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Simplesmente Acontece (Cinema X Bookcase)

Como vocês puderam conferir na minha resenha do livro “Simplesmente Acontece” (clique no título para ler), eu não gostei da leitura, por achar cansativa e até sem graça em muitos momentos. Mas queria assistir ao filme para poder comparar as duas versões e ver se as mudanças tinham transformado esta história que eu tinha tantas expectativas, mas não gostei, em algo que eu curtisse mais do que o exemplar. Então esta review não é para dizer exatamente tudo o que acontece no filme, apenas comparar os dois materiais e dizer o que eu gostei e não gostei nas semelhanças e diferenças da história e a minha conclusão a respeito de ter curtido mais o livro, o filme, ou nenhum dos dois.
Quem não assistiu ao filme ou leu o livro e não gosta de spoilers, aconselho que não continue a ler esta resenha, pois, para comparar os dois, eu preciso comentar sobre as cenas de ambos, e algumas delas podem ser importantes para o desenrolar da trama.
Na adaptação cinematográfica houve algumas mudanças que não considero boas nem ruins, acho até que posso considerá-las como neutras, já que não fiquei chateada e nem aliviada com o que foi modificado. Uma delas é a forma como Rosie conhece sua melhor amiga, Ruby, pois no livro elas trabalham juntas em um escritório e há toda aquela dinâmica de troca de mensagens por conta do emprego delas, enquanto no filme elas se conhecem na farmácia e depois trabalham juntas no hotel, e isso nunca acontece no livro – só Rosie arruma empregos em hotéis. Algumas outras cenas menores também foram modificadas, mas os resultados foram semelhantes ou parecidos, então não senti muita diferença com elas.

Eu entendo algumas coisas que ficaram diferentes, já que são duas formas distintas de produzir material e como cada uma delas vai ser apresentada às pessoas. Por exemplo, achei maravilhoso alguns pequenos cortes que eram muito repetitivos na história, já que serviram para enxugar vinte anos do total, o que foi um alívio, pois foi justamente o longo período de tempo transcorrido da primeira página até a última que mais me incomodou no livro, principalmente levando em conta quanto eles demoraram a aceitar seus sentimentos e correr atrás um do outro e de suas respectivas felicidades.

Enquanto outