sido escrito em terceira pessoa em forma de romance, ora através da própria Kat ora através dos olhos de Dot. Os fatos narrados foram retratados em cima de muita pesquisa por parte da autora, ela inclusive lista ao final do livro uma lista bibliográfica de suas fontes de pesquisa. Suas maiores liberdades se deram com apenas dois personagens, Dot a criada pessoal da rainha e seu médico Huicke, já que embora ambos tenham existindo não existem dados aprofundados sobre os mesmos.

A narrativa é bem feita, mas não prende desde o início. Ela desperta sim curiosidade, mas não tem um ritmo rápido e pode demorar a desenrolar para algumas pessoas. Fica claro que o objetivo é fazer um relato histórico, e não romancear o que ocorreu.

Katherine foi uma mulher a frente do seu tempo, isso fica muito claro nas atitudes que têm. Primeiro mesmo depois de rainha ela não trata seus empregados ou qualquer outra pessoa abaixo dela (ou seja, todo mundo menos o rei) com superioridade, ao contrário, gosta de conhecer as pessoas e tratá-las com respeito. E de tão diferente que é de todas as damas ela tem que constantemente controlar suas opiniões e atos para no chamar atenção demais para si. A atenção do rei por ela inclusive foi despertada pela capacidade dela de ser autêntica e honesta.

Henrique VIII foi um homem de personalidade extremamente forte, demonstrando especialmente a todos seu lado genioso e agressivo, que faz o que quer e quando quer, não importando o que isso signifique para seu povo ou os que o cercam. Prova disso é que quando não estava satisfeito com seus casamentos ele dava um jeito de terminar com suas esposas seja com divórcio- que gerou sua separação da igreja católica romana- seja as enforcando ou cortando suas cabeças por supostas traições (não fica claro no livro se de fato foram verdade as traições). Um lado muito pequeno e breve de sua personalidade era interessado em agradar a esposa dando-lhe presentes diários, depois de noites de sexo agressivo.

Dot, a criada da rainha está com ela desde o casamento anterior de Kat. E Katherine a vê como uma filha, já que não consegue engravidar dos maridos. Dot embora venha de uma origem bastante humilde e não saiba nem ler e escrever, é muito esperta, gentil e prestativa, e viver tão próxima da realeza a fez aprender como agir, e descobrir as intrigas comentadas por todos, já que ninguém a via como uma pessoa, era como se não estivesse nos ambientes, e logo a mocinha acaba sabendo de tudo.

Existem diversos personagens secundários, como Meg, a enteada de Kat, garota gentil e tímida que sentiu demais a morte do pai, a ponto de nunca se recuperar; Will Parr irmão de Katherine, tem como objetivo galgar degraus para colocar sua família em lugares de destaque;  Anne Parr, irmã mais nova da rainha, já casada é uma das damas de companhia da irmã, e uma das poucas pessoas que pode contar.

Um traço forte e muito marcante na narrativa é a questão religiosa, por conta do rompimento do rei com a igreja romana a Inglaterra estava migrando para o protestantismo, mas indeciso quanto sua decisão o rei volta atrás e não rompe seus laços de vez com a igreja que tem dois representantes muito próximos de Henrique a influenciá-lo. Para não perder poder a igreja faz uma caça as bruxas de todos que estão de acordo com as ideias dessa nova fé, sem missas em latim ou itens como incenso e velas nas missas, um a um eles criam maneiras de pegar essas pessoas. O problema é que a rainha é uma delas, e todo momento ela tenta manobras para não ser descoberta.


Contatos com o Anjo da Guarda - Penny Mclean


Eu tenho diversos livros sobre anjos me esperando na estante, comprei diversos deles no sebo bem em conta, e sempre olho e penso 'logo leio'. Esse ano estou disposta a ler mais desses velhos na estante, comecei com Contatos com o Anjo da Guarda, da autora Penny Mclean, publicado pela editora Pensamento.

A primeira coisa que precisa ser dita sobre este volume é que ele é bem pequeno, tanto em seu tamanho que é quase de um livro de bolso, quanto sua quantidade de páginas, apenas 120. E ao contrário do que parece ele é muito mais uma biografia do que um livro sobre anjos, isso porque boa parte do livro, até a página 59, trata-se apenas da vida de Penny e algumas situações em que Anjos atuaram em sua vida. As demais páginas continuam tendo alguns relatos, mas a autora já se demora com dicas para o contato.

