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Mais Forte Que o Sol - Irmãs Lyndon #02 - Julia Quinn

Ellie Lyndon estava caminhando tranquilamente, pensando na vida, quando de repente um homem cai literalmente aos seus pés. Charles Wycombe estava em cima de uma árvore bêbado porque estava um pouco desesperado já que tinha que arrumar uma esposa antes de fazer 30 anos, o que não faltava muito para acontecer, para não perder toda a sua fortuna para o primo distante, já que o pai tinha colocado esta condição em seu testamento.
É claro que neste momento eles ainda não sabiam que iam acabar se casando. Porém, por conta de alguns problemas em casa, Ellie precisa se casar ou a nova madrasta irá escolher seu noivo – velho, jovem demais ou com algum fato muito perturbador rodeando-o. E ela também precisará agir como uma empregada para a insuportável mulher, que agora se sente a dona do lar. Claro que com sua inteligência, Ellie conseguiu fazer alguns investimentos e tem um dinheiro guardado, porém só um homem poderia mexer nele, afinal mulheres não deveriam saber/mexer com essas coisas de acordo com diversos homens da época.
Unindo as necessidades de ambos, Ellie e Charlie percebem que o casamento de conveniência é a única saída para eles. Assim, ele vai conseguir manter sua fortuna e ela poderá conquistar sua independência e recuperar o dinheiro que é seu por direito. Porém, a química entre os dois é forte e a companhia do outro começa a ficar cada vez mais agradável. E, talvez, seguindo o caminho inverso, eles dois podem acabar se apaixonando pelo seu próprio cônjuge!
Amo a Julia Quinn com todo o meu coração. Tanto é que ela é minha autora favorita do gênero e também uma das minhas preferidas da vida. Porém, seu livro anterior dessa duologia, “Mais Lindo Que a Lua”, não foi um de seus melhores trabalhos na minha opinião, já que foi o único exemplar escrito por ela que eu não gostei, infelizmente. Então estava um pouco receosa de não amar esse segundo também, afinal a gente sempre espera adorar tudo o que nosso autor amado escreve, certo? No entanto, depois de ter finalizado essa obra, posso suspirar aliviada, já que ela é MARAVILHOSA! Me apaixonei por tudo e amei esse livro!
Primeiramente, essa é uma história divertidíssima! Me peguei gargalhando em diversos momentos da leitura, desde o comecinho até o final. O tom cômico que Quinn usou foi realmente muito agradável. Além disso, a trama é bem leve, envolvente e gostosa. Como essas já são marcas de Quinn, não podia esperar algo diferente.
Adorei a personalidade de Ellie e o fato de ela gostar de falar bastante. Parece uma geminiana, e como eu também sou, gosto de gente com quem poderia manter uma longa conversa, com uma pitada sarcástica e comentários sagazes de bônus. Além disso, ela é muito inteligente, direta, alegre, obstinada e prática. Charles também tem uma personalidade incrível, um bom coração, é bem engraçado e algumas de suas cenas bêbado eram ótimas. Os diálogos entre os dois eram muito bons e ainda tinham aquelas alfinetadas que a gente adora acompanhar nos casais que gostam muito de brigar no estilo gato e rato.
Além disso, nesse volume tivemos a oportunidade de acompanhar alguns momentos de ação e tensão – permeados com diversão também, porque foi a proposta da autora. Adoro quando ela coloca essas características na trama, porque dá uma movimentação e nos faz ficar apreensivos a respeito de como tudo vai ser resolvido.
Apesar de Victoria, protagonista do primeiro volume da duologia, ser irmã mais velha de Ellie, não tivemos participações dela neste livro, apenas alguns comentários sobre como estava a sua vida. E acho que foi a primeira vez que isso aconteceu nos livros de alguma série da autora. Mas entendo que para o desenrolar da história ela não poderia estar presente. Ou seja, você não precisa ler o primeiro para ler o segundo e vice-versa, já que são bem independentes.
A escrita de Quinn está sensacional como sempre. A trama é bem desenvolvida, assim como o relacionamento do casal, que começa de forma inusitada e vai se desenrolando aos pouquinhos, de um jeito que conquista o leitor, passando pela amizade e confiança, assim como a atração física, antes de se tornar amor. E isso é sempre encantador de acompanhar.


Nada Escapa a Lady Whistledown - Lady Whistledown #01 - Julia Quinn, Suzanne Enoch, Karen Hawkins & Mia Ryan

Quem acompanha as resenhas aqui no blog ou no nosso Instagram (@houseofchick) já deve ter notado o quanto amo Julia Quinn e suas obras. Ela, inclusive, já se tornou a minha autora favorita de Romances de Época e também uma das preferidas da vida. Então, sempre que uma de suas obras é publicada no Brasil eu já corro para adquirir meu exemplar e lê-lo o quanto antes. Afinal, são tramas deliciosas, bem construídas, divertidas e românticas, com personagens maravilhosos que logo se tornam nossos queridinhos. Tudo o que eu mais amo em uma leitura!
Por conta disso, assim que a Editora Arqueiro publicou o primeiro volume da duologia “Lady Whistledown”, eu corri para ler meu exemplar. Para quem não sabe, essa obra reúne quatro histórias mais curtas escritas por quatro autoras diferentes, que são: Julia Quinn, Suzanne Enoch, Karen Hawkins & Mia Ryan. Cada história possui seu enredo completo com início, meio e fim e seus próprios protagonistas.
Mas há três pontos em comum nelas. O primeiro é que todos possuem personagens que são citados nas colunas de fofocas da famosa cronista Lady Whistledown, que escrevia as novidades com os melhores comentários da época. Ela é uma personagem icônica da série mais famosa de Julia Quinn, “Os Bridgertons”. Até o quarto volume não sabíamos a verdadeira identidade dela, então esses contos aqui se passam nesse período, no começo do século XIX, na Inglaterra Regencial. Mas podem ficar tranquilos porque essa leitura é completamente independente da série “Os Bridgertons” e também do outro volume da duologia “Lady Whistledown”, que traz outras histórias com personagens diferentes.
O segundo ponto é que todas as tramas acontecem ao mesmo tempo e também nos mesmos locais. Então está havendo o inverno mais frio de Londres, com direito a um Tâmisa congelado, e uma temporada com bailes na Alta Sociedade, inclusive uma patinação no local.
O terceiro ponto em comum é que as tramas são interligadas de alguma forma. Ou seja, o protagonista de um faz uma pequena aparição na outra, e a cena em questão é citada de alguma maneira diferente, então temos a chance de conhecer uma nova perspectiva de um mesmo acontecimento. Considero isso bem divertido e interessante, afinal é assim que a vida acontece, cada pessoa vive sua própria vida, mas pode aparecer no background de outro indivíduo porque se esbarram, são assuntos de conversas paralelas, entre outros.
Na primeira história, “Um Amor Verdadeiro”, escrita por Suzanne Enoch, somos apresentados a Lady Anne Bishop e Maximilian Trent, marquês de Halfurst. Ela foi prometida em casamento a ele quando nasceu e ele ainda era uma criança. Mas os dois nunca tiveram qualquer tipo de envolvimento e ela morava em Londres enquanto ele em Yorkshire. Até que a jovem acaba de sair na coluna de Lady Whistledown por conta de uma cena que protagonizou no parque com outro homem. Fazendo com que ele saia de sua toca e venha conhecer sua noiva. Só que nem tudo sai como planejado, já que ela não vai ceder facilmente só porque eles são prometidos.
Esse conto é maravilhoso e muito divertido, com uma protagonista incrível que apronta umas situações para escapar de Maximilian que nos fazem rir. Assim como Anne, eu também não cederia facilmente a alguém que não tive contato a minha vida inteira só porque meus pais me prometeram em casamento, mas no fim acabaria me apaixonando porque ele é encantador.
Em seguida é a vez de Karen Hawkins com “Dois Corações”, onde conhecemos a Srta. Elizabeth Pritchard e Sir Royce Pemberley. Eles são amigos há muitos anos, mas nunca tiveram nenhum envolvimento além da amizade. Até que ela resolve que quer se casar e, como é uma mulher independente e decidida, que fez sua própria fortuna devido a sua inteligência e toma suas próprias decisões, segue em frente com seu plano. Mas Royce acaba se incomodando com isso, afinal ele quer continuar um solteirão convicto e acredita que ela deve seguir o mesmo caminho. Mas, quando nota que pode acabar perdendo-a, percebe que é hora de agir e deixar seus receios de lado.
A minha parte preferida dessa história foi a protagonista, que é forte e independente e faz o que quer quando quer, mesmo que todos falem dela ao seu redor, já que nunca se importa com a opinião alheia, afinal é dona de seu próprio nariz e fortuna. Ela também é um pouco excêntrica no modo de se vestir, o que adorei!
No terceiro conto temos a chance de acompanhar Lady Caroline Starling e o marquês de Darington, Terrance Greyson em “Uma Dúzia de Beijos”, de Mia Ryan. Há alguns anos, o marquês de Darington morreu, deixando o título para Terrance Greyson, que logo assumiu o novo lar, expulsando as moradoras do local, sendo que uma delas era ninguém menos do que Caroline. Então é claro que ela não gosta muito do homem. A questão, porém, é que ele logo se encanta por ela e vai fazer de tudo para mudar a opinião da moça a seu respeito, o que não será uma tarefa fácil.
Curti muito essa trama e conhecer melhor os personagens. Nem sempre a verdade é aquilo que sabemos e aqui podemos entender muito bem essa afirmação. Gostei de desvendar os segredos e ver os sentimentos dos protagonistas nascendo e se fortalecendo.
E para finalizar com chave de ouro, conhecemos a história da minha autora querida, Julia Quinn. Em “Trinta e Seis Cartões de Amor” somos apresentados a Susannah Ballister, que, quando debutou, foi a moça mais promissora da temporada. Tudo estava indo maravilhosamente bem com ela, indo a diversos bailes e vivendo um sonho com Clive Mann-Formsby. Todos tinham certeza de que um casamento seria anunciado em breve. E realmente foi, só que ela não era a noiva. Depois da rejeição e humilhação pública – afinal todos ficaram sabendo e ela foi destaque nas colunas de fofoca de Lady Whistledown –, Susannah passa um tempo no campo antes de retornar a Londres. O que ela não contava é que de repente surge um novo pretendente, alguém completamente inesperado, o irmão de Clive, David Mann-Formsby, o conde de Renminster. Será que ela vai vivenciar tudo aquilo novamente ou dessa vez o amor vai falar mais forte?
Nem preciso dizer que amei esse conto! Esse foi um casal surpreendente que funcionou maravilhosamente bem. Adorei as interações entre os dois, a forma como os sentimentos foram surgindo e o fato de Susannah ter dado a volta por cima, conquistando alguém muito melhor do que o canalha do Clive. Foi a perfeita vingança, ainda que ela não a tenha planejado.
O outro livro dessa duologia, chamado “Lady Whistledown Contra-Ataca”, foi publicado anteriormente aqui no Brasil, porém no exterior ele é o segundo livro. Como comentei antes, não é preciso ler em uma ordem porque cada história é completamente independente das demais, tanto do exemplar em questão quanto de sua “continuação”. Já li esta obra também e adorei! Então quem quiser pode conferir minha resenha com minhas opiniões clicando no título para ser redirecionado.
Das autoras presentes, eu conhecia todas somente por conta do primeiro livro da duologia que li. Porém, depois disso, também li uma obra completa de Suzanne Enoch, a qual me encantou completamente. Então já quero ler mais alguns de seus trabalhos, assim como das demais escritoras.
Eu realmente amei esse exemplar! É ainda melhor do que o outro que li anteriormente, e fiquei apaixonada por exatamente todas as histórias. Tanto que fiquei desejando por mais, uma pena que são só dois volumes. As escritas das autoras são maravilhosas, super sincronizadas e divertidas. As tramas são completas, apaixonantes e bem desenvolvidas. Seus personagens são donos de personalidades incríveis, bem construídos e adoráveis.  
Algo que achei bem interessante é que todas as crônicas de Lady Whistledown foram escritas pela própria Julia Quinn, a criadora da personagem e também a organizadora dessa antologia, o que deixou a personagem ainda mais genuína. Afinal ela sabe lhe dar o tom certo e faz os melhores comentários, fazendo com que pareça a mesma pessoa em todas essas histórias, assim como nos volumes de Os Bridgertons que ela apareceu. E ela teve que ler as tramas das outras escritoras para saber o que comentar, tornando tudo ainda mais “real”.
Mais uma vez, Julia Quinn consegue encantar o leitor com um romance de época delicioso e ainda vem acompanhada de três autoras maravilhosas, Suzanne Enoch, Karen Hawkins e Mia Ryan, que juntas nos apresentam histórias deliciosas, protagonistas muito cativantes, quatro romances apaixonantes e sorrisos gratuitos no decorrer das páginas.
Avaliação




Mais Lindo Que a Lua - Irmãs Lyndon #01 - Julia Quinn

Robert Kemble nunca pensou que esse dia chegaria, mas, assim que viu Victoria Lyndon pela primeira vez, se apaixonou instantaneamente pela moça. Então eles logo começaram a se envolver e passaram a trocar juras de amor, porém ele é ninguém menos do que o elegante conde de Macclesfield, filho do marquês de Castleford, enquanto ela é apenas a filha do novo vigário.
Claro que ambos os pais foram totalmente contra essa união, afinal o pai de Robert era obcecado por seus títulos e por suas terras e queria um casamento no mesmo nível para o filho. Enquanto o pai de Victoria acreditava fortemente que um homem do nível social dele e com tamanhas riquezas só iria querer brincar com os sentimentos dela e desgraçar a vida da moça, que acabaria tendo sua reputação arruinada e sem chances de um casamento. Mas, contra tudo e todos, eles resolvem viver esse amor e decidem fugir na calada da noite. Só que algo acaba dando terrivelmente errado e ambos acabam se separando.
Depois de passados sete anos, Robert e Victoria encontram por acaso em uma situação totalmente diferente do passado e com tudo mudado em suas vidas, principalmente na dela. E Robert acaba percebendo que seus sentimentos pela moça ainda estão ali presentes e ele não conseguirá resistir a seus encantos, mesmo que os dois tenham ficado muito magoados com o que aconteceu entre eles anteriormente.
Porém, mesmo que Victoria ainda sinta algo por ele, não consegue lhe dar o que o jovem deseja e tenta resistir a seus encantos, já que não se acha capaz de dar uma segunda chance ao homem que despedaçou seu coração e destruiu suas esperanças. Ela deseja se manter firme a seus ideais e a sua liberdade, e não vai se “vender” por nenhum dinheiro e nem pela proposta de virar a amante do homem que nunca deixou de amar.
Mas Robert quer Victoria e não vai desistir até que ela seja dele, custe o que custar. Então ele vai fazer de tudo para que ela aceite este destino, nem que para isso precise forçar algumas situações que considera necessárias. Mas será que depois de tantas mágoas e decepções, Victoria vai ceder a ele e eles poderão se perdoar mutuamente e viver esse amor?
Devo confessar que pensei que nunca diria isso a respeito de uma obra escrita por Julia Quinn, mas detestei esse livro. A trama em si não é totalmente ruim, em minha opinião até a considero mediana e daria três casinhas na minha avaliação final. Porém, as atitudes do protagonista masculino, Robert, foram ficando cada vez piores conforme a leitura avançava. E algo muito desagradável aconteceu no meio do livro, que me deixou extremamente incomodada. E de um jeito tão ruim que eu fiquei com vontade de parar a leitura naquele momento. Admito que fiquei xingando uma atitude de Victoria e precisei correr para comentar sobre aquilo com alguém de tão indignada que fiquei.
Não posso dar muitos detalhes sobre isso porque seriam spoilers, mas vou comentar um pouquinho a respeito. O que acontece é que Robert ficou boa parte do tempo querendo provar a Victoria que a amava. Mas não de um jeito fofo, e sim mostrá-la agindo de certa forma em uma situação específica, se é que vocês me entendem. Só que em determinado momento, ela resolve agir por pura pena, já que ele lhe fez se sentir mal por uma decisão que ela tomou. Nem preciso comentar mais, apesar de querer muito para vocês poderem entender a intensidade dos meus sentimentos de raiva (se alguém quiser falar abertamente sobre isso com spoilers, me manda inbox no Face ou e-mail), mas fiquei muitíssimo chateada com essa situação e com a autora. Imagino que garotas mais novas ou mais ingênuas podem ler isso e se deixarem influenciar pelo mal exemplo da protagonista, que só teve sorte porque este é um livro ficcional e, portanto, o personagem masculino realmente a amava, mas na vida real as coisas nem sempre funcionam de maneira tão romântica.
Em compensação, a narrativa de Julia continua maravilhosa, leve e envolvente. A gente começa a leitura e ela flui tão bem que quando percebemos já avançamos muitas páginas. Além disso, há uma pitada de humor bem gostosa, que faz com que o leitor se divirta com facilidade enquanto acompanha a trama e se delicie com comentários e diálogos sarcásticos e perspicazes, situações engraçadas e personagens com pequenas e significativas participações.
Também gosto bastante da ambientação, da forma como ela consegue descrever as situações de maneira vívida e cenários e cenas de forma quase palpável, fazendo com que tenhamos a possibilidade de imaginar cada coisa muito bem, visualmente falando, enquanto mergulhamos numa época bem diferente da nossa, com damas e cavalheiros vivendo na sociedade da Inglaterra no século XIX.


