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Dublinenses - James Joyce


Eu sempre achei a Irlanda incrível, aquelas paisagens verdes e uma cultura rica em cultura celta e galesa que vai direto ao encontro do meu coração. No entanto com o passar dos anos acabei em um amor com a Inglaterra e um flerte com a Escócia, e com isso a Irlanda ficou para trás, para alimentar meu carinho pelo lugar e conhecer um novo autor clássico escolhi ler Dublinenses, do autor irlandês James Joyce, publicado pelo selo Penguin.

Joyce escreveu este volume antes de seu famoso livro Ulysses. Embora escritos no comecinho do século XX ele só conseguiu reuni-los e publicá-los em 1914. Através de quinze contos o autor descreve a Irlanda do início do século XX em toda a sua crueza, explorando personagens da classe média católica através de diversos conteúdos e questões importantes a época.

Os fatos mais marcantes e que surgem com frequência são os atritos do país com a Inglaterra, cujo qual viria a se tornar independente em 1922. Fica muito claro através dos diálogos dos personagens que a população estava dividida entre os conservadores que buscavam o nacionalismo e o resgate cultural, incluindo palavras em gaélico no meio do inglês, e os que estavam acostumados ao domínio inglês.

Mais acentuado ainda são os problemas religiosos entre Católicos X Protestantes, já que as pessoas eram medidas pela sua escolha religiosa. A religião era assunto de roda de amigos em pubs, e o comportamento de padres, por exemplo, aparecem como um destes assunto de 'bar'.

É assim no dia a dia que cada um dos contos se constrói, são recortes de vidas,  já que não tem um começo ou fim, é como se de repente você caísse na vida dos personagens, espiasse um pouco e depois se retirasse antes de alguma conclusão. Muitas vezes a trama estava interessante e envolvente, e a estória morria no nada, como se o autor não tivesse terminado o conto. Isso foi de longe o que mais me incomodou na narrativa de Joyce, que explorou pontos narrativos tanto de terceira como primeira pessoa. A linguagem é bastante coloquial e revela a classe social ou a posição social de cada um dos personagens, além de trazer informações sobre posicionamentos políticos e religiosos.

Os protagonistas são bastante variados, começam com crianças, passando por adolescentes até os mais velhos, e isso permite uma visão abrangente da sociedade irlandesa, e o lugar que cada um deles tinha, incluindo o de mulheres e homens. Alguns deles acabam por passar nos mesmos lugares, já que todos eles se passam na cidade de Dublin. A repetição acaba criando uma sensação de familiaridade, mesmo de longe.

O tradutor teve o cuidado de colocar diversas notas para explicar locais, termos e outros aspectos culturais que auxilia e muito na compreensão da escrita. A música é com frequência evocada, e o tradutor sempre trás referências das mesmas. Não li Ulysses, mas o tradutor coloca que diversos personagens irão surgir nesse livro posteriormente, então acredito que deva ser interessante ler os contos antes de Ulysses.

Os contos que mais me agradaram são "Dois Galantes", "A Casa de Pensão" e "Um Caso Doloroso". Por se tratar de contos não darei sinopses para não estragar as breves surpresas, porque sim, elas são raras, não trata-se desse tipo de escrita que trarão grandes sensações. O valor desse livro ao meu ver é conhecer a realidade cultura daquele país, o Zeitgeist peculiar e muito característico que com certeza moldou o que hoje esse povo é. Eu me senti entre as ruas de Dublin, entre as pessoas, não necessariamente as que eu escolheria para seguir, mas não por isso que não daria atenção.

Infelizmente o modo de trabalhar seus contos não me agradou, do ponto de vista literário são em sua maioria desinteressantes e parados. Como relatei anteriormente, o potencial estava lá, mas eles nunca finalizava, não tinha um fim, uma moral ou mistério, nada. Talvez não incomode outros leitores, mas eu não me adaptei ao seu estilo. E o que me prendeu ao livro todo tempo foi conhecer a Irlanda, e isso sem dúvidas é possível através de suas palavras.


Contos Clássicos de Terror

Eu sempre pensei que antologia de contos são ótimos meios para conhecer novos autores, mas em Contos Clássicos de Terror elevou essa opinião muito acima, já que nessa reunião de contos feita pelo Julio Jeha, e publicado pela Companhia das Letras o contato não é com novos autores, mas com autores velhos e consagrados!

A coletânea pretende reunir o que existe de melhor dentro dos gêneros gótico, terror e horror, o livro é composto por dezenove contos onde os sentimentos despertam os mais diferentes afetos nos protagonistas que se veem nas mais variadas situações as vezes cotidianas, as vezes nunca antes imaginadas. Medo, loucura, imaginação, terror, repulsa, anormalidade e paranormalidade são alguns dos itens abordados por autores tidos como clássicos.

E ao contrário do que costuma acontecer muito não trata-se de um livro com autores somente brasileiros, ou só estrangeiros, já que Jeha se valeu de muitos brasileiros em sua seleção. E é notável a diferença entres os nacionais, que pendem para um estilo facilmente reconhecível. E para os fãs da diversidades temos tanto homens como mulheres.

O primeiro autor, por exemplo, é George Sand que na verdade é pseudônimo da baronesa Amandine Aurore Lucile Dupin, seu conto Espiridião, no entanto não chamou minha atenção. Já Morte na Sala de Aula, do autor Walt Whitman é simples e macabro, conseguindo extrair em poucas folhas o que a maldade nas salas de aula de antigamente poderia gerar.

Edgar Allan Poe não poderia ficar de fora já que está entre um dos mestres do gênero, seu conto O Barril do Amontillado, no entanto foi uma releitura, visto que já li em uma reunião de contos do autor, mas o conto não deixa de ser um ótimo registro de uma vingança a sangue frio!

