Mostrando postagens com marcador John Boyne. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador John Boyne. Mostrar todas as postagens

Fique Onde Está e Então Corra - John Boyne

Eu não sei como alguns autores conseguem manter a qualidade em todos os seus livros, conseguindo atrair até quando escrevem uma bula de remédio! Na leitura do meu sétimo livro do autor John Boyne, Fique Onde Está e Então Corra, publicado pelo selo Seguinte não foi diferente dos demais livros do autor, me arrebatou!

O aniversário de cinco anos de Alfie Summerfield ficou marcado para sempre em sua vida, enquanto ele fazia aniversário começava também a primeira guerra mundial, e poucas pessoas compareceram a sua festa. O maior choque se deu quando seu pai se alistou e partiu para batalha. E depois de alguns anos o garoto parou de receber as cartas do pai. Quando ele já acreditava que ele estava morto, Alfie descobre o paradeiro do pai e parte em uma missão secreta de resgate.

Eu ainda não sei como Boyne consegue através da sua narrativa de forma consecutiva narrar estórias tão densas, tristes e profundas com uma mão tão leve e realista, como é o caso desta obra que tem sua narrativa sob a ótica do pequeno Alfie. Com uma lente de esperança e inocência o autor consegue narrar em detalhes o dia a dia de quem viveu em Londres durante a guerra, como o papel das mulheres que ficaram e tiveram que trabalhar e mesmo assim não conseguiam comprar comida, dos homens que se negaram a lutar e foram hostilizados pela população, assim como dos soldados que voltaram, e que além de seus machucados físicos desenvolveram neuroses de guerra.

Alfie é apaixonado por livros, mesmo quando ele apenas tinha lido sucessivas vezes Robinson Crusoé. Muito inteligente e perspicaz, ele conseguia com muita facilidade entender aquilo que não era dito pelos adultos através da observação. E mesmo aquelas coisas que ele não compreendia ele era capaz de sentir com sua intuição. Com objetivos muito honestos e ingênuos, mesmo quando tinha ações perigosas, o jovem desperta uma enorme empatia no leitor diante do tamanho de sua coragem.

Nas primeiras páginas quando Alfie ainda tinha apenas cinco anos, Boyne conseguiu transmitir com riqueza de detalhes o pensamento de uma criança diante da realidade, como a falta de noção da passagem do tempo, achando que pessoas com vinte anos eram muito velhas.

"Georgie e Margie eram muito velhos quando se casaram - disso Alfie sabia. Seu pai tinha quase vinte e um e sua mãe era apenas um ano mais nova. Alfie achava difícil imaginar como seria ter vinte e um. Pensava que seria difícil escutar as coisas e que a vista ficaria um pouco enevoada" (Pág. 14)

Como complemento a realidade temos alguns vizinhos do jovem com características distintas que trazem outros dados a estória, como o melhor amigo do pai que não foi a guerra, um pai e uma filha (que é melhor amiga de Alfie) que são levados para as Ilhas Man por parecerem alemães, e as diversas mulheres que aguardavam diariamente que nenhum militar as procurasse com a notícia da morte de seus entes queridos.


O Ladrão do Tempo - John Boyne


Nem sempre o primeiro livro de um autor já releva todo seu talento, a grande maioria deles mostra seu potencial de crescimento. Não estou surpresa em dizer que John Boyne é genial desde seu primeiro livro O Ladrão do Tempo, publicado pela editora Companhia das Letras.

Matthieu Zéla é um jovem francês que se viu sozinho em Paris com seu meio-irmão pequeno, após perder sua mãe brutalmente morta pelo padrasto, ele parte para Inglaterra em busca de uma nova vida. No navio ele conhece outra jovem órfã, Dominique Sauvet, e juntos eles começam uma nova vida em Dover. Essa estória soaria normal se no final do século XVIII, Zéla não tivesse parado de envelhecer com apenas cinquenta anos. Mais de duzentos anos depois ele narra sua trajetória repleta de amores, perdas, e desventuras com algumas figuras ilustres da história do mundo.

Que premissa ótima para um livro senhor Boyne! Conseguir narrar sua estória em primeira pessoa através de Matthieu no tempo, sem que para o ser centenário seja um vampiro, mas sim um simples homem! Poderia dar errado, mas não deu, é envolvente, criativo e realista, muito realista. Salvo o fato do protagonista não envelhecer, todo o resto é muito real!

Durante o livro acompanhamos duas linhas do tempo, uma fixa que se inicia quando a mãe de Zéla falece através das mãos do padrasto e ele se vê com a obrigação de cuidar do irmão de cinco anos mesmo tendo apenas quinze anos, e segue com seu envolvimento com Dominique em diante. E outra linha que se passa no ano de 1999, onde ele é investidor de uma emissora de televisão, e acaba envolvido em uma trama sem querer, além de arcar com os problemas do sobrinho famoso. No meio destas linhas do tempo, Matthieu intercala diversas estórias em diversos momentos dos séculos, como quando se tornou amigo de Chaplin, ou funcionário do Papa Pio IX, ou acompanhou a quebra da bolsa de NY, e em diversas partes do mundo.

A maior característica de toda a sua vida é a morte, seja diretamente, seja sem sequer estar perto o fato é que Zéla perde sucessivas esposas (ele teve 19 se não estiver errada) e sobrinhos (durantes todos estes anos um Tommy sempre está presente e nos cuidados do mesmo). Estes sobrinhos nunca chegam a ficar velhos, sempre morrem jovens e deixam seus filhos. Desta trama cheia de mortes começam a nascer as teorias de porque Zéla não envelhece, e esta é uma das graças do livro.

Matthieu é um homem prático desde o início, embora tenha sofrido desde a morte do pai e depois da mãe, foi pontual em traçar um plano de vida para cuidar do irmão, não para sua vida para lamentar. Os fatos acontecem sucessivamente em sua vida e ele sempre busca oportunidades de crescimento, portanto logo ele se vê rico, e tentando sempre multiplicar seu dinheiro. É fiel a sua família, que no caso sempre se resume ao sobrinho, que em sua grande maioria trata-se de um jovem inconsequente e sem juízo.

Por já ter vivido por tanto tempo ele não tem medo de nada, e ao contrário do que a maioria dos personagens muito velhos costumam narrar, ele é feliz e satisfeito com a vida. Ele gosta de poder viver mais e mais. E tem certa sorte em atrair mulheres, mas não em mantê-las!

Embora com 561 páginas o livro flui bem, já que sempre temos novas estórias para envolver o leitor. Nunca é cansativo, pois Zéla tem uma vida muito variada e interessante ao longo de sua linha do tempo. Vivendo em diversos locais, executando diversos serviços e envolvido em variados problemas, não existe espaço para tédio.

Além de que cada trecho desta imensa narrativa nos propõe reflexões, afinal alguém que atravessou alguns séculos tem perspectivas muito diferentes daqueles que tem o tempo de vida contado, algumas coisas ele já conhece o final.


O Menino do Pijama Listrado - John Boyne

Quem acompanha minhas resenhas sabe quanto eu gosto da escrita do autor John Boyne, comecei a ler seus livros por alguns livros não óbvios, mas não podia passar mais tempo sem ler O Menino do Pijama Listrado, publicado pela Companhia das Letras, pelo selo Seguinte.

Bruno é um garotinho alemão de nove anos, ele mora com sua família em Berlim, quando sem mais explicações além do trabalho do pai ele se vê obrigado a mudar de cidade. A nova casa é em um lugar isolado com uma cerca enorme ao lado. Ao olhar para janela, o garoto vê pessoas, elas usam pijamas listrados, mas ele não compreende o porque. Cansado de não ter com quem brincar ele sai para explorar, e conhece um garoto da mesma idade do outro lado da cerca, Shmuel, e uma amizade improvável nasce.

A edição que li do livro é a comemorativa de dez anos que têm ilustrações de Oliver Jeffers e capa dura. Oliver consegue com traços simples e certeiros, usando quase nada de cor (basicamente o preto e branco com destaques azuis), transmitir com muita pontualidade o clima do livro, assim como as situações do mesmo. A editora fez um ótimo trabalho gráfico que deixou o livro digno de viver na minha estante para sempre!

Boyne realizou sua narrativa em terceira pessoa de forma encantadora, se é que posso dizer isso depois do desfecho da trama, mas não tenho uma palavra melhor para descrever a capacidade do autor em contar uma estória triste de forma tão leve e que nos faz esquecer toda tragédia que acontece ao redor do protagonista. Utilizando do olhar infantil, ele foi capaz de narrar os horrores de um campo de concentração.

Bruno é inteligente, mas muito inocente, embora filho de um dos comandantes de Hitler, ele não sabe que seu país está em guerra, menos ainda do que se trata o nazismo, ou o trabalho do pai. Assim ele explora tudo ao seu redor com um olhar puro e sem preconceitos, seu julgamento a cerca das pessoas é muito peculiar e longe da realidade. Ainda acha que o mundo deve girar de acordo com suas vontades, como por exemplo a sua inconformidade da mudança de casa, ou ainda a falta de empatia da fome que seu amigo passa do outro lado da cerca - ele é capaz de levar comida para o mesmo e comer no caminho porque tem fome. Tudo que importa para o menino é ser um explorador, e poder ter com quem brincar.

A família de Bruno é composta pelo pai, que é responsável pelo campo de concentração, mas que embora seja cruel com todos é paciente com o filho, mesmo quando ele questiona o que vê do outro lado da cerca; pela mãe que mesmo que não concorde com o marido o segue onde ele vai, e não parece tão preocupada com os filhos; e por fim pela irmã de Bruno, que está no início da adolescência e desenvolve uma paixonite por um soldado do pai.

Shmuel é quem apresenta a realidade do campo de concentração para Bruno, mesmo assim o menino não faz ideia até o fim do que se trata. O garotinho judeu é muito inteligente, pois é filho de uma professora. Ele é quem situa Bruno do atual local onde mora, a Polônia, até este momento ele ainda achava que estava em Berlim. Mesmo ele vendo todas as atrocidades que acontecem por perto também inocente (ou talvez prefira poupar o amigo?), quando seus parentes começam a sumir e não voltar, ele não sabe que estes estão aos poucos sendo mortos.


O Menino no Alto da Montanha - John Boyne

Entre os psicólogos e educadores muito se discute o que influencia afinal no comportamento e formação dos indivíduos. Algumas coisas são atribuídas a genética, mas a grande maioria é modelada pela influência ambiental. No livro O Menino no Alto da Montanha, do irlandês John Boyne, publicado pelo selo Seguinte, conseguimos perceber o quanto o entorno pode mudar radicalmente uma vida!

Pierrot é apenas uma criança quando sua mãe morre, sem parentes por perto ele acaba partindo da cidade de Paris, onde mora, para morar com a tia Beatrix nas montanhas alemãs. Na proximidade da explosão da segunda guerra mundial o casarão onde sua tia é governanta não é um lugar qualquer, é nada menos do que a casa onde Adolf Hitler se refugia do mundo, Berghof. Conhecer este homem e suas ideias nazistas acaba por mudar a vida de Pierrot, tanto quanto mudou o mundo, e talvez ele nunca mais consiga escapar desta mudança.

