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O Caderninho de Desafios de Dash e Lily - Dash & Lily #01 - David Levithan e Rachel Cohn

Pela primeira vez, Lily vai passar sua época e feriado favoritos do ano praticamente sozinha, já que seus pais foram viajar para uma lua de mel tardia, seu avô foi visitar a namorada em outro estado, e seu irmão está bem distante da menina, ainda que esteja ali em Nova York, visto que está vivendo um sonho com seu novo namorado e nem tem tempo para ela.
Para afastá-la da amargura e buscar alguém por quem Lily possa se apaixonar, Langston (o irmão) decide ajudá-la a escrever algumas pistas em um caderninho Moleskine vermelho e deixá-lo na Strand, uma caótica livraria de Manhattan, e quem o achar deve decidir se vai aceitar ou não o desafio.
Dash não gosta nada do Natal e consegue bolar um plano para passar a data sozinho e rodeado de paz, sem que outras pessoas notem. Mas parece que um certo objeto vai mudar tudo. Em uma de suas visitas à Strand, acaba se deparando com o Moleskine próximo aos livros de um de seus autores preferidos, e decide abri-lo para saber do que se trata. Intrigado com as propostas do caderninho, decide ir em frente e desvendar as pistas.
Em meio a trocas de enigmas e respostas, Dash e Lily começam a conversar sobre a vida, seus sonhos, desejos e sentimentos mais profundos, sem nunca se verem, só deixando o objeto em locais inusitados e diferentes. Até que percebem que aquelas palavras podem vir a ser mais do que marcas de tinta no papel. Mas talvez aquilo só exista na imaginação deles e a realidade não seja nada do esperado. Ou talvez eles possam se surpreender com o resultado.
Já conhecia este livro há alguns anos, e a primeira vez que vi a capa, a achei fofa e fui pesquisar a sinopse. Claro que fiquei interessada, mas acabei não lendo porque não tinha sido publicado por aqui, então imagina a minha alegria quando a Galera Record anunciou que traria este ano para o Brasil? Assim que pude, comecei a lê-lo e realmente adorei!
 “– Você acha que contos de fadas são coisa de menina? Uma dica: pergunte a si mesmo quem os escreveu. Garanto que não foram só mulheres. É a grande fantasia masculina: só é preciso uma dança para saber que é ela. Só é preciso o som da música dela vindo da torre, ou uma olhada em seu rosto adormecido. E na mesma hora você sabe: é a garota da sua cabeça, dormindo ou dançando ou cantando à sua frente. Sim, garotas querem príncipes, mas garotos também querem princesas. E não querem uma paquera muito longa. Querem saber imediatamente.”


Outro Dia – Todo Dia #02 – David Levithan

Eu havia lido “Todo Dia”, deste mesmo autor, e me apaixonado pelo seu enredo, ficando bem triste quando acabou. Assim que vi que a Galera Record iria lançar “Outro Dia”, que conta a mesma história só que com o ponto de vista de Rhiannon, fiquei contando os dias para ter esse exemplar em mãos. Agora, venho compartilhar com vocês todas as minhas opiniões a respeito desta obra escrita por David Levithan, que ganhou inúmeros fãs aqui no Brasil.
Neste volume, vemos que nossa protagonista Rhiannon vive em um relacionamento bem abusivo, já que ela dá tudo para seu namorado Justin, mas ele só a trata com indiferença, e está sempre brigando e reclamando com ela. Em certa ocasião, ele acaba proporcionando um dia perfeito para a garota, já que ele estava tão entregue, parecendo realmente feliz por estar com ela, tornando aquela data uma dos melhores da vida de nossa protagonista. Tudo está indo bem, já que ela finalmente pensou que Justin tinha mudado, tornando-se uma pessoa melhor, mas, para sua tristeza, no dia seguinte ele nem se lembrava do anterior, voltando a ser aquele cara distante, frio e reclamador.
Nós também conhecemos A, uma pessoa que habita o corpo de outras pessoas por um dia. Ele tem uma regra de não interferir na vida de ninguém, já que só vai viver como aquela pessoa por apenas um dia, mas então conhece Rhiannon enquanto habita o corpo de Justin, e acaba se apaixonando por ela. A partir desta data, todo dia, muda de corpo e tenta encontrá-la, mesmo com todas as dificuldades, para ficar perto de seu amor. Mas será que nossa protagonista vai aceitar um relacionamento tão diferente assim? É nessa premissa que se passa o livro e nos encantamos em todos os momentos com a história desses dois.
A narrativa é feita em primeira pessoa pelo ponto de vista de Rhiannon, o que foi bem legal, já que assim pude saber o que realmente estava acontecendo com ela, seus pensamentos e sentimentos. Foi muito gostoso acompanhar o seu crescimento, até porque vimos como se afastou de seus amigos, e sempre recebia tão pouco de seu namorado, se limitando a aceitar as migalhas que ele poderia dar.
E foi realmente encantador ver como a garota foi se libertando dessa dependência que vivia, amadurecendo bastante durante esse processo, e fazendo a gente torcer demais pela sua felicidade.
Gosto bastante da parte gráfica do exemplar, já que a capa original foi mantida e segue um padrão com sua antecessora, facilitando a identificação para aqueles que não sabiam que fazem parte de uma duologia. Curto também o fato de não ter uma gama de cores em ambas as capas, mas, sim, tons predominantes, que neste caso são as cores roxo e azul, com tonalidades semelhantes entre si.
A diagramação é bastante confortável para a leitura, já que a fonte e os espaçamentos possuem tamanhos ideais. Na edição impressa as páginas são amarelas e o título e o nome do autor na capa estão em alto relevo. 