Muito conhecido por suas obras A Ilha do Tesouro e O Médico e o Monstro, R.L. Stevenson através do seu conto O Ladrão de Corpos narra exatamente o tipo de estória que esperamos para uma estória de terror, em um cotidiano de pessoas de índole duvidosa, mas onde a justiça busca através do sobrenatural ser realizada.  A Causa Secreta escrito por Machado de Assis, não aborda nenhum tema estranho, ao contrário é uma narrativa cotidiana sobre a natureza humana, natureza essa que Assis era intimo conhecedor!

Auguste Villiers de L'Isle-Adam com A Tortura pela Esperança não me agradou pela temática, a inquisição, não gosto de nada com esse tema de ignorância e intolerância. Já em Bárbara, da Casa de Grebe, com o autor Thomas Hardy, tudo soava como um romance de época até que um terrível acidente desperta a loucura! Está entre meus favoritos pelo modo sutil e pontual que abordou sua estória.

Dizer nessa altura que nunca tinha lido Bram Stoker é uma vergonha, então poder finalmente conhecer sua narrativa através de A Selvagem foi um prazer! Seu conto é muito simples, mas não sem certa complexidade nos detalhes que permite uma conexão tamanha que me fez pensar na estória muitas horas depois da leitura. Mesmo nesta pequena obra é possível perceber seu talento.

H.G. Wells é um dos meus autores do coração, Pollock e o Homem de Porroh foi uma releitura, e ela mostra como foi para os ocidentais difícil compreender e respeitar a cultura e a religião dos países africanos.  A Tapera segue com Henrique Coelho Neto, autor brasileiro fundador da cadeira número dois da Academia de Letras, e que eu nunca tinha ouvido falar. Em seu conto encontramos elementos da cultura da época da escravidão e do plantio de cana de açúcar, a sua narrativa é muito característica e consegue ter falas ora rebuscadas, ora simples e regionais.


O País dos Cegos e Outras Histórias - H. G. Wells


É extremamente gratificante ler um segundo livro de um autor que você gostou e continuar gostando dele, já que não tem nada mais chato do que se decepcionar com alguém, mesmo que seja um autor. H. G. Wells não se tornou um autor clássico do fantástico e da ficção científica a toa, em seu livro de contos O país dos Cegos e outras histórias, publicado pela Alfaguara, o autor mostra que seu talento não se limita a uma única obra.

O volume em questão possui dezoito contos do autor publicado ao longo de sua carreira, muitas vezes em revistas e jornais, o que era comum na época, e cá entre nós podia voltar a ser comum, seria bem melhor do que boa parte do que é publicado hoje me dia! Todos os contos estão dentro do gênero fantástico ou da ficção científica. Alguns eu gostei muito, outros a temática não chamou muito a minha atenção, mas do ponto de vista da narrativa e da criatividade o autor é genial.

Primeiro suas ideias são muito criativas, a partir de uma estória simples e cotidiana ele consegue desenvolver um conto que envolve. No prefácio descobrimos que Wells tinha como intenção quando criava contos seu objetivo que estes fossem lidos rapidamente, em no máximo cinquenta minutos, e ele foi feliz em seu objetivo. O conto mais longo O País dos Cegos que é o maior não ultrapassa esse tempo, e é o maior destaque do livro.

Nele acompanhamos um explorador que acaba depois de um acidente em um vale onde todos os moradores são cegos. Vendo que era o único que enxergava ele viu a oportunidade de ser o líder, já que para ele quem enxerga em terra de cego é rei. O que ele não fazia ideia é que essa frase nunca esteve mais longe da verdade. Sem muitas alegorias, com fatos diretos o conto é repleto de reflexões e pensamentos a cerca da natureza humana e da construção de crença e sociedade humana. E é fácil fazer paralelos com nosso atual momento político de tão contemporânea que soa a estória. Alias é muito interessante como o autor é familiarizado com a natureza humana a ponto de chegar ser até profético em diversos de seus contos.

Em A Estrela ele narra de forma desinteressada o que aconteceria se de repente descobrissem que uma colisão de planetas resultasse em danos para Terra. E o grande destaque aqui é no fim quando descobrimos do ponto de vista de quem a narrativa acontece. E quanto em nossa vida nos colocamos no lugar do expectador que não compreende a dimensão do problema do outro, quantas vezes minimizamos o problema alheio.

Outro que despertou atenção foi A História do Falecido Sr. Elvesham, onde um jovem recebe o convite para se tornar o herdeiro de um filósofo rico que já está muito doente. É triste e angustiante quando aos poucos fica muito claro onde o conto vai terminar, a narrativa segue o estilo Amazing Stories (um antigo seriado de estórias do gênero que passava nas madrugadas da globo). A Loja Mágica é outro que segue esse estilo, é um conto simples e lúdico em uma loja em uma rua em Londres que só abre suas portas para crianças merecedoras.

Explorando a teoria darwinista O Império das Formigas narra o que aconteceria se as formigas dessem um passo a diante na evolução, e passassem a ser mais inteligentes. Já O Ovo de Cristal é uma narrativa inusitada de um ovo de cristal que liga dois lugares diferentes, e outro lugar é que a grande surpresa! Muito criativa eu jamais pensaria em algo como ele estruturou!

Mesmo sem conhecer sobre o que seria a física quântica de hoje Wells foi capaz de um conto, O Estranho Caso dos Olhos de Davidson, onde trabalhou com outras dimensões, mas ainda na própria Terra. Quem lê pensa que ele sabia de tudo que hoje é teorizado pela física! A História de Plattner também segue nesse estilo quando um professor depois de uma explosão na aula de química desaparece. Ele vai parar em outra dimensão, mas diferente do anterior, aqui ele tem encontro com criaturas similares a fantasmas humanos. Neste conto é muito evidente uma característica do autor de contar suas estórias com um tom jornalístico, de alguém que soube através de alguém da estória e não a viveu.