A narrativa do autor foi como todo livro de Boyne é, encantadora! A ponto de vezes me esquecer que o personagem que estava a minha frente era ninguém menos do que Hitler! Seu estilo de escrita em terceira pessoa conta em minúcias grandes eventos da época as vésperas da guerra até o seu término de um ângulo muito criativo, o de um menino que começa o livro com apenas sete anos, e termina já bem mais velho muito tempo depois da guerra terminar (1936 até 1945). Ver os acontecimentos sob o ângulo de uma criança suavizou muitos fatos fortes como o preconceito/crimes contra os judeus e a violência do próprio Adolf que se mostra uma pessoa ora muito ponderada, ora fanática pelos seus próprias ideias.

Um artifício que o autor usa, e que é genial, são as mudanças de nome do personagem que nasce como Pierrot, torna-se Pieter quando vai para Alemanha e depois ganha títulos em alemão de acordo com os graus do reich. Com isso fica claro as mudanças do menino, que de fato foram radicais.

Pierrot tinha verdadeira adoração pelo pai, que fora soldado na primeira guerra mundial. Entretanto a guerra o mudou a ponto de não conseguir seguir sua vida sem beber ou ter pesadelos. Com o vício ele abandona a família, e posteriormente morre, não sem antes ter marcado profundamente a mente do filho com ideias de raça pura e proteção da hegemonia alemã. Logo quando o menino conhece Hilter vê nele o pai que perdeu com as mesmas ideia, e Hitler por sua vez vê no menino a chance de modelar um mini ditador, que inclusive protege sem querer mandá-lo para guerra. De garoto inocente e doce para um nazista vemos o garoto crescendo e perdendo o rumo a ponto de trair a própria família. O que ele demora a perceber é quem estava certo na guerra, e que as coisas que ele fez nunca mais irão abandoná-lo.

O Hitler criado aqui pelo autor segue uma personalidade que acredito deva ser semelhante ao original, pelo menos ao que eu sei do mesmo. Como seu amor pelos animais (ironicamente Hitler tinha adoração pelos animais), gosto pela arte e sua certeza de que os seus ideais eram o melhor para Alemanha e o mundo.

Beatrix, a tia do menino esconde um segredo que o sobrinho acaba por descobrir. É uma moça gentil e com ideias próprias que só quis proteger o menino quando o levou para seu trabalho. Infelizmente o tiro saiu pela culatra, e acabei por sentir todos os tipos de sentimento por Pierrot, desde de dó e empatia quando ele fica orfã até raiva e desprezo quando ele assume a juventude hitleriana. Cheguei ao ponto que nosso protagonista tivesse um fim ruim, e eu diria que seu fim foi ruim, já que viver com as memórias que fez é um pesadelo acordado!



A Casa Assombrada - John Boyne

Londres... século 19, sob um céu poluído e entre ruas violentas começa nossa estória no livro A Casa Assombrada, do irlandês John Boyne, publicado pela editora Companhia das Letras. Eliza Caine é uma jovem que acaba de perder seu pai, sem dinheiro e perspectivas em uma cidade onde tudo lembra seu pai, ela resolve se candidatar a um cargo de governanta na região de Norfolk. Gaudlin Hall parece uma propriedade extraordinária com uma bela paisagem. Tudo correria bem senão fosse o fato de ao chegar Eliza encontrar apenas dois moradores na casa, Isabella e Eustace, duas crianças. Sem compreender quais são suas funções e onde os pais das crianças estão esta jovem governanta começa procurar por respostas, e as encontra da maneira mais sobrenatural possível!

Sou suspeita em falar da narrativa de Boyne, que neste volume é feita em primeira pessoa através da jovem Eliza, porque eu simplesmente adoro o modo como ele consegue nos envolve nas estórias que conta, sejam elas quais forem e sobre o que forem, ele consegue como em um conto de mil e uma noites nos despertar a curiosidade e empatia por seus personagens. Neste livro em especial onde o mote é o suspense, a expectativa e um pontinha de medo pela personagem foram companheiros constantes.

Eliza embora seja de uma época onde mulheres eram hostilizadas e menosprezadas tem uma alma diria feminista, ela não sabe mas tem! A frente do seu tempo ela desperta certa tensão em que a conhece, tanto pelo seu comportamento decidido e marcante quanto pelo fato de todos saberem da estória ocorrida em Gaudlin Hall, e ela ser a nova governanta do local. Ao descobrir o mistério que cerca a casa, ao contrário do que a grande maioria das mulheres de seu tempo fariam ela parte para luta, mesmo que ela tenha como destino a morte.

Isabella é a irmã mais velha, com doze anos parece uma adulta e não demonstra quase sentimentos. É direta e diz aquilo que lhe vem a mente sem filtros, diante de tanta dor e perda ela se fecho em si. Já seu irmão Eustace, com oito anos é muito diferente da irmã, mais sensível ele procura por proteção e amizade. Enquanto ela tenta fazer o que a mãe e o pai acham correto, ele é inocente e impulsivo.


Uma História de Solidão - John Boyne


Eu tenho impressão que existem autores que não importa o que escrevam irão conseguir despertar encanto em que lê. John Boyne me despertou um carinho imenso quando li O Palácio de Inverno, e tinha a nítida impressão que se ele escrevesse uma bula de remédio ela soaria menos perigosa que as outras. Não foi engano meu ao pensar que sua narrativa é mesmo assim mágica, já que em Uma História de Solidão, publicado pela Cia das Letras, foi tão surpreendente quanto seu outro livro.

Odran Yates é um padre na Irlanda, ele já está começando a ficar velho, e começa a rever seu passado, e a se perguntar sobre suas escolhas. Seu melhor amigo, Tom, que conheceu no seminário, é figura comum em suas lembranças e também quem desperta suas dúvidas. Ao narrar a história desses dois personagens, um panorama é traçado de uma sociedade sufocada pelo catolicismo e pelo regime doutrinário das escolas, desvelando um segredo bem guardado da igreja.