Esta série na verdade é composta por dois livros, sendo eles “Todo Dia” e “Outro Dia” (ambos publicados por aqui), que não são sequenciais, e, sim, a mesma história sob dois pontos de vista, mais um conto chamado “Six Earlier Days” (#05), que ocorre antes do primeiro volume. Lá fora este conto só foi publicado em versão digital, mas no Brasil não foi publicado em e-book nem em físico, e nem deve ser, visto que o original saiu em 2012 lá fora e a Galera Record não se pronunciou a respeito até agora, o que é uma pena, porque eu gostaria muito de ler.
“Outro Dia” é um livro que consegue prender a gente do início ao fim com uma história incrível e cativante sobre um amor diferente. David Levithan escreve de uma forma que é impossível parar de ler. Seus personagens são incríveis, todos eles muito bem escritos, e a história é carregada de reflexões, além de trazer dramas, diferentes tipos de relacionamentos, amor, inseguranças, tudo isso em uma narrativa rápida e fluida. O final é daquele tipo que nem todo mundo vai gostar, mas entendo o motivo dele. Recomendo este volume para todos os leitores que gostam de uma boa e cativante trama.
Avaliação



VEM AÍ: Lançamentos Literários 2016 – Parte 01


Oii, gente! Como vocês estão? Uma coisa que eu simplesmente adoro é saber quais livros serão publicados pelas editoras aqui no Brasil, inclusive aqueles que só estão nas programações e que serão lançados meses depois de anunciados, ou seja, a maioria deles ainda não possui capa ou título nacional.
Pensando nisso, resolvi fazer posts contando sobre algumas obras que estão previstas para serem publicadas ainda este ano por diversas editoras brasileiras. Tem muita coisa bacana e eu nem sei decidir quais são os que eu mais quero! Lembrando que são previsões, ou seja, as datas podem ser modificadas. Caso isso aconteça, anunciaremos novas datas aqui no blog ou nas nossas redes sociais.
Como são muitos lançamentos e toda hora saem novas informações deste tipo, resolvi colocar apenas informações curtas como capa (nacional ou original, a que estiver disponível), título, autor, previsão de lançamento e se faz parte de alguma série ou é livro único, e dividir por editoras. Para ler a sinopse, basta clicar no título para ser redirecionado ao Skoob ou ao Goodreads do livro.
Farei outros posts do estilo em breve também, com outras editoras e títulos. Informações sobre publicações próximas, ou seja, as que já estão saindo do forno, continuarão a ser apresentadas em posts das editoras específicas ou na nossa Fan Page, curta lá se ainda não fez isso! :D
Galera Record
Abril


Maio e Junho


Final do Primeiro Semestre


Segundo Semestre


Editora Seguinte
Abril

- Maré Congelada - A Queda dos Reinos #04 - Morgan Rhodes - (Resenhas de "A Queda dos Reinos" e "A Primavera Rebelde", primeiro e segundo volumes da série)

