Mostrando postagens com marcador literatura brasileira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador literatura brasileira. Mostrar todas as postagens

Ordem Vermelha - Filhos da Degradação - Felipe Castilho

Livros são para mim um momento de escape do meu dia. Quando eu estou no meu dia a dia normal eu consigo ler quase todo gênero de literatura sem me afetar, mas quando o mundo está de ponta cabeça como nesse momento da nossa história, eu estou procurando por leituras mais leves, mas desta vez eu me vi com um livro que não me proporcionou um momento de tranquilidade, ao contrário. Em Ordem Vermelha, Filhos da Degradação, do autor Felipe Castilho, publicado pela editora Intrínseca, a leitura foi tudo menos tranquila, não pela sua qualidade, mas pela sua temática.

Untherak é um lugar dominado por uma deusa de seis faces, onde o vermelho é uma cor proibida e todos os moradores servem a deusa de sol a sol. Aelian é um órfão humano que passa seus dias no Poleiro sonhando com o dia que terá sua semi-liberdade, o que ele não esperava é que seu sonho fosse lhe custar tão caro. Após conhecer a Aparição ele acaba junto de companheiros inesperados que junto a ele irão começar uma rebelião.

O universo criado por Castilho é bastante peculiar, sem referências muito explícitas de suas origens. O autor diz nos agradecimentos sobre referências a seus livros anteriores e o folclore brasileiro, mas ao contrário do que é comum acontecer aqui é tudo muito original, e essas alusões são sutis. É tão diferenciado que chega a muitas vezes a ser difícil de compreender certos aspectos, como a moeda utilizada.

Aelian é um jovem que perdeu os pais cedo e se viu sozinho trabalhando de forma dura no Poleiro, local onde falcões enviam encomendas. Quando não está trabalhando ele fica em uma pequena cela. Sempre que pode ele foge pelos telhados, então quando vê a oportunidade de mudar o sistema do local ele agarra a oportunidade. É destemido e leal aos novos colegas.

Ziggy, é um sinfo, uma criatura assexuada com uma sensibilidade diferenciada com uma forte ligação com a natureza. É o integrante do grupo menos letal e mais leve, com uma capacidade de trazer luz nos momentos mais escuros. Harun, é um anão que é um Autoridade (trabalha para deusa), tem uma índole duvidosa já que seu objetivo não é um bem maior, mas o resgate da herança cultural de sua família. Dono de grande força física, é também dono de um humor explosivo.

Raazi, uma kaorsh, tem a capacidade de mudar a cor da própria pele. É uma grande guerreira e luta desde as primeiras páginas pela liberdade de todos. Ela sabe de alguns segredos e mentiras da deusa e planeja que eles venham a tona abalando a lealdade do povo. Venoma é uma mestiça de kaorsh e humano, é letal e desconfiada. Ela junto da aparição fazem muitos estragos pelo Miolo antes de se juntar aos demais.



Todos os personagens tem uma personalidade muito bem delineada e cada raça têm suas características exploradas. Infelizmente por todos eles estarem em uma situação limite acabam tendo suas culturas e costumes perdidos ou abafados, o que é uma pena, pois limita a graça de todas as raças.



A Casa dos Pesadelos - Marcos DeBrito


Quando me foi oferecido a leitura de A Casa dos Pesadelos, do autor Marcos DeBrito, publicado pela Faro Editorial, eu fui logo aceitando, afinal livro com fantasmas são comigo mesmo. Mas a medida que a leitura foi passando eu me deparei com uma realidade mais cruel e visível do que eu poderia imaginar!

Tiago é um adolescente retraído e muito calado, em uma visita a casa da avó dez anos atrás passou por um trauma que o marcou a ponto de a terapia ser sua companhia desde então. Agora acompanhado do irmão e da mãe ele aceita voltar para a casa que tanto o assombra para saber se suas lembranças são verdadeiras ou invenções de uma mente infantil. O que o assombrava ainda estava na casa, mas agora com seus olhos mais maduros o que ele descobre pode ser ainda pior do que o fantasma que tinha em sua mente.

A narrativa segue em terceira pessoa sob a perspectiva do protagonista Tiago, alterna capítulos no passado e no presente. No início não sabemos exatamente do que se trata seu trauma, mas com o nome do livro fica sugerido que trata-se de uma assombração ou um fantasma. Essa informação de fato ronda o livro, embora raramente apareça o tal fantasma, e em momento algum a estória tenha gerado medo ou suspense diante do desconhecido. A narrativa é dinâmica e objetiva, acrescentando informações para que aos poucos imaginemos o que Tiago viu na infância.

Na casa da avó existe um quarto trancado que pertencia ao avô já falecido. E aparentemente os estranhos sons que o jovem ouviu e volta a ouvir surgem deste quarto. E é a partir destas duas informações eu criei uma possibilidade para o desfecho, mas já vou logo dizendo que nada que imaginava se concretizou. O final foi tão inesperado, foi tão surpreendente que ao fechar o livro eu fiquei uns bons minutos me perguntando o que era aquilo.

O livro é tão curto que se eu compartilhar mais alguma informação sobre o desfecho vai estragar toda a surpresa que ele gera. Infelizmente esse final inesperado não é agradável, não do ponto de vista do trabalho literário, mas para o personagem, e para o leitor que fica com uma sensação horrível ao descobrir o grande segredo.

Tiago parece ser um adolescente comum na famosa fase de reclusão onde todos os adultos incomodam, não o compreendem e ainda fazem do seu mundo pior. O que ele é diferente dos demais é que a situação que viveu na infância o faz ter medo e se fechar para vida. A mãe faz o que pode para compreender a situação, mas ela vive entre ser uma mãe compreensiva, e ser uma mãe que não leva o problema tão a sério como se a experiência apenas tenha sido um mal entendido da infância do menino.

Determinado a resolver a situação o adolescente começa enfrentar a assombração, mas é só depois de conhecer a vizinha que ele tem coragem de abrir o quarto do avó e se deparar com uma verdade inconveniente. A trama depois de sua descoberta se descortina bem rápido chegando ao seu ápice sem nos preparar.


A Garota da Casa Grande - Amanda Marchi


A Garota da Casa Grande, da brasileira Amanda Marchi e publicado pela Novo Século já me olha da estante faz muito tempo. Depois de terminar uma leitura mais densa resolvi dar chance para esse pequeno livro.

Georgia é uma adolescente que todos os anos passa suas férias no interior na casa de sua avó. Nada costuma acontecer nesta cidade pequena, e ela acreditava que passaria suas semanas entre o sofá e sua cama com a internet discada. Mas após esbarrar com a moradora de uma casa vizinha seus dias não serão mais os mesmos, e essa viagem ficará marcada.

Meu livro é autografado, e a autora diz que o livro é uma jornada contra o preconceito. E foi com isso em mente que embarquei na leitura, e foi exatamente isso que não encontrei em suas páginas. Sim Georgia é uma garota que gosta de garotas, mas ela é assumida, e quando revela isso para a avó ela é aceita imediatamente. Sim a tal vizinha tem o mesmo gosto e em duas cenas é chamada de sapatão. Uma segue o roteiro clássico, a outra a garota já se impõe. E pronto este é todo o conflito.

Esperava por uma jornada mostrando o sofrimento de alguma das personagens quanto a escolha sexual, ou ainda a aceitação social da mesma. Ou ainda repressão por parte da família, mas nada disso se mostrou, então a tal jornada contra o preconceito não foi explorada como a autora acredito eu gostaria de ter feito.

A trama é bem simplista e objetiva. Os acontecimentos se dão muito rápido, perdendo a oportunidade de explorar uma infinidade de temas tanto da homossexualidade, quanto de questões da idade das meninas. Com isso não desperta empatia por nenhum personagem, menos ainda curiosidade por seus destinos, mesmo porque o livro conta com apenas 112 páginas e logo já entrega tudo que acontece.


Cores de Outono - Trilogia Cores #01- Keila Gon


Nem sempre eu sei como começar uma resenha, algumas vezes eu receio pegar pesado demais, outras vezes de não conseguir transmitir a dimensão do que é trabalhado, enfim em todos estes anos já aconteceu de tudo um pouco nas leituras e resenhas de livros. Com Cores de Outono, primeiro volume da Trilogia Cores, da autora Keila Gon, publicado pela Mundo Uno, eu me encontro incomodada em como o livro foi realizado.

Após a morte da mãe e do padrasto a jovem Melissa se muda com a irmã de cinco anos para o interior paulista para casa do avô. É um novo recomeço, e ela se sente responsável pela vida da irmã. O que ela não esperava é que um homem misterioso, Vincent, fosse cruzar seu caminho e mudar o seu destino radicalmente. De repente seu mundo real muda, seu coração se apaixona e sua irmã não é quem ela achava, mas Melissa está determinada em cumprir sua promessa e cuidar de sua irmã mesmo que para isso tenha que enfrentar as sombras.

Acho que todos leitores já leram ou esbarram com a saga Crepúsculo não é mesmo? Então se você se lembrar bem da estrutura da estória vai conseguir perceber o quanto Cores de Outono é muito, eu digo muito parecido com o primeiro livro desta saga. Se foi proposital, inconsciente, ou sequer foi pensado eu não sei, mas que é tudo igual, ah isso é! Então vamos aos paralelos, primeiro temos uma personagem desastrada, tanto Melissa quanto Bella seguem a linha sou capaz de me matar sozinha com facilidade, depois temos o vampiro Edward versus nosso protagonista Vicent que não é um vampiro, mas também é um criatura das trevas que não se acha digna do amor da mocinha.

Ah você se lembra que o casal de crepúsculo passa páginas infinita brigando, fazendo as pazes e voltando a arrumar pelo em ovo. Então Melissa e Vincent é assim. Mas Gon bateu um recorde, ela levou mais de 230 para revelar quem era Vincent, e eu já estava desistindo de saber, cansada de esperar! O mistério se alongou além do necessário, e fez com que a parte interessante da estória ficasse espremida em menos da metade do livro.

