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Sol da Meia-Noite – Crepúsculo #05 – Stephenie Meyer


Na época em que Crepúsculo saiu nas livrarias eu quis imediatamente ler, pelo simples fato que sou fã de vampiros e de Anne Rice. Confesso que na época o primeiro livro mexeu comigo, mas o segundo volume foi ódio mortal, mesmo assim segui até o fim meio de saco cheio de tanto drama e alguns absurdos hehehe. Não fazia ideia que Sol da Meia Noite iria sair até que me deparei com ele, e pense porque não? Afinal quem vai narrar é um vampiro, vai ser mais true não? É não exatamente não Sra. Stephenie Meyer?!
Em Sol da Meia Noite conhecemos a mesma estória de Crepúsculo, mas sob a ótica do vampiro Edward, desde o seu primeiro encontro, passando por momentos que sabemos que aconteceram, mas não como aconteceram. A narrativa é feita em primeira pessoa, e devo dizer que se achava que a Bella era lamúrias sem fim é porque não conhecia a mente do Edward! Simplesmente não comprei a ideia que Meyer vendeu de que uma vez vampiro e sua personalidade não evolue, visto que a mente e o corpo seguem percursos próprios. Depois de cem anos duvido que alguém continue nos mesmos erros e personalidade. Sim alguns vampiros se tornam mais letais e abandonam qualquer traço de humanidade, outros passam disso para quase humanos, entre tudo isso eles aprendem e mudam, mas o Sr. Cullen? É como um adolescente e desculpa isso não cola!
Outro aspecto que em Crepúsculo já me incomodava e nesse só piorou foi a perseguição de Edward a Bella, chega um determinado ponto da trama que ele ou está com ela, ou vigiando ela através da mente dos outros. Não é isso que chamam de relação tóxica? Ele não consegue respeitar as decisões dela porque ela é uma humana e é frágil, não aceita os sentimentos dela porque ele é um monstro indigno de amor e quer impor todo relacionamento em cima da ideia que ele não é capaz de ser homem ( isso porque me desculpe com Carlisle como exemplo ele devia ser muito diferente).
O livro têm 736 páginas que até caminham bem, mas que trazem páginas e mais páginas de "vou embora", "sou um monstro e vou matar ela" e "o cheiro dela é incrível", é repetição, atrás de repetição. Eu esperava por uma mente mais perturbada no sentido vampírico, como os vampiros mais tradicionais (oi Lestat?!), mas são breves as cenas que eu me via pensando "ah sim ele é um vampiro", a maior parte do tempo ele parece um ser humano imortal um bocado burro. Mesmo a mudança dele de parar de atacar ela e passar a namorar ela foi muito fraca.
Minha impressão sobre Meyer e os vampiros é que ela gosta deles, mas desde que eles não sejam maus, e eu aceito isso, o seriado True Blood, por exemplo, explorou isso muito bem. Me parece que a autora não conseguiu dimensionar a natureza real dessas criaturas, seus dilemas e experiências. Ela sempre fala do ponto de vista de uma humana e nunca senti ela vestido a camisa dos vampiros.


O Mundo de Lore - Criaturas Estranhas #01 - Aaron Mahnke

No instante em que eu vi a capa do livro O Mundo de Lore - Criaturas Estranhas, do autor Aaron Mahnke, mesmo antes de ler sua sinopse, eu desejei ele na minha estante. O trabalho gráfico da Darkside Books foi de encontro ao meu gosto e despertou o desejo imediato!

A partir do premiado podcast Lore, onde episódios se inspiram nos mais diversos eventos estranhos ao redor do mundo e tempo, Mahnke explora neste volume criaturas das mais distintas origens que assustaram e geraram lendas que perduraram até hoje, algumas verdadeiras, outras tão antigas que se perderam no tempo!

Cada capítulo escolhe uma criatura para ser explorada, a primeira, por exemplo, são os vampiros, desde a sua provável origem, passando pelos principais casos registrados na história. Alguns são explicados pela ciência de hoje, outros ainda geram mais perguntas que respostas, o autor narra de forma breve e objetiva as características atribuídas a estes seres. Depois algumas histórias sinistras sobre zumbis são lembradas, e eu sempre fico aflita ao me lembrar que alguns locais ainda hoje desfilam com pessoas mortas pelas ruas como se elas ainda fossem vivas, mas elas já morreram faz tempo!

Entre cada caso, lenda e situação o autor joga a verdade ora fazendo o leitor acreditar que tudo que é relatado é verdadeiro, ora atribuindo explicações muitas vezes sob a ótica psicológica do comportamento humano, tanto para acreditar nestes seres quanto para interpretar certos acontecimentos. No final ele sempre deixa as respostas em aberto para serem interpretadas, sem acreditar ou desacreditar do que narra.

Os relatos se focam muito nos Estados Unidos, mas diversos países são citados, que é o caso do capítulo seguinte que se foca em criaturas pequenas, como os elfos na Islândia, ou os duendes da Irlanda. Em sua grande maioria os nomes específicos atribuídos a essas criaturas são citados, e nomes genéricos não são usados. Neste capítulo em específico, onde criaturas do meu maior interesse são trabalhadas, alguns relatos me eram conhecidos, mas alguns foram novos.

Na sequência são citados seres que parecem animais, mas que não tem comportamento e aparência comum, aqui alguns relatos lembram lobisomens ou híbridos de homens e animais. Criaturas marinhas também aparecem, e talvez sejam entre todas a menos questionadas, já que nas profundezas de rios e mares o desconhecido impera.

As situações não param apenas nessas criaturas vivas, um caso de um boneco possuído também é narrado detalhadamente, assim como da famosa Annabelle. Seguem-se casos que ficam entre criaturas desconhecidas e fantasmas. Até culminarem nos espíritos, que têm diversos relatos com diversos enfoques, alguns de origem de pessoas mortas, outras com aspectos demoníacos.

O livro possui uma vasta bibliografia, que é muito interessante para aprofundar os temas. E como comecei dizendo tem um trabalho gráfico incrível! Repleto de ilustrações que trazem um ar único ao livro, são extremamente fofas e macabrinhas. O volume é todo nas cores preta, branca e vermelha, além de contar com o corte em vermelho. É um livro tão lindo que eu me pegava apenas admirando cada detalhe e não o lendo.


Coração Ardente - Bloodlines #04- Richelle Mead

Quando um autor é bom não é preciso que o livro tenha uma grande estória, ou seja inovador. As vezes um dia a dia com os personagens, acompanhando seus dilemas é o suficiente para agradar. É um risco criar um livro assim, mas Richelle Mead conseguiu agradar no quarto volume da série Bloodlines, Coração Ardente, usando esta estratégia.

Equilibrar seus dias entre seu romance proibido com Adrian Ivashkov e a relação com sua irmã Zoe é um grande desafio para alquimista Sydney Sage. Correndo contra o tempo com medo da reeducação, Sage busca criar meios para evitar o controle dos alquimistas, ao mesmo tempo em que Adrian precisa controlar seu espírito e ajudar nas pesquisas contra os Strigoi. Se equilibrando em uma corda bamba o casal terá que descobrir como fazer suas obrigações e permanecer juntos.

Ao contrário dos volumes anteriores da série, esse livro tem a narrativa em primeira pessoa alternada a cada capítulo entre Sydney e Adrian. Essa dupla visão não só acaba trazendo maior riqueza e informações para trama, como também nos permite conhecer mais intimamente Adrian que no final das contas é um garoto sensível e está perdidamente apaixonado. Essa dupla visão também trás frescor a narrativa.

Esse volume não tem grandes cenas de ação, ele é muito focado na relação do casal, e nas descobertas dos mesmos nas duas linhas de pesquisa que ambos, que já estavam trabalhando no livro anterior. Ele combatendo os strigoi através dos regenerados (indivíduos que eram strigoi e voltaram a seu estado normal), e ela criando uma alternativa para inativar o controle dos alquimistas.

Embora possa soar desinteressante, a verdade é que Mead conseguiu costurar pequenas peças na estória geral, ao mesmo tempo em que trabalha com detalhes seus personagens que estão em pleno desenvolvimento. Inclusive a relação familiar de Sage tem foco no livro, e devo avisar que sua irmã Zoe é sem dúvida a personagem mais chata da série, para não dizer invejosa!

Sydney não está mais afinada com o propósito dos alquimistas, assim vestiu a camisa da bruxaria (uma pena que não tenha tanta magia quanto eu gostaria!), e pouco se importa com a raça de cada pessoa, desde é claro não seja um strigoi. Ao viver uma situação limite ela se entrega mais ainda a relação com Adrian, sem se importar com as consequências. Ela descobre o que é ser uma jovem, amar e ser amada.

