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Os Manuscritos Perdidos de Charlotte Brontë


Quando soube da existência desse livro, pensei que só traria histórias ficcionais de Charlotte Brontë que estavam perdidas (não li a sinopse 🙈). Mas estava equivocada. Na verdade, esses trabalhos inéditos são bem curtos (2 páginas de prosa + 1 de um fragmento poético). Então esse título traz 5 textos de especialistas dos Brontë, mulheres notáveis em suas áreas de atuação, analisando os manuscritos encontrados, o exemplar de Kirke White onde eles estavam, e o que este deve ter representado para a família.
Tudo começou em 1810 quando Maria Branwell, que viria a ser mãe dos Brontë, obteve o livro The Remains of Henry Kirke White. Quando ia se casar com Patrick, pediu que enviassem seus pertences para seu novo lar. Porém, a embarcação encalhou e a maior parte das suas coisas foi perdida. Entre os resgatados estavam os 2 volumes dessa obra. Quando ela faleceu, ainda jovem (todos os seus filhos ainda eram crianças – 2 morreram pouco depois), o exemplar foi guardado e apreciado pela família como uma forma de manter sua memória. Todos leram, fizeram anotações nas margens, desenharam, comentaram, etc., transformando-se uma relíquia com diversos tesouros escondidos em suas páginas.
Depois da morte de todos, o livro foi leiloado e teve vários donos até finalmente ser comprado pela Brontë Society em 2015. Em algum momento, os manuscritos de Charlotte foram colocados ali dentro e agora puderam ser analisados.



As especialistas que estudaram o material trazem suas visões únicas, usando como base outros materiais e textos relacionados aos Brontë. Então temos uma gama de informações com fundamento. Foi realmente fascinante ler esses estudos e entender um pouco mais sobre essa espetacular família.
As narrativas apresentam um tom biográfico e me remeteram a um documentário em muitos momentos. Eu quase podia ouvir a voz do narrador. O 1º texto teve como foco a obra que pertenceu aos Brontë e fala um pouco sobre a família. O 2º analisa o que esse livro pode ter significado para eles.
No 3º e no 4ª, meus preferidos, as autoras fazem interpretações sobre os manuscritos encontrados e suas ligações com as obras da juvenília de Charlotte, seus personagens fictícios e as ligações entre mundos imaginário e real, e fala sobre suas características pessoais e visão. Para finalizar, o 5º traz uma análise e possíveis inspirações de Emily para a construção de O Morro dos Ventos Uivantes com base num poema de Kirke White. Os fãs devem ficar entusiasmados pelos paralelos traçados.






Jane Eyre - Charlotte Brontë


Jane Eyre vive uma vida intensa. Desde pequena, passou por diversos sofrimentos, momentos tristes e repreensões, mas sempre se manteve fiel a seus princípios, sendo firme e independente e tentando dar o máximo de si em tudo o que faz. Sem saber o que é amar e ser amada por ninguém além de si mesma, ela sabe seu valor e vai em busca do que acredita ser o melhor. Porém continua enfrentando tempestades e pessoas desnecessárias.
Quando finalmente entende o que é amar alguém e ser amada de volta, o destino lhe proporciona uma descoberta que acaba mexendo com toda a sua vida e fazendo com que ela tenha que se adaptar ao novo mais uma vez. Sem deixar de lado sua força e perseverança, ela recomeça para enfrentar o que estiver pela frente, amadurecendo a cada etapa e encontrando mais força dentro de si para continuar sua jornada. E, no meio do caminho, Jane se aproxima de mais pessoas, evolui como ser humano, aprende mais e decide ir em busca de seu final feliz.
Eu já conhecia a história de Jane Eyre porque há alguns anos assisti à adaptação cinematográfica homônima estrelada por Mia Wasikowska e Michael Fassbender. Na época, gostei bastante do filme, mas não estava preparada ainda para ler o livro, porque achei que tinha um tom mais melancólico e não era o que eu precisava/apreciava naquele momento numa leitura. Porém, alguns poucos anos se passaram desde então e hoje eu me sinto mais preparada para ler obras com esse teor melancólico e também estou mais acostumada a ler Clássicos, então simplesmente fiquei apaixonada pela leitura, que entrou para uma das minhas favoritas da vida. E é assim que podemos concluir que é sempre melhor encontrar o seu tempo certo de ler determinado livro. O que poderia não funcionar em um momento de sua vida pode se encaixar perfeitamente em outro e te entregar uma experiência maravilhosa.