Voltando aos paralelos temos o avô que não aceita o casal. Temos uma família misteriosa que não é bem família, não são vampiros, mas são estranhos e não socializam com a comunidade. Temos também um vilão que surge do nada, como foi o casal de vampiros em twilight. E temos até o mocinho salvando a mocinha inúmeras vezes. Até um Jacob temos nesta trama, no caso um menino comum chamado Arthur que conseguiu despertar minha antipatia como o lobisomem! Talvez tenham mais coisas iguais que eu tenha me esquecido, mas acho que já deixei claro quantas são não? Tudo isto junto ao fato da autora não explorar o local onde se passa, deixou a sensação de que a trama era em outro país, eu me esqueci completamente que era no Brasil e em São Paulo.

Então eu pergunto como gostar de um livro que tem a estrutura quase idêntica com a de outro? Eu me senti muito incomodada, devo dizer que Keila escreve bem, mas deveria ter criado as coisas ao seu modo, e jamais copiar os defeitos como essa eterna tensão do casal que faz apenas um efeito: a vontade gigante de bater a cabeça dos dois na parede! A narrativa é feita em primeira pessoa, e Melissa é uma mocinha um tanto non sense, já que diante do óbvio ainda fica hesitante.

O diferencial do livro é que aqui o que é trabalhado é um universo com magos e criaturas mágicas, no caso apenas apareceu os elfos, mas ela deixou claro que existem outras criaturas. E a protagonista tem uma irmã criança que aparece com frequência e é uma coisa fofa! Mas o sistema mágico não é muito explorado, menos ainda o mundo mágico. Não parece que seja o foco, o foco é o casal.


Horizonte Vertical - Ana Beatriz Barbosa Silva e Andréa Duarte

Sabe-se lá porque eu as vezes crio na minha mente como um livro irá ser, as vezes é simplesmente a ideia de que será bom ou ruim, outras vezes que será fácil ou difícil. O fato é que raramente esses pensamentos dão certo, salvo quando são de autores já conhecidos. Horizonte Vertical, das autoras brasileiras Ana Beatriz Barbosa Silva e Andréa Duarte, publicado pela Globo Livros, tinha uma carinha de livro que não ia ser rápido de ler, mas no fim ele só tinha a carinha, porque a complexidade não existiu!

Sophia é uma jovem médica que tem um passado repleto de mistérios. O segredo não é apenas dela mas de algumas gerações de sua família que tem origem indígena, e o segredo ainda não se relaciona apenas com ela em si, mas com o mundo que está passando por transformações, onde ela tem um papel fundamental no que esta por vir. Mas para entender o futuro é preciso resgatar o passado, e conhecer sua própria história que fico perdida em sua própria mente.

Volta e meia acontece, e acho que não fazem tantas resenhas assim de eu reclamar de sinopses né? Pois é, eis eu aqui novamente reclamando dela novamente. Eu criei uma sinopse dentro do que eu acredito ser o ponto mais importante, mas se você ler a sinopse que está no livro ela promete muito mais do que de fato vai entregar. Isso porque o tema transição planetária é abordado juntamente com o xamanismo, e são temas que tenho familiaridade, logo não consegui aceitar qualquer coisa que foi dita.

Mas vamos por partes, primeiro ponto que me incomodou muito no livro foi a linha do tempo, não é linear, e até ai tudo bem, mas perdemos muito tempo no passado sem grandes informações, para depois dar um grande salto no tempo que acaba desenvolvendo a estória de forma corrida em relação as demais partes. Isso porque a estória da avó de Sophia é contada, assim como de sua mãe. E eu estava gostando até que tudo ficou muito prolixo sem chegar a local algum!

Quando o livro se estabelece no futuro, 2028, já estava cansada de nadar e não chegar a local algum, sem compreender o que de fato era o enredo da trama. Juntamente a linha do tempo de Sophia e família, temos também a linha do tempo de um pesquisador inglês Peter Foley que se embrenha na serra do roncador em busca de uma civilização perdida que habitaria o interior da Terra.

A ideia de utilizar a transição planetária é ótima, assim como também de explorar esta civilização que habitaria a Terra, mas tudo morreu na praia, porque as autoras não souberam o que desenvolver. O xamanismo também aparece já que a avó de Sophia é índia, mas ficou evidente que as autoras sabiam muito pouco sobre o assunto, pelo menos no que é mostrado no livro. Agora quando a narrativa citava conceitos da medicina elas como médicas detalhavam tudo minuciosamente.

Houve pesquisa no livro, mas estes dados não se amarraram. É uma ficção então não tem teoricamente compromisso com a verdade, e poderia criar qualquer coisa dentro dos temas, mas o livro ficou entre um realismo (no estilo Dan Brown) e uma fantasia, sem definir por onde caminhar. É possível dividir o livro em duas partes distintas, do passado e futuro, onde ambas se propõe a estilos diferentes de gênero.

Um erro muito impactante é encontrado nas primeiras páginas do livro, onde Fowley está de partida em sua expedição. A narração se perde nos tempos verbais, e fiquei com medo que o resto do livro também fosse assim. Ainda bem não foi, e a narrativa feita em terceira pessoa teve um ritmo adequado.


Inverno Negro - Stefano Sant' Anna


É tão raro esbarrar com uma fantasia criativa que quando ela surge você até para e se pergunta se está lendo direito, já que normalmente tudo soa muito igual e parecido! Fui sem pretensão alguma ler Inverno Negro, do brasileiro Stefano Sant' Anna, publicado pela editora Empíreo, e tive uma grata surpresa ao gostar do livro.

Leonan Albuquerque é um bolsista em uma escola tradicional do Rio de Janeiro, vivendo com sua mãe nunca teve dias fáceis já que sofreu na mão de seus colegas e de sua própria mãe por anos. A solidão é sua companheira e ele não vê como sua vida pode mudar até que após uma convulsão na escola sua mãe o leva para casa e passa agir de forma estranha, ninguém menos do que um caçador bate em sua porta e revela que Leonan não é um menino qualquer, mas sim um príncipe, e que mais do que isso ele é de outro planeta, planeta este que ele deve voltar logo e ajudar seu pai que está em sérios problemas. Sem hesitar o adolescente se joga para o desconhecido, mesmo sem saber se dará conta de sua missão.

Antes deste livro vir até minhas mãos eu nunca tinha ouvido falar dele, nunca havia visto resenha ou divulgação, e me pergunto porque já que é um livro digno de muita divulgação, muito melhor do que muitos livros que ganham meses de fama e dinheiro investido. O fato é que Stefano foi muito feliz em sua narrativa em primeira pessoa através do protagonista Leonan. A estória tem um ritmo acelerado desde seu princípio, e poucos são os momentos onde temos tempo para respirar e assimilar os acontecimentos.

Fugindo do modelo tradicional onde o herói é apresentado à um mundo novo em ritmo mais moderado, neste livro Leonan descobre já nas primeiras páginas quem é, e logo já está em seu planeta de origem. O planeta em questão está passando por problemas graves, assim não existe tempo para a tradicional explicação, tudo se descortina na ação e aos poucos, assim até o fim novas informações surgem tanto da trama principal quanto do universo criado.

Embora se passe em outro planeta não existem características de uma narrativa de ficção científica, já que é a magia quem controla todas as coisas neste local, não existe tecnologia, ou seres que remetam a extraterrestres, ao contrário, temos anões, feiticeiros, elfos e animais mágicos. Este fato é um dos traços criativos que me chamaram atenção, já que eu particularmente acredito que estórias como O Senhor dos Anéis são narrativas de acontecimentos de outro planeta (para compreender minha teoria e não me achar maluca leia sobre como Tolkien criou sua estória rs!, mas se me achar maluca tudo bem também =P!).

O autor é um potterhead e alguns toques provindos dos livros de Harry Potter podem ser reconhecidos, como o trio de amigos e o perfil do protagonista que era um zero a esquerda, mas os paralelos são poucos e sutis, já que o universo criado como foi por Sant'Anna é bastante criativo e original.

Entretanto nem tudo é perfeito, como são poucos os momentos de explicações na narrativa senti falta de maiores explicações quanto a estrutura do mundo da estória. Sucessivas criaturas surgiam na trama, e parecia que tudo era possível neste planeta de acontecer e existir. Talvez um prefácio contando brevemente o que aconteceu com o jovem em sua infância e dados sobre o planeta suprissem esta necessidade. Outro ponto falho para mim foi o desfecho que acabou sendo fraco, a irmã do protagonista promete que seu pai iria dar respostas ao menino, e isso não aconteceu, logo tanto ele fica sem as respostas quanto o leitor.

Leonan tem um perfil interessante, embora seja o clássico garoto que sofre bullying ele não tem o comportamento esperado, ao contrário, ele é do tipo que revida, que se protege e ignora os outros, que embora sofra não o é calado. Isso faz com que sua jornada seja diferenciada, já que ele deve aprender a agir em um mundo onde é adorado e respeitado, ao mesmo tempo em que deve aprender a estabelecer vínculos e amizades. Não faz o tipo coitado ou sofredor, tem dentro de si um senso forte de justiça e do bem que o guia.


Dois Mundos - Tesouro da Tribo de Dana #01- Simone O. Marques


Esse ano não tenho dado muita sorte com as leituras, as nacionais em especial têm me decepcionado mais do que de costume! São poucos os livros que trabalham com a mitologia celta, sempre que os vejo quero lê-los, mas nem sempre a atmosfera deste povo consegue ser captada pelo autor, este foi o caso de Dois Mundos (Tesouro da Tribo de Dana volume 1), da autora Simone O. Marques, publicado pela Editora Butterfly.

Em um futuro breve o Brasil sofre diversas ondas de destruição, o que os sobreviventes não sabem é que toda morte teve como fonte uma jovem que é protegida em uma fazenda. Ela é a escolhida pelas deusas, dentro dela estão grandes poderes que ainda não sabe possuir, menos ainda controlar. Uma tarde em mais um dia de tristeza da jovem ela rompe o véu entre os mundos e se vê junto a seus guardiões em um lugar desconhecido. Agora este trio deve voltar para casa, ao mesmo tempo em que precisa proteger o que resta de seu mundo.

Até o fim da leitura do livro eu me fiz a seguinte pergunta: Por que dizer que o livro é uma distopia? Porque vendê-lo assim quando pouco, ou quase nada dele se passa no mundo destruído de fato, e mesmo quando alguns poucos capítulos o são o foco não se dá no local destruído ou na sobrevivência, mas na mitologia em si? O pano de fundo poderia ter sido qualquer um que não faria diferença, alias arrisco dizer que se fosse no nosso mundo moderno normal seria até mais interessante, e soaria como uma fantasia urbana de fato. Talvez isso venha ser relevante em um próximo volume, mas neste só fez bagunça no enredo.

Lembrando que as principais características da distopia nem sequer foram utilizadas, não temos um conteúdo moral trabalhado, já que não foi uma ação do homem que levou ao seu colapso, mas o desejo de uma deusa; não temos crítica social, já que os personagens parecem imersos em uma bruma de raciocínio; a estupidez coletiva não surge porque quase não existem pessoas comuns na trama; o pessimismo não dá as caras e embora poucos tenham sobrevivido não existe a violência ou a luta pela sobrevivência que é marcante em obras do gênero, o pouco que existe são as cenas de Pedro na antiga São Paulo. Logo embora sua sinopse diga que é uma distopia ela não é de fato! É uma fantasia urbana em um local que foi destruído.

Outra ponta que na minha opinião foi mau trabalhada foi a própria mitologia. Quando apresentamos ao leitor deuses é o dever do autor de alguma forma o apresentar, ainda mais quando é alguma mitologia mais desconhecida, como é a celta. Assim até o fim da trama pouco é dito sobre Dana, a deusa que usa Marina como cálice. Quem é essa deusa? Como são suas características? Um capítulo no inicio do livro relatando sua estória, ou até suas intenções ao encarnar em Marina seriam muito uteis e trariam sentido a trama. (Para os que tem curiosidade: Dana, ou , Danu é a mãe dos Tuatha Dé Danann -conhecido como Povo das Fadas, é um dos aspectos da deusa tríplice para os Irlandeses. Seus atributos são ligados ao de uma mãe, como carinho e amor, ao mesmo tempo em que pode ser dura ao ensinar seus filhos. Nada disso é dito no livro, e nem estas características aparecem na deusa quando ela surge).

Marina é a jovem de quem tudo esperam, mas que está longe, bem longe de estar preparada para ser o que deve ser. Em outras palavras é uma mocinha mimada que é chata do começo ao fim. Quer ser a mulher forte, mas nem se quer sabe o que é isso, já que cresceu protegida do perigo e da vida como ela realmente é. É uma personagem fraca, sem profundidade, que passa mais tempo lamentando sua sina, ou reclamando de seus sombras que não são ou fazem o que ela quer!

Arthur, é um de seus guardiões, juntamente com Brian, são eles que se perdem com Marina. E ao invés de vermos guerreiros, o que acompanhamos são dois jovens que quando colocados a prova entram em conflito consigo mesmos o tempo todo! Eles parecem saber lutar, mas quanto ao trato humano são péssimos, a ponto de ficarem como papagaios repetindo a mesma fala o livro todo sobre terem que proteger Marina a qualquer custo, não a toa a mocinha fica chateada em todos os capítulos. Os hormônios deste trio estão em alta, e eles sequer sabem o que fazer com eles quando tanta coisa está em jogo!


O Coletor de Espíritos - Raphael Draccon

Fazem muitos anos que quero ler Raphael Draccon, mas demorou até que eu conseguisse a trilogia Dragões do Éter, entretanto não foi pela famosa saga de livros dele que eu conheci a narrativa deste autor brasileiro, foi sim através de seu mais novo lançamento pela editora Rocco, O Coletor de Espíritos.

Gualter Handam é um famoso psicólogo de celebridades, é bem sucedido e tem tudo que lutou para conseguir. Depois de quase morrer em um acidente de carro ele sente que algo está fora do lugar. Ele recebe então uma ligação de sua família dizendo que sua mãe quase faleceu. Ele se vê obrigado a voltar para pequena cidade que nasceu Véu-Vale, onde nada é como em qualquer outra parte do mundo. A luz elétrica não chegou e os terceiros dias de chuva são especialmente temidos. Mas essa volta vai marcar uma nova jornada na vida deste homem que deixou tantos círculos abertos que perdeu até a noção de quem é. Será que ele será capaz de sobreviver a esta busca?