Os Crimes da Rua Morgue e Outras Histórias Extraordinárias - Edgar Allan Poe

As vezes me pego na vergonha de não ter lido certos autores, não porque são clássicos universais, mas porque eles tem haver com a minha personalidade e eu já deveria tê-los lido. Um destes autores é Edgar Allan Poe, que eu já havia lido O Corvo, mas nunca tinha parado para apreciar seus contos, ou seja, praticamente não o conhecia! Em Os Crimes da Rua Morgue e Outras Histórias Extraordinárias, publicado pela Fantástica Rocco, eu finalmente resolvi este problema!

Publicado originalmente em 1841 na Graham's Magazine este volume contém o conto, os Crimes da Rua Morgue, que é considerado como a obra inaugural da literatura policial. Ao todo são dezoito contos do autor, e ao contrário do que costumo fazer com livros de contos não pretendo comentar cada um deles isoladamente, mas explorar as características da narrativa do autor, isto porque são contos breves, e assim falar sobre seus enredos pode prejudicar na leitura do mesmo.

Poe realiza sua narrativa em sua maioria das vezes em primeira pessoa, com o protagonista narrando um fato de seu passado, apenas dois contos foram narrados em terceira pessoa. O fato de serem feitos em primeira pessoa trabalha com maior riqueza a mente dos personagens que não só nos contam os fatos, mas seus pensamentos a respeito do que fizeram e porque fizeram.

Basicamente podemos pensar que os contos trabalham com dois tipos de personalidade, primeiro e em sua maioria indivíduos perversos que por muitos seriam chamados de psicopatas. São homens, e agora pensando todos são protagonizados por homens, que entram em uma espiral de loucura e comentem crimes dos mais variados, desde arrancar um olho de um gato até matar um ser humano. Alguns porque são maus outros porque parecem sofrer influência do diabo.  O segundo tipo são os deprimidos e melancólicos que não veem sentido na vida, e logo se entregam a enfermidades. Alias é muito frequente as doenças que consomem, em sua maioria as mulheres, que perdem o ânimo de viver e definham pouco a pouco.

Poe é excelente em explorar estas naturezas humanas, diria que sua grande riqueza é exatamente o produto humano, pois um conto ou outro não tem muito sentido, pelo menos não a primeira leitura, mas seus personagens são muito bem explorados mesmo que em tão poucas páginas. E ele explora isso tão bem que ler muitos contos em seguida pode acabar pode deixá-lo um pouco deprimido como os personagens.

Ele trabalha também muito dentro do gênero fantástico, pois muitas estórias até quase seu fim deixam claro se o que está acontecendo é algo paranormal ou algo apenas bizarro, mas que tem uma explicação possível. O sobrenatural, a aniquilação, a destruição e a loucura são seus grandes temas. Edgar é ótimo em criar climas macabros, alimentar cenas repugnantes e nos deixar desconfiados de tudo e todos.

Ao começar a leitura do livro não me identifiquei logo no começo, o primeiro conto que tem um pobre gato envolvido me pegou desprevenida, mas agora ao término do livro o clima do livro deixou um gosto de quero mais. Porque sim, eu sou das que gostam de coisas góticas, e Poe constrói uma atmosfera densa e sombria como poucos.

O conto que dá nome ao livro é muito divertido, isto porque o desfecho do crime é tudo menos o esperado, e sim é visivelmente quem traçou e influenciou as personalidades de Sherlock Holmes e Watson, já que tudo está ali neste pequeno conto. Infelizmente ele é o único do gênero no livro (Ao todo o autor tem em sua obra apenas três contos deste estilo, mas só está neste livro).



Histórias Envenenadas - Contos de Fadas de Terror #02 - Organizado por Cristiana Gimenes

Eu sempre me pergunto como alguns autores conseguem criar bons contos, são poucas páginas para passar uma estória com sentido e que valha a pena, muito mais difícil do que criar um livro todo que tem diversas páginas de desenvolvimento! Logo é muito raro eu me deparar com bons contos, para não falar de um livro inteiro de bons contos. Mas continuo tentando, foi assim que resolvi ler Histórias Envenenadas- Contos de Fadas de Terror Volume 2, organizado pela Cristiana Gimenes e publicado pela Andross.

Neste volume contamos com quinze contos apresentados ao longo de apenas 93 páginas, com narrativas tanto em primeira quanto em terceira pessoa, e o que eles tem em comum é que todos são versões macabras dos contos de fadas clássicos como Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel, João e Maria e etc. O maior destaque do livro é sem dúvida a capa do livro que representa muito bem o clima dos contos, e é de bom gosto!

Dos quinze contos poucos de fato valem suas páginas, de maneira geral todos eles tem a mesma falha: serem muito breves. Eu compreendo que o conto é curto e não pode se estender, mas essa regra foi levada muito a sério, chegando ao ponto de haver um conto em uma folha frente e verso!

Entre todos eles o que mais gostei foi o primeiro conto feito pela Patrícia Guimarães, trata-se de uma versão de João e Maria, muito criativo com um cunho bastante realista, a autora consegue dar um final diferente para as crianças sem deixar de lado o ar sombrio. 

O conto em seguida também é criativo, outra versão de João e Maria, o que me chamou atenção é o fato deste começar com as crianças já presas na casa da bruxa, entretanto seu problema foi com o desfecho que deixou a desejar.

O Autor Lucas Arienti fez sua versão vampírica de Cinderela, devo dizer que não esperava por vampiros no livro, e o destaque fica para a mensagem final da trama: a cinderela não precisa mais de príncipes!

Os contos que se seguem não acrescentam em nada, temos uma Cinderela em busca de vingança e que morre na praia; uma dama de vermelho que mostra suas más intenções e mesmo assim engana; além de um lobisomem muito sem graça!

Em Olhos de Topázio, o autor Lucas Janini desenvolve um universo muito interessante que tem potencial para um bom livro. Com zumbis e outros seres renegados, como fadas madrinhas sem afilhados, fiquei com vontade de mais um pouco sobre este reino inusitado. Já em Adormecida, Danilo Peloso não nos poupa com cenas fortes de uma Bela Adormecida que está dormindo mas consegue perceber tudo que a cerca, e não foram coisas boas!