Não li a sinopse do livro quando escolhi, fui as cegas só pelo autor, e quando comecei a leitura e me dei conta de que o protagonista era um padre eu fiquei com medo de que o discurso religioso aparecesse. Mas ele nunca apareceu, o que conhecemos é um homem que é padre, mas não um religioso. Odran é marcado por uma estória trágica na infância, que fez com que sua mãe fizesse escolhas para ele que acabaram com ele no seminário.

A grande questão é que Odran nunca questionou, ele sempre acreditou que estava no local certo, que havia nascido para ser da Igreja. Ele é muito inocente, não consegue ver as situações de forma muito ampla, e diria adulta, já que não conseguiu perceber as tramas e situações que se desenrolavam a sua frente. Ele desperta empatia pela sua estória, que é narrada em primeira pessoa, através de capítulos em diversos anos de sua vida. O desfecho do livro que é o ápice sobre a conclusão de suas escolhas de vida, e é muito interessante, embora tardia.

Temas muito espinhosos são trabalhados no livro, como a relação da igreja católica na sociedade Irlandesa ao longo dos anos, que passou de respeitosa- os padres eram adorados e respeitados- para  o total desprezo e perseguição depois das denúncias de pedofilias acorridas por vários anos. Não sei dizer quanto o autor pegou da realidade, mas imaginar tudo que ele narrou é angustiante, já que muitas famílias entregavam seus filhos a esses homens tidos como santos para ajudarem em suas educações, e acabavam destruindo a vida desses meninos. Ele também coloca algumas questões quanto ao conhecimento e manipulação da igreja quanto a estes casos. E eu particularmente acredito que isto seja uma verdade, que ainda hoje custa a ser revelada ao público.


O Palácio de Inverno - John Boyne

Quando eu escolho ler um livro tudo começa quando ele é lançado, eu leio a sinopse e decoro na minha memória a capa dele, assim o tempo passa e tudo que eu sei é que ele está na lista de compras/leitura e lembro vagamente o tema dele. O Palácio de Inverno, do famoso escritor John Boyne, publicado pela Companhia das Letras, é um deles, entrou na minha lista faz muito tempo e tudo que me lembrava era que se relacionava com monarquia russa, mas ele não é só isso, por isso foi uma grata surpresa que a leitura dele me proporcionou!

Geórgui Jachmenev é um russo, ex-funcionário aposentado da biblioteca do Museu Britânico, viveu uma história de amor com sua querida Zoia, e quando ela está entre seus últimos dias de vida, ele começa a relembrar sua vida. Os caminhos que percorreu, suas alegrias, dores e fantasias.

Entre guerras mundiais, quedas políticas internas de seu país e transformações na Europa ele tenta sobreviver entre figuras como o Czar russo e Rasputin, e viver plenamente com aquela que ele escolheu para chamar de meu amor. Jachmenev não fazia ideia do que o esperava quando saiu de sua pequena aldeia, Cáchin para servir o último Czar Russo!

Uau! Como é difícil fazer a resenha deste livro! A Narrativa é feita em primeira pessoa através de Geórgui, que de maneira única narra os fatos de sua vida de forma alternada, entre tempos atuais da época que vive (década de 80) e sua adolescência (começo do século XX) de forma que estes tempos aos poucos se encontram, logo temos uma visão completa de sua vida ao final do livro que termina quase onde começou. Foi um recurso genial do autor, que me soou muito próximo de uma sessão de terapia, visto os conteúdos que o personagem trabalha quando conta sua história.

Jachmenev é um homem que viveu situações muito peculiares, mas que soaram tão reais, tão prováveis que tornam-se inquestionáveis. O mais rico em sua construção é que ele é humano, no sentido literal da palavra, ou seja, não é um homem bom típico dos livros, nem o vilão, é apenas um homem com defeitos e qualidades, que teve erros e acertos, e mais que isso depois de velho soube reconhecê-los. Sua forma de ser é romântica, ingênua e pura, embora ele tenha passado por situações muito fortes ele nutre um amor tão forte por Zoia que todo o resto torna-se secundário. Ele tem uma personalidade tão rica e bem explorada que poderia ficar páginas seguidas falando sobre sua estrutura.

O fato é que ele teve diversas oportunidades de se corromper, mas sua lealdade a família do Czar, o amor por Zoia e uma tranquilidade invejável fez com que ele passasse por guerras e conflitos e sobrevivesse, não só fisicamente mas mentalmente saudável. Boyne nos permitiu uma empatia quase instantânea com o protagonista.

Zoia é uma personagem que queria levar para o divã! O mistério que ela carrega, e que eu descobri até que cedo, mas que só é de fato consumado no final do livro é ótimo! O desfecho do livro é a marca que ela carrega e perturba toda a sua vida. Ela fez encadeamentos de situações a partir deste trauma central, gerando culpas que ela carregou e a minguaram aos poucos. Até o modo como ela adoece faz sentido diante de sua história marcada por todas estas culpas. Mais uma vez temos uma personagem humana, que não é idealizada, e até me surpreendeu em uma de suas atitudes.

Confesso que meu conhecimento sobre a história russa é quase nula, mas depois de conhecer um pouco sobre a família Romanov percebi que preciso corrigir essa falha. Boyne é excelente narrando fatos históricos e mesclando com a vida do personagem. Ele permite que sintamos a dor que cada uma destas épocas gerou na vida de quem os viveu, e mais que isso a apreensão de não saber quando seria o último dia de vida. Até onde pude ler ele colocou os fatos históricos de forma bastante real, inserindo neles apenas alguns personagens fictícios.

O fim do livro é triste, é muito triste, e dá uma vontade enorme de pegar um avião para Londres e consolar Geórgui! Não só pelas suas últimas páginas, mas pelo que aconteceu com ele em seus últimos dias na Rússia. E de imaginar que estas situações aconteceram no passado da Rússia!

O Palácio de Inverno é uma viagem pela Europa, pela história e mais do que tudo pelo inconsciente de quem viveu de perto a beleza do amor, a tristeza da guerra e natureza da vida! Leiam, porque não há palavras para expressar a experiência de trafegar pelo inconsciente deste homem e conhecer o consciente da história mundial!