A segunda coisa importante a dizer é que embora a autora use o termo anjo, é bem evidente que o conceito mais acertado e mais próximo aos espíritos que ela narra é mentor. Talvez alguns acreditem que ambos sejam a mesma coisa, mas um mentor pessoal é muito mais próximo e informal, do que um anjo. Inclusive alguns dos espíritos que se comunicam com ela são de mortos.

Durante as situações que ocorreram com a autora ela foca muito sua narrativa no fato de ela ser cantora, ter tido sucessos em primeiro lugar, inclusive fui ver qual estilo de música que ela fez, e ela fez sucesso com disco music na década de 70. E senti muito ego envolvido na narrativa, que parecia querer mostrar sobre si mesma, e não informar pessoas sobre anjos. Isso me incomodou um pouco.

Por fim para pessoas que estão tendo o primeiro contato com o tema o livro não é didático, e pouco explana sobre estes espíritos. É muito mais um livro de relato com algumas dicas técnicas, do que um passo a passo. Mclean chega a falar sobre chakras superficialmente e sobre visualização criativa, mas se este livro for o primeiro contato com o tema, mas atrapalha do que ajuda.



Ed & Lorraine Warren: Demonologistas – Arquivos Sobrenaturais - Gerald Brittle


Foram muitos meses desejando comprar Ed & Lorraine Warren: Demonologistas – Arquivos Sobrenaturais, do autor Gerald Brittle, publicado pela Darkside Books, infelizmente ainda não consegui minha cópia física, mas consegui uma cópia para o kindle para matar minha curiosidade. Ainda quero ele na minha estante, porque ter ele virtual é como não ter, embora o espaço para novos livros aqui seja inexistente rs!

Brittle tem como objetivo em seu livro narrar a estória de vida do casal Warren ao mesmo tempo em que explora o universo de casas mal-assombradas e a rotina de um demonologista em casos variados. Assim utiliza uma linha do tempo quanto a história de vida dos Warren, e a cada capítulo vai prosseguindo com as explicações quanto ao trabalho dos mesmos, desde casos de casas habitadas por espíritos sem índole ruim, passando por espíritos travessos até casos de entidades não humanas que causaram grandes estragos.

Existem diversos pontos interessantes que merecem destaque no livro, o primeiro deles é que ao invés do autor dizer o que o casal pensa ou viveu, ele dá início a narrativa e trás em primeira pessoa através de diálogos originais do casal o que viveram ou como é a teoria da disciplina. Depois ele cria uma linha evolutiva dos casos que possibilita a assimilação das informações aos poucos, entretanto em dado momento depois que o enfoque se fecha apenas em entidades demoníacas a repetição das informações é frequente, e isso acaba cansativo, e impede que a leitura flua bem.

Em terceiro, é o que mais gostei no livro por sinal, é a maneira trabalhada pelos Warren para explicarem todo o processo, embora eles sejam católicos, e inclusive o livro tem um prefácio de um religioso, eles tem uma narrativa muito direta, sem misticismo ou religiosidade, ou seja, nada de Deus e Jesus para todo lado, ou ainda discurso espírita, ao contrário, tudo soa até científico e prático. As vezes o excesso de misticismo brasileiro me cansa porque perde a objetividade além de criar rixas, e ler algo que fuja mas mesmo assim trabalhe a verdade é interessante!

Ao fim é possível tirar a seguinte conclusão que por mais que estas entidades e espíritos não estejam agindo de maneira ética, no fim são as pessoas que abrem suas portas a eles, sejam através de rituais, sejam através de suas atitudes não éticas também. Nada acontece sem permissão, mas infelizmente nem sempre essa permissão é consciente, então a vigia deve ser constante!

Li algumas resenhas no skoob que dizem que os casos não são verdadeiros, e não posso afirmar se são ou não, afinal não os conheço, mas posso dizer que quase nada soou absurdo, já que já li e ouvi relatos suficientes para embasar os fatos ocorridos. Fatos estes que são fortes e pesados, e podem impressionar aos não acostumados as trevas e suas maneiras de agir.

