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A Torre do Amor - Contos de Fadas #04 - Eloisa James

Gosto bastante de livros de época e tenho lido cada vez mais títulos desse gênero. Quando li a sinopse de “A Torre do Amor”, fiquei encantada com o que parecia ser a história e decidi que precisava ler o quanto antes esse volume. Agora, venho compartilhar com vocês todas as minhas opiniões a respeito dessa obra escrita por Eloisa James e publicada aqui no Brasil pela Editora Arqueiro.
Nesse volume conhecemos a história de Gowan, o duque de Kinross, que decide participar da temporada social de Londres para escolher uma noiva, sendo o seu plano escolher uma jovem adequada e negociar o noivado com o pai dela. E foi nesse baile que ele acabou conhecendo a esposa perfeita, Lady Edith, uma mulher serena, doce, sorridente e muito bonita, que logo que ele viu, sabia que era exatamente tudo o que procurava em uma mulher, sendo bem diferente de todas as moças que conheceu naquele dia. Sendo assim, ele logo foi procurar o pai dela e combinar tudo para o excelente casamento que planejava.
O que nossa protagonista, Edith, nunca poderia imaginar é que após ir em um baile doente de tanta febre, estaria prometida para casamento. E logo de um homem que ela mal dançou duas danças e que, pela febre alta, não conseguia nem olhar na cara dele. Ela nem o reconheceria na rua se o encontrasse.  
Então nossa protagonista resolve mandar uma carta para Gowan, e, quando eles se encontram na festa de casamento de Honoria Smythe-Smith (para quem não a conhece ou não se lembra, essa é a protagonista de “Simplesmente o Paraíso”, primeiro volume da série Quarteto Smythe-Smith, da autora Julia Quinn, que também foi publicado pela Arqueiro), Gowan repara que sua futura esposa não era bem como imaginava, mas a atração era tão grande que isso não diminuiu o seu encanto por ela.
Quando Eddie viu o seu noivo, um homem gigante e ruivo, ficou encantada, já que, além de lindo, era amoroso também. Ambos ficaram ansiosos pelo casamento, tamanha era a atração, e os beijos também eram muito bons. E, quando o dia finalmente chegou, as coisas não foram bem como imaginavam.
Eddie é um homem muito ocupado, e quase não sobra tempo para ficar com a sua esposa. Toda hora funcionários entram no quarto dos dois e isso a incomoda muito. E, como ambos eram virgens quando se casaram, a noite de núpcias não foi das melhores, já que o início para a nossa protagonista foi muito difícil, mas ela resolveu não contar nada, escondendo então do seu marido os seus verdadeiros sentimentos.
Quando o duque descobriu que Edith escondeu algumas coisas dele, acabou se mostrando um cara diferente, já que perde um pouco do controle sobre si quando está com raiva. E isso acabou magoando-a profundamente, fazendo com que, após a discussão deles, nossa protagonista vá para a torre do castelo, trancando Gowan do lado de fora.
Narrado em terceira pessoa, o que gostei bastante já que assim conseguimos entender melhor tudo que estava ocorrendo com os nossos dois protagonistas e entender a história mais amplamente, esse volume consegue nos conquistar, tanto com a narrativa rápida e fluida, mas também com o pano de fundo e com os personagens.
Gostei bastante de como ambos os personagens se desenvolveram nesse volume. Foi ótimo poder acompanhar o crescimento dos dois, e fiquei torcendo em diversos momentos para que eles conseguissem se acertar logo. Achei bem interessante que no final da leitura temos uma cena extra que nos mostra como tudo ficou anos depois do final do livro. Adoro ler coisas assim e isso com certeza foi um ponto alto na história.