Maio



Me Abrace Mais Forte - David Levithan

Tiny Cooper nasceu para brilhar, sabe disso e quer que o mundo todo também saiba. E é por isso que ele decidiu escrever um musical contando sobre nada menos do que sua vida, desde que nasceu até o presente momento. O grande garoto, então, nos presenteia com músicas, humor e drama, sobre todos os pontos importantes que viveu, seja em relação à homossexualidade, seus relacionamentos amorosos, familiares e de amizade, e muito mais, tudo com muita honestidade.  
“Não dá para controlar o jogo da arquibancada, então amar este esporte quer dizer ter de se entregar ao imprevisível, ao desconhecido. Seu coração sofre a cada perda, mas nunca se quebra. Você canta com alegria invencível a cada vitória, mas permanece vulnerável quando chega o jogo seguinte. Meus pais me ensinaram tudo isso, às vezes me contando, mas quase sempre por meio de exemplos.”
Este volume é um tipo de continuação para “Will & Will”, mas não propriamente dita e vou explicar o porquê. Neste livro, conhecemos os dois personagens que dão nome ao título, pessoas totalmente diferentes, que se conhecem por um acaso e suas vidas mudam por causa deste encontro. E também conhecemos o grande e gay Tiny Cooper, o melhor amigo de um deles, que é muito divertido e teve o maior destaque na trama, bem próximo dos dois protagonistas, e, inclusive, roubou a cena diversas vezes. Tiny é bem escandaloso e se apaixona muito fácil. Por estas e outras, decide escrever um musical, que é apresentado de forma superficial, apesar da grande importância.
E é este musical, em todo o seu glamour e sinceridade, que vamos conhecer aqui nesta nova obra. Então se você quiser lê-la sem ter lido a outra, vai poder e vai entender, afinal é uma história de um garoto homossexual abrindo seu coração e sua vida a seus expectadores, e poderia ser qualquer um. E essa é sua história independente do outro livro. Apesar de a experiência ser ainda melhor para aqueles que já leram o “antecessor”, visto que já conhecia o personagem e já dava para ter criado um carinho por ele.
“A ideia de que dois é o ideal e de que um só é bom como sendo a metade de dois. Você não é uma metade e nunca deve tratar ninguém como metade.”
Esta peça teatral tem um grande nível de intensidade. O próprio Tiny Cooper já é muito muito. Seus sentimentos são bem aflorados, seus dramas ainda maiores, suas emoções, fortes, o ato de se apaixonar, e depois essa paixão amornar até se apagar são frequentes e igualmente rápidos. Ele é energético, animado, impetuoso, alegre, vivo. Mas também tem seus momentos de tristeza, de profundidade. Tudo com ele é muito grande, alto, intenso.
A história de sua vida é inspiradora e envolvente, contém pensamentos bacanas e ensinamentos marcantes, tudo isso apresentado de forma bem humorada pelo carismático protagonista, que nos conta as partes boas, mas também as ruins, as alegrias e as tristezas, dúvidas, anseios, esperanças e certezas. Nos mostra como foi cair e se levantar, inúmeras vezes, e como é, para ele, aprender e aproveitar os momentos em cada uma destas quedas, mesmo quando ainda está no chão.
“Só quero que você fique feliz. Comigo, com outra pessoa ou com ninguém. Só quero que você fique feliz. Quero que fique de bem com a vida. Com a vida como ela é. E eu também.”
Como em suas outras obras, Levithan tem uma característica reflexiva forte em sua escrita, ele nos faz pensar sobre diversos pontos da vida, não somente da nossa, mas também de pessoas próximas e da sociedade de modo geral. Mas tudo isso é apresentado de forma sutil, interessante, gostosa, que mexe com a gente sem ser cansativa ao mesmo tempo em que é fluida.
Apesar de gostar da forma de narrar do autor, ter curtido conhecer o personagem Tiny quando li “Will & Will” (clique para ler a resenha), e ter ficado contente quando soube que este exemplar protagonizado por ele seria lançado, não posso dizer que amei a leitura, porque roteiros de peças não são a minha forma preferida de ler uma obra, mas provavelmente teria gostado bem mais de assistir o espetáculo de verdade.
“É sempre mais fácil culpar os outros por nos impedir de fazer alguma coisa. Mas às vezes a única pessoa que nos impede... bem... somos nós mesmos.”
Meu problema maior com esse tipo de leitura é que não sou o que se pode chamar de uma pessoa muito musical, então não consigo criar ritmos ou melodias e, quando estou lendo, todas as canções soam exatamente as mesmas, só com palavras diferentes. E com certeza é muito mais legal você ouvir coisas diferentes, e sentir com o som e a melodia além das letras.
David Levithan possui diversos livros em seu currículo, sendo que oito deles já foram traduzidos para português aqui no Brasil, todos pela Galera Record, alguns em parceria com outros autores, além de uma antologia de contos que ele fez parte. Destes, os quais tenho todos na estante, já li três, que foram resenhados aqui no blog por mim, e ainda há resenhas de outros títulos das demais meninas. Para conferi-las, clique AQUI, ou vá à área de Resenhas.
“Mas existe uma palavra, essa palavra que Phil Wrayson me ensinou uma vez: weltschmerz. É a depressão que você sente quando o mundo como ele é não se alinha com o mundo como você acha que devia ser. Eu vivo em um grande e maldito oceano de weltschmerz, sabe? E o mesmo acontece com você. E com todo mundo.”
Com certeza tudo vivenciado por Tiny serve de lição para muitas pessoas, principalmente para os jovens, mas não se restringindo a eles. São coisas que grande parte da população passou ou ainda pode passar. São lições para a vida, pensamentos e reflexões que com certeza vão ajudar muita gente. E ainda emocionar e deixar com uma sensação gostosa muitos outros. Eu gostei bastante da leitura e a indico para todos, principalmente os que curtem roteiros de musicais.
Avaliação