Seguimos com um conto de sereia com erros de português; depois o de apenas duas páginas e nada a dizer; seguido por uma Bela e a Fera repleto de ação mas sem explicações, e por fim uma versão muito estranha que queria soa Mil e Uma noites. O penúltimo conto é sobre uma sereia que abandona o mar por amor, mas acaba sozinha, é bom, mas não posso falar nada muito além disso.


Criaturas Estranhas - Histórias Selecionadas Por Neil Gaiman

A primeira coisa que me chamou bastante atenção nesse título foi essa capa maravilhosa que só de olhar já dá vontade de ter o livro. E, claro, o nome de Neil Gaiman bem grandão foi outra coisa que me fez querer ler essa obra. Você deve estar pensando assim: “ Mas é um livro de contos, então apenas um foi escrito por ele”. Só que o exemplar foi organizado pelo autor, portanto eu já tinha certeza, antes mesmo de ler, que iria encontrar muita coisa boa por ali.
Como resenhar um livro de contos é sempre bem difícil, uma vez que são muitas histórias – neste caso, dezesseis –, para eu falar de cada uma delas. Por isso, vou comentar apenas sobre as que mais gostei. Mas essa é uma coletânea de contos povoada por seres fantásticos, magníficos e às vezes assustadores, que vão te conquistar em todos os momentos. Foi bem gostoso poder ler todos eles, e não achei que nenhum tenha sido ruim e que eu não leria ou indicaria.
Uma coisa que achei bem legal é que esse volume possui ilustrações de Briony Morrow-Cribbs no início de cada um dos contos, e eu, como amo uma boa ilustração, fiquei doida com isso e achei que completou a obra de uma forma incrível, nos dando uma visão de cada trama.
Vou começar falando do conto do próprio Neil Gaiman, chamado “Pássaro do Sol”. Nele, conhecemos a história de uma sociedade de cavalheiros que comiam criaturas estranhas como besouros, restos de mamutes e coisas esquisitas assim, que eram consideradas mágicas. Esse grupo de cavalheiros se reunia diariamente para provar dessas iguarias e a única coisa que eles ainda não haviam comido era o pássaro do sol.
O “Prismática”, de Samuel R. Delaney, também me chamou bastante atenção trazendo a história de um homem muito magro e de cabelos grisalhos, que entrou em uma taverna carregando um grande baú, que, segundo ele, trazia dentro um querido amigo, oferecendo, então, uma recompensa em dinheiro para quem o ajudasse a encontrar uma cura para o mesmo. E vemos que, após conseguir ajuda de Amos, os dois saem em uma jornada em busca de três fragmentos de um espelho mágico.
Outra história que também achei bem legal foi “O Lobisomem Cabal”, de Anthony Boucher, onde conhecemos um professor de alemão, Lobato Lobo, que, ao receber a visita de um homem que se diz mágico e repetir algumas palavras, o seu gene de lobisomem é acionado. A história foi bem divertida e tomou um rumo mirabolante. Além disso, nesse conto encontramos bastante ação e nos divertimos muito com esse professor.


Ficções - Jorge Luis Borges - Parte 02


Seguimos com a resenha de Ficções, do autor Jorge Luis Borges, publicado aqui no Brasil pela editora Companhia das Letras. Nesta segunda parte da resenha do livro abarca a parte do livro intitulada Artifícios, que foi publicada originalmente em 1944.

O primeiro conto é Funes o Memorioso que após um acidente não consegue mais se esquecer do que vê ou aprende, mas com uma falha ele não é mais capaz de ter pensamentos de generalização, por exemplo ele não é capaz de entender que cachorros de raças diferentes fazem parte do grupo da raça canina, ele os enxerga de forma individual. É narrado por um escritor argentino que se propõe a contar seu breve contato com Funes, primeiro quando este ainda era jovem e depois em um único momento depois do acidente que modifica seu cérebro, na casa do mesmo quando ele vai até lá buscar por um livro que emprestou.  Borges diz que este conto é uma alegoria da insônia, ele escreve no conto " Para ele, dormir era muito difícil. Dormir é distrair-se do mundo;...".

Segue com o conto A Forma da Espada, com dois narradores em primeira pessoa, primeiro narrado pelo Borges, supostamente o autor mesmo, depois a palavra é passada para o senhor que ele encontra e resolve contar a ele a estória da cicatriz que tem em seu rosto. O desfecho é inesperado e muito interessante! Depois surge o conto O tema do Traidor e do herói, que é bem curto, é outro conto onde ele é o narrador, e a temática é a independência irlandesa. O personagem principal é Ryan que quer descobrir mais sobre a morte de seu avó Fergus Kilpatrick. Durante suas pesquisas ele descobri paralelos da estória com a estória de Júlio César e com elementos da literatura.

Em A Morte e a Bússola, temos um conto policial, que é por sinal meu conto favorito de todo o livro. Acompanhamos dois policiais tentando desvendar uma série de mortes, que juntos começam a especular os possíveis motivos do crime. O judaísmo é citado, já que o primeiro morto é um rabino e escritor de diversos livros do tema.  O desfecho como já é recorrente do Borges não é o esperado.

Um escritor judaico é preso em Praga na segunda guerra mundial, durante sua prisão ele está escrevendo, e ao mesmo tempo deliberando sobre a sua morte. De repente ele se dá conta de que o tempo que lhe resta não é suficiente para o término do livro dramático que ele deseja,  e assim ele barganha com Deus por mais um ano para terminar sua obra e redimir sua carreira literária, essa é a premissa do conto O Milagre Secreto. Esta narrativa de Borges trabalha o tempo, alias tema muito explorado de discutido por Borges de formas muito diversas. O realismo fantástico é muito presente neste conto.