Eu particularmente gostaria que o livro se demorasse mais na parte de fantasmas, já que são poucos os livros do tema, com o enfoque da dupla, mas isso não se deu justamente porque Ed foi um dos poucos demonologistas que existiram. Não é um trabalho para qualquer um, requer dedicação e disponibilidade total, a ponto de largar a família para atender aos necessitados, e até muitas vezes colocar sua vida em risco.



Confissões do Crematório - Caitlin Doughty

Desde o primeiro instante que eu vi Confissões do Crematório, da autora Caitlin Doughty, publicado pela editora Darkside, eu o quis! A sinopse me interessou muito, porque seja através da Psicologia, seja através dos meus estudos espiritualistas, a morte é um tema recorrente e que desperta em mim um interesse que pode até soar macabro rs, mas é honesto!

Após terminar a faculdade de história com especialização em História Medieval, Caitlin desejava trabalhar com a morte, e com apenas 23 anos ela conseguiu um emprego em um crematório na Califórnia. O trabalho não se mostrou exatamente como ela esperava, barbear um morto ou fazer maquiagens são apenas alguns dos trabalhos que esta jovem teve que fazer para que estes depois fossem incinerados. Morto após morto, e história após história Doughty mudou sua visão sobre a morte e sobre a indústria da morte nos EUA. Um novo sonho nascia, espalhar entre as pessoas novos conceitos e uma relação mais saudável sobre a morte.

Doughty narra suas histórias em primeira pessoa com seu humor nada convencional, envolvendo a cada página quem lê com suas situações vividas durante este um ano como operadora de fornos do crematório. O primeiro ponto interessante é que ela é capaz de apontar com muita nitidez e maturidade o que a fez ir atrás deste trabalho e porque de sua fascinação pela morte. Não trata-se de uma mulher gótica, ou que flerte com o tema de modo fantasioso, ela simplesmente queria ver a morte como ela é na realidade, já que desde muito pequena ela percebeu que a mesma era escondida dos vivos. Assim ao mesmo tempo que diversos casos são contados, ela os intercala com relatos de sua própria história, como sua infância e faculdade.

O segundo ponto que faz deste livro algo mais valioso que um livro de memórias são os diversos fatos históricos, mitológicos e filosóficos que a autora trás, citando diversos autores, costumes e acontecimentos ao longo de nossa história. Alguns deste inclusive são familiares a mim através da leitura do livro de Elisabeth Kübler-Ross, Sobre a Morte e o Morrer (que eu indico!). Estes dados são evocados especialmente para defender o quanto nossa sociedade tem uma relação doente com a morte, o que antes era visto como natural e esperado, hoje é tido como sujo, errado e é escondido.

Antes os mortos eram velados em suas casas, preparados pelos integrantes de suas famílias, e as crianças eram desde cedo acostumadas a frequentar velórios e encarar a morte como algo que vai ocorrer a todos. Não eram embalsamados, não eram modificados, e tudo transcorria como a natureza mandava. Depois da guerra da sucessão americana e a quantidade expressiva de mortes o embalsamamento foi criado, e aos poucos influenciando a mudança destes costumes.  Claro a autora foca nos atuais costumes nos Estados Unidos, e em cada país esta relação se dá de formas diferentes.

No Japão, por exemplo, a queima do corpo é acompanhada pela família, e são eles mesmos que depois separam as cinzas e ossos após a cremação. Enquanto no ocidente o costume é raro, as cremações assistidas são poucas (na verdade me pergunto se existe isso aqui no Brasil).

A crítica que Caitlin trás é muito válida e interessante, e precisa ser colocada a todos, afinal todos morreremos, e todos algum dia perderão alguém. E a questão é como agiremos, faremos da morte um circo que o morto se tivesse vivo iria abominar? Cremar, enterrar? Afinal a morte é surpresa para alguém que está vivo e tem apenas esta como a única certeza de sua vida?

Hoje Doughty tem um canal no youtube Ask a Mortician onde continua estas questões sobre a morte e seus desdobramentos sob diversos aspectos. Ela também gerencia uma agência funerária sem fins lucrativos, além de fundar a organização The Order of the Good Death, que defende o enterro natural e abraça a mortalidade humana. From Here to Eternity é seu segundo livro publicado que pretende ser uma jornada de imersão global para compreender como outras culturas cuidam de seus mortos.