A Duquesa Feia - Contos de Fadas #03 - Eloisa James


Theodora Saxby é rica e tem um grande potencial de arranjar um marido importante e com títulos por conta disso. Porém, é bem feia e dizem que até mesmo se parece com um homem, dificultando suas chances de encontrar o amor verdadeiro numa sociedade que presa pela beleza seguindo rígidos padrões.
James Ryburn, herdeiro do ducado de Ashbrook, é seu melhor amigo. Lindo, com uma alma gentil, e um grande potencial para encontrar uma das melhores e mais bonitas noivas da sociedade, ele acaba escolhendo o patinho feio que é Theo. É claro que todos ficam espantadíssimos com isso, e ela rapidamente ganha o apelido de Duquesa Feia.
Mesmo assim, Theo sente em seu coração que ele, que nunca antes demonstrara nenhum sentimento por ela, se apaixonou perdidamente e que vão ficar juntos. Até que descobre uma verdade que a magoa profundamente, fazendo com que essa relação acabe antes de ser realmente vivida. E é claro que colocam a culpa nela quando eles se separam, afinal é óbvio que aquele relacionamento estava fadado ao fracasso desde o começo, já que a beleza dela não chegava aos pés da dele ou do que ele poderia arrumar.
Então James vai embora e Theo fica sozinha tendo que lidar com as consequências e também precisa aprender a dar a volta por cima. E vai fazer isso enquanto ele vive diversas aventuras inusitadas pelo mundo, inclusive se tornando um pirata, antes que o tão esperado reencontro possa vir a acontecer anos mais tarde e eles possam finalmente voltar a ficar juntos e viver aquele amor.
Com esse livro eu me despeço dessa série da autora, que ainda tem mais dois livros e quatro contos inéditos por aqui (a Arqueiro já anunciou a publicação dos dois livros, sendo que um deles sai ainda esse ano em outubro). Não amei nenhum dos três volumes que já foram publicados no Brasil, mas esse conseguiu se superar e realmente não funcionou para mim. Até os pontos positivos que existem no enredo acabaram ficando encobertos pelos negativos em minha opinião, então não consegui me apegar a nada, muito menos aos protagonistas. Não sei nem como cheguei ao final da leitura, que na minha opinião nem parece ter sido escrita por uma autora renomada.
Vou explicar melhor para vocês tudo o que achei. Primeiramente devo dizer que achei que a obra parecia promissora, inclusive comecei a leitura gostando da mesma e acreditando que este poderia ser o melhor livro de sua autoria, com uma história de melhores amigos que ficam juntos por conta de alguma circunstância e acabam admitindo os sentimentos que sempre nutriram um pelo outro. E, como sempre se deram tão bem, veríamos a química aflorar e como eles se encaixariam perfeitamente.
Além do mais, gosto bastante dessa ideia de ela adaptar uma obra que não vemos com frequência ganhando novas versões por aí, que é a do Patinho Feio. Então queria ver como a moça lidava com o fato de que não se encaixava exatamente nos padrões que a sociedade ditava, e, mesmo assim, conseguia ser feliz, não ligar para os outros e ainda viver um lindo amor.
Então estava bem empolgada. Inclusive, achei a personalidade de Theo bem interessante, divertida e adorável quando comecei a ler as páginas, o que me encantou. James não estava parecendo alguém tão maravilhoso assim, mas queria conhecê-lo melhor para descobrir suas nuances.
Porém, em primeiro lugar achei o enredo realmente bem esparso e esse deveria ser um dos pontos mais importante de um livro, então queria algo melhor desenvolvido e explorado. Mas não foi bem assim, pelo contrário, tudo ficou bem solto, nada tinha continuidade, e parece que a autora ficava sem vontade de continuar desenrolando algo e simplesmente colocava um pulo no tempo para depois fazer um breve resumo – ou não – do que aconteceu naquele período e seguia adiante.
Logo no início da leitura já vemos as coisas acontecendo rápido demais, então numa hora vemos Theo com um outro pretendente, sem conseguir nem mesmo olhar para os lados com interesse, e um James que não quer de jeito nenhum se casar com ela justamente para não magoar a amiga quando a mesma descobrir a verdade sobre a mentira que deverá contar para ficarem juntos.