Se tem algo que eu absolutamente adoro são mulheres fortes, então livros protagonizados por elas me enchem de felicidade e orgulho. E posso afirmar que Jane Eyre, definitivamente é uma das protagonistas femininas mais fortes que já conheci em minha vida de leitora. Foi realmente muito admirável vê-la lutando para ser ela mesma, independentemente do que os outros faziam, falavam ou como gostariam que ela agisse. E se tivesse que enfrentar o que fosse para continuar com seus princípios e seu caráter, fazia sem nem pensar duas vezes.
Talvez por conta de sua idade (ela tinha apenas 18 anos) e vivência até aquele momento, já que não conhecia muito do mundo ou das pessoas, afinal viveu numa casa ruim com gente desagradável e nociva por toda a sua infância, depois viveu quase trancada num local convivendo apenas com mulheres (salvo uma ou outra visita de homens ao local, mas com quem não tinha muito contato direto), Jane Eyre é bastante ingênua e também submissa em determinados momentos. É claro que o leitor que conhece sua personalidade forte, determinada e sincera espera que ela só entregue comportamentos condizentes e mais rebeldes, sem abaixar a cabeça para qualquer situação. Mas eu entendi a personagem, ainda que tenha querido que ela fosse menos submissa algumas vezes.
Porém, é bem difícil sermos exatamente quem queremos ser hoje em dia (isso vale para ambos os sexos, apesar de ainda ser mais difícil para as mulheres) e isso porque vivemos num século mais avançado e mais liberal do que o que ela viveu, então consegui enxergá-la como quem realmente era: uma garota bem jovem, que ainda não conhecia muito da vida, que não tinha dinheiro, família, pessoas queridas por perto, amigos, que não tinha para onde ir, nem muito o que fazer de sua vida, já que a sociedade restringia muito as mulheres e suas “permissões”, e pela primeira vez em sua existência estava se sentindo bem. E ainda é dona de uma personalidade bondosa que só quer fazer o bem ao próximo e sempre ajudar no que puder.

Ela curtia aquele novo ambiente, gostava das pessoas que estavam por perto, de seu trabalho e de Adèle, de ter um teto para morar, comida para comer, fogo para se esquentar, indivíduos com quem pudesse conversar e também alguém que fazia seu coração ficar mais quente. E isso se repetiu novamente depois, quando ela foi para outro lar e gostava muito da convivência com aquelas pessoas, com quem logo construiu amizades genuínas. E Jane não queria estragar essas coisas, então acabava abaixando a cabeça em determinados momentos, mas sem nunca perder sua essência, seu discurso afiado ou sua personalidade adorável, sincera e autêntica, falando o que pensava, sem se importar com as consequências, desde criança. E foi por isso que amei a personagem.
Devo dizer que Sr. Rochester é um personagem de quem gosto bastante, ainda que não aprove ou concorde com todas as suas atitudes. Pelo contrário, inclusive detestei algumas de suas falas e modo como tratava Jane. No entanto, olhando pelo ponto de vista dele e não do de Jane (ou de uma mulher ou de alguém do século XXI), pude entender que como um homem daquela época, como foi criado e como via outras pessoas, além do que era esperado dele, parecia que Rochester simplesmente não entendia e/ou não gostaria de aceitar seus sentimentos por Jane Eyre, provavelmente por conta de sua própria condição de um homem de posses, rico e respeitável, mas, mais do que isso, porque ele era bem mais velho e também por tudo o que passou em sua vida. E pareceu que ele achava difícil de acreditar que ela pudesse nutrir por ele uma reciprocidade de sentimentos, já que não o achava bonito e era muito mais nova.