Lady Whistledown Contra-Ataca - Lady Whistledown #02 - Julia Quinn, Mia Ryan, Karen Hawkins & Suzanne Enoch

“Lady Whistledown Contra-Ataca” é uma antologia com contos de quatro autoras diferentes, Julia Quinn, Mia Ryan, Karen Hawkins e Suzanne Enoch, que se interligam entre si de alguma forma e contam com a participação para lá de especial de Lady Whistledown, a cronista mais famosa da sociedade na época, que sempre contou as melhores fofocas sobre os membros da alta sociedade britânica, escandalizando e relevando segredos ocultos. Quem já leu a série mais famosa de Quinn, “Os Bridgertons” (clique no título para conferir as resenhas de todos os nove volumes), vai conhecer muito bem esta personagem, que foi de suma importância nos quatro primeiros livros.
Vou comentar brevemente sobre cada história para vocês poderem saber um pouco sobre o que cada uma trata, sem revelar muito para não ter risco de spoilers, visto que são tramas relativamente curtas. Como fio condutor do enredo, há um intrigante roubo de uma pulseira de rubis milionária que aconteceu num jantar na casa de lady Neeley, cujos culpados são um grande mistério.
No primeiro conto, “O Primeiro Beijo”, de Julia Quinn, conhecemos a jovem Tillie Howard, filha do conde de Canby, que perdeu o amado irmão no campo de batalha em Waterloo. Ela é uma moça doce e também o melhor partido da temporada. Do outro lado, há Peter Thompson, um ex-soldado, que lutou junto com o irmão dela em Waterloo, de quem era o melhor amigo. Ele não tem dinheiro ou dotes e precisa encontrar uma noiva o quanto antes. E acaba se apaixonando por Tillie, mesmo sabendo que ela não está a sua altura e que será difícil provar que está interessado apenas nela, não em seu dote.
Esse conto é completamente apaixonante. Tem uma pitada de melancolia e também alguns pontos bem tristes, mas de maneira geral é divertido, leve e fofo. Os personagens combinam muito bem e o romance é daquele tipo que nos faz suspirar e torcer pelo final feliz.
Em seguida, há “A Última Tentação”, de Mia Ryan, no qual conhecemos Isabella Martin, a dama de companhia de lady Neeley há dez anos, que sabe como produzir festas e as faz com maestria. Ela, então, é convidada a fazer uma festa para Anthony Doring, lorde Roxbury, já que o pai deseja que ele encontre logo uma noiva. A grande questão é que ele logo se vê envolvido por Bella, mas será bem difícil lidar com toda alta sociedade por conta de um possível relacionamento com a criadagem.
Gostei bastante da protagonista independente criada por Ryan. Bella é forte, alegre e sempre busca sorrir, independentemente da situação em que está passando. Roxbury é um homem interessante e apoia a moça e seus sonhos. Algo que me incomodou neste conto é em relação a escrita, já que na maioria das páginas Isabella ria, sorria, gargalhava ou outro verbo com o mesmo significado, inúmeras vezes. Ficava meio chato e desnecessário ler isso repetidamente.
“O Melhor dos Dois Mundos”, de Suzanne Enoch, é a terceira história da obra e traz Charlotte Birling como protagonista, uma moça recatada que segue à risca tudo o que uma jovem dama deve ser e como agir, já que seus pais temem que ela seja pega pelo mesmo escândalo de sua prima, que foi abandonada depois de se casar há muitos anos. Ela está sendo cortejada por um homem tão sem graça quanto sua reputação, até que chama a atenção de ninguém menos do que o maior libertino de Londres, lorde Xavier Matson. Um homem que seus pais nunca aprovariam. Mas ele fica tão envolvido que fará de tudo para provar para ela que, sim, se interessa pela aparência e pela personalidade da jovem, que nada de sem graça é pelos olhos dele.
Eu realmente adorei essa história! Achei maravilhoso o fato de um personagem masculino tão disputado se interessar pela moça “apagada” e mostrar para Charlotte que ela é muito mais do que acha, fazendo-a se enxergar com melhores olhos e desejar mais da vida para si mesma. Afinal, nada tem a ver com os escândalos alheios. E achei lindo que Xavier tenha continuado tentando de tudo para ficar com ela, mesmo que tivesse tudo contra ele.
E, finalizando este volume, conhecemos Sophia e Max, o visconde de Easterly, seu esposo que não vê há anos, em “O Único Para Mim”, de Karen Hawkins. Depois de uma grande confusão no passado, ele foi embora, deixando sua esposa, com quem havia se casado recentemente, para trás. Agora, depois de doze anos, ela decide que quer pedir a separação para talvez encontrar a felicidade de novo. E é quando ele volta para poder impedi-la e também conquistá-la novamente, mesmo sem ter tido qualquer contato pessoal com ela desde que foi embora e deixando-a sozinha durante todo aquele tempo. Pode até ser difícil, mas o fogo da paixão entre eles sempre entrou em combustão rapidamente, então Max está disposto a mostrar que ele ainda pode existir.