Um Beijo à Meia-Noite - Contos de Fadas #02 - Eloisa James

Kate Daltry não é a mulher mais bela da região e nem possui qualquer atrativo financeiro para conseguir arranjar um bom casamento no auge dos seus vinte e três anos, afinal não tem mãe desde pequena e seu pai se foi há sete anos. E, mesmo com uma vontade louca de sair da casa em que vive com sua madrasta, Mariana, e Victoria, sua irmã postiça, ela não consegue fazer isso porque não pode deixar todos os empregados a mercê dessa megera que virou a responsável por tudo. Então Kate vive no local, mesmo tendo que ficar atendendo os péssimos caprichos de Mariana.
Com um grandioso plano de casar Victoria o quanto antes, Mariana precisa que a ingênua e boba filha vá conhecer o príncipe Gabriel para que ele lhe dê a bênção do casamento por ser parte da família do noivo. Só que a garota está passando por um terrível contratempo na pele e é Kate que precisará substituí-la numa breve temporada no castelo fingindo ser Victoria para conseguir essa aprovação. É claro que ela não fica nada feliz com essa missão, porém Mariana vem com uma revelação de suma importância que vai fazer com que Kate mude de ideia e resolva cumprir o plano.
E é lá que conhece o sedutor Gabriel, o príncipe em questão. Os dois logo sentem uma forte atração um pelo outro e começam a passar mais tempo juntos, mesmo que isso seja totalmente inapropriado, afinal ela está lá representando sua irmã Victoria e ninguém deveria saber sua verdadeira identidade. Além do mais, Gabriel está indo à falência e, para manter seu castelo e todas as pessoas e animais que ali vivem com suas vidas normais, ele precisa de dinheiro. E rápido. Para isso, não existe nada mais fácil e certeiro do que um casamento.
Por conta disso, Gabriel está prometido para uma princesa que possui um grandioso dote e chegará ao castelo em poucos dias para conhecer o noivo e ir em frente com o acordo. E, mais do que nunca, ele não pode arriscar perder tudo por conta de algum sentimento mais forte que venha a ter por Kate. Mas será que ele conseguirá sacrificar seu amor em prol do bem-estar de todos ali ou vai preferir seguir com seus fortes sentimentos pela moça e desistirá de sustentar todos, buscando apenas sua felicidade? Essa é uma grande decisão, mas como uma pessoa altruísta ele sabe como deve agir...
Como uma apaixonada por romances de época, sempre fico empolgada quando um novo título do gênero é publicado no Brasil e já corro para ler assim que o tenho em mãos. Algumas autoras têm um carinho especial no meu coração (como Julia Quinn) e quando elas indicam outra escritora, como Eloisa James, sei que preciso conferir suas obras logo, afinal as chances de eu me apaixonar são grandes. Com isso, o livro escolhido da vez foi “Um Beijo à Meia-Noite”, o segundo desta série que reconta Conto de Fadas famosos, com personagens vivendo um belo romance no século XIX.
Confesso que mesmo muito empolgada para o primeiro volume da série, “Quando a Bela Domou a Fera” (clique no título para conferir a resenha com minhas opiniões), ele acabou não alcançando tudo aquilo que eu esperava, apesar de ter gostado. Por causa da grande indicação de Quinn, eu sabia que precisava dar uma nova chance a Eloisa e por isso peguei esta “continuação”, mas minhas expectativas estavam um pouco mais baixas, o que foi ótimo, já que desta vez ela conseguiu superá-las!
Pelo título e pela capa, já dá para notar que o Conto de Fadas que serviu de inspiração para este volume foi Cinderela. Porém, a autora consegue ser bastante autêntica e o usa apenas como base mesmo, levando sua trama para um rumo bem diferente e com detalhes também diferenciados. Tanto que se cortarmos pequenos detalhes nem parece que foi uma adaptação. E eu acho isso algo muito legal, já que Eloisa encontrou sua própria voz para nos apresentar uma história bem original, ainda que traga algo de reconfortante e nostálgico por conhecermos suas “origens”. E ela trouxe alguns ícones importantes para cá e também fez suas ótimas remodelações, entre eles a fada madrinha, a madrasta má, o sapatinho de cristal e, os melhores, os “ratinhos”.
Adorei como os protagonistas foram construídos e apresentados ao leitor e também a forma como se envolveram. Nada aconteceu de maneira rápida ou forçada, pelo contrário, foi de um jeitinho gostoso, daquele tipo que nos prende e nos deixa ansiosos por mais, por cada momento a sós, por cada toque, pelos beijos e carinhos. E, claro, faz com que a gente possa sentir junto com os personagens e torcer para que tenham um lindo final feliz.
A narrativa é em terceira pessoa e intercala as perspectivas dos dois protagonistas, Kate e Gabriel. Por conta disso, temos a oportunidade de conhecer melhor cada um deles e também pessoas importantes na vida de cada um, como agem sozinhos ou na companhia um do outro, tudo o que sentem e que desejam, assim como suas tristezas e angústias. E ainda temos uma visão bem ampla de cenários e acontecimentos. Ademais, além dos personagens principais, alguns secundários ganharam muito destaque e fizeram toda a diferença na trama, seja por comentários espirituosos, momentos de tensão ou diversão. Uma das melhores foi a “fada madrinha” de Kate, Henry, uma mulher espirituosa, engraçada e dona de ótimas tiradas.
Mas nem tudo são flores e a gente fica a leitura toda com uma dúvida martelando nossa cabeça (mesmo acreditando saber como termina, queremos ver a autora chegando lá): como será que eles vão conseguir enfrentar a barreira do dinheiro e das responsabilidades de Gabriel para ficarem juntos? Será que isso será possível na vida destes dois ou eles terão que se contentar com apenas poucos momentos curtindo um ao outro, já que ele precisa seguir o destino para o qual nasceu?