Naomi & Ely e A Lista do Não-Beijo - David Levithan e Rachel Cohn

Minha irmã já havia lido uma obra de Rachel Cohn e também alguns livros de David Levithan, e tinha me falado que a forma de narrativa e escrita deste último era ótima, me deixando com bastante vontade de ler suas histórias. Como eu tenho todos os livros deste autor que foram publicados aqui no Brasil, resolvi começar a leitura pelo último lançamento dele no país. E agora, venho dividir com vocês as minhas opiniões a respeito desta obra.
Neste volume conhecemos a história de Naomi e Ely, dois melhores amigos inseparáveis que se conhecem desde pequenos e por isso sabem tudo um do outro. A amizade deles é bem bonita, porém, para Naomi, Ely é muito mais do que seu melhor amigo, é o cara por quem ela está apaixonada. Isso tudo porque mesmo ela sendo linda e podendo ter qualquer garoto aos seus pés, sonha em ficar com o seu melhor amigo e até mesmo se casar com ele no futuro, por este motivo ela o espera querendo que ele seja o seu primeiro homem, e é por isso que a garota não consegue embarcar em um relacionamento muito sério, já que não consegue expor seus sentimentos para Ely. Até aí, tudo bem. Mas o grande problema desta questão é que Ely é gay e, portanto, não se interessa por meninas.
Pra tudo dar certo na relação dos dois, eles têm uma lista do não beijo, que são de nomes de pessoas que eles não podem beijar. E mesmo a amizade deles sofrendo altos e baixos, eles sempre foram grudados e passaram por muita coisa juntos. Tudo estava indo muito bem na vida destes dois, até que Ely revela para Naomi que deu um beijo em seu namorado. Agora o relacionamento deles acaba sendo abalado, não apenas pelo fato da traição em si, mas também pelo fato de que isso acabou afetando o “sonho” que nossa protagonista tinha de que um dia Ely iria despertar em si e perceber o quanto a ama e a quer como mulher.
O livro é narrado em primeira pessoa, mas o que achei bem legal é que não é somente pelo ponto de vista dos nossos protagonistas, mas também por outros personagens que compõem a trama. Assim ficou mais fácil entender um pouco sobre tudo que se estava passando na vida dos dois, mas também tudo que se passa ao redor.