Avaliação










Tormento – John Boyne

Danny acreditou que este seria mais um verão tranquilo para curtir suas férias, mas ele não poderia estar mais errado.  Um dia, quando chega a casa, não encontra sua mãe, o que não é usual e, junto com seu pai, eles esperam por um bom tempo até que ela chega escoltada por dois policiais porque tinha se envolvido em um acidente e atropelara um garotinho, que agora estava em coma com poucas chances de sobrevivência.
Enquanto sua mãe se isola de tudo e todos por conta da culpa, seu pai precisa tomar o lugar dela na família, ficando sobrecarregado, e seu irmão mais velho não está por perto porque começara a faculdade em outro lugar e agora tinha viajado com seus amigos pela Europa, Danny fica sem entender tudo o que está havendo e o motivo de todos estarem agindo estranho, sendo que a própria polícia afirmou que sua mãe não era responsável pelo acontecido. Então Danny toma uma decisão que vai acabar mudando tudo.
Este livro é bem pequeno, tem apenas 82 páginas, e a história é bem gostosa de ler e ainda muito envolvente, então é uma daquelas leituras que a gente faz rapidinho. Mesmo os que não têm costume de ler conseguem finalizá-lo em um dia. Mas confesso que achei a história curtinha demais, queria mesmo que tivesse mais páginas.
A narrativa está em primeira pessoa pelo protagonista Danny, e sua voz carrega uma visão delicada e sincera sobre as consequências do que o acidente gerou na família Delaney quando eles menos esperavam. Então a linguagem é simples e de fácil entendimento, e faz com que o leitor se aproxime bastante do personagem, conseguindo sentir junto com ele tudo o que está passando e o que vivencia em seus dias de acordo com as decisões que toma. Danny é um personagem sensível, extremamente fofo e corajoso, e eu gostei demais dele.
“Tormento” é um livro que possui pontos para reflexão, e mostra como as pessoas são diferentes, podendo agir de maneiras bem peculiares diante de um mesmo problema. Achei muito interessante que o autor tenha optado contar esta história sob o ponto de vista de uma criança, mostrando como ele se sente com tudo o que está havendo ao seu redor, sem entender a maneira que cada um interpreta uma mesma coisa de forma distinta.
Apesar de ter gostado desta obra, se comparada à outra infantil que li do autor e que também é mais leve, "A Coisa Terrível que aconteceu com Barnaby Brocket" (clique no título para ler a resenha) ela é fraca, senti falta de um maior desenvolvimento e de mais história, acho que Boyne tinha possibilidades ótimas para continuar, mas optou por não fazê-lo, o que é uma pena.
Gostei do final deste livro, que é fofo e feliz e termina com a história fechada, mas não curti tanto a forma como foi finalizado, porque mesmo que a gente saiba o que aconteceu, acabou do nada, deixando uma sensação de que não terminou de fato.
A editora Seguinte fez um trabalho ótimo com a diagramação, a fonte é grande e os espaçamentos estão com tamanhos bem confortáveis, além de contar com páginas amarelas, facilitando a leitura por um período maior de tempo sem incomodar a vista. Gosto desta capa, mas não é tão bonita e nem algo que chamaria a minha atenção se eu não conhecesse o autor, mas gostei do clima e do jogo de cores presente nela.
Relações familiares, culpa, sentimentos conflituosos, amizade, coragem, desespero, são alguns dos tópicos apresentados nesta obra infantojuvenil com uma sutileza contagiante. Recomendo a leitura para aqueles que curtem livros curtos e marcantes.
Avaliação



O Ladrão do Tempo – John Boyne

Eu já havia lido um livro escrito por John Boyne, “Noah Foge de Casa” (clique no título para ler a resenha), e, mesmo sendo voltado para o público infantil, vi que sua narrativa era brilhante e sagaz, e condizia com todas as críticas positivas que já li e ouvi sobre este autor.
Claro que, apesar de ter lido apenas uma de suas obras, passei a me considerar fã e a olhar os seus lançamentos para leitura. Infelizmente nem sempre eu consigo ler tudo o que quero, mas, quando vi que um “novo” livro de John Boyne (na verdade este foi seu primeiro romance) iria ser lançado pela Companhia das Letras e que a sinopse me agradava bastante, corri para tê-lo em mãos, e agora venho compartilhar com todos vocês as minhas opiniões a respeito deste exemplar.
Em “O Ladrão do Tempo” conhecemos a história de Matthieu Zéla, um garoto que vivia com seus pais em Paris, até que certo dia perdeu seu pai cedo para um assassino em um ato de violência quando voltava para casa, e viu sua mãe se casar novamente com um homem chamado Philippe DuMarqué.
Para sua infelicidade, seu padrasto não era um bom marido e muito menos um bom pai. E, para piorar as coisas, ele acabou assassinando sua mãe. Sozinho no mundo com o seu meio irmão, nosso protagonista acaba indo para Londres em um navio. É neste local que ele acaba conhecendo Dominique, uma menina mais velha que chama sua atenção e acaba sendo seu primeiro amor.
Acompanhamos, então, a vida de Matthieu, e sabemos mais sobre suas aventuras, perdas e amores, sobre os acontecimentos que ele presenciou e sobre tudo que passou. Quando ele chega a mais ou menos cinquenta anos, vemos que seu corpo para de envelhecer, e ele continua parecendo um cara normal e saudável e na casa dos cinquenta por muito, muito tempo.
Como o livro nos conta sobre os mais de duzentos e cinquenta anos da vida de nosso protagonista, e para a gente não se perder por ser um período tão extenso, em todo momento ele nos explica a situação, o lugar e o período em que se passa, para podermos acompanhar de forma que a gente não fique perdido em meio a história. Além disso, o tempo do livro não se passa de uma forma linear, ficamos lendo sobre tal momento, depois voltamos a outro no passado, e depois para um mais a frente, e assim por diante.
Em toda história temos novos acontecimentos que não deixam a trama ficar parada nem por um segundo. O autor consegue misturar fatos reais com ficção com bastante maestria, o que é bem interessante, pois adoro ver quando encontramos um nome conhecido no meio de vários personagens fictícios. Também achei maravilhoso porque, em meio a tantas informações que encontramos neste exemplar, ele acaba sendo uma gostosa aula de História.
A narrativa é feita em primeira pessoa, o que achei bem legal, já que assim conseguimos ter uma visão mais ampla de tudo que nosso protagonista sente e vê, fazendo com que a gente acabe criando uma certa identificação com o personagem e seus sentimentos.
A capa, apesar de não ser das minhas preferidas, não é assim tão feia, e os elementos que a compõem têm significado na trama. A diagramação está ótima, apesar de ser um livro bem extenso, as letras e espaçamento estão em um tamanho confortável para a leitura, fazendo com que a gente consiga ler por mais tempo sem cansar a vista.
Recomendo esta obra para todas as pessoas que gostem de um bom livro cheio de ação, suspense, assassinato, romance, História, tudo isso com uma dose de humor, que faz a leitura ser genial e deliciosa, nos prendendo do início ao fim com sua narrativa brilhante e despretensiosa.
Avaliação