Como Se Casar Com Um Marquês - Agentes da Coroa #02 - Julia Quinn

Elizabeth Hotchkiss é uma moça solteira que passou por algumas tragédias na vida, ficando como a única responsável por três irmãos mais novos. Sua situação é difícil e eles estão passando por problemas financeiros, mas ela está disposta a fazer o que for necessário para sustentá-los e manter todos unidos, então decide que está na hora de encontrar um marido.
Sem muitas opções e sem saber exatamente como agir direito para conseguir um partido pelo menos aceitável, ela começa a se sentir um pouco desesperada. E é quando encontra um livrinho bem peculiar na estante da biblioteca de sua patroa, Lady Danbury, que promete ajudá-la com esse “probleminha”: Como Se Casar Com Um Marquês.
Intrigada, não pensa duas vezes e resolve escondê-lo dentro de sua bolsa para analisar as regras daquele pequeno manual assim que chegar em casa. Sua irmã o vê e acha que Elizabeth deve testá-lo, afinal mal não fará. E, para isso, aconselha que nossa protagonista pratique com um homem que não sirva para este propósito antes de poder usá-lo com seu pretendente certo.
E é por isso que Elizabeth decide testar aquelas técnicas e dicas secretamente com James Siddons, o novo administrador de Lady Danbury. O que ela não sabe é que essa não é sua verdadeira identidade e ele é, na verdade, o sobrinho de sua patroa, o marquês de Riverdale, que está sob esse pseudônimo para ajudar a tia a encontrar um chantagista que está ameaçando revelar um grande segredo dessa senhora a toda sociedade.
Quando chega ao local, suas suspeitas logo caem sobre a moça, ainda mais depois de perceber que ela tem livre passagem pelos cômodos e está escondendo algo. Então decide investigá-la mais a fundo. E é quando encontra em suas posses aquele livrinho sobre como arranjar um casamento com um marquês. Intrigado, ele oferece ajuda a Elizabeth com o intuito de desvendá-la para descobrir se é realmente a chantagista. Mas as coisas acabam saindo como eles dois não esperavam e um sentimento começa a florescer entre eles. Só que ela não pode se casar com alguém que não seja rico e ele não quer se envolver com uma chantagista. Porém o destino pode pregar algumas peças e talvez Elizabeth acabe conquistando o seu marquês.
Quando li o primeiro volume desta duologia, “Como Agarrar Uma Herdeira” (clique para conferir minha resenha) adorei conhecer James e ficava imaginando como seria sua história. E não é que simplesmente amei?! Fiquei bem feliz de amar mais uma obra de Julia Quinn (minha autora preferida de romances de época e uma das favoritas da vida) tanto quanto as anteriores que amei, já que não tive esse sentimento pelos três últimos livros da autora que li, ainda que tenha adorado todos. Nesta obra ela conseguiu me deixar completamente apaixonada pelo casal, torcendo para que ficassem juntos logo enquanto me divertia com seus comentários inteligentes, suas provocações e maneiras de agir um com o outro.
O enredo deste exemplar é simples e tem aquela pitada de clichê que a gente adora, e acho que ficou perfeito exatamente por conta disso, já que a autora soube trabalhar muito bem essas questões. A trama é bem desenvolvida, muito gostosa e flui maravilhosamente bem.
Os protagonistas são adoráveis e adorei acompanhá-los com a mesma intensidade. Admiro muito as atitudes de Elizabeth, a forma como cuida da família e está disposta a fazer o que for necessário para vê-los felizes, mesmo que tenha que se esforçar mais para isso. James é um fofo, adoro o jeito como trata sua tia, Lady Danbury, e todos com quem se relaciona. O casal é maravilhoso e tem uma química incrível.
Amei as participações de Lady Danbury, personagem icônica de Quinn (se não me engano é a favorita dela e também uma das minhas – queria conhecer mais uma senhora com a personalidade dela na vida, que lembra minha tia avó, que infelizmente já se foi), que também apareceu em vários livros de “Os Bridgertons” e teve participações no “Quarteto Smythe-Smith”. Sempre que ela dá o ar de sua graça, as coisas se tornam ainda melhores, mais divertidas e até mesmo emocionantes. Ela é realmente memorável e merece todo o carinho dos leitores. Acredito que Julia tenha usado a personagem em momentos cruciais de diversas de suas séries (além das que já foram publicadas no Brasil) e mal vejo a hora de encontrá-la novamente.
Outro personagem que ganhou muito destaque foi o Malcolm, o gato de Lady Danbury. Que cenas divertidas ele protagonizou! Sempre que o gatinho aparecia, eu ria e tinha ataques de fofura com ele. Além do mais, quando era algo importante, ele também sabia como agir e foi um dos heróis em um momento de extrema importância na trama. Espero encontrar mais obras com gatos (ou outros animais) sensacionais como este por aí. E adorei os três irmãos de Elizabeth, todos fofos e engraçados. Já queria livros protagonizados por eles quando forem mais velhos.  


Como Agarrar Uma Herdeira - Agentes da Coroa #01 - Julia Quinn

Caroline Trent não viveu uma vida dos sonhos até agora, pelo contrário, passou por tantas coisas ruins que é até difícil ver uma luz no fim do túnel, mas uma fagulha está lá e ela não vai deixá-la se apagar. Depois de ter perdido seus pais e ter que passar por diversos tutores durante a vida, que estavam mais interessados no seu dinheiro (ou no seu corpo) do que em cuidar da jovem para transformá-la em uma dama para seguir seu caminho sozinha quando atingisse a maioridade. Agora, faltando menos de dois meses para completar vinte e um anos e, enfim, colocar as mãos em sua herança para poder seguir com seu destino, ela é atacada pelo filho de seu tutor atual, com a esperança do pai de que ela não tenha outra opção a não ser casar com seu filho para que todo o dinheiro dela permaneça nesta família.
Mas Caroline aprendeu com a vida como se cuidar – e também a carregar uma arma consigo –, então consegue escapar desta. Até que, quando se vê ao ar livre sem um plano muito bom, mas correndo contra o tempo mesmo assim, ela é sequestrada por Blake Ravenscroft, que pensa que a moça é ninguém menos do que Carlotta De Leon, uma famosa espiã espanhola que está envolvida com um caso importante que ele está investigando para a Coroa.
Claro que nossa protagonista encontra na confusão desse espião misterioso uma chance de escapar da família do tutor atual, então decide ir na onda e não lhe conta a verdade sobre sua identidade, pelo menos até que seis semanas se passem e ela possa sair livre para reclamar a fortuna que será sua por direito. Só que, como os planos, principalmente aqueles feitos às pressas, geralmente não dão certo, Caroline e Blake acabarão enfrentando muitas coisas juntos e, entre a convivência e as confusões, seus corações acabam ficando mexidos um pelo outro. Será que ele será capaz de deixar seu passado de lado para viver um novo amor com ela? E dessa vez ela conseguirá confiar num homem e permitirá a si própria se apaixonar?
Como Julia é uma das minhas autoras preferidas, sempre que um livro dela é publicado já coloco na minha pilha de leituras e passo na frente de vários outros, porque sei que vou adorar. Com esse livro não foi diferente e, assim que terminei, já queria poder voltar para lê-lo novamente, mas deixei para ler o próximo, já que há outros da autora chegando aí.
Devo dizer que estou imensamente feliz em ver que a Editora Arqueiro está publicando cada vez mais obras da rainha Quinn com rapidez.  Já sabia que eles tinham comprado os direitos de todos os seus livros, mas pensei que iriam demorar a publicá-los, pois são muitos. Mas, para minha alegria e também a de todos os fãs dessa escritora de romances de época tão querida, esse foi o quinto exemplar publicado este ano, sendo que o segundo desta duologia, “Como Se Casar Com Um Marquês”, também já saiu e será resenhado em breve aqui no blog. E o primeiro volume da próxima duologia, “Lady Whistledown”, que traz a famosa personagem presente na série “Os Bridgertons” está sendo publicado este mês. Ou seja, só temos motivos para comemorar, pois só em um ano sete livros dela – até o momento – foram publicados!
Adorei essa história de maneira geral e me diverti muito com Caroline e Blake, de verdade. Só acho que faltou um pouquinho para ficar completamente apaixonada. E, como não consigo evitar a comparação com outros casais criados por Julia, mesmo que eu tenha adorado estes dois, eles não entraram para o meu hall de absolutamente favoritos, por conta disso e outros pequenos detalhes, a obra ganhou quatro casinhas na avaliação final.
Se eu tivesse que definir um signo para os protagonistas, acho que escolheria gêmeos. Ambos falam pelos cotovelos, mudam de humor e opinião com facilidade muitas vezes, e fazem o que bem entendem, mesmo que troquem de ideia e decidam fazer outra coisa depois.
Caroline tem uma personalidade encantadora e marcante, é muito determinada e teimosa, e sempre tenta tirar o melhor de cada situação que vivencia. Como ela não foi criada da maneira usual para uma garota de seu nível social, acaba escapando um pouco do padrão da época, o que é sempre maravilhoso de acompanhar. Além do mais, ela sempre mantém seu bom humor, ainda que enfrente situações ruins e tenha muitas coisas desse estilo em seu passado, e tenha vivido boa parte do tempo sozinha, já que não tinha amigos ou pessoas próximas que realmente se importassem com ela.
Gostei de Blake também, apesar de não tanto quanto da protagonista feminina, justamente porque ele reclamava muito em alguns momentos e queria que tudo fosse feito exatamente do seu jeito ou da maneira que considerava ser a correta. Porém, por outro lado, ele tem um coração muito bom, quer sempre ajudar aqueles por quem nutre sentimentos, e luta com fantasmas de seu passado, que o transformaram em alguém com dificuldade de se abrir e se relacionar com as pessoas. Fora a culpa que carrega consigo por algo que aconteceu, que lhe impede de seguir em frente.
Um personagem que, para mim, foi de grande destaque, além de Caroline e Ravenscroft, foi o James, protagonista do segundo volume dessa duologia, que teve diversas participações aqui por ser o melhor amigo e companheiro de profissão de Blake, e por tê-lo ajudado e saído em missões juntos. E eu mal vejo a hora de conhecê-lo melhor, já que ele é divertido, alto astral e tem as melhores tiradas, então tenho certeza de que vou gostar de sua história, provavelmente mais até do que desta primeira. Ou seja, estou com expectativas altas e espero de verdade que elas sejam alcançadas.
A escrita de Julia é muito gostosa, flui bem e tem uma pitada cômica que eu adoro. Seus personagens são carismáticos, a trama é bem construída e divertida. Nesse volume há também um quê de mistério que funcionou muito bem.