Adrian chega ao seu limite com o espírito, e deve resolver se vai tomar remédios e domar o espírito, ou, ser consumido pelo mesmo. É o amor quem vai guiá-lo em suas escolhas, e quem conhece o Adrian de Academia de Vampiros, vai se surpreender com os pensamentos e ações deste vampiro!

Os coadjuvantes Jill, Sra.Terwilliger, Eddie, Trey, Neil e Angeline têm contribuições fundamentais ao longo da trama. Todos são carismáticos ao seu jeito. Todos contribuindo para que Sage alcance seus propósitos, seja contra os alquimistas, seja em sua missão de proteger Jill, e até para que o casal tenha um tempo juntos.



A Caminho da Sepultura - Night Huntress #01 - Jeaniene Frost


Existem livros que entram para lista de compras e nunca conseguem ser comprados, viram lembranças e a esperança de tê-los se perde, afinal são tantos livros que a lista só cresce. A Caminho da Sepultura foi lançado no Brasil em 2011, e desde então queria lê-lo, foi só na Bienal de 2018 que fui conseguir comprar o livro, e finalmente ler a autora Jeaniene Frost, que foi publicada aqui pela Novo Século.

Catherine Crawfield passa seus dias atrás de vingança, fruto de um sexo não concedido, ela é uma criatura única, com poderes que nenhum outro humano possui. Após tentar matar o vampiro caçador de recompensas Bones, Catherine é presa e acaba envolvida em uma parceria que sua mãe reprovaria. O que Crawfield não esperava era enxergar os mortos vivos por outro lado, e acabar envolvida em uma grande trama política com muitas mortes envolvidas. Agora esta dupla deverá trabalhar junta, ao mesmo tempo em que eles aprendem sobre seus sentimentos.

É interessante como Frost criou sua narrativa em primeira pessoa através da protagonista Catherine. Não tem grandes destaques, nem ideias geniais ou originais, mas é o tipo de estória que entretêm e agrada, onde você facilmente se vê envolvida e querendo acompanhar cada página. Nem sempre um livro precisa ser cinco estrelas para agradar, as vezes fazer o básico bem feito já é o suficiente, e é o caso desta autora.

Existem muitas cenas de ação, temos cenas de paixão e sexo, algumas pitadas políticas e algumas criaturas além de vampiros, como zumbis e fantasmas. Mas tudo dentro de um âmbito realista e possível, nada muito absurdo ou forçado. E essa capacidade de costurar realidade com fantasia é que torna o livro tão próximo na leitura.

Catherine é uma jovem solitária que quer ser justiceira. Em sua mente só existe uma verdade ensinada pela mãe: vampiros são monstros, e todos devem morrer. Mas depois de se aproximar de Bones, conhecer toda sua estória de transformação, assim como até outros vampiros, ela percebe que assim como acontece com os humanos existem os bons e os maus. E mudar essa verdade dentro dela mesma é não só um caminho dolorido como demorado.

Mesmo assim acima de tudo a jovem quer fazer o certo, defender os seres humanos daqueles que tem mais força que eles. Ao mesmo tempo ela quer descobrir mais sobre si mesma, sobre essa mistura que até o momento ela é a única a ser, e que gera nela capacidades similares aos dos vampiros.

Bones segue o padrão do vampiro atraente, mas que flerta com o politicamente incorreto com muito sarcasmo e humor negro. Ele não tem sede de sangue, mas gosta de ganhar dinheiro. Ele não quer matar seres humanos, mas se necessário for ele o fará! Enfim ele é a dualidade que um vampiro antigo costuma carregar, com aquele ar que parece ser irresistível que essa raça costuma ter. Nesse sentido a autora não foi nada original, mas como os vampiros agora se tornaram escassos, um bom vampiro não soou ruim rs!

Gostei muito de como Frost usou as outras criaturas para amarrar em sua trama principal, especialmente os fantasmas, que como já citei em resenhas anteriores é muito clichê nos cinemas, mas pouco explorados nas tramas em livros.


O Feitiço Azul - Bloodlines #03- Richelle Mead

Quando você acredita que uma autora já complicou a vida da protagonista o suficiente é porque você não conhece a senhora Richelle Mead, que em seu livro O Feitiço Azul, terceiro volume da série Bloodlines, publicado pelo selo Seguinte, conseguiu fazer todos os problemas possíveis para uma pessoa só rs! Por tratar-se de uma sequência contém spoilers.