Leonardo da Vinci - Walter Isaacson


Eu sempre gostei muito das obras desse artista tão completo que foi Leonardo da Vinci. Lembro que já cheguei a estudar a respeito dele na escola e fiquei maravilhada com os seus trabalhos, porém o meu aprofundamento sobre ele não foi tão grande. Quando vi este volume, fiquei encantada com o que o mesmo poderia me proporcionar. Saber um pouco mais sobre esse gênio criativo e sua história de vida, contada por ninguém menos que Walter Isaacson (biógrafo de algumas das mentes mais inovadoras e influentes de nossa história, como Einstein e Steve Jobs), me fez ter ainda mais vontade de ler esse livro. Por este motivo, assim que foi possível, comecei esta leitura e agora venho compartilhar com vocês tudo o que achei sobre esse volume.
Nessa biografia, conhecemos um pouco mais sobre Da Vinci através dos cadernos deixados por ele. Com muitas anotações, ilustrações e pesquisas, vemos como esse gênio trabalhava e como a sua curiosidade o fez ser um artista à frente do seu tempo. Ele era um questionador, alguém que investigava de modo científico e explorava todos os seus interesses minuciosamente.

Ele era inovador e movido por conhecimento, e nesse volume vemos que Walter tenta, em sua narrativa, explorar um pouco mais do lado humano dele, aprofundando-se em seus pensamentos, reconhecendo as suas conquistas e também os seus fracassos. Conhecemos um pouco mais desse gênio, não apenas como artista, mas como homem. Aquele que queria ser reconhecido como engenheiro militar e que elaborou estudos inovadores nas mais diversas áreas.

Conhecemos um pouco de suas desavenças com Michelangelo, já que ambos tinham uma certa rivalidade, e acompanhamos os seus relacionamentos conturbados, problemas familiares e suas grandes dificuldades durante a sua carreira, e o fato de ele ser filho ilegítimo, homossexual assumido, vegetariano, canhoto e distraído. Acompanhamos tudo de uma forma clara e gostei bastante de como o autor conseguiu nos mostrar detalhes, apresentando também o contexto da época, nos introduzindo em uma explicação e quase nos transportando para o passado para nos dar um melhor entendimento. Aprendemos sobre como funcionavam os ateliês, sobre o contexto político e cultural da época, e mergulhamos em um aprendizado incrível e envolvente sobre o grande gênio que foi Da Vinci.





Superman - Uma Biografia não Autorizada - Glen Weldon

Desde muito pequena, eu já havia escutado falar em Superman e cresci ouvido as suas histórias e vendo desenhos onde ele participava. Acho que a maioria das pessoas também já deve ter escutado desde criança aquelas famosas frases: “É um pássaro? É um avião? Não, é o Superman!”, que demostra bastante sobre esse famoso super-herói. Agora cresci e cada vez mais me interesso por quadrinhos e seus personagens, por este motivo, quando vi essa biografia não autorizada, fiquei morrendo de vontade de ler. E venho compartilhar com vocês tudo que achei deste volume.
Neste exemplar, conhecemos a história do homem de aço de forma muito bem organizada e cronológica, para que a gente conheça mais sobre ele desde a sua primeira aparição, em 1938, até os dias de hoje, quase oitenta anos depois. Vemos relatos sobre ele em diversos tipos de mídia (jornal, revista, TV, cinema, etc.) e acompanhamos as histórias em que o personagem aparece, nos mostrando toda a mudança que aconteceu com ele durante o tempo, e olha que tiveram várias. No início, por exemplo, ele gostava de uma briga e era bem impaciente, nada parecido com o Clark da atualidade.
O livro é muito interessante para quem realmente gosta desse super-herói, já que descobrimos e desvendamos curiosidades que até mesmo não sabíamos que tínhamos (ou pelo menos eu não sabia), como o que ele faz com a sua capa quando deixa de ser o Superman para virar o Clark Kent? Ou quando ele começou a trocar de roupa nas cabines telefônicas? Essas e outras perguntas são respondidas durante a leitura, além de informações bem importantes como cada fato marcante em sua história e sobre as pessoas ao seu redor que foram bem participativas na vida desse herói, como Lois Lane, Jimmy Olsen, Perry White (seu chefe) e Lex Luthor (seu arqui-inimigo).
A narrativa feita por Glen Weldon, crítico de quadrinhos e de cinema, é leve e interessante, e analisa esse fenômeno cultural reconstruindo a sua trajetória desde a sua primeira aparição até chegar a Superman: The Man of Steel, longa de 2013. Com muito humor, aprendemos muito sobre esse herói que colocava a cueca em cima das calças até as suas novas vestimentas, passando por todas as suas modificações desde que ele foi criado.
(Essa imagem acima é a capa da revista número 01 da Action Comics, onde aparecia pela primeira vez o Superman.)