A Coisa Terrível que Aconteceu com Barnaby Brocket – John Boyne

Alistair e Eleanor Brocket sempre se vangloriaram por terem uma família perfeitamente normal, sem chamar a atenção ou fazer algo fora do comum. Eles sempre evitaram pessoas que eram o mínimo de diferentes ou complicadas, e conseguiram isso muito bem por muito tempo, levando uma vida tranquila e pacata com seus dois filhos, Henry e Melanie, e seu cachorro de estimação de raça e pedigree indefinidos, o Capitão W. E. Johns.
Até que, com a terceira gravidez de Eleanor, tudo muda; logo após o parto a coisa mais anormal acontece: Barnaby Brocket, o novo membro da família, sai flutuando pelo quarto do hospital. O orgulho de Alistair e Eleanor foi ferido, afinal o novo filho se recusava “a obedecer a mais fundamental das regras. A lei da gravidade.”.
Eles imaginaram que essa teimosia de Barbany em ficar flutuando era coisa passageira, de criança esquisita, mas conforme os anos passavam e ele não mudava, seus pais começaram a ficar muito preocupados com a reputação da família e com o bem estar dos membros da mesma. Eles escondiam a criança o máximo que conseguiam, não deixando que ele saísse de casa e nem frequentasse escolas normais, afinal os vizinhos teriam a impressão errada deles e isso seria vergonhoso demais para aguentarem.


Até que Alistair e Eleanor não aguentavam mais passar por isso e, quando Barnaby completou oito anos de idade, eles montaram um plano que resultou no menino sair flutuando por aí, tendo que contar com a própria sorte para sobreviver e encontrar um destino. A coisa terrível que aconteceu com Barnaby acaba se transformando em uma viagem pelo mundo, onde ele acaba conhecendo lugares incríveis e pessoas tão espetaculares quanto ele, já que nenhuma delas é assim tão normal também.
Gente, estou completamente apaixonada por Barnaby! Que criança fofa e magnífica, e que história sensacional! Sério, toda vez que eu olho para esse livro fico com aquela sensação boa e gostosa de quando nós realmente gostamos muito mesmo de uma leitura. Fico sorrindo e suspirando (tá, pareço uma boba falando isso, mas relevem! Hahaha).


Nunca tinha lido nenhum livro de John Boyne e agora, além de me arrepender de ter demorado tanto para começar, entendo perfeitamente o que ele tem de tão bom escritor. Sei que esse livro é voltado para o público juvenil e, portanto, a linguagem é mais fácil e direta, mas desde já dá para perceber que ele é muito bom no que faz.
Gostei muito da narrativa, que é em terceira pessoa e, apesar de não ser minha preferida, algumas vezes é necessário que seja feita assim, e nesse caso ela encaixou perfeitamente com a história, nos deixando totalmente encantados. A sensação é que parece estar sendo contada por aquele tipo de narrador que faz com que o leitor sinta como se estivesse em uma conversa real, lhe ouvindo falar daqueles acontecimentos como sendo lembranças boas, como se fossem verdadeiros.


É uma narrativa deliciosa e reflexiva, afinal não há como definir o que é ser normal, já que cada um tem a sua própria concepção dessa palavra e o que ela significa para um, no sentido amplo, provavelmente não é o mesmo que para o próximo.
Barnaby passeia por diversos lugares no mundo (inclusive o Brasil), conhecendo muitas pessoas e vivendo aventuras espetaculares. Ser diferente do que é considerado normal o faz encontrar pessoas que o aceitam como ele é, sendo elas também de bom coração e já tendo vivenciado coisas terríveis, igual a ele. E, como um bom menino que é, ele sempre faz algo para retribuir a ajuda que recebeu das pessoas, o que acaba mudando positivamente a vida dos demais para melhor. Suas intenções são sempre boas e é muito bonito ver um menino tão pequeno que sofreu nas mãos dos pais ser tão diferente deles e propagar o amor ao próximo ao invés de se tornar alguém carrancudo e malvado.


“(...) Mas para mim elas parecem bem normais.
Palmira deu um sorriso.
– É porque elas são normais – disse ela. – Nós todos somos. A ideia que elas têm de normal, por acaso, é diferente das que outras pessoas têm. Mas esse é o mundo em que a gente vive. Algumas pessoas simplesmente não aceitam uma coisa que fuja da experiência que elas têm.”
Claro que a história tem um ar de fantasia, afinal essas situações não poderiam existir na nossa realidade por diversos fatores, mas, por incrível que pareça, a explicação que Boyne encontrou para o fato de Barbany flutuar é aceitável, e em uma dimensão paralela quase poderia ser real.