O Duque e Eu - Os Bridgertons #01- Julia Quinn

Aqui entre nós eu sofro da ideia de que éramos mais felizes antigamente debaixo daquelas enormes camadas de saias, quando estudo e educação eram valorizados e a paisagem menos poluída. Talvez eu diga isso apenas por possuir uma visão romântica, sem experiência de uma vida sem conforto e tecnologia, mas ao ler romances de época ou assistir aos filmes queria me transportar alguns dias para estes tempos. Ainda bem que livros como O Duque e Eu - 1º Volume da série Os Bridgertons, da autora Julia Quinn, e publicado pela editora Arqueiro nos possibilitam essa viagem no tempo.

É temporada de bailes em Londres, Daphne Bridgerton está novamente em busca de alguém que mais do que uma marido seja alguém que compartilhe uma vida com ela e uma nova família, e é em um destes bailes que tentando fugir de um pretendente persistente ela esbarra em ninguém menos do que o Duque Simon Basset, que retorna a cidade depois de anos viajando.

Alguns minutos de conversa foram suficientes para que uma cumplicidade nasça e depois um plano para fugir das garras de mães interesseiras e pretendentes velhos, o Duque finge cortejar a moça, e ela seu interesse nele, mas a convivência mostra a eles que talvez o fingimento possa não dar certo. Daphne será capaz de não se apaixonar pelos olhos cheios de desejo de Simon, e este vai conseguir manter sua promessa de nunca se casar?

Ah que livro fofinho rs! É bastante relaxante a leitura deste livro, a narrativa em terceira pessoa de Quinn é dinâmica e ágil, com pitadas de humor e sarcasmo já que os personagens a todo tempo fazem piadas das regras sociais. Prova disto é que o começo de cada capítulo traz um trecho de um jornal que tem uma sessão de fofocas, e neles descreve alguns passos das principais famílias da sociedade, como quem está cortejando quem e etc. Essa suposta informante, Lady Whistledown, não tem a identidade revelada, mas influência de algum modo alguns dos passos dos personagens. Espero que ao fim da série ela se revele, já que tenho minhas suspeitas.

Daphne foge um pouco as regras da moça direita, quarta filha de uma família de oito irmãos, está acostumada a conviver com os homens, o que a faz diferente no tato com estes, e talvez acabe a complicando também já que os jovens a veem como uma boa amiga e não uma mulher desejada. Ela tem ambições pequenas, apenas casar-se e ter filhos, mas não se engane ela não faz o tipo moça recatada e certinha, ela ao contrário é dona de uma personalidade forte e com uma forte capacidade de empatia. Não tem medo dos homens e de quebrar regras se for necessário.

Simon é o personagem mais rico da trama, sua história de vida desde o berço até a vida adulta é narrada em detalhes, e seu modo de ver e viver a vida é um tanto interessante, já que seu maior objetivo é contrariar o pai mesmo que este já esteja morto. É uma criança em corpo de homem, e um grande desafio para mente de Daphne que tenta sempre compreender suas ações. É dono de uma libido alta, além de muitas portas abertas por conta de seu título que por sinal ele despreza!



Uma Noite Como Esta - Quarteto Smythe-Smith #02 - Julia Quinn

Anne Winter não é quem diz ser. Por conta de um passado ruim, ela teve que recomeçar a vida com uma nova identidade, mas luta bravamente para se manter de pé e de cabeça erguida. Em seu atual emprego, seu preferido até o momento depois do fatídico acontecimento que mudou tudo, ela cuida de três meninas de uma família importante da alta sociedade. E está indo tudo bem, até que um certo conde surge em seu caminho para atrapalhar tudo e mexer com suas estribeiras.
Daniel Smythe-Smith é o conde de Winstead e estava longe de sua família há anos, desde que participara de uma situação perigosa que teve resultados lamentáveis. Por conta disso, ele ganhou um grande inimigo, que jurou matá-lo, e precisou se exilar. Agora que tudo passou, Daniel está de volta. E, logo no dia de seu retorno, vê a jovem Anne tocando no concerto anual de sua família e fica instantaneamente apaixonado por ela. E fará de tudo para colocar sua presença na vida da moça, mesmo que tenha que ser impertinente e participar de tudo que ela esteja presente, incluindo passeios com suas jovens priminhas e peças de teatro desastrosas.
Mas, por conta de toda a bagagem emocional de Anne, que não lhe permite confiar nos homens, muito menos nos que têm algum poder em mãos, além do fato de ele ter um título de nobreza, o que pode ser um ótimo argumento para as más línguas, ela quer e precisa mantê-lo afastado. Para seu próprio bem, o de seu emprego e de sua reputação, que não pode ser arruinada novamente. Só que Daniel não vai desistir até fazê-la ceder às suas vontades. E, no meio do caminho, eles acabam enfrentando alguns perigos que achavam estar adormecidos. Agora, Daniel precisará fazer de tudo para salvá-la de uma possível situação terrível e não vai hesitar em usar o que estiver ao alcance para isso.
Quem acompanha o blog sabe que eu sou apaixonada por Julia Quinn e suas obras. Tanto é que ela foi a principal responsável por meu amor e vício por romances de época, que hoje em dia se tornou meu gênero favorito. Por conta disso, todos os livros da autora que são publicados no Brasil automaticamente entram para a minha lista de desejados e, assim que consigo, começo minhas leituras.
Então fiquei em êxtase quando a Editora Arqueiro, sua casa em território nacional, anunciou a publicação das quatro obras que compõem a série “Quarteto Smythe-Smith” de forma simultânea e logo que pude comecei minhas leituras. Adorei o primeiro volume e estava com altas expectativas para o segundo, mas, infelizmente, elas não foram atingidas. E, pela primeira vez desde que comecei a ler títulos da autora, eu não gostei tanto do resultado final, chegando a uma leitura boa, mas não no nível das demais no meu ponto de vista. Não que isso tenha me feito desgostar de sua escrita ou ter tirado um pouco da minha vontade de continuar lendo seus exemplares, pelo contrário, já estou contando os dias para o próximo! Mas nesta resenha vou dizer o que não me conquistou tanto assim em “Uma Noite Como Esta”.
Acho que meu principal problema com este livro é que faltou uma química entre o casal protagonista. E isso me incomodou porque essa é sempre uma das melhores partes de suas histórias. Não senti faíscas, meu coração não se alegrou ou se empolgou e eu nem mesmo estava contando os segundos para ver os dois se acertarem e viverem um lindo romance.
O pior é que eu realmente, realmente adoro casais, a construção deles, o modo como vivem um amor bonito e que nos faz suspirar, então fiquei triste porque não encontrei essas características em Daniel e Anne. Além disso, não sou nem um pouquinho fã de amor instantâneo e o desse livro é assim. Se tivesse sido trabalhado de uma forma que me fizesse ficar apaixonada, eu poderia até gostar, só que não foi o caso. Achei chato, apelativo e rápido demais.
E devo dizer que não gostei da insistência obsessiva e inconveniente de Daniel, que queria fazer com que Anne o aceitasse em sua vida e também os seus sentimentos por ela (que foram fortes desde o primeiro momento em que a viu, sem nem ter trocado uma palavra com a moça). E considero até forçada a aproximação dos dois e o modo como ele se inseria na vida dela e em suas atividades. Não achei bonitinho, mas revoltante e inoportuno. Ainda mais levando em consideração o fato de que ela lhe pedia para não fazer isso, pois, por mais que sentisse algo de leve por ele, queria manter distância. Achei enervante e sufocante sua perseguição, além de indelicada.
Claro que a gente sabe que tudo vai dar mais do que certo entre os dois em algum momento, afinal eles são protagonistas de um livro de romance de época, mas senti que o relacionamento deles foi forçado só para ser diferente. Afinal, naquele tempo, as pessoas tinham um olhar diferente do que temos hoje e logo pensariam e tratariam a moça muito mal só porque ela é governanta e cativou a atenção de um conde. Isso era totalmente inadequado e, claro, a culpa sempre cairia na mulher, que, além de ser do sexo “frágil”, ainda era uma mera empregada, enquanto ele tinha um título importante e dinheiro. Ou seja, sua reputação com certeza iria sair ferida, ainda que eles realmente ficassem juntos no final, e quase ninguém aceitaria isso de bom grado. Mas aqui foi supertranquilo. Ou seja, soou irreal para mim.
Gostei da Anne, que merece muitos créditos por ter enfrentado a vida e a situação que vivia de cabeça erguida, ter dado a volta por cima e ter se saído muito bem com tudo o que tinha e com coisas horríveis que teve que enfrentar. Admiro a personagem, sua garra e coragem, e também a força que demonstrou mesmo que tivesse que vivenciar novas situações aterrorizantes.
Algo que sempre adoro nas obras de Quinn é a construção dos personagens. Ela consegue nos mostrar muito bem tanto o presente quanto o passado dos protagonistas, fazendo com que a gente entenda o que viveram e o que contribuiu para se tornarem o que são em suas vidas atuais. No caso de Daniel e Anne, ambos sofreram muito por conta de coisas que fizeram anteriormente e que tiveram consequências negativas em suas vidas até então.