Garoto Encontra Garoto – David Levithan

Paul leva uma vida normal em sua escola liberal, onde não há preconceitos e as pessoas se tratam de maneira igual, independente de sua sexualidade ou gostos pessoais. Ele sempre soube que era gay e vive muito bem consigo mesmo e com todos ao seu redor, é rodeado de amigos incríveis, entre eles Tony, Joni e Infinite Darlene, uma draq-queen super engraçada, que é quaterback e rainha do baile ao mesmo tempo.
Até que, em um show numa livraria, ele encontra Noah – ou será que foi encontrado por ele? –, novo na cidade e em seu colégio. E logo o interesse nasce. Ele sente que aquele encontro pode render mais do que apenas um mero acaso, e resolve encontrá-lo novamente – o que acaba sendo um pouco mais difícil de acontecer, mesmo que eles frequentem o mesmo ambiente escolar.
Numa destas tentativas, eis que eles finalmente podem se conhecer melhor e, mesmo com dificuldades de ambos os lados de se expor por inteiro por conta de relacionamentos desastrosos no passado, eles acabam se revelando aos pouquinhos e gostando mais ainda do que conhecem um do outro, mesmo com o medo da mágoa.
Mas aí Paul estraga tudo, cometendo um erro que pode fazer com que Noah, o cara dos seus sonhos, saia de sua vida. Mas ele não está pronto para ceder e resolve provar para ele que não o magoará novamente. E é com a ajuda de seus fieis amigos, que ele pode conseguir mais uma chance. Mas será que Noah está disposto a lhe dar mais uma oportunidade ou tudo já foi por água abaixo?
Apesar de ter todos os livros do autor já publicados no Brasil, eu só havia conhecido seu trabalho com títulos onde ele foi coautor, “Will e Will” e “Invisível” (clique nos títulos para conferir as resenhas), e gostei bastante dos dois. Então estava bem empolgada para começar a leitura desta sua obra, a mais recente lançada aqui – mesmo que na verdade seja um de seus primeiros livros, publicado em 2003. E posso afirmar que é mais uma das histórias dele que eu adorei!
A escrita de Levithan é deliciosa e muito fluida, e tem um quê de poética, já que suas palavras são carregadas de mensagens e pontos reflexivos sutis, o que torna o texto ainda mais incrível e marcante. Este livro é curto e a leitura é rápida, então, quando você percebe, mal começou a leitura e já acabou. A narrativa é em primeira pessoa pelo ponto de vista de Paul e gostei muito dele com sua segurança e confiança.
O romance acontece naturalmente e é bem fofo, só senti falta de um pouco mais de diálogos, porque o autor optou por contar mais do que mostrar, mas curti o relacionamento dos dois e como foi desenvolvido.
Sobre os personagens, é impressionante, eu gostei de absolutamente quase todos os principais, apesar de algumas coisas que dois deles (um principal e outro que surgiu para atrapalhar) faziam terem me irritado bastante. Mas me encantei por cada um (dos demais), com seus conflitos pessoais, com a forma como lidavam com eles, com a amizade entre todo mundo, e curti ver o crescimento de cada um individualmente.
E, mesmo tendo vários personagens e o foco sendo em Paul, Levithan consegue nos apresentar aos demais de maneira bem feita e especial, nos fazendo torcer para que todos eles consigam alcançar o que desejam e/ou precisam e que, no final, tudo fique bem.
O final da história de Paul e seus amigos é fofo e acaba numa cena mais do que adorável com todos os mais importantes presentes, mas eu precisava de mais. Queria saber o que aconteceu entre a melhor amiga dele, Joni, e o novo namorado, Chuck, e, mais ainda, sobre a relação do encantador Tony com seus pais, porque Levithan deu tanta importância a estes tópicos, que acho que ficou faltando um desfecho mais conclusivo a respeito deles e eu realmente queria saber o que aconteceu.
O autor finaliza a história principal, porém o livro não termina, já que encontramos um conto, chamado “A quarterback e o líder de torcida”, protagonizado por Infinite Darlene em terceira pessoa. Gostei muito do conto porque pude conhecer mais desta personagem que teve bastante destaque no livro e da qual eu gostei muito. Fiquei contente de ver um final feliz além da história de Paul nesta obra.
A linguagem de David é fácil e atual e os capítulos têm títulos, coisa que eu gosto muito, exceto por alguns (poucos, mas existentes) em que eles revelam demais e a gente já sabe de algo importante que vai acontecer naquele momento.
A cidade em que eles vivem é incrível e o mundo seria um lugar 100% melhor se fosse exatamente igual. Não há preconceitos a respeito da sexualidade de ninguém, cada um consegue ser feliz da maneira que é, fazendo o que gosta de fazer (afinal, existem clubes e aulas para tudo!), os relacionamentos, tanto em relação aos de amizade, quanto amorosos são ótimos e bem abertos, entre diversos outros detalhes que fazem a cidade ser um lugar especial.
A única parte que nem tudo são flores é em relação às famílias, já que conhecemos algumas que não aceitam a sexualidade dos filhos. Mas, mesmo estes, não são sempre tão radicais e tão ruins com os filhos, quanto ainda podemos encontrar em nossa realidade atual, infelizmente.
Confesso que eu esperava um livro maior e, quando ele chegou aqui em casa, fiquei surpresa com o tamanho e a finura dele – tem apenas 237 páginas no formato padrão 14 cm x 21cm. O ponto negativo é que a história passa tão rapidamente que nos deixa com um gostinho de quero muito mais.
Eu gosto desta capa, mas não me chama tanta atenção assim. A diagramação é simples e bem feita, com fonte e espaçamento em tamanhos confortáveis para uma leitura bem tranquila por um grande período de tempo, principalmente por contar com páginas amarelas.
Apesar de, neste livro, ser tudo mais simples e fácil do que parece, na vida real não é bem assim e, mesmo eu não vivendo essas coisas na pele (afinal sou heterossexual – não que isso importe aqui), eu conheço algumas pessoas (e sei de outras) que enfrentam dificuldades todos os dias só porque gostam de gente do mesmo sexo e isso é, no mínimo, revoltante. Então eu realmente queria que o mundo fosse assim, como em “Garoto encontra Garoto”, e que tivessem a mesma sensibilidade que Levithan tem, de ver e aceitar o mundo como ele é, e que as pessoas parassem de se preocupar com quem cada um quer se relacionar e passassem a se importar mais com o sentimento mais bonito que existe, o amor.
“Garoto Encontra Garoto” é uma história bem leve, mesmo apresentando questões mais profundas, com personagens extremamente cativantes, e tão envolvente e divertida, que tenho certeza de que você também vai se apaixonar.
Avaliação