Dos personagens, nem precisava comentar, mas realmente odiei os pais, e não entendo como podem fazer algo tão terrível com o próprio filho e, pior ainda, sendo ele uma criança, mesmo que tenham suas motivações para agirem como agem na questão do “ser normal”. Pior que existem muitos pais horríveis por aí que fazem coisas tão ruins quanto com seus pequenos e isso me revolta profundamente!!
Enquanto isso, amei os irmãos de Barbany, que crianças meigas, mesmo com esses pais péssimos, também adorei conhecer junto com Barnaby boa parte das pessoas que ele encontrou no caminho e, claro, fiquei apaixonada pelo Capitão W. E. Johns (o cachorro da família), eu sou uma pessoa que ama animais e confesso que cães são os meus preferidos para ter de estimação, então fiquei ainda mais apaixonada com o melhor amigo de Barnaby.


“E aí ocorreu a Barnaby que ser normal não era tudo isso que diziam. Afinal de contas, quantos garotos que se dizem normais já haviam passado pelas mesmas aventuras que ele, ou conhecido as mesmas pessoas que ele? Quantos já haviam visto tanta coisa do mundo ou tanta gente pelo caminho?
[...]
E foi nesse momento que percebeu que gostava de ser diferente. Afinal de contas, havia nascido assim. E era assim que devia ser.”
O final é muito fofo! Na verdade ficou em aberto e não sabemos o que vai acontecer em seguida, e eu não sou muito fã desse tipo de finalização, porém, acho que nesse livro não poderia ter sido diferente porque se encaixou com tudo o que tinha acontecido, e nos deixou com aquele ar feliz e esperançoso de que coisas melhores viriam a seguir.


Ilustração do autor, John Boyne
A história é pequena e tem apenas 256 páginas, gostaria que fosse maior só porque eu queria poder acompanhar mais Barnaby nas suas aventuras, mas acho que teve um tamanho perfeito, já que deu tempo de acontecer tudo e ainda nos deixar com esse gostinho de quero mais. Além disso, a narrativa é tão rápida, fluida e cativante que as páginas são avançadas rapidamente e quando nos damos conta, infelizmente, o livro chegou ao fim. Ao fechar o livro ficamos com uma mensagem linda em nossos corações e aprendemos que o mais importante é nos aceitarmos como somos, independente das outras pessoas.
A parte gráfica também está maravilhosa, a começar pela capa linda com essa ilustração fofa em tons de verde e roxo com detalhes em azul, amarelo, marrom e vermelho, e apresenta capa complementar a contracapa. Para o livro ficar ainda mais bonito, a diagramação está incrível, a fonte do miolo, que apresenta tamanho e espaçamento confortável, não é preta e, sim, roxa, assim como todas as ilustrações internas feitas por Oliver Jeffers, que estão presentes em quase todos os capítulos, com traços e preenchimento na mesma cor. Os títulos dos capítulos estão em uma fonte diferente, assim como as legendas das imagens. As páginas são amarelas, facilitando a leitura por um período maior de tempo.


Indico “A Coisa Terrível que aconteceu com Barnaby Brocket” para pessoas de todas as idades. Às crianças, para aprenderem que ser diferente não é ruim, só o torna alguém especial, aos adultos porque tenho certeza de que vão se emocionar e se encantar com a singela e comovente história do menino Barnaby Brocket.
Avaliação


Noah Foge de Casa - John Boyne


Apesar de eu nunca ter lido nada deste autor, eu já o conhecia pelo seu livro “O Menino do Pijama Listrado”, que foi um best seller muito bem comentado em todo o mundo, que por isso virou um filme emocionante que levou milhares de pessoas ao cinema. Para quem nunca ouviu falar neste livro/filme, ou se interessou, ele já foi resenhado aqui no blog pela nossa colunista Danielle com uma resenha fantástica. Para conferir é só clicar no título. Então, acho que já comecei a leitura de “Noah Foge de Casa” esperando um livro daqueles, e pela sinopse eu apostava que seria. Agora, depois de lido venho compartilhar com vocês as minhas sinceras opiniões sobre esse título.
Nessa obra conhecemos Noah, um menino de oito anos que foge de casa para descobrir um lugar melhor para morar, e em sua busca vamos descobrindo algumas pistas do motivo que o levou a fugir de casa, o que só vai ocorrendo no decorrer da leitura, fazendo com que o leitor não compreenda no início, ou que fique pensando nos motivos que podem tê-lo levado a fugir.
Quando nosso protagonista foge de casa para viver a sua grande aventura, ele acaba encontrando uma loja de brinquedos onde tudo é feito de madeira e um dono que é um senhor de idade bem misterioso que mora e trabalha na tal loja.
Nesse mundo de fantasia encontramos animais falantes, objetos que têm vida, e um mundo cheio de histórias para serem contadas. Apesar de Noah ter apenas oitos anos, ele é bem esperto e um protagonista fofo e cativante, fazendo com que a gente fique torcendo por ele em todo o caminho e certas vezes até se esqueça de que ele é tão jovem. É muito bonito ver a amizade dele com o senhor que é o dono da loja, pois ela me pareceu sincera e verdadeira.
A leitura é simples e gostosa de ler, tendo uma narrativa rápida e fluida que nos prende do começo ao fim. Essa é aquele tipo de história que consegue transmitir vários sentimentos e temas difíceis da vida com um toque de leveza que mexe com o nosso coração. Acho difícil alguém conseguir ler este exemplar e não se sentir um pouco “tocado” pela história em si. Uma coisa que achei bem legal, é que no final de alguns capítulos encontramos desenhos com rabiscos como se fossem de uma criança, acredito que querendo passar a imagem de que são desenhos rabiscados pelo Noah, e isso foi um detalhe incrível nesta obra.
A capa do livro está super linda e representa bem a história com um desenho de textura como se fosse de madeira. A diagramação está perfeita, com letras espeçadas para deixar a leitura confortável, não cansando a vista mesmo quando lemos por horas seguidas, e as páginas estão amarelinhas, o que também ajuda e muito. A editora Cia. da Letras fez um trabalho incrível com essa obra, e nos trouxe um livro com uma qualidade excepcional.
Super recomendo essa leitura para todas as pessoas que gostam de um livro emocionante que consegue atingir tanto o público mais novo quanto o mais velho, que fala de temas importantes como bullying, perda, entre outros assuntos mais pesados de uma maneira leve e descontraída que agrada o leitor de uma forma que é impossível parar de ler.
Avaliação