Simplesmente o Paraíso - Quarteto Smythe-Smith #01 - Julia Quinn

Honoria Smythe-Smith sabe que é péssima como violinista, mas ainda assim adora que sua família tenha uma tradição por tantos anos e se sente feliz por poder participar dela, mesmo sabendo que o público que as assiste preferia ficar surdo por algumas horas só para não ter que enfrentar aquela tortura. Para estar “preparada” para a apresentação, ela e suas primas aptas – as jovens solteiras da família – ensaiam bastante, mesmo que isso não sirva de muita coisa. E nossa protagonista sabe que não adianta em nada reclamar de alguma coisa, então nem o faz. Durante o espetáculo, ela sempre mantém um sorriso no rosto como se estivesse fazendo algo lindo de se ver, mesmo que não seja nada bom de ouvir, enquanto deseja fortemente encontrar um marido ideal que não queira uma esposa com talento musical, com quem possa ter uma grande família feliz.
Marcus Holroyd é um tímido conde, melhor amigo do irmão mais velho de Honoria, Daniel, para quem fez uma promessa muito importante alguns anos antes. Daniel Smythe-Smith foi para o exílio, mas, antes disso, lhe pediu para cuidar de Honoria e impedir que ela se casasse com pretendentes inadequados. O problema é que aos olhos de Marcus, todos eles são de fato inadequados e ele sempre tem que espantá-los, de uma forma discreta, claro. Até que Marcus começa a perceber que talvez a razão de não achar alguém bom o suficiente para Honoria não seja por conta da personalidade deles (mesmo que algumas delas sejam bem ruins), mas devido a seus próprios sentimentos. Será ele capaz de se declarar ou pelo menos dar o primeiro passo, ou perderá ela para sempre?
Depois de ter lido todos os nove livros e me apaixonado pela família Bridgerton, estava ansiosa para conhecer novos trabalhos e personagens criados por Julia Quinn, que desde o começo da primeira série que li dela já se tornou uma das minhas autoras favoritas da vida. Então, quando a Editora Arqueiro anunciou a publicação dessa nova série, sabia que precisava tê-la para ler o quanto antes.
Duas coisas me animaram muito a respeito do “Quarteto Smythe-Smith”. A primeira foi que na verdade nós já conhecíamos essa família tão famosa há muito tempo, justamente porque em diversas obras dos Bridgertons ela aparece com seus membros tocando no quarteto, ano após ano, mesmo com sua fama de as moças do mesmo serem péssimas. Então pudemos compartilhar os momentos com os personagens, que vivenciaram cenas hilárias e outras penosas nessas apresentações. Foi bem bacana saber que agora teríamos a oportunidade de conhecer algumas das meninas responsáveis pelas apresentações e saber o que elas sentiam com essa tradição familiar que era imposta a elas.
A segunda foi que a editora publicou todos os quatro volumes de uma única vez aqui no Brasil e isso nunca tinha acontecido antes. O que é maravilhoso porque não temos que esperar um tempo muito longo para conferir as demais histórias. Então fiquei realmente muito empolgada para conferir esse quarteto.
Como eu já imaginava, adorei essa leitura! É possível sentir a atmosfera divertida e leve de Julia em todas as suas obras e dessa vez não foi diferente. Os personagens são carismáticos e donos de diálogos inteligentes e interessantes, as situações são envolventes e o romance faz nosso coração palpitar. Em comparação com os meus preferidos de Quinn, este não está entre os que mais amei, então ganhou quatro casinhas de avaliação final, mas, mesmo não estando dentre os melhores, continua sendo sensacional.

O romance foi bem desenvolvido e aconteceu aos poucos e foi se desenvolvendo de uma forma deliciosa, daquele tipo que nos faz torcer pelos personagens e desejar que fiquem juntos o quanto antes. E, quando finalmente isso acontece, que nunca mais se separem. O mais legal de tudo é que eles eram amigos de infância e essa amizade foi dando lugar para sentimentos mais fortes antes de surgir o amor. Honoria é maravilhosa e Marcus com sua timidez é um fofo apaixonante.
Esse livro começa quando a série “Os Bridgertons” ainda não tinha sido finalizada (ocorre em 1824, mesma época de “Os Segredos de Colin Bridgerton”, quarto volume), e nem todos os irmãos estavam casados ainda. A própria Honoria, protagonista aqui, estava interessada em ninguém menos do que Gregory, o último dos irmãos a continuar solteiro. E ainda tivemos algumas ilustres participações de personagens que já conhecíamos e amávamos, como Lady Danbury (que é tia-avó de Marcus), o próprio Greg e seu irmão mais velho, Colin Bridgerton.