A narrativa de Draccon é em terceira pessoa sob o ângulo de Gualter e dos moradores de Véu- Vale, o tom de sua escrita tem o clima característico das antigas narrativas de contos e lendas do Brasil, onde muito é subentendido e pouco é de fato dito. Ora com um pé na realidade, ora com o pé no que eu diria na espiritualidade do lugar, a estória corre solta sem problemas, mas não me empolgou muito. Não acredito que do ponto de vista técnico exista algum problema, mas de alguma forma não houve empatia.

Talvez o que tenha me incomodado seja o fato dele demonstrar conhecimento sobre diversos temas espiritualistas, como projeção astral e não desenvolver, talvez seja a psicologia que também é flertada mas não aprofundada. Não sei se o incomodo se dá no consciente, ou no inconsciente, mas o fato é que a leitura despertou desconforto.

Véu-Vale é uma cidade que sofreu uma chacina na no antigo Brasil, muitos índios foram mortos no local, e a assombração que ocorre no local se utiliza desta base. Existe um personagem índio, que é um dos moradores mais antigos do local, e merece destaque já que tem ótimos diálogos com Handam. Com falas descomplicadas ele alerta o personagem sobre a verdade do mundo sem teoria ou racionalidade técnica.

A família de Handam é marcada por tragédias, mesmo assim a mãe do mesmo é amorosa e sábia. Já seu irmão mais novo guarda um forte rancor pelo irmão mais velho, já que este  partiu da cidade após a morte do pai deles. A estória é breve, logo salvo o próprio Handam nenhum outro personagem tem suas personalidades desenvolvidas, eles são alegorias para a busca do protagonista.



Talismãs - Uma Geração. Todas as Decisões #03 - Eleonor Hertzog

Alguns livros tem a capacidade impar de despertar ódio e amor, e devo confessar não consigo lidar bem com a raiva ao mesmo tem em que gosto de alguma coisa, soa como traição ao meus sentimentos. Mas não posso fazer nada alguns livros o fazem, como Talismãs (Uma Geração. Todas as Decisões #03), da autora Eleonor Hertzog, publicado pela Mundo Uno.

Depois de alguns dias pacíficos ao mar a família Melbourne não espera mais passar por grandes aventuras. Os elos estão sob controle, Peggy parece mais calma e se aproxima a data para as aulas na Escola Avançada de Champ-Bleux, e o coração destes filhotes começa a apertar. Mas uma noite repleta de sombras e seres que eram lenda lembra esta família que nada é comum ao lado deles, e novas descobertas sobre si mesmos e o mundo ao seu redor se mostram a bordo.

Não me lembro se já disse, mas mesmo correndo risco de soar repetitiva é um desafio criar uma sinopse para os livros destas série. Criei a minha em cima dos personagens mais frequentes do livro, mas devo dizer que falhei em abranger tudo que o livro se propõe a narrar. A narrativa em terceira pessoa de Hertzog continua como em seus volumes anteriores, muito particular e com um toque de sarcasmo ao 'normal'. E infelizmente continua com o mesmo problema de seu anterior muitos diálogos, e quando eu digo muitos eu falo de quase três capítulos de tamanho médio apenas focados no diálogo de um pai e de um filho (Peter e Robert). Este diálogo é focado em um evento que ocorreu no livro anterior, e eu não achei um ponto bom para o início do livro.

Logo acredito que o tamanho do livro poderia ter sido menor tanto se a autora fosse mais objetiva, e se tivesse terminado a trama onde de fato ela parecia ter acabado. Em determinado ponto do livro, antes das páginas 400 existe um ponto após a ação no mar que é representada na capa do livro, em que tudo caminha para um desfecho. Mas o que ocorre é a retomada da estória não sob este aspecto, mas dos alunos da Escola Avançada e o toque de recolher. Outro aspecto surge, os alunos que até então não tinham aparecido voltam. Dai a minha raiva porque a estória é excelente, mas acaba cansativa e muito longa. Se o livro tivesse terminado antes seria mais leve e despertaria interesse pelo próximo. Não gostei dos capítulos finais, eles seriam ótimos para o começo do próximo livro.

Senti muita falta de um mapa físico do mundo que a estória se ambienta já que muito lugares são citados, assim como uma árvore genealógica de algumas casas também ajudariam muito na compreensão de tantos personagens, especialmente porque as linhagens de Atlântida são diversas. Ao final do livro existe um índice com os principais termos e nomes, mas aquilo que não fica compreendido continua porque eles são breves.
As raças terráqueas são mais exploradas, ou seja, os atlantes que habitam abaixo das águas, mas embora algumas explicações sejam dadas ainda são sutis, e a minha curiosidade com esta civilização com rabo de peixe continua enorme. Outra raça nova surge brevemente com características felinas. E quanto mais costuras mais detalhes, mais Hertzog consegue ampliar e aprofundar o todo.