Depois de tanto tempo ao lado dos vampiros Sydney Sage já não os olha da mesma forma, ela nem sequer tem mais a mesma fidelidade ao grupo dos alquimistas depois de descobrir que ex-alquimistas existiam. Determinada a descobrir a verdade a respeito deste grupo ela parte em busca de Marcus Finch. Sua tarefa já seria difícil sozinha, mas agora além desta busca ela deve evitar ser morta por uma bruxa que suga a energia de jovens. No final desta jornada qual será a verdade que permanecerá?

Não foi exagero começar essa resenha dizendo que a pobre Sage está com mais problemas do que o normal, ela além de buscar pelos ex-alquimistas, e buscar por essa bruxa sugadora de garotas, ela ainda deve cumprir seu trabalho junto a Jill e sua equipe, Eddie e Angelina, que não param de dar trabalho, e claro lidar com o seu sentimento por Adrian. Quando alguns destes problemas não resolvem se cruzar, e deixar ela mais perdida ainda!

Com tudo isso Sydney evolui cada vez mais de alquimista fiel a ordem, para um dissidente em busca de si mesma. Como ela cresceu dentro das regras dos alquimistas ela nunca teve espaço para ser ela mesma, ela sequer sabe do que gosta ou o que quer. Logo gostar de Adrian, um vampiro, um alvo proibido mexe demais com ela. Sua transformação é lenta, e pode cansar aos que torcem pelo casal, e pelo avanço da trama, mas esta característica só mostra a veracidade dos fatos, ninguém muda velhos hábitos e crenças da noite para o dia.

Se eu tinha birra com Andrian Ivashkov em Academia de Vampiros, e aos poucos estava cedendo a ele com esta série, neste livro entrego os pontos, o vampiro está a coisa mais fofa. Protetor e fiel a Sydney, ele não mede esforços para ajudar a mocinha, ao mesmo tempo em que investe na relação. Torci muito, muito mesmo para essa relação desenrolar, não só porque torço pelo amor, mas porque depois de tudo que ambos passaram eles merecem um alguém para chamar de 'seu'. Os dois juntos fazem muito bem um ao outro, eles se tornam pessoas melhores pela relação que estabeleceram de cumplicidade e honestidade.

Não gostei do clã dos dissidentes, eles são muito extremistas, e embora tragam verdades a Sydney não ganharam minha consideração. O contrário ocorreu com o núcleo bruxo, que tem apenas a Sra. Terwilliger que tem bastante enfoque neste volume, já que elas estão em busca desta bruxa má, ao mesmo tempo que a Sra. Terwilliger ensina cada vez mais feitiços para Sage. Adorei todas as sequências de magia, especialmente a invocação de um pequeno demônio!

O trio Adrian, Sydney e Terwilliger é muito bom junto! Eu gosto muito quando um autor consegue juntar 'raças' diferentes em um grupo de forma homogênea, eles se complementam e evoluem bem.


Juramento de Sangue - O Vampiro do Presidente #01 - Christopher Farnsworth

Estante de livros é igual guarda roupas de mulher, tem dias que você olha para ela e simplesmente não sabe o que ler, mesmo que mais da metade dela são de livros não lidos, você tem aquela falsa sensação de que não tem nada para ler. Quando começo com essas crises eu busca ajuda de alguém, o Pequenu (namorado s2!) foi a escolha da vez, eu simplesmente pedi que ele escolhesse um, e como ele tem um dedinho bom para vampiros escolheu, Juramento de Sangue  - O Vampiro do Presidente, do autor Christopher Farnsworth, publicado pela editora Novo Século.

Nem todo o mal que se espreita no governo americano pode ser combatido por sua inteligência. Alguns eventos são de ordem sombria e requerem um combatente a sua altura, para esses eventos o presidente tem ninguém menos do que um vampiro para auxiliá-lo! Cade já passou por diversos eventos em seus anos de combate, e no momento não é diferente com seu novo assistente, ele tem que descobrir o que pedaços de soldados mortos tem haver com um alquimista imortal, seu antigo inimigo. A vida do presidente está novamente em perigo, mais do que isso todo o mundo corre risco!