E Viveram Felizes Para Sempre - Os Bridgertons #09 - Julia Quinn

Quem acompanha o blog ou minhas resenhas, sabe que eu sou uma grande fã de Julia Quinn, que me cativou muito ao longo dos anos com a série “Os Bridgertons”, transformando-se, assim, em uma das minhas autoras preferidas da vida. As histórias desta família maravilhosa são divertidas, deliciosas, possuem personagens imensamente carismáticos e tramas incríveis, que com certeza vão fazer qualquer leitor que curte romances de época se apaixonar perdidamente.
Inclusive foi ela uma das responsáveis por me aventurar e me apaixonar por livros do gênero. Antes de Quinn, só tinha lido uma obra do estilo, mas depois dela não consegui mais largar este mundo de bailes, etiquetas e vestimentas, e quando o romance não era tão frequente em casamentos da alta sociedade, mas com todos os seus personagens, isso é possível. Então passei a me apaixonar por suas tramas e ler com mais fervor cada um dos exemplares desta série magnífica.
Desde 2014 a Editora Arqueiro vem publicando “Os Bridgertons” e este ano a série chegou ao fim com este exemplar que reúne histórias de cada um dos irmãos mais uma extra, contando como os pais, Violet e Edmund, se conheceram, se apaixonaram e viveram uma linda, apesar de curta, história de amor.
Então, “E Viveram Felizes Para Sempre” nada mais é do que uma reunião de segundos epílogos de cada um dos livros anteriores, revelando alguns segredos e coisas que os leitores desejaram saber, mas que ainda não haviam sido expostos originalmente em suas histórias. Julia, então, atendeu aos insistentes e constantes pedidos dos fãs da série e escreveu pequenas histórias sobre os pontos que ficaram em aberto nas tramas originais e que mais gostaríamos de desvendar.
Como se tratam de histórias com revelações de algo que tinha ficado “de fora” dos livros originais de cada personagem, elas podem não fazer sentido para quem não leu as obras, então é aconselhável que leia apenas depois de ler todos os oito livros anteriores ou o ler apenas as correspondentes dos livros que você já leu.
Vou comentar brevemente sobre cada conto, pois assim a resenha não fica gigantesca, afinal são nove histórias, e nem corro o risco de soltar algum spoiler, já que são tramas curtas. Como aconselho que este volume só seja lido inteiramente depois da leitura dos oito volumes anteriores, não vou me estender sobre os personagens, pois os leitores já os conheciam. Mas vou deixar os links de todas as minhas resenhas aqui para quem quiser ler minhas opiniões sobre cada livro, basta clicar no título que será redirecionado.
Os segundos epílogos estão seguindo a mesma ordem dos livros, ou seja, o primeiro é a continuação de “O Duque e Eu” e assim sucessivamente, até “A Caminho do Altar”. Na página antes do início de cada um, Julia escreveu algumas linhas sobre qual assunto ela escolheu como ponto central de cada trama e o motivo de tê-lo feito. E decidiu fechar sua obra com chave de ouro com a história de amor de Violet e Edmund, que, claro, ocorreu bem antes do primeiro volume, mas aqui foi apresentado por último.



Amei rever um dos meus casais preferidos no segundo epílogo de “O Duque e Eu”, que nos mostra o que realmente há naquelas cartas que Simon recebeu de seu pai. Confesso que, como os protagonistas, eu imaginava que seria algo diferente. Mas entendo o motivo de ter sido o que foi e concordo que na maioria das vezes as coisas não são como esperamos, mas nem por isso devemos deixá-las afetar negativamente nossas vidas. Além disso, temos a oportunidade de ver uma surpresa linda para Daphne e a presença dos ilustres Colin e Penelope. Ah, e o amor de Daphne e Simon dá para sentir através das páginas, mesmo depois de tantos anos de casados, o que é lindo!
Em “O Visconde Que Me Amava” é claro que vamos acompanhar mais uma divertidíssima partida de Pall Mall, que fez grande sucesso no livro em questão e também é uma das coisas que os leitores mais gostam em suas obras, segundo a própria Julia. Só que eu confesso que esperava um pouquinho mais deste conto, porque este é outro dos meus casais preferidos.
Neste novo epílogo de “Um Perfeito Cavalheiro”, podemos considerá-lo mais como um spin-off do que como uma continuação propriamente dita, afinal aqui a história traz como protagonista a irmã mais nova de Sophie, Posy, que foi uma das responsáveis por salvar a versão da Cinderela de Julia. E temos a chance de vê-la encontrando o seu verdadeiro amor. Foi lindo, fofo e de fazer suspirar.


A Caminho do Altar - Os Bridgertons #08 - Julia Quinn

Gregory Bridgerton sempre acreditou no amor. Mas essa crença dificilmente seria diferente na vida do mais jovem dos homens da família, afinal, todos os seus irmãos, incluindo a caçula, Hyacinth, são bem casados e amam seus cônjuges profundamente, vivendo ótimos casamentos. Até mesmo seus pais viveram uma linda e inesquecível história de amor que nem o tempo longe do outro (já que o pai faleceu há muitos anos) conseguiu quebrar o encanto da mãe que nunca mais quis se envolver com outra pessoa.
Então é claro que ele vive esperando aquele momento em que tudo vai mudar em sua vida. Aquela fração de segundo que ele vai olhar para sua alma gêmea e vai saber que ela é a razão de tudo o que viveu até aquele momento, que ela é a razão de ele estar ali, é a razão de tudo.
E, no momento em que Gregory põe seus olhos em Hermione Watson, ele tem certeza de que é ela a mulher que sempre esperou. Só há um problema nisso: a jovem está apaixonada por outra pessoa e não tem olhos para mais ninguém, mesmo que ela seja a moça mais cobiçada dentre todas – e o que não lhe falta são pretendentes que fariam de tudo para ter uma chance com ela.
A sorte dele é que a melhor amiga de Hermione, Lucinda Abernathy, deseja encontrar alguém mais apropriado para a amiga, já que o homem por quem ela está apaixonada não é o ideal, e acredita que Gregory seja um substituto muito melhor. Então ela decide ajudá-lo a conquistar sua amiga, mesmo que a própria Lucinda não acredite realmente em amor verdadeiro.
É claro que as coisas não saem como o esperado e certas ocasiões se desenrolam no meio, atrapalhando tudo, como o fato de que Lucy começa a sentir coisas inesperadas pelo romântico Bridgerton. Só que ela já está prometida para outro há muitos anos, e quando dá uma palavra segue com a mesma até o fim. Mas será que na verdade Gregory vai perceber que a mulher certa para ele é a que primeiramente tinha pensado ser a errada? Resta saber se suas forças serão suficientes para lutar pelo amor de verdade ou ele irá escolher o caminho mais fácil, que pode não passar de uma mera ilusão.
O que eu poderia dizer sobre este livro? Gregory realmente exala amor em seus poros e, consequentemente nas páginas da obra, porque, definitivamente eu fui fisgada por ele, por Lucy e pela trama, e agora me vejo completamente apaixonada por tudo, com aquela sensação deliciosa de ter chegado ao fim com vontade de abraçar meu exemplar enquanto penso nos bons sentimentos que ele me despertou.
Depois: que prólogo é esse?! Não tem como você ler e não ficar completamente ansiosa para chegar naquela parte da história para saber o que vai acontecer. E, olha, quando finalmente alcançamos a tão desejada cena, não é nada do jeito que esperávamos, o que acaba surpreendendo totalmente o leitor. Eu, pelo menos, adorei o que a autora fez e qual caminho seguiu, justamente porque saiu do lugar comum.
Adorei os personagens principais. Foi maravilhoso ver que desta vez o homem era o romântico, e não a mocinha, como geralmente acontece. Era muito fofo vê-lo suspirando por este tão belo sentimento, tão convicto de que ele também sentiria essa grandiosidade em algum momento de sua vida. Nos demais volumes não tivemos a oportunidade de conhecer Gregory tão bem assim, mesmo que ele tenha sido o último dos oito irmãos a ganhar seu próprio livro. Primeiro porque ele era bem mais novo do que os demais, então não estava nos círculos de amizade, frequentando círculos sociais ou bailes, etc. nos livros anteriores. E, depois, quando já tinha idade suficiente, estava estudando, então só o vimos vez ou outra em alguma situação importante nos últimos livros (se não me engano no quinto e no sétimo). Então foi adorável conhecermos ele melhor, seus pensamentos, suas angústias, seus desejos. E adorei!
Lucy também merece seu destaque, porque ela á adorável, e adorei sua personalidade prática, e acho que ela combina com Gregory justamente por ser tão oposta a ele em diversas coisas (se não em tudo), daquele tipo que nos faz ter certeza de que alguns opostos realmente se completam. E gostei mais ainda quando ela percebeu que aqueles sentimentos também podiam existir para ela, e quando se entregou a eles. Foi fofo!
Mas, para quem gosta de cenas bem quentes, devo avisar que neste exemplar elas não estão muito presentes e há apenas uma cena deste tipo. Particularmente, eu adorei isso, visto que gosto mais quando elas são um complemento para o romance e não a parte principal dele.
Este volume é cheio de reviravoltas, e, enquanto eu ia lendo, percebi que estava sentindo falta disso em romances de épocas sem que eu me desse conta! Sabe quando você lê algo, que é divertido e fofo e adora? E sabe quando fica ainda melhor quando há uma pitada de suspense por não saber como os problemas serão resolvidos? E quando você espera ou tem quase certeza de que algo vai acontecer de uma forma, mas na verdade a autora mexe com tudo e te surpreende completamente, fazendo com que algo que você não esperava, de maneira nenhuma, se concretize? Então, foi isso que Julia Quinn fez! E foi tão maravilhoso querer descobrir o que iria acontecer! A gente fica com aquela sensação de um breve friozinho na barriga, sabendo que tudo vai dar certo no final, mas sem saber como a autora fez para chegar até lá.