Os Olhos do Dragão - Stephen King

Acho que um excelente modo de saber quando um indivíduo é um bom escritor é ler livros dele muito diversos, não só sob o ponto de vista do tema, mas até da narrativa, e achar que todos eles são bons. Encontrar alguém com uma diversidade tão grande é raro, pelo menos eu ainda não conheço muitos, mas Stephen King com certeza é um destes autores. E com Os Olhos do Dragão, publicado pela Suma de Letras, ele mostrou sua faceta de contos de fadas.

Era uma vez um reino chamado Delain, onde o rei Roland vivia com seus dois filhos, Thomas e Peter. Roland não era um rei que podia ser chamado de bom, pois sua preguiça e falta de inteligência não o permitiam, mas nos limites de sua capacidade ele se esforçava para deixar boas memórias em seu povo. Como conselheiro do reino Flagg, um feiticeiro, conseguia influenciar o rei. Almejando trazer o caos para Delain ele mexe suas peças para eliminar Roland e tirar o futuro rei Peter de cena. Mas Flagg, muito egocêntrico, acaba por não levar a sério seus inimigos, e não perceber que Peter tem planos para se vingar!

King nos brinda com uma narrativa feita de forma muito particular, é um contador de estórias quem nos dá detalhes de toda a trama, e que ao mesmo tempo em que fala desta estória em uma época medieval também trás paralelos (poucas vezes) com o nosso mundo e tempo. Outro ponto atípico é que ele dá spoilers do que vai acontecer, e volta no momento do acontecimento para explicar de forma detalhada como se deu o evento em questão. Logo as surpresas durante o livro são poucas, a graça está em como se deu estes eventos, e a construção dos personagens.

O livro flerta muito com o estilo dos contos de fadas, e inclusive me lembrou trechos de outros livros/contos. King buscou a repetição, a temática e conformidade dos personagens destes contos. Nestes tipos de contos, por exemplo, o protagonista se vê diante do maior sofrimento de sua vida, ele sofre, mas aceita o fardo que precisar para se libertar, ou seja, não passa seu tempo se lamentando pela sua falta de sorte, ou sobre algo sobrenatural que não deveria acontecer, ele arregaça suas mangas e parte para a ação. Esta ação se deu de forma muito prática e vezes poética.