Ficções - Jorge Luis Borges - Parte 01


Já fazem alguns anos que estava ensaiando para ler Jorge Luis Borges, sempre esbarrava com ele como referência aos contos fantásticos, mas nunca de fato tive um livro dele em mãos. Meio no escuro resolvi que começaria lê-lo com Ficções, publicado pela Companhia das Letras, afinal um livro de contos é sempre um meio mais acessível ao escritor certo? Errado, com Borges tudo é diferente!

Ficções é um livro que abarca duas partes, a primeira publicada sob o nome de O Jardim das Veredas que se Bifurcam, publicado em 1941, e outras dez narrativas organizadas sob o título de Artifícios. Trata-se de um livro pequeno porém denso, muito denso, não pense que ao ler um conto você vai entendê-lo de primeira, boa parte deles requer novas leituras e material de apoio. E por tamanha complexidade e para fazer uma resenha mais digna vou dividi-la em duas partes como no livro.

O conto que inaugura esse compêndio é Tlön, Uqbar, Orbis Tertius, é um conto sobre um livro imaginário, mais especificadamente uma enciclopédia, que é narrado em primeira pessoa, através do próprio autor Borges que relata sua conversa com seu amigo sobre um país desconhecido Uqbar. Intrigado ele busca a respeito em sua enciclopédia, não encontrando nada a respeito, assim eles descobrem que apenas na enciclopédia do outro existe esta citação. Investigando ele se dá conta que não é apenas este lugar desconhecido que existe, mas existe um planeta inteiro, Tlön. Durante a narrativa o autor evoca muitos pensadores e autores reais, o que acaba por confundir até que ponto vai a ficção e onde é realidade. É um conto difícil, e com certeza não é um bom começo para quem nunca leu Borges, pelo menos para mim foi confuso.

O segundo conto Pierre Menard - autor do Quixote, trabalha com um autor francês, o Pierre Menard que pretende reescrever Dom Quixote como foi feito pelo Miguel Cervantes. Borges elenca logo no início de sua escrita uma longa lista bibliográfica de Menard, tal atitude juntamente com a ideia bizarra da reescrita de um livro que já foi feito sem mudar nada nele cria uma atmosfera esquisita, já que não compreendemos onde o autor pretende chegar. Borges faz uma análise da obra do francês, com ênfase em aspectos filosóficos, e mais uma vez me senti falha na interpretação do conto, para lê-lo não parece ser suficiente que você se dedique a lê-lo, mas que tenha certos conhecimentos prévios que fazem as ligações e os jogos que Borges propõe.

Ruínas Circulares, é um conto breve sobre um mago que vai até uma ruína e resolve dormir para sonhar, sonhar um homem inteiro até que ele ganhe vida. Já em A Loteria da Babilônia, um ex-morador da cidade narra como é a loteria em seu país que ganha características um tanto inusitadas com o tempo. Existem características marcantes de reflexões políticas e de preconceito, mas não creio que tenha sido o objetivo do autor. O interessante é que nesta loteria não se ganha apenas prêmios, mas também punições.


Deixe a Neve Cair - John Green, Maureen Johnson e Lauren Myracle

Quem mora em São Paulo, e no sudeste de maneira geral sabe que estavamos vivendo em um verdadeiro forno até uns dias atrás (culpa nossa, afinal árvores não são estética, são seres vivos que tem propósito, e lembre-se não fazem sujeira!!- #desbafo rs!). Para ir na contra mão do clima resolvi afundar na neve e comemorar a chegada do frio (yupiii!) e ler Deixe a Neve Cair, dos autores John Green, Maureen Johnson, e Lauren Myracle publicado pela Editora Rocco. E funcionou, me senti submersa em montanhas de neve!

A proposta do livro é narrar três contos que se passam na pequena Gracetown, uma cidade que recebe uma grande tempestade de neve e alguns milagres natalinos. Os contos convergem, além de se passarem no mesmo local também cruzam os personagens que em sua maioria se conhecem, não exatamente por serem amigos, mas apenas por estudarem na mesma escola.

O primeiro conto é O Expresso Jubileu, da autora Maureen Johnson, nos apresenta Jubileu uma garota que na véspera de Natal acaba as pressas pegando um trem para Flórida graças as peripécias dos pais. Entretanto devido a tempestade de neve seu trem fica preso em Gracetown, e para não morrer de frio e tédio com um grupo de líderes de torcida, ela resolve ir a Waffle House onde conhece Stuart, e sua aventura começa.

Jubileu é uma personagem fofa, trata com as coisas malucas da vida de forma leve e dinâmica. Mas quando trata-se do seu namorado perfeitinho ela não consegue ver o óbvio! A história mostra a tomada de consciência da personagem e sua transformação diante da verdade. É uma aventura gelada de amor, através da percepção de quem ela é e o que espera da vida. Destaque para os Floobies, vila dos elfos de Natal que amarra a história, é um detalhe tão inusitado e abordado de forma tão maluquinha que corri ver se de fato eles existiam (afinal eu quero uma padaria floobie com gingerbreads)! É meu conto favorito do livro.

O segundo conto do aclamado John Green, O Milagre da Torcida de Natal, foi meu primeiro contato com a narrativa do autor. E confesso que não tive tão boas impressões assim. Aqui três amigos- Tobin, JP e Duke- estão presos em casa na véspera de natal depois da Nevasca, entretanto Keun liga para eles exigindo a presença dos amigos já que o local que trabalha está lotado de líderes de torcida (isso mesmo são as mesmas da primeira história, já que ele trabalha na Waffle House). A história é sobre as aventuras que este trio passa para conseguir chegar a Waffle House em meio a tanta neve e a outros dois grupos que disputam o direito de permanecer lá.