Mas espere você nesta altura do texto deve achar que eu não gostei do livro não é mesmo? Mas lembra que tinha amor envolvido? Sim, eu me senti como os adolescentes da trama que querem saber mais sobre tudo e que acabam apenas com uma parte da verdade, porque os adultos aqui são muito chatos e protetores (salvo Henry e Doris), mas também senti o amor que a tudo envolve.

Peggy continua como uma das personagens centrais, mais de seus talentos surgem, e um pouco mais de sua estória também. Embora tenha um temperamento instável é uma garota doce que todos querem por perto. Assim como seu dirlon, Peter, que acaba por descobrir seu lugar no mundo, mesmo que seus pais não o reconheçam.


O Escravo de Capela - Marcos DeBrito

Quando eu estava no colegial eu tive o privilégio de ler o livro Casa Grande Senzala inteirinho, com isso pude ver a escravidão além das poucas linhas que os livros de História descrevem, e ir além do lugar comum. Com este background a leitura de O Escravo de Capela, do autor Marcos DeBrito, publicado pela Faro Editorial, foi como ver a história ganhando ares fantásticos!

No Brasil Colônia, a fazenda de Capela recebe um novo lote de escravos, e entre eles Sabola, um jovem que não compreendia a língua de seus senhores e o prazer dos mesmos em fazer sofrer seus semelhantes. Depois de uma reprimenda Sabola decide que vai fugir, e conta com a ajuda de um velho escravo da fazenda. Mas nem tudo sai como o esperado, e com sua morte prematura outros forças desconhecidas pelos brasileiros vai nascer, e com ela uma lenda que vai permanecer.

DeBrito narra sua estória em terceira pessoa sob diversos pontos de vistas, ora de Sabola no início da trama, ora de algum dos filhos do dono da fazenda, ora de alguns de seus funcionários, nos permitindo assim uma visão completa e de conjunto de todos os aspectos e personagens envolvidos na narrativa. Tudo é muito bem amarrado tanto na linha do tempo, quanto nas explicações dos fatos.

A proposta do autor era criar uma estória crível, o mais próxima de uma realidade que fosse a origem da lenda do saci- pererê, utilizando todas as suas características e referências originais, e seu objetivo foi alcançado com sucesso, pois de fato encontramos todas as principais características no livro, desde a crina dos cavalos trançados, até o seu famoso cachimbo. Tudo de uma maneira natural, sem que seja necessário abrir mão da realidade.

Sabola é o nosso protagonista que veio da África como escravo, embora seja inocente não aceita viver como escravo, e nem sequer consegue compreender essa concepção de vida. Muito impulsivo ele não quer aguardar um dia sequer para alcançar a liberdade, e é extremista em suas ações para alcançar seu objetivo. Quando renasce como morto-vivo perde todos os traços de sua antiga vida, e suas ações não são decididas por sua vontade.

Akili é um antigo escravo que não sai da senzala depois de um episódio com Antônio, um dos herdeiros da fazenda. Tem uma atmosfera de mistério sob si, e parece esconder mais do que aparenta. Sua ajuda é fundamental na tentativa de fuga de Sabola, mas sua importância só explicada no fim da trama.

Inácio é o herdeiro mais jovem, médico formado em Portugal está na fazenda apenas enquanto não se transfere para Londres, onde quer estabelecer sua nova vida. É o oposto de seu irmão, e seu pensamento quanto aos escravos é diferente de todos os homens a sua volta. Assim ele é mal compreendido, e entra em conflito com o pai e o irmão constantemente. Sua sensibilidade para com a vida é ainda um pensamento novo nas terras brasileiras, e ele não possui o machismo dominante na região.

Quando comento sobre machismo, não o falo sobre o ponto de vista de colocar a mulher como sexo inferior (embora até deva ser o pensamento da época, mas ele não é explorado), mas sim do pensamento que homens devem agir de determinadas maneiras, e ter determinados pensamentos e sentimentos (falta deles), que no caso são de aplicar punições aos escravos que não agirem como esperado não os vendo como humanos mais sim como animais;  herdar o trabalho da família; aliviar suas tensões com uma escrava comprada para isso; beber e agir de modo agressivo, enfim manter o status quo da época marcada pela ignorância.

Batista é o pai dos jovens. Principal responsável pela manutenção do modo agressivo do filho mais velho, embora ame seus filhos age de modo antiquado em suas relações. Até tenta compreender os pensamentos novos de Inácio, mas quando um escravo sai da linha defende o castigo, e só não permite muitas mortes porque também geram perdas de dinheiro. É orgulhoso e prepotente, e é incapaz de acreditar no que está acontecendo na sua fazenda, e quando acredita já é tarde demais.

Antônio, o filho mais velho é aquele personagem que causa repulsa já que ele é agressivo com seu irmão mais novo, com seus funcionários, e cruel com os escravos pelo simples prazer de os ver sofrer. Em nenhum momento desperta empatia, e devo dizer que acabamos por querer seu sofrimento!