Esse livro está na minha estante fazem muitos anos, eu me lembrava vagamente do que se tratava, mas quando o assunto é vampiros eu topo tudo, então comecei a narrativa de Farnsworth sem medo! Feita em terceira pessoa, ele aborda diversos personagens em capítulos curtos, acompanhamos a dupla Cade e Zach, o grupo terrorista Dylan e Konrad e o grupo do governo que não é bem do governo com Helen e seus subordinados. Cada um deles tem um objetivo diferente, boa parte deles ligados diretamente a vontades egocêntricas.

Nathaniel Cade é um vampiro de 160 anos que logo após seu abraço foi trabalhar para o governo americano após um pacto vodu. Conhecemos sua estória pregressa ao longo dos capítulos aos poucos, a medida que assuntos relacionados evocam as situações. Ele é um vampiro muito humanizado por viver entre humanos, e se alimentar apenas de sangue de animais, mas não se engane pensando que ele é bonzinho, sua fúria é ligada a suas missões, e sua conduta é limitada pela vontade do presidente, e de Zach o intermediário entre eles. É dono de uma personalidade soturna e introspectiva.

Zach Barrows, é um jovem ambicioso que passou seus últimos anos fazendo todo o possível para chegar a Casa Branca e a cargos altos em sua estrutura. Quando é solicitado a trabalhar com Cade sente-se rebaixado e desqualificado para a missão. Mas aos poucos percebe que o que parecia pouco na verdade é um dos cargos de maior importância e confiança. Por Cade ser calado ele aos poucos consegue estabelecer uma relação com o mesmo. Embora no início soe como engomadinho a medida que cresce na trama também constrói uma personalidade mais interessante.


Kaori 2: Coração de Vampira - Giulia Moon

Quem lê muito e frequenta blogs literários já está habituado ao termo 'maldição do segundo livro' quando tratam-se de séries, nem sempre eles chegam a ser um fracasso, mas a quantidade de livros que tem queda na qualidade do segundo volume é muito alta. Quando começo ler um segundo volume já espero por esse problema, e quando ele não acontece eu fico surpresa, e quando eu coloco ele entre os favoritos então é de ficar mais surpresa ainda! Kaori 2- Coração de Vampira, da escritora brasileira Giulia Moon, publicado pela Giz Editorial é a raridade!

Kaori, a sedutora vampira oriental segue seu caminho agora no Rio de Janeiro, em um passeio por Copacabana acaba por esbarrar em um estranho jovem oriental que desperta seu fascínio. E agora ela deve decidir se mesmo com as feridas do passado ela pode dar uma nova chance ao seu coração.

Enquanto isso uma praga começa afetar o mundo, em especial as criaturas sobrenaturais que começam a ter comportamentos violentos deixando morte e sangue por onde passam. O IBEFF começa a agir, e Kaori se vê envolvida na ação, não só a pedido de seu amigo Takezo como também depois do sumiço de seu novo mestiço favorito. Mais do que superar velhas feridas, Kaori deverá enfrentar velhos inimigos, mas será que essa vampira conseguirá superar tantos obstáculos?

Kaori- Perfume de Vampira (1º livro) foi ótimo, me surpreendeu em suas escolhas e o pano de fundo oriental. Coração de Vampira conseguiu superar seu antecessor em todos os aspectos, inclusive nas escolhas da mitologia/criaturas japonesas. A narrativa de Moon segue em terceira pessoa, acompanhando diversos aspectos da estória em um estilo dinâmico e sedutor. A autora consegue captar de forma muito pontual os aspectos primitivos que são muito aflorados na criaturas sobrenaturais, especialmente a libido alta que determina e guia muito de seus comportamentos.

Diversas criaturas/espíritos da cultura japonesa são evocados, e eu particularmente acho que essa é uma mitologia bastante sanguinária e macabra, muito rica em detalhes e explicações. Moon consegue ao mesmo tempo juntar a esses aspectos com pitadas da mitologia brasileira, como lobisomens e botos, e a riqueza que nasce dessa fusão é muito única.

Kaori embora seja uma vampira muito antiga, ainda não conhece todas as suas habilidades. Neste volume da série ela vai aprender mais sobre si mesma, não só sobre como superar um coração partido no passado, como também sobre suas capacidades no presente. Ela é a típica vampira, embora não seja má por natureza não deixa de lado sua natureza predadora e sedutora. 