A história em si tem seus momentos engraçadinhos que fica mais por conta do casal da trama, mas a narrativa é um pouco cansativa e boba, já que os personagens conseguem fazer piada e graça de tudo que acontece a eles (rir de tudo é desespero?!), dão valor demais as benditas líderes (elas são tudo isso mesmo nos eua?!) e sofrem de um pouco de falta de profundidade. Não chega a ser ruim, mas confesso que não via a hora de terminar logo!

O terceiro e último conto escrito Lauren Myracle, O santo Padroeiro dos Porcos,  nos detalha um verdadeiro milagre de Natal, ou diria uma daquelas histórias bonitinhas de filme natalino que nos inspiram a ser melhor. Addie é uma jovem que depois de trair o namorado resolver terminar o relacionamento, mas está sofrendo muito pelas besteiras que fez. De repente a vida lhe brinda com a chance de arrumar seus desafetos e encontrar o amor novamente.

Nha esse conto é muito fofinho! Tem até um mini porquinho- Gabriel! A personagem vive na superficialidade e no egocentrismo, e quando é obrigada a se olhar e perceber seus erros para compreender porque perdeu o namorado passa de adolescente bobinha para alguém mais maduro e que quer ser simplesmente ela. É neste conto que os demais se amarram, e Jeb, seu ex-namorado presente no primeiro conto reaparece.

A forma como a autora conseguiu amarrar os demais contos sem perder a originalidade de seu próprio conto é ótima! E permitiu também uma revisão dos contos anteriores. Não soou forçado como ela conseguiu unir todos os casais. Eu torci muito por Addie, especialmente sabendo o que Jeb estava pensando a respeito.


Sabe aquela magia natalina que aparece em Esqueceram de Mim 2? Eis aqui uma pitada em linhas, Deixe a Neve cair embora em meio a neve é de aquecer corações e refrescar a mente. Um livro delicioso para qualquer época do ano, já que o nosso frio não chega com o papai noel =P!

Avaliação









Quando a Selva Sussurra - Contos Amazônicos, organizado por Mário Bentes

Já comentei por aqui que o folclore brasileiro era na minha infância um dos temas que eu mais gostava de ler né? Acho interessante a simplicidade, a autenticidade e a verdade que esses contos passam sobre nosso país, logo ler sobre criaturas e lugares que inspiram contos é sempre relembrar o passado e alimentar o futuro. O livro Quando a Selva Sussurra - Contos Amazônicos, organizado por Mário Bentes, e publicado pela editora Lendari, trouxe muitas dessas sensações antigas a tona.

Essa antologia de contos tem como objetivo resgatar e reinventar estórias a partir da perspectiva e experiência de autores jovens da região amazonense. E isso de fato é bem marcante em todos os contos, é perceptível que os autores não só conhecem sobres as lendas, mas que vivem entre elas, não soam como alguém que pretendem falar de algo que estudaram, eles soam como alguém que cresceu entre estas lendas.

Estão presentes no livro 22 contos, todos eles com interessantes ilustrações que ajudam a imaginação na leitura de cada um deles. A narrativas são feitas em primeira e terceira pessoa, sob diversos pontos de vista, tanto de vítimas, como de testemunhas oculares. A diagramação está bem feita, assim como a capa que transmite o clima do livro.

Os contos são muito breves, assim não só pela grande quantidade, mas também para não estragar alguns deles escolhi comentar os que mais me chamaram atenção, seja pela boa qualidade como também por algum problema.

O conto que abre o livro é Mapinguari Urbano, e peca pela brevidade, trabalhar com a ideia de enfrentar a própria sombra ser mais assustador do que lidar com os monstros da noite é boa, mas precisava de mais algumas linhas de elaboração. Embora desperte reflexão alguns dados a mais fariam dele algo significativo.

Seguido temos A Árvores dos Cânticos, que tem uma semente para um livro, e diria que até uma série de livros, mas juntar o que renderia páginas e mais páginas em um conto foi ousado, e soou muito confuso! Existem muitos personagens que se embolam e prejudicam a ação e descrição da estória, especialmente para quem não está familiarizado com estes.
Já o conto Filha de Icamiabas é feito em primeira pessoa e tem todo aquele clima característico das lendas folclóricas com os pés na Amazônia. Ele explora um tema muito recorrente no passado, uma maldição em família, tema que até hoje ainda assombra algumas famílias.

Alguns contos trabalham a perspectiva de como essas criaturas lendárias atravessam as vidas cotidianas dos protagonistas e mudam suas vidas, como em Suindara Maldita e também em A Longa Noite de Antônio Felix e O Pescador Solitário. Sem muitas novidades contos como Filhos de Boto, A Cachoeira, Olhos de Icamiabas, Os dois Mundos apenas soaram como contos encontrados em livros infantis sobre o assunto.

Manaos Railway como os demais é curto, mas promove uma breve viagem no tempo quando o protagonista tem um encontro fantasmagórico, e ao seu final nos trás aquela sensação do conto bem executado.

O universo mitológico amazônico é muito vasto e profundo, alguns seres como Curupira e Iara são conhecidos por todos em todo Brasil acredito, mas alguns seres citados ao longo dos contos são desconhecidos por mim, e acredito que isso tenha atrapalhado a leitura. Quando leio uma versão sobre o Curupira, me sinto capaz de julgar se é ou não convincente, mas quando um conto fala pela primeira vez sobre um deus que nunca ouvi falar eu simplesmente não sei quem é, e nem se é uma boa reinvenção. Como o livro que não tem como objetivo apenas de ser vendido no Amazonas, um guia com referências a criaturas, termos, lugares e lendas seria muito útil na leitura dos contos e na aproximação das culturas. Assim como uma introdução mais ampla que amarre todos os contos também seria bem vinda, é verdade que existe sim uma pequena introdução, mas uma maior reflexão a cerca do que o livro pretende seria um convite para a leitura do que esta por vir.

Quando a Selva Sussurra evoca um universo muito comentado, mas pouco explorado pela literatura brasileira. Nos apresenta novos autores e nos convida a conhecer mais sobre esse lugar cheio de vida e cultura.