Só Garotos - Patti Smith

Há quase um ano atrás eu conhecia Patti Smith, e me apaixonaria por sua personalidade peculiar por motivos que a maioria que gostam dela talvez não se atenham, mas o fato é que eu adoro o modo como ela escreve e consegue falar a cerca de si mesma, fato que conheci através do seu livro mais recente Linha M, mas depois desta leitura descobri que seu livro mais conhecido é Só Garotos, publicado por aqui pela Companhia das Letras.

Neste livro Smith se propõe a contar sua história com Robert Mapplethorpe, fotógrafo e artista que ela conheceu da maneira mais inesperada quando ela resolve tentar a vida em New York deixando em New Jersey sua faculdade e família. Ao chegar na cidade ela procura por amigos, e ao chegar ao apartamento de um deles descobre que este se mudou, mas um jovem a leva em seu atual endereço.

Mais tarde este mesmo jovem a salva de uma situação arriscada, e depois disso foram mais de vinte anos de amor e amizade entre Patti e Robert. E quando falo em amor é daqueles verdadeiros e inspiradores! Com apenas vinte anos ela era muito aberta as possibilidades que a vida lhe davam, mas foi Robert quem a inspirou a ser ela mesma sempre, foi ele quem cultivou nelas as sementes que mais tarde renderiam árvores. E foi ela quem deu apoio condicional a ele para que sua obra prima nascesse. Arrisco dizer que nenhum dos dois seria o mesmo, e seria quem foi sem o outro!

O final dos anos 60 e começo dos anos 70 é o pano de fundo destas narrativas em primeira pessoa, e digo nunca mais aquela loucura vai ser vista como foi! Um hotel que hospedasse tantos indivíduos criativos e problemáticos como foi o hotel Chelsea, local onde o casal morou por um período. Jimi Hendrix e Janis Joplin foram alguns dos que surgiram nestas memórias. mas muitos outros músicos, poetas, artistas e etc são citados e personagens das situações narradas.

De aspirante a artista através de desenhos, passando por seu crescimento poético até chegar a cantora tudo está escrito nestas páginas. E não foram tempos fáceis, já que até dormir na rua e passar fome Smith foi capaz para alcançar seus sonhos, e tudo com resiliência de que dias melhorem viriam desde que Robert estivesse com ela. E isso durou mesmo quando eles não eram mais um casal. A ligação que eles tinham era muito estável e era como uma âncora que permitia que eles dessem mergulhos fundos sem medo.

Nesta época de sua história podemos conhecer alguns de seus primeiros contatos com o que seriam algumas de suas maiores características, como o café, a polaroid e os túmulos. E também com a incrível capacidade desta mulher de ser ela mesma, mesmo que as vezes fosse encarada como mais parecida com um homem do que uma mulher, ou que fizesse combinações de roupa suspeitas. Ela sempre bancou suas escolhas, sejam elas de vida ou atitude, e de tão autêntica e espontânea, sempre despertou carinho em que a conheceu.



Somos Guerreiras - Glennon Melton

De vez em quando eu me coloco como meta leituras profissionais, com isso não quero dizer livros que leio de editoras ou que tenham a ver com literatura, com isso me refiro a livros de acordo com minha formação em Psicologia, que embora eu não atue está em constante movimento na minha mente. Me coloco nessa 'obrigação' para aumentar meu repertório e experiência não prática. No evento da editora Intrínseca o livro Somos Guerreiras, da autora Glennon Melton foi um convite a este tipo de leitura, já que aqui não temos um livro de ficção, mas sim um livro biográfico.

Neste volume acompanhamos o desenvolvimento e transformação de Glennon que narra em primeira pessoa sua vida desde a infância até o momento atual em todos seus detalhes do ponto de vista psicológico especialmente. Isso porque desde os dez anos ela desenvolveu um quadro de bulimia, e posteriormente na fase da faculdade ela torna-se alcoólatra.