Peter, o herdeiro do trono, é um jovem bondoso que é o preferido do pai. Embora seja nobre seu melhor amigo é um plebeu, e desde muito jovem luta pelo certo, mesmo que para isso esteja contra o que o Rei deseja. Por sua lealdade ao certo é que desperta o ódio de Flagg, e por causa do feiticeiro que acaba preso. É muito inteligente, e consegue usar a seu favor sua linhagem.

Thomas, o irmão mais novo sempre viveu nas sombras do irmão. E quando se vê como rei acredita que vai ter finalmente seu lugar ao sol, mas desejar não é o mesmo que ter, e quem nasceu para viver nas sombras está fadado a continuar nelas. Atormentando pelo que viu antes da prisão do irmão ele passa de um pré-adolescente para uma sombra de rei. Sem força de vontade ou amor próprio é incapaz de lutar pelo irmão. É invejoso e carente.


Quando a Bela Domou a Fera – Contos de Fadas #01 – Eloisa James

Piers Yelverton, é o conde de Marchant e vive em um castelo no País de Gales, onde é um ótimo médico e atende os mais variados pacientes. Apesar de sua maravilhosa fama como profissional, não se pode dizer o mesmo de seu temperamento, que é difícil, irritadiço e arrogante, e ele age como superior, além de não tratar ninguém bem e não estar nem aí para os sentimentos alheios.
Enquanto Linnet é uma beleza estonteante que chama a atenção por onde passa. Ela é carismática, inteligente e não tem problema nenhum em dizer o que pensa. Mas acaba sendo enganada por um príncipe, fazendo com que as pessoas comecem a falar dela pelas suas costas, atraindo para si uma fama terrível e acabando com suas chances de arrumar um bom casamento.
Por conta disso e de uma falsa gravidez, ela precisa de um marido. E sua tia chega com uma ideia brilhante que tem tudo para dar certo. É aí que Linnet vai parar em Gales, no castelo daquele conde irritante, que ela tem certeza de que conseguirá domar em pouquíssimo tempo. Só que conseguir isso pode ser um pouco mais difícil do que parece. Piers não está disposto a entregar seu coração a ninguém, mas talvez a própria Linnet não consiga segurar os próprios sentimentos por ele. Resta saber se ela estará pronta para pagar o preço por isso e se ele, enfim, se libertará das amarras que colocou ao redor de si mesmo.
Confesso que estava esperando muito deste livro e, por conta disso, fiquei um pouco decepcionada com a leitura, que não atingiu minhas expectativas. O que mais me incomodou foi o fato de que não adorei nenhum dos dois protagonistas. Eles até têm seus momentos interessantes, mas não são pessoas que me cativaram tanto assim.  
Eu gostei bastante do começo da obra e cheguei a pensar que iria amá-la. E, com o passar das páginas, ainda podemos observar os comentários ácidos, o sarcasmo e a forma direta com que os personagens interagem. Também achei a trama divertida e envolvente. Além de alguns personagens secundários terem sido interessantes, só que não tiveram uma profundidade muito grande. Estas foram as características que eu mais curti e foram responsáveis pela parte boa da mesma.
Mas o resultado final, para mim, foi mediano. Não gostei muito do protagonista masculino, Piers, que foi inspirado no Dr. House da série de TV. Nunca assisti a esta série, então não sei o quanto ele parece com o personagem, mas admito que não fiquei tão entusiasmada para conhecê-lo depois desta leitura, não. Além do mais, me incomodou a forma como ele tratou Linnet na maior parte do livro, sendo que até quando estávamos nos aproximando do final ele não melhorou muito e a jovem teve que enfrentar coisas terríveis, ficando à beira da morte por conta da arrogância dele.
E se tem algo que me incomoda é quando as mulheres se humilham e se rebaixam para os homens. Principalmente quando ele só a repudia e a trata mal. Dá vontade de sacudi-la e falar para ganhar um pouco mais de amor próprio ou pelo menos não demonstrar tão abertamente o quanto ele a domina, sendo que o mesmo não merece ser dono deste poder. Só de lembrar o modo como ele falou com ela (principalmente numa cena específica se aproximando do final) e a mesma basicamente implorando por ele, já fico irritada.
As personalidades dos dois foram bem construídas, principalmente levando-se em conta que podemos entender o que os levou a ser como são e agir da maneira como o fazem. Podemos conhecê-los mais a fundo, tanto seus anseios e frustrações e todas as experiências que os moldaram para chegar aonde estão. E isso foi maravilhoso de poder acompanhar.
Como de costume em romances do gênero, a narrativa é em terceira pessoa e acompanha ambos os protagonistas, em capítulos alternados. Curto esse formato, porque assim podemos ter uma visão bem ampla dos acontecimentos e ainda entender muito bem tanto Linnet quanto Piers, seus sentimentos, ações e até passados. Também gostei da forma de escrita da autora, que é leve e envolvente.
Além disso, no meio de tantos enredos semelhantes nesse mundo de obras de época, acho que Eloisa James foi feliz em nos trazer algumas diferenças e um cenário não tão usual quanto os demais, o que resulta em uma maior liberdade para ambos os personagens, que não precisaram contar tanto assim com as convenções da época, como teriam feito se estivessem numa temporada em Londres, por exemplo.