Invisível – David Levithan & Andrea Cremer

Stephen foi amaldiçoado em seu nascimento e chegou a este mundo invisível, não daquele jeito de que você apenas se sente assim no meio de todas as outras pessoas no mundo, mas, sim, realmente invisível para elas e para si mesmo, que não sabe nem mesmo como é seu rosto ou a cor de seus olhos. Ele viveu sua vida por fora, sem ter contato com ninguém exceto seus pais, observando a todos, porém sem poder fazer parte de algo ou da vida de alguém.
Elizabeth acabou de passar por um baque emocional muito grande em sua antiga cidade por conta de algo terrível que aconteceu com seu irmão mais novo. Ela tenta se isolar de todos, mas sabe que precisa criar amizade com alguém agora que está vivendo um recomeço em Nova York.
Até que o destino os une e, um dia, Stephen está vagando pelo corredor de seu prédio quando Elizabeth o vê e fala com ele. Sem acreditar realmente no que está acontecendo, eis que ele tem a maior revelação de sua vida: ele não é invisível para todos, uma pessoa neste mundo pode realmente enxergá-lo. A amizade entre eles surge, depois os sentimentos evoluem para algo maior e eles sentem que, juntos, poderão mudar o destino dele e também o dela.
“Palavras terminadas com a sílaba ível giram em minha mente como um carrossel do mal. Impossível. Indizível. Inconcebível. Indescritível. Incompreensível. Mas isso tudo me leva de volta a uma palavra: invisível.
A narrativa é intercalada sob o ponto de vista dos dois personagens principais, sendo que cada capítulo acompanha o ponto de vista de um deles em primeira pessoa, e foi escrito por um dos autores, sendo a voz de Elizabeth dada por Andrea e a de Stephen por David.
Stephen é um doce e também dono de uma força espetacular, mesmo passando por tantas coisas ruins em sua vida, continua ali, um dia após o outro, se esforçando para viver uma boa existência, mesmo que de maneira solitária, e isto é muito admirável. Elizabeth também é uma garota forte, mesmo que de uma maneira diferente, determinada, amorosa e talentosa. Gostei muito dos dois, tanto sozinhos, quanto juntos, e de ver a evolução deles com o passar das páginas, que ocorreu de maneira gradual e muito bem feita.
Curti demais o casal e o desenvolvimento do relacionamento dos dois, assim como da forma como interagem entre si. Eles são um casal fofo, daquele tipo gostoso e feliz de primeiro amor, mas não melosos, e também são maduros a ponto de entenderem que fazem parte de algo maior, e lutam um pelo outro, se ajudando e se apoiando mutuamente, de forma destemida e também cúmplice.
Eu gostei demais dos dois protagonistas, mas não poderia deixar de comentar que o personagem que mais me conquistou foi Laurie com seu jeitinho encantador e sua maneira espetacular de ver o mundo, ajudar e aconselhar os próximos. Além de ele ser um amor de pessoa, um irmão maravilhoso e dono de uma personalidade contagiante, é ele o dono das cenas mais engraçadas e também o responsável por amenizar o clima quando está ruim e aumentar a esperança com há necessidade.
Achei que a narrativa de ambos os autores está bem poética nesta obra, recheada de frases de efeito e que facilmente podem ser “tiradas” do livro para se transformarem em quotes inspiradores fora do contexto, servindo para milhares de outros significados.
Este exemplar não deixa de ter um quê de sobrenatural e eu não imaginei que fosse seguir por este caminho, o que acabou me surpreendendo e eu gostei disso. Tirando o elemento fantástico da trama, ela é bem realista, os personagens são reais, como se pudéssemos conhecê-los fora do papel. A trama criada pelos autores parecia simples e normal, mas ela superou as minhas expectativas, é bem original e foi bem apresentada, apesar de, algumas vezes, ter tido explicações meio esquisitas e algumas mudanças forçadas.