Samuel, o vampwatcher, se envolve na trama primeiro por trabalho e depois por questões pessoais. Ainda não está certo sobre seus sentimentos por Beatriz, a bióloga do IBEFF, mas uma sucessão de fatos o fará refletir sobre o que quer para si. Felipe, um vampiro que já surgiu no livro anterior sofre uma transformação bastante interessante. E o espírito que o acompanha é muito interessante, e diria fofo! Uma lenda japonesa que até é muito trabalhada em mangás/animes é explorada, e muito bem colocada!



Flores Mortais - Giulia Moon


Todos os anos tenho colocado uma meta literária quanto a quantidade de livros que gostaria de ler, esse ano foram 60, e chegar a este número não foi exatamente fácil, as vezes a rotina não deixa muitas horas para leitura. O fato é que consegui, e o livro de número 60 foi Flores Mortais, da autora nacional Giulia Moon, publicado pela editora Giz Editorial.

Esta obra é uma coletânea de contos com protagonistas femininas que incorporam traços próprios ao universo feminino com um detalhe em comum a todas elas: todas são vampiras! Bonitas, sedutoras, manipuladoras e fatais, todas estas vampiras trazem em suas histórias muito sangue e sentimento.

São oito contos no total, todos ambientados no Brasil, sendo um deles divido em seis partes, alguns deles são inéditos mas boa parte já foi publicada em outras antologias de contos da autora que quis republicá-los por algumas destas obras já se encontrarem esgotadas.

O primeiro conto é Rock'n Roses, breve ele narra uma noite na vida da vampira Rose Mistral durante uma caçada em um bar, ao mesmo tempo que tem seu dia atravessado por uma menina de rua que mexe com seus sentimentos. Por ele ser muito curto não teve um desenvolvimento muito bom, senti falta de maior densidade na história e na personagem.

Danse Macabre é quem vem na sequência, este é um conto extremamente original, porque a protagonista é a Senhorita Íris, uma vampira com uma coleção muito peculiar, ela abraça grandes nomes das artes para seres imortais, então grandes compositores, pintores e escritores compartilham suas noites, e essa ideia foi muito divertida de imaginar. Ao mesmo tempo trabalha com o gênio forte da vampira que tem que lidar com as vontades das pessoas que a cercam. É o segundo melhor conto da antologia.

Depois temos A Santa dos Meninos de Rua, onde Pipoca é um menino de rua que sonha em ter uma vida melhor, e durante a noite de Natal recebe duas propostas para sair das ruas, entretanto sua intuição lhe alerta sobre quem são essas pessoas. É um conto com espírito de conto, aquela sensação no final que um conto bem escrito dá ao você compreender totalmente o sentido do que está escrito e achar interessante.

Maya é o conto mais longo, ele que é dividido em seis partes que se passam ao longo de alguns anos. Todas estas partes são como crônicas do dia a dia desta vampira de 200 anos com seu mordomo em New York. É muito bom acompanhar a vida desta vampira rica e que não se preocupa com nada até se dar conta de seus sentimrntos. É minha parte favorita do livro!

A Dama Morcega dá sequência, e segue o clima dos antigos circos de excentricidades, já que a Dama Morcega nada mais é do que uma vampira que vive em uma jaula e é usada em espetáculos até que um médico a resgata durante um tumulto em sua apresentação, mas uma mente perturbada e um ser sedento de sangue juntos nem sempre acabam bem! É um conto que perturba um pouco, especialmente pelo modo como a jovem é tratada, a autora aborda um pouco da perturbação mental que o ser humano pode desenvolver durante suas ambições.

As Vampiras de Kenshin, é conto mais simples, ele nos conta a história de Negra Luiza uma ex-escrava vampira que realiza tarefas sob encomenda. Ela não tem muita ideia do que esperar quando parte em busca de um artista japonês desaparecido, e o que vai descobrir pode ser perturbador. Não é um conto ruim, mas também não é bom, achei ele um pouco sem sal em outras palavras.

Em penúltimo temos Dragões Tatuados, conto que deu origem à série de romances da vampira Kaori (o primeiro livro já foi resenhado por aqui), ele mostra como foram os primeiros encontros de Samuel, o observador de vampiros com a misteriosa vampira Kaori. Para quem leu o livro como eu foi complementar para história central saber como se deu esse encontro.