Um Beijo Inesquecível - Os Bridgertons #07 - Julia Quinn

E chegou a vez da irmã mais nova ganhar sua própria história. Hyacinth Bridgerton é uma força da natureza: dona de uma personalidade forte, pensamentos rápidos, língua afiada e comentários francos, essa moça sempre tem uma resposta pronta para quem for, independentemente da situação em que se encontra. E é difícil encontrar alguém que esteja no mesmo nível da garota, e, ainda mais complicado, alguém que a faça se sentir desafiada.
Mas não é que Gareth St. Clair, ninguém menos do que o neto favorito da adorada/temida Lady Danbury, consegue esse feito? Além de ser capaz manter uma conversa adequada com Hyacinth, ser muito atraente e ter uma grande fama de libertino, ele consegue deixá-la sem fala em algumas ocasiões, e até com um certo frio na barriga.
Gareth é um rapaz bom e inteligente, e possui um grande amor por sua avó, mas viveu muitos momentos tensos durante toda a sua vida por conta de sua relação completamente conturbada com o pai, que o faz se sentir inferior e desprezado até hoje.
Quando Gareth descobre um diário escrito por sua avó paterna, e que lhe foi deixado por seu irmão antes de morrer, ele decide lê-lo e investigar os escritos mais a fundo. Porém, o diário está todo escrito em italiano, língua que Gareth não conhece absolutamente nada. Mas, para a sorte do rapaz, Hyacinth consegue entender a língua (mesmo que não completamente) e acaba ajudando-o na tradução.
E é com este material que muitos segredos serão revelados, e Gareth poderá entender melhor sobre sua origem e sua família. E, mais ainda, é o diário que o aproxima cada vez mais de Hyacinth, fazendo com que uma grande amizade surja ali, que, futuramente, acaba dando lugar a algo muito mais forte. E então os sentimentos se intensificam e os dois acabam percebendo que um beijo pode mudar tudo.
Sabe quando a gente começa a sentir saudade de uma coisa antes mesmo de precisar se despedir dela? É como estou me sentindo com relação aos Bridgertons, essa família da literatura tão querida por mim. Este é o sétimo volume e depois deste só vou encontrá-los mais duas vezes: no oitavo e “último”, “A Caminho do Altar”, que traz a história do irmão do sexo masculino mais novo (a Hyacinth é a filha mais nova da família), Gregory, que fecha o ciclo de volumes onde acompanhamos cada um dos oito irmãos; e “E Viveram Felizes Para Sempre”, que na verdade é uma coletânea com segundos epílogos de cada uma destas histórias e mais um conto extra com a vida da matriarca da família, Violet, com o já falecido Edmund.
Isso por enquanto, já que a autora está escrevendo uma nova série com parentes um pouco mais distantes, mas que devem contar com as participações de alguns destes Bridgertons, e não vejo a hora de tê-los em mãos também (ainda não há data de publicação nacional).
Achei muito interessante este diário da avó de Gareth, as coisas que ali estavam escritas, e a forma como ele ficou responsável por mudar toda a dinâmica da história, tanto em relação aos acontecimentos e segredos que vamos descobrindo junto com os protagonistas, como o relacionamento que eles começam a desenvolver um com o outro, primeiro em busca de respostas para suas perguntas em relação aos escritos, depois fazendo com que gostem cada vez mais de passar momentos na companhia um do outro, até que eles passam a trocar confidências, e depois se veem tão envolvidos que a amizade precisa avançar para outro nível.
E amo a ligação dele com a Lady Danbury, já que Gareth é neto dela, e a senhora foi tão famosa e importante durante toda a série, que já era hora de ela ter alguma ligação mais forte com nossa família amada. E nada melhor do que um romance seguido de casamento para isso.


O Conde Enfeitiçado - Os Bridgertons #06 - Julia Quinn

“Em toda vida ocorre um momento decisivo. Um instante tão extraordinário, tão claro e tão nítido que temos a sensação de havermos sido golpeados no peito, deixados sem fôlego, sabendo, sabendo, sem a menor sombra de dúvida, que nossa vida jamais será a mesma. Para Michael Stirling, esse momento aconteceu ao pôr os olhos em Francesca Bridgerton.”
Só tinha um problema: isso aconteceu logo quando ela estava noiva. De ninguém menos do que John, seu primo querido, a quem ele considerava como um irmão, de tão próximo que era, e por quem nutria tanto carinho. Então, mesmo sendo um libertino que não se apaixonava e nem se prendia a  nenhuma mulher, Michael finalmente estava pronto para entregar seu coração, mas não podia, e nem faria isso de maneira nenhuma, afinal nunca poderia cometer tamanho ato de traição a John.
Viveu à margem daquele relacionamento deste então, mantendo uma amizade próxima com seu primo e com a agora esposa dele, Frannie, como é carinhosamente chamada. Os três passaram a ser um trio inseparável, grandes e melhores amigos. E até mesmo confidentes. Michael sempre a divertia contando sobre suas conquistas e aventuras.
Até que tudo muda. Um dia, sem mais nem menos, John está com uma dor de cabeça e decide se deitar, porém o pior acontece e ele nunca mais acorda. A tristeza agora paira sobre essa família, e Michael não consegue suportar viver naquele ambiente e sai para uma longa viagem, deixando de assumir o seu posto como novo conde de Kilmartin durante esse período, e é Francesca quem tem que assumir as coisas por enquanto, por ser a condessa de Kilmartin.
Quatro anos se passam sem que se vejam, mas o amor que Michael sempre sentiu por Frannie ainda está ali, dentro dele, apenas adormecido. E a culpa por esse sentimento lhe consome, afinal ele desejara a esposa de John e agora ela estava ali, livre, enquanto o primo não se encontrava mais no mundo dos vivos.
Até que um encontro inesperado acontece, algumas situações se desenvolvem, Francesca toma uma decisão que vai mudar tudo, e depois acaba se envolvendo com Michael. Mas ela ainda está relutante com tudo isso e não vai conseguir se entregar a essa paixão, portanto, caberá a ele provar que nenhum outro homem vivo poderia fazê-la mais feliz do que ele. Resta saber se Frannie entenderá que a felicidade pode sem encontrada duas vezes ou se irá preferir manter-se afastada para preservar a ideia de que só existe uma pessoa para cada um de nós.
Este era um dos volumes que eu estava mais curiosa para ler, visto que Francesca é a filha mais distante da família, então foi a que menos conhecemos com o passar dos exemplares. Se eu não me engano, não teve muita participação em nenhum outro livro (em alguns ela ainda era bem jovem, nos outros já morava em outro país), então é como se fosse alguém por fora. Além do mais, ela já foi casada, como soubemos em obras anteriores, só que não tínhamos conhecido seu marido, a história entre eles, o romance, como se conheceram, etc. E ela tinha ido morar com a família dele na Escócia, então eu realmente queria conhecer tudo isso. Apesar de o passado não ter sido tããão apresentado assim, deu para ter uma noção do que aconteceu, e também do que ela sentia por John, seu marido.
Frannie sempre foi mais “na dela”, mais quieta, independente, teimosa e afastada dos demais irmãos e familiares, porém ainda assim apresenta características semelhantes aos outros Bridgertons, como o bom humor permeando seus pensamentos e ações, seus diálogos afiados, e sua determinação. Gosto muito da personagem, mas ela não é uma das minhas personagens femininas preferidas da série, e algumas vezes suas atitudes me incomodavam um pouco.
Já o Michael é maravilhoso! Ele definitivamente entrou para o meu hall de mocinhos preferidos de romances de época. Um fofo, romântico, determinado, paciente, leal, divertido, e ainda tem muitas outras características marcantes e apaixonantes, que o fazem ser especial e encantador. Terminei a leitura desejando um Michael para mim! Hahaha