Eu não me lembro se em alguma
resenha anterior eu citei que sou headbanger, ou seja, ouço metal em diversas
vertentes e sou adepta ao estilo de quem curte esse gênero. Para quem nunca
esteve entre nós pode soar como baboseira, mas só quem já foi em um show de
metal e esteve entre os fãs sabe quanto é incrível ter pessoas com quem você têm
diversas coisas em comum. Nesse sentido foi muito natural escolher ler uma
biografia de um dos maiores vocalistas de uma das maiores bandas de metal, o
Iron Maiden. E aproveitando que a quarentena tem mexido com minhas ansiedades
ler Bruce Dickinson: Uma Biografia, escrito pelo próprio Bruce, e publicado
pela editora Intrínseca, foi uma companhia excelente para esquecer um pouco o
que está ao redor.
Já li algumas biografias, e em
geral elas seguem um padrão de nascimento, estudos, relacionamentos e etc. Aqui
Dickinson começou sim pela sua infância, mas o modo como ele conduziu sua
própria história não seguiu o que eu esperava. Assim que ele começa a estudar
não sabemos mais praticamente nada sobre sua família, seus relacionamentos
amorosos e amigos. O foco dele é nas disciplinas que ao longo da vida ele
estuda, as oportunidades e trabalhos que ele executa e sua relação com a
música. Apenas nas páginas finais que ele aborda o câncer que teve e foi a
parte mais pessoal sem dúvida que ele abordou. No posfácio ele explica que
escolheu tirar a parte sobre relacionamentos porque o livro seria muito grande
e que assim ninguém o leria (acho que ele não sabe do que um bookaholic é
capaz!!rs)
Com isso talvez pareça que a
biografia fique desinteressante, mas não se engane, mesmo sem o que soaria como
fofoca, a história de vida deste homem é muito interessante! Isso porque ele é
uma pessoa que se arrisca como ninguém a fazer qualquer coisa que alguém
ofereça a ele, e veja bem se com isso parece que ele faz o estilo drogas e
rock'n'roll, esqueça porque ele faz bem mais o estilo lobo solitário que bebe
quieto lendo seus livros. Então se você procura algo mais voltado para esse
mundo louco do rock sugiro que você assista o filme do motley crue, porque as
vezes eu até esquecia que quem estava escrevendo era o Bruce do Iron Maiden.
Para fãs do Iron Maiden é um
livro obrigatório que apresenta o vocalista como ele é em sua essência. Sem
dúvida eu jamais imaginaria, por exemplo, que seu primeiro contato com o rock
seria através de shows de rock dentro de seu colégio interno que era um tanto
estranho eu diria. E menos ainda que ele havia começado a cantar de forma tão espontânea
e nada esperada, isso porque ele queria ser baterista, mas sem uma bateria e na
falta de um vocalista ele acabou achando que o padre da sua infância que tinha
o alertado de sua boa voz seria a validação necessária para se arriscar.



































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