A exótica dama oriental e o inesperado Luar é o último conto que conta com um crossover com o personagem Luar, da série de livros do autor Kizzy Ysatis. Nos começo do século XX estes imortais se esbarram pela noite de São Paulo e tentam se conhecer e ao mesmo tempo se destruir.

A narrativa de Moon é bastante fluida ao mesmo tempo que é detalha mas sem exageros, assim você consegue imaginar a cena com detalhes suficientes ao mesmo tempo em que a ação acontece. Seus personagens são bastante interessantes, e despertam a vontade de histórias mais longas com eles.

Flores Mortais consegue através de seus contos captar e apresentar os melhores aspectos do universo vampiresco sem soar repetitivo ou monótono. É sangrento, é poético, é belo, e nos faz caminhar com estas imortais ao longo da noite sem medo do que esta por vir!


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Insaciável – Meg Cabot


Conhecemos a história de Meena Harper, uma jovem que trabalha como roteirista de uma das novelas de maior audiência dos EUA, Insaciável. Mas quando sua maior concorrência inclui vampiros em sua trama, a audiência de Insaciável começa a cair. Agora os diretores resolvem que esse tema também precisa ser abordado em sua novela e Meena terá que acatar ao pedido, o que não a agrada nem um pouco, já que além de não acreditar neles, ela não aguenta mais ouvir falar sobre o assunto.

Meena tem um dom incomum: ela sabe quando as pessoas vão morrer, e pode ajudá-las a tardar isso, ela só não consegue prever seu próprio futuro.

Alguns acontecimentos começam a ocorrer, fazendo com que o príncipe das trevas tenha que ir para lá, e também seus inimigos, que estão fazendo de tudo para destruí-lo, assim como todos os vampiros existentes. É aí que entra Alaric, que mais do que seu dever de acabar com todos eles, busca uma vingança pessoal.

Mas nem o dom premonitório de Meena poderia prever o amor que ela acabaria sentindo por Lucien Antonesco, o príncipe vampiro. É aí que toda a confusão começa a acontecer, e não conseguimos mais parar de ler o livro até chegar ao “final” de tudo.

Como a sinopse sugere, esse não é mais um livro de vampiros comum, mas Meg consegue tratar o assunto com maestria, restaurando argumentos antigos e misturando-os a novos, transformando a história em algo extraordinário.

No começo não estava me empolgando muito com o livro, talvez por se tratar do tema vampiros, o que não me atrai muito. Mas ela, como sempre, conseguiu me surpreender. Sério, ela consegue desenvolver as situações das melhores formas, que nos fazem querer ler mais e mais a cada página virada. São muitas novidades, as coisas que nunca imaginaríamos que poderiam acontecer, acontecem.

O jeitinho Meg de ser é sensacional, e conseguimos identificá-lo logo nas primeiras páginas, ela transforma situações em divertimento certo, com personagens cômicos e super envolventes, gostei bastante deles. Além disso, as ironias e referências a muitas coisas que conhecemos são muito evidentes. Só me incomodei um pouco pois estou mais acostumada a ler Meg em primeira pessoa e por esse ser em terceira parecia que estava faltando algo, não me sinto tão dentro da história como quando leio os pensamentos dos protagonistas. Mas achei muito interessante o fato de os capítulos serem divididos entre Meena, Alaric e Lucien, porque assim pude ver as situações que cada um passava separadamente, o que ajudou muito na hora de entendê-los melhor.

Quando vai chegando ao final, a história fica ainda mais bombástica e não consegui largar o livro de jeito nenhum! E claro, fiquei ansiosa pelo próximo.

Só achei engraçado que a Meg não ia escrever livro sobre vampiros mas acabou escrevendo, e mais do que o normal até, já que esse é enorme, um dos maiores [se não o maior] livro que ela já publicou, tem mais de 500 páginas!

A capa original é linda, mas a Galera conseguiu fazer uma capa igualmente maravilhosa para a versão nacional, e fiquei babando, inclusive adorei a textura, super gostosa de passar a mão. hehe

Só não dei cinco casinhas porque minha leitura foi meio arrastada no início, confesso que acabei me embolando com algumas coisas, além do tema que não me empolgou muito. E também, se comparar com os livros dela que eu amo [Rainha da Fofoca principalmente! <3], esse não se equipara a eles. Mas enfim, super recomendo o livro, se você gosta de vampiros mais ainda, e se você gosta de vampiros e Meg Cabot, e ainda não leu, eu sinceramente não sei o que está esperando.
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