Sobre Histórias de Fadas - J. R. R. Tolkien

"A história dos contos de fadas provavelmente é mais complexa do que a raça humana, e tão complexa quanto a da linhagem humana" (Página, 27)

Essa é a primeira vez que eu faço uma resenha de alguma obra de Tolkien, logo meu nível de exigência é alto, já que é meu autor favorito entre qualquer coisa que eu já tenha lido, nada supera Tolkien S2! Será que vou conseguir transmitir 5% do que ele diz? rs.

Sobre Histórias de Fadas, de J. R. R. Tolkien, publicado pela editora Conrad não é um livro de literatura, trata-se de um livro técnico, nele encontramos dois textos que são fundamentais para compreender como e em que circunstâncias foi criado o universo ficcional de Tolkien, que aborda sua visão sobre literatura, fantasia e a criação de sua obra através do que ele chama de histórias de fadas, conhecidos por nós como Contos de Fadas.

O primeiro texto chamado "Sobre História de Fadas" explora  diversos temas como: 'O que são as histórias de fadas',  onde Tolkien nos alerta que embora o nome seja histórias de fadas boa parte destas histórias não tratam do povo féerico, e de fato se nos atermos a essas histórias poucas delas trazem em sua trama as fadas; 'A origem' onde não aparece quando essas histórias surgiram, mas qual a origem do elemento fantástico -lembrando que a principal característica do fantástico é uma vacilação diante de uma realidade que pode ter uma resposta estranha ou maravilhosa;  'As funções e valores' destas histórias, onde fica claro que estas histórias foram com o tempo sendo recontadas de forma abreviada para o público infantil, mas que tem em sua origem conteúdos adultos e de difícil elaboração até por parte de adultos, como tabus por exemplo que são colocados em questão.

Tolkien também discorre sobre a Fantasia, Recuperação, Escape e Consolo, que são elementos e funções dos contos de fadas.  A fantasia é capaz de criar quando bem realizada o que ele chama de Suspensão Voluntária da Incredulidade, o que em outras palavras é que diante de um mundo secundário aceita-se ele como se propõe, sem questioná-lo a partir de dados de nossa realidade.

"Claramente as histórias de fadas não se ocupam em primeiro plano da possibilidade, mas sim da desejabilidade" (Página, 47)

Os contos de fadas devem ser lidos por adultos como mais um 'ramo' da literatura não como uma literatura infantil..."nem brincando de ser criança, nem sendo meninos que não querem crescer". São obras de arte e devem ser admirados como tais. Ao final do texto Tolkien trabalha com o Escapismo, e sem dúvida é um dos meus trechos favoritos do texto, já que ele questiona como podem dizer que os automóveis são mais 'vivos' do que centauros e dragões.