>> Esse post está participando do Top Comentaristas Nº 12FORMULÁRIO


O menino do pijama listrado – John Boyne


Muitos já leram esse livro, outros viram o filme. Eu não havia feito nenhuma das duas coisas até alguns dias atrás. Sempre ouvi ou li comentários sobre “O menino do pijama listrado”, comentários sempre elogiosos, acompanhados da famosa frase “Chorei muito lendo esse livro” ou “Chorei muito assistindo ao filme” ou até mesmo “Eu chorei tanto com o livro quanto com o filme” e por aí vai.
Mesmo sempre tendo ouvido esse tipo de comentário, e apesar do meu interesse pelo livro, acabei não comprando, sempre deixando de lado a ideia de comprá-lo quando via as quão poucas páginas ele tinha. Cheguei a achar que não o leria tão cedo, mas, para minha felicidade, estava enganada.
Mesmo estando no meio de outras leituras, peguei “O menino do pijama listrado” emprestado, abandonei temporariamente os outros livros e me concentrei em descobrir por que essa história era tão elogiada.
A leitura da orelha do livro me deixou mais curiosa ainda, exatamente por não conter quase nenhum detalhe sobre a trama.
“É muito difícil descrever a história de O menino do pijama listrado. Normalmente, o texto da orelha traz alguma dica sobre o livro, alguma informação, mas nesse caso acreditamos que isso poderia prejudicar sua leitura, e talvez seja melhor realizá-la sem que você saiba nada sobre a trama.”
Foi assim que eu realizei minha leitura. A única coisa que eu sabia sobre a história antes de lê-la é que ela tinha alguma relação com a Segunda Guerra Mundial. Após terminar de ler, senti na pele a dificuldade de descrever a trama. É sempre complicado falar sobre um livro que se tornou um de seus favoritos, mas no caso de O menino do pijama listrado a dificuldade é ainda maior.
A história é narrada em terceira pessoa, segundo o ponto de vista de Bruno, um garoto de nove anos. Bruno morava com a família em Berlim, até o dia em que encontrou Maria, a governanta da casa, empacotando suas coisas.
Foi nesse dia que o garoto descobriu que ele e a família (seus pais e sua irmã Gretel) se mudariam para longe de Berlim por causa do emprego de seu pai, para quem todos diziam que o Fúria (nome que o pai de Bruno dizia que o garoto não estava pronunciando corretamente) tinha grandes planos. A nova casa não era nem de longe tão bonita quanto a antiga e ficava em um lugar afastado de tudo que, para Bruno, se chamava Haja-vista.
Haja-vista era um lugar isolado que, além de Bruno, sua família e os empregados, parecia ser habitado apenas pelos soldados, que eram comandados pelo pai do garoto.  Bruno descobriu que eles não eram os únicos naquele lugar na primeira vez que olhou pela janela de seu quarto.  Do outro lado de uma cerca enorme, viviam muitas pessoas.
“E um pensamento final passou pela cabeça de seu irmão, enquanto ele observava as centenas de pessoas na distância prosseguindo com seus assuntos, e era o fato de que todos eles [...] usavam as mesmas roupas: um conjunto de pijama cinza listrado com um boné cinza listrado na cabeça.” Pág. 40
O menino do pijama listrado é um livro curto, com menos de duzentas páginas, por isso não seria bom falar muito mais sobre a história. O importante é saber que, em certo momento, Bruno conhecerá Shmuel.  É como somos alertados na orelha do livro:
“Caso você comece a lê-lo, embarcará em uma jornada ao lado de um garoto de nove anos chamado Bruno [...]. E cedo ou tarde chegará com Bruno a uma cerca. Cercas como essa existem no mundo todo. Esperamos que você nunca se depare com uma delas.”
A partir da visão que Bruno tem das coisas que acontecem ao seu redor, o leitor pode ir associando os acontecimentos a fatos históricos, fazendo diversas descobertas ao longo da trama.
Não há como expressar as sensações que senti lendo essa história. Meus olhos lacrimejaram algumas vezes, mas não chorei. Para mim, o final foi previsível, mas nem por isso menos marcante. O menino do pijama listrado é uma história inesquecível, que traz à tona velhos questionamentos sobre o limite da crueldade humana, se é que esse limite existe.
“Já não sinto mais nada.” Pág. 152
Quando terminei a leitura, fiquei um bom tempo refletindo sobre a história, pensando em como eu veria os acontecimentos se fosse uma criança na época da Segunda Guerra Mundial. Não encontrei resposta para esse questionamento e nunca encontrarei, mas agora tenho uma ideia de como uma criança de nove anos enxerga o mundo.
A capa do livro é simples, mas bonita e significativa. Se você ainda não leu O menino do pijama listrado, que levou apenas dois dias e meio para ser escrito, um conselho: leia esse livro o quanto antes! Garanto que a jornada de Bruno vai te emocionar e permanecer com você para sempre.
Avaliação


>> Esse post está participando do Top Comentaristas Nº 09 - FORMULÁRIO