Flores Mortais - Giulia Moon


Todos os anos tenho colocado uma meta literária quanto a quantidade de livros que gostaria de ler, esse ano foram 60, e chegar a este número não foi exatamente fácil, as vezes a rotina não deixa muitas horas para leitura. O fato é que consegui, e o livro de número 60 foi Flores Mortais, da autora nacional Giulia Moon, publicado pela editora Giz Editorial.

Esta obra é uma coletânea de contos com protagonistas femininas que incorporam traços próprios ao universo feminino com um detalhe em comum a todas elas: todas são vampiras! Bonitas, sedutoras, manipuladoras e fatais, todas estas vampiras trazem em suas histórias muito sangue e sentimento.

São oito contos no total, todos ambientados no Brasil, sendo um deles divido em seis partes, alguns deles são inéditos mas boa parte já foi publicada em outras antologias de contos da autora que quis republicá-los por algumas destas obras já se encontrarem esgotadas.

O primeiro conto é Rock'n Roses, breve ele narra uma noite na vida da vampira Rose Mistral durante uma caçada em um bar, ao mesmo tempo que tem seu dia atravessado por uma menina de rua que mexe com seus sentimentos. Por ele ser muito curto não teve um desenvolvimento muito bom, senti falta de maior densidade na história e na personagem.

Danse Macabre é quem vem na sequência, este é um conto extremamente original, porque a protagonista é a Senhorita Íris, uma vampira com uma coleção muito peculiar, ela abraça grandes nomes das artes para seres imortais, então grandes compositores, pintores e escritores compartilham suas noites, e essa ideia foi muito divertida de imaginar. Ao mesmo tempo trabalha com o gênio forte da vampira que tem que lidar com as vontades das pessoas que a cercam. É o segundo melhor conto da antologia.

Depois temos A Santa dos Meninos de Rua, onde Pipoca é um menino de rua que sonha em ter uma vida melhor, e durante a noite de Natal recebe duas propostas para sair das ruas, entretanto sua intuição lhe alerta sobre quem são essas pessoas. É um conto com espírito de conto, aquela sensação no final que um conto bem escrito dá ao você compreender totalmente o sentido do que está escrito e achar interessante.

Maya é o conto mais longo, ele que é dividido em seis partes que se passam ao longo de alguns anos. Todas estas partes são como crônicas do dia a dia desta vampira de 200 anos com seu mordomo em New York. É muito bom acompanhar a vida desta vampira rica e que não se preocupa com nada até se dar conta de seus sentimrntos. É minha parte favorita do livro!

A Dama Morcega dá sequência, e segue o clima dos antigos circos de excentricidades, já que a Dama Morcega nada mais é do que uma vampira que vive em uma jaula e é usada em espetáculos até que um médico a resgata durante um tumulto em sua apresentação, mas uma mente perturbada e um ser sedento de sangue juntos nem sempre acabam bem! É um conto que perturba um pouco, especialmente pelo modo como a jovem é tratada, a autora aborda um pouco da perturbação mental que o ser humano pode desenvolver durante suas ambições.

As Vampiras de Kenshin, é conto mais simples, ele nos conta a história de Negra Luiza uma ex-escrava vampira que realiza tarefas sob encomenda. Ela não tem muita ideia do que esperar quando parte em busca de um artista japonês desaparecido, e o que vai descobrir pode ser perturbador. Não é um conto ruim, mas também não é bom, achei ele um pouco sem sal em outras palavras.

Em penúltimo temos Dragões Tatuados, conto que deu origem à série de romances da vampira Kaori (o primeiro livro já foi resenhado por aqui), ele mostra como foram os primeiros encontros de Samuel, o observador de vampiros com a misteriosa vampira Kaori. Para quem leu o livro como eu foi complementar para história central saber como se deu esse encontro.

A exótica dama oriental e o inesperado Luar é o último conto que conta com um crossover com o personagem Luar, da série de livros do autor Kizzy Ysatis. Nos começo do século XX estes imortais se esbarram pela noite de São Paulo e tentam se conhecer e ao mesmo tempo se destruir.

A narrativa de Moon é bastante fluida ao mesmo tempo que é detalha mas sem exageros, assim você consegue imaginar a cena com detalhes suficientes ao mesmo tempo em que a ação acontece. Seus personagens são bastante interessantes, e despertam a vontade de histórias mais longas com eles.

Flores Mortais consegue através de seus contos captar e apresentar os melhores aspectos do universo vampiresco sem soar repetitivo ou monótono. É sangrento, é poético, é belo, e nos faz caminhar com estas imortais ao longo da noite sem medo do que esta por vir!


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A Batalha dos Deuses - Juliano Sasseron

São poucas pessoas na atualidade que sabem da história que marca a trajetória do catolicismo desde a sua criação. Muitos apenas se atem a Idade Média e todas as suas supertições. Mas antes, muito antes em nome de Deus a igreja destruiu cidades inteiras, culturas e religiões tão antigas quanto o mundo.  Cultura essa que se perdeu no tempo e hoje é aos poucos resgatada pelo neopaganismo. Está é uma das ideias exploradas na antologia de contos A Batalha dos Deuses, organizado pelo autor Juliano Sasseron, pela editora Novo Século, que conta com 9 contos.

Nesta antologia outro aspecto trabalhado é a pergunta: afinal nós seres humanos fomos criados a imagem e semelhança dos deuses ou eles, ao contrário foram criados e mantidos por nós?  Uma pergunta sem resposta, mas que nos permite refletir sobre nossa posição no mundo como criadores de realidade. Criadores de deuses ou não, criamos realidades que nos cercam e afetamos os que nos rodeiam!

Quanto aos contos, o primeiro é Ragnarök, do autor Sid Castro, que trabalha com o encontro entre a civilização Viking e os católicos. O autor demonstra saber sobre o que escreve, o que trouxe um problema, o texto soa um pouco técnico, como um relato histórico e não a narrativa de um conto.