O primeiro ponto importante de se destacar é a relação de Melton com seu corpo, ela se vê como alguém grande, fora dos padrões aceitos e esperados. Assim depois de ver na tv alguém vomitando ela tem a ideia de comer compulsivamente e depois vomitar, para assim se transformar no ser humano leve e gracioso que ela acredita que deve ser. Entretanto a relação que ela estabelece com o próprio corpo não é saudável, não só porque ela vomita, mas porque ela cria uma ruptura entre sua mente e o mesmo, que ela só vai se dar conta na fase adulta depois de ter seus três filhos.

"Assim a bulimia se torna um lugar para qual sempre volto quando quero ficar sozinha, submersa, não sentir tanto, sentir tudo, em segurança. A bulimia é um mundo que criei para mim mesma, já que não sei como me encaixar no mundo real. A bulimia é meu esconderijo seguro e mortal, onde a única pessoa que pode me machucar sou eu mesma. Onde estou distante e confortável. Onde a minha fome pode ser tão grande quanto é, e posso ficar tão pequena quanto preciso ser" (Pg. 26)

O segundo ponto é que com essa cisão entre corpo e mente sua relação com o sexo e amor acaba também doente. Ela faz sexo de forma ausente e distante, e mais que isso não suporta o ato. Ela sequer compreende como as pessoas gostam tanto. Para enfrentar esta questão e  sua bulimia, além de se integrar aos grupos sociais ela começa a beber muito na sua faculdade, chegando ao ponto de ter brancos de boa parte de seus dias, por muitos dias seguidos, tornando-se alcoólatra.

Quando ela conhece o marido Craig e já está formada na faculdade ela mantêm seu padrão com as bebidas. Isso só muda quando ela acidentalmente engravida e resolve se casar. E é a partir daí que um casamento forjado em ar se estabelece. Duas pessoas com sério comprometimento sentimental se juntam, e claro anos mais tarde acabam por se separar, já que fica claro para ambos que eles não podem se amar, porque nenhum deles sabe quem é, logo não se conhecem.


Coragem para Sonhar – 1D


Essa é a biografia oficial de uma das bandas mais famosas e queridas pelos jovens hoje em dia, One Direction. Quem nunca ouviu uma das músicas cantadas pelos garotos Zayn Malik, Liam Payne, Harry Styles, Louis Tomlinson e Niall Horan? As músicas chegaram ao topo de diversas paradas e a banda ganhou diversos prêmios!
Nessa biografia podemos conhecer um pouco mais sobre a vida dos meninos, já que eles nos contam sobre suas infâncias, os sentimentos e sensações que chegaram com a fama, entre outras curiosidades. O livro é dividido em partes e cada uma é narrada por um deles, em ordem alfabética.
Entre todas as curiosidades, descobrimos que o Harry adorava andar pelado ou de fio dental em casa, pois ele acha que tirar a roupa é bem libertador e ele se sente mais confiante assim, o Liam prefere ter namoradas do que ficantes, e uma vez ele gostava tanto de uma menina que a chamou para sair 22 vezes antes de cantar para ela, que finalmente aceitou, mas deu um fora nele no dia seguinte, o Louis fez seus primeiros testes e conseguiu o papel principal do musical Nos Tempos de Brilhantina ainda no Ensino Médio e se sente orgulhoso disso até hoje, quando Niall tinha uns 12 anos, raspou um V na parte de trás da cabeça e deixou o cabelo comprido dos lados, hoje ele admite que estava horroroso e gostaria de ver os penteados embaraçosos de outras pessoas também, já Zayn confessou que era muito baixinho até seus 16 anos, era menor do que várias meninas do colégio e, de repente, durante as férias de verão ele cresceu demais, como se tivesse ido dormir um dia e acordado alto no dia seguinte. Vocês podem encontrar todas essas informações e muito mais sobre os meninos ao decorrer das páginas.


E sabe o que é melhor? O livro é recheado de fotos dos garotos em diversas fases de suas vidas para ilustrar tudo o que eles nos contam. Deixei algumas imagens espalhadas pelo post para vocês conferirem. Quem é fã dessa super banda não pode deixar de ler de jeito nenhum.


Sobre a parte gráfica, a Editora Prumo está de Parabéns, as páginas são em papel couché e parecem folhas de revista, só que mais grossas, e a lombada é linda e fica incrível na estante.
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