Lançamento - O Escravo de Capela

Suilad!!

Hoje venho contar para vocês sobre o novo livro do autor parceiro Marcos DeBrito (confira aqui a resenha do seu primeiro livro À Sombra da Lua ) o livro O Escravo de Capela.

Sinopse:

Durante a cruel época escravocrata do Brasil Colônia, histórias aterrorizantes baseadas em crenças africanas e portuguesas deram origem a algumas das lendas mais populares de nosso folclore.
Com o passar dos séculos, o horror de mitos assustadores foi sendo substituído por versões mais brandas. Em O Escravo de Capela, uma de nossas fábulas foi recriada desde a origem. Partindo de registros históricos para reconstruir sua mitologia de forma adulta, o autor criou uma narrativa tenebrosa de vingança com elementos mais reais e perversos.
Aqui, o capuz avermelhado, sua marca mais conhecida, é deixado de lado para que o rosto de um escravo-cadáver seja encoberto pelo sudário ensanguentado de sua morte.
Uma obra para reencontrar o medo perdido da lenda original e ver ressurgir um mito nacional de forma mais assustadora, em uma trama mórbida repleta de surpresas e reviravoltas.

“Cada página é como um golpe cruel de chicote. E sai muito sangue!”
RAPHAEL MONTES — Autor de Dias Perfeitos e Jantar Secreto Secreto



Já estou lendo o livro e em breve venho contar um pouquinho sobre ele, enquanto isso vocês podem conferir um trecho do livro.

Sobre o autor: Cineasta premiado, Marcos DeBrito vem sendo considerado a grande renovação na produção de filmes de suspense e terror no Brasil. Começou a escrever histórias que lhe vinham a cabeça apenas para lidar com seus próprios medos, na esperança de esconjurar seus próprios demônios, e calar as vozes que não o deixavam em paz.
Diretor, roteirista e escritor. O Escravo de Capela é seu terceiro livro publicado. Condado Macabro seu primeiro longa-metragem foi lançado em salas comercias em 2015. Para 2017 seu segmento apóstolos integra o longa-metragem antologia 13 histórias Estranhas II.

Para conhecer mais espiem a entrevista que fiz com o autor Aqui.

Canais para se comunicar com o autor e saber mais do autor:




Relato de um Certo Oriente - Milton Hatum


Antes de fazer faculdade de Psicologia eu cursei um semestre de Publicidade e Propaganda, devo dizer que foi um período bom, onde aprendi muitas coisas que me fizeram mudar radicalmente de curso quando eu não pude continuar. Nesse semestre em questão eu tive uma aula chamada Comunicação e Expressão, e durante toda a duração o ensino foi feito com o auxílio da leitura de Relato de um Certo Oriente, do autor brasileiro Milton Hatum, publicado pela Companhia das Letras. Como isso já fazem muitos anos e tinha uma memória boa do livro resolvi reler.

Muitos anos depois de sua partida uma mulher volta a cidade onde nasceu, Manaus, para rever sua mãe adotiva, Emilie, patriarca de uma família de imigrantes libaneses. Ao se deparar com a casa de sua infância lembranças são evocadas, dores e fatos que marcaram a vida desta família que criou seu modo de existir ligando a origem do Oriente com os costumes brasileiros.

A narrativa é feita em primeira pessoa através de relatos de diversos narradores em 8 capítulos, assim existe uma multiplicidade de vozes através da memória dos personagens que  não é linear e tem diversos flashbacks, além de repetir a mesma situação através de vários olhares, como o acidente de Soraya Ângela que é muito relatado. É através desses diversos olhares que ao final da leitura temos uma visão de conjunto do que realmente aconteceu em cada situação.

O clima do livro é soturno, e vezes fúnebre. Por se passar em um local brasileiro como Manaus eu imaginava que seria mais alegre, mas o foco das estórias são nos momentos tristes e sofridos desta família. Honestamente parece que eles mais foram tristes do que felizes, e mesmo Emilie que parece ser a mais alegre entre todos sofreu muito para conseguir fazer seus pequenos momentos de felicidade, como por exemplo, as doações de alimentos ou festas natalinas. O lado oriental se dá muito nas decorações da casa, na loja da família e no conjunto de animais que vivem na casa, além é claro de costumes que normalmente são evocados pelo pai e seu alcorão.

Muitos temas fortes são trabalhados como suicídio, gravidez na adolescência, relação de tensão entre marido e mulher, preconceito contra mulher e etc. Mas não de forma comum, e sim através das pessoas que vivenciaram estes fatos e viram como cada uma destas coisas devastou aos poucos esta família, sem de fato colocar isso em questão.

Emilie é a matriarca, embora seja de longe a mais comentada ainda senti um pouco de falta de saber mais sobre sua personalidade, na verdade gostaria de ter ouvido um relato dela em primeira pessoa, visto que é uma personagem de personalidade forte e que enfrentou diversas tribulações, como a morte do irmão, da neta, e a personalidade forte e agressiva do marido.