Em seguida temos O Carvalho e O Visco, da autora Simone O. Marques, este conto é apaixonante. É contado por um bardo que vê sua aldeia, umas das últimas que restou intacta, recebendo um monge que trás suas ideias de deus. A metáfora explorada pela autora que dá nome ao conto é excelente e me encantou profundamente. Quero muito ler os livros da autora! O paganismo em sua essência é mostrado em suas palavras.

Seguimos com  Nhanderuvuçu, que trabalhou com o panteão de deuses amazônicos. Nunca havia lido nada parecido, é muito original, e destaca toda a humanidade que existe nos deuses. Gostei muito dos aspectos destes deuses e como foram usados na trama, um ótimo trabalho do autor Felipe Santos, que soube utilizar nossa mitologia de forma respeitosa.

Pontifex Maximus, prossegue com o autor Fernando Henrique de Oliveira, que escolheu abordar o Império Romano, onde um Imperador se lembra das memórias de seu passado. O fim do conto é muito interessante. Depois Popol Vuh, com Sérgio Pereira Couto nos apresenta o panteão maia, e uma 'viagem' causada pelo santo daime, outro trabalho que ganha destaque pela originalidade do tema,  com os maias tão falados e tão pouco conhecidos (visto que 2012 o mundo não acabou não é?!)

Albarus Andreos apresenta A Menina que Olhava, com deuses egípcios, mas que infelizmente não me conquistou muito, já que para mim ele soou muito cruel, e isso me incomodou rs! Não é mau escrito, apenas soou muito perverso. Já em A Última Ceia de Mitra do autor Estevan Lutz, de forma breve nos mostra uma realidade onde o cristianismo não cresceu como principal vertente religiosa, é o culto a Mitra que é o principal nesta civilização.

O Legado de Anunnaki, do autor Márson Alquati, trabalha com um conceito que aprendi na ufologia, onde os deuses teriam vindo de outros planetas: eram os deuses astronautas? (existe um bom documentário a esse respeito com esse nome). O conto narra a história do mundo no passado, com trechos no presente na visão de um arqueólogo. No entanto o conto soou cansativo e não me agradou muito, mas mostra que o autor estudou muito sobre o tema.

Por fim fechamos a antologia com Consciência Quântica, do autor Juliano Sasseron, um ótimo conto que tem duas faces, uma onde um pesquisador têm diálogos com um novato na área de física. E outra onde o sonho que este pesquisador teve é narrado, e essa parte é muito boa, é uma conversa entre diversos avatares: Jesus, Arjuna, Maomé, etc. Nos trás muitas reflexões a cerca da fé!

A Batalha do Deuses merece destaque pelo bom trabalho gráfico da editora, cada conto se inicia com capas pretas com uma breve biografia do autor. A diagramação é simples, assim como sua capa, que apresenta a ideia central do livro mas poderia ser mais atraente.

Além de contar histórias esta antologia deve ser lida como um excelente modo de refletir a cerca das fés que nos cercam, e para nos lembrar do que passou e tentou ser apagado pela igreja. Com uma veia crítica que me agradou em cheio, é um prato cheio para quem quer ir além do espaço comum e confortável que muitos autores exploram.

  

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Steampunk Poe – Edgar Allan Poe


Confesso que quando vi este livro pela primeira vez na livraria da minha cidade, fiquei louca com suas ilustrações e suas páginas que são daquelas macias do tipo de revista (só que mais grossas). Por isso, logo que foi possível, comecei a minha leitura e agora venho contar para vocês o que eu achei deste exemplar que contém vários contos do Edgar Allan Poe.
Logo no início do livro encontramos uma pequena introdução sobre a vida deste autor que foi um dos maiores escritores americano de todos os tempos, e que tem como estilo próprio trazer em seus contos e poemas características como tristeza, obscuridade, uma certa melancolia que beira a loucura, e podemos ver isso claramente em sua escrita. Vemos que isso tudo deve ser, também, pelo motivo de ter tido uma vida sofrida, já que acabou perdendo muitos entes queridos para a tuberculose.
O livro contém os contos de Allan Poe na íntegra, mas o diferencia é que, junto deles, temos as ilustrações feitas por Manuel Sumberac e Zdenko Basic no estilo steampunk, que nos ajudam a capturar toda a loucura e mistério que o Edgar passa com suas palavras. Eu não vou falar de cada conto particularmente, pois acho que essa resenha ficaria muito extensa e que contos são um pouco mais difíceis de resenhar, mas posso afirmar para todos vocês que a escrita deste autor é brilhante e por isso ele se tornou tão renomado. E nas histórias apresentadas nesse exemplar ficamos presas em um mundo gótico onde não queremos sair até conseguirmos ler a última página.
Eu ainda não tinha lido nenhum livro deste autor, mas me encantei com sua escrita e as ilustrações que a acompanham nessa versão linda. Quem curte Edgar Allan Poe, ou quem quer conhecer suas obras, com certeza vale a pena ter esse livro na estante, que é o resultado de uma ótima soma de conteúdo com qualidade. Vou deixar algumas imagens de como é o livro para vocês conferirem.



Para quem ainda não conhece o gênero, Steampunk é quando temos obras que abordam o passado ou uma realidade paralela (que pode ser no futuro), onde encontramos avanços tecnológicos não existentes na época, ou seja, é uma mistura de tecnologias da época em questão com tecnologias do futuro. Como, por exemplo, um computador feito de madeira.
Super recomendo esse volume para todo mundo, pois além de tudo já explicado acima, o trabalho gráfico que a Editora iD teve com este exemplar já vale todo o dinheiro que investimos nele, pois está deslumbrante e impecável. O livro é rápido, gostoso de ler, lindo e com boas histórias, porém se terror não faz o seu gênero de leitura, ou se você não gosta de ler livros que contem cenas um pouco mais fortes esse então não é um livro indicado para você.
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