Só acho que tudo nesta história aconteceu de forma muito rápida até certo momento, a começar pelo relacionamento do casal, tanto no sentido de amizade, quanto no lado amoroso, passando pela descoberta e aceitação do segredo de Stephen, a busca e descobrimento da verdade, achar alguém facilmente para ajudá-los, Elizabeth descobrindo algo sobre si mesma que antes estava oculto (tudo isso antes da metade do livro), inclusive como a protagonista consegue lidar tão bem com todas as suas novas responsabilidades, entre outros detalhes. O ponto positivo disto é que autores não enrolaram para desenvolver as coisas, deixando a trama bem movimentada, mas gostaria de ter me apegado um pouco mais ao começo da leitura.
Já no meio do livro, o ritmo fica muito mais lento por conta das explicações e aprendizagem, e esta quebra de fluidez também é um pouco incômoda, porque a gente começa a enrolar um pouco mais para fazer as páginas serem avançadas.
A parte que ganha maior destaque é, como o próprio título sugere, a invisibilidade. Aqui nós encontramos uma coisa mais real e física, já que Stephen foi amaldiçoado e quase ninguém pode vê-lo de verdade, mas também acaba tendo um valor mais abstrato, sobre se sentir ou querer ser invisível por conta de alguma coisa ou de você mesmo, ainda que esteja rodeado de muitas outras pessoas.
Mas, esta história vai muito além da questão da invisibilidade, mostrando e falando muito sobre se descobrir, sobre a autoaceitação, porque você é o que você é, e não o que as outras pessoas esperam de você, então precisa aceitar a ser você mesmo sempre, mesmo que não agrade a todos.
E ainda vai mais longe, esta obra também é sobre amor e amizade, sobre aceitar o próximo mesmo que ele seja diferente, é sobre lutar quando tudo parece perdido, é buscar uma mudança quando é isso o que você mais deseja, procurar novas soluções e nunca se deixar levar pelo lado obscuro da vida, é nunca perder as esperanças e sempre erguer a cabeça depois de todas as quedas, por maiores que elas sejam.
Não gosto desta capa nem um pouco, acho ela bem feia e super sem graça e eu nunca iria ler este exemplar se só estivesse julgando-o pela capa, mesmo que esta tenha um sentido mais simbólico. Na verdade eu só parei para conferir a sinopse por dois motivos: os nomes dos autores, porque eu conheço o trabalho de ambos e gostei muito de outros títulos que eles escreveram, e por conta da capa original, que eu já conhecia, e que pode até ser considerada normal ou clichê por alguns leitores, mas, em minha opinião, é linda e tem muito a ver com o conteúdo, além de chamar muito mais minha atenção.
Para não dizer que odiei totalmente a capa na versão nacional, curti a cor escolhida. A diagramação interna está simples, mas ótima, a fonte é grande e o espaçamento confortável. Além disso, conta com folhas amarelas, o que facilidade na hora da leitura.
Se você busca um livro do gênero jovem adulto com um enredo original, protagonistas adoráveis, personagens secundários encantadores, uma trama divertida e séria ao mesmo tempo, cheia de pontos reflexivos e também recheada de amor, sentimentos puros e amizade, além de um toque bem construído de sobrenatural e magia, e ainda quer um volume único, sem continuações, então para de procurar, porque “Invisível” é justamente o que você deseja. Super recomendado!
Avaliação



Will & Will – John Green e David Levithan



Nessa deliciosa história escrita graças a parceria entre dois autores bem famosos que escrevem para o público jovem adulto, John Green e David Levithan, conhecemos dois garotos com personalidades bem opostas, mas que compartilham o mesmo nome e o mesmo sobrenome, que se encontram um dia, sem querer, por força do destino, em um local não convencional, e esse encontro acaba afetando a vida dos dois de alguma maneira.
De um lado há o Will Grayson heterossexual, que até tem alguns amigos, mas é Tiny Cooper o principal deles. Tímido e fechado, prefere não se envolver com nada e ficar calado, na dele. Tem uma família ótima, com pais que se importam muito com ele.
O outro Will é depressivo, reclama muito da vida, tem raiva de tudo, é grosso, estúpido, maltrata as pessoas a seu redor, como sua mãe e sua “melhor amiga”. É gay, mas não revelou isso para ninguém, exceto para Isaac, um garoto que conheceu pela internet, por quem se apaixonou e mantém uma relação online, e de quem é SUPER dependente, sua vida gira em torno dele. Isaac resolve marcar um encontro para se conhecerem pessoalmente e Will aceita o convite na hora.

E tem também o Tiny Cooper, “a maior pessoa do mundo que é muito, muito gay, e também a pessoa mais gay do mundo que é muito, muito grande”. Tiny é egocêntrico, se apaixona muito rápido e a cada semana está interessado em um garoto novo. Faz Will passar por muitas situações embaraçosas, e até o magoa, mas é uma boa pessoa, que se importa com os outros (mesmo que algumas vezes não pareça isso), é super divertido, positivo e alto astral. Ele resolve produzir um musical sobre a sua vida, que promete ser bem fabuloso, e sua vida agora gira em torno disso.
Esse não é um romance homossexual, como podemos ver ser citado em alguns lugares, na verdade é um romance que tem personagens que são gays, mas esse não é o ponto mais importante da história. É um YA contemporâneo como outro qualquer, que é recheado de sentimentos, dúvidas, incertezas, fala de relações familiares, nos mostra adolescentes passando pela fase de descobertas, e aprendendo a se aceitar como são, apresenta questões mais sérias, como depressão, e enfoca bastante na amizade e, principalmente, no amor.

Todos os assuntos são abordados de uma forma bem natural, parece que são personagens reais que poderíamos conhecer de verdade, com suas angústias, seus defeitos, e também suas qualidades e certezas.
O nome do livro é Will e Will, mas na verdade para mim o protagonista é o Tiny, que é como se fosse o sol da história, com toda a sua grandiosidade e importância, como se os outros personagens fossem os planetas orbitando em sua volta, que também têm suas importâncias e vidas separadas, mas precisam da existência dele para viver e se sentirem melhores.
Gostei bastante das construções das personalidades de todos, que são bem definidas, e eu adorei o Tiny, mas meu personagem preferido foi o Will de John Green, com toda a certeza. Admito que no começo os capítulos narrados pelo Will de Levithan não me agradavam muito não, não porque o personagem tem depressão, mas pelo modo como tratava as pessoas, era super irritante, só fui gostar mais dele depois que o Tiny acabou entrando em sua vida, já que ele virou outra pessoa, muito melhor e mais agradável.

Há romance e relacionamentos homossexuais e heterossexuais. Não sei o porquê, mas eu achava que os dois Will que seriam gays, mas não são. Adorei o casal formado pelo Will de John Green, e queria um maior desenvolvimento de um relacionamento para o Will do David Levithan.
Gostei bastante do final, apesar de ter acontecido uma coisa meio impossível com a quantidade de tempo utilizada, mas admito que estava torcendo para acontecer uma coisa diferente, um algo a mais.
Li pela primeira vez um livro de John Green há muito pouco tempo, e foi O TeoremaKatherine (para ler a resenha, clique no título), mas quando comecei essa leitura aqui logo adivinhei qual Will foi escrito por ele, já que tem seu jeitinho de narrativa.
Os capítulos são intercalados, sendo os pares de um Will Grayson e os ímpares do outro. Apesar de a narrativa ser em primeira pessoa, ela é diferenciada para cada protagonista, os capítulos de John Green apresentam uma estrutura normal, com letras maiúsculas, tanto em início de frases quanto em nomes próprios e há travessões em parágrafos, enquanto os de David Levithan são todos escritos em letras minúsculas, os diálogos são representados pelo nome de quem está falando seguido de dois pontos, como por exemplo: “mãe: toma o café da manhã. / mãe: aonde você vai? / eu: tchau.”

A capa impressa está linda, ela é prateada fosca com os nomes Will Will bem coloridos, dando maior destaque a eles, enquanto todas as outras palavras, inclusive os nomes dos autores está em branco. As orelhas são coloridas seguindo o mesmo tom de cores em degradê dos nomes dos personagens da capa, só que ali os nomes dos autores que estão em prateado. Simplesmente lindo!
Esse é um livro, acima de tudo, sobre o amor em suas diversas formas, seja ela romântica, familiar, entre amigos. É lindo. A maneira como os autores fazem para transmitir esse sentimento através das situações vivenciadas pelos personagens é tão real que chega a ser palpável. Recomendo bastante essa história, que é muito fofa, cheia de tiradas engraçadas, com uma narrativa bem leve e divertida.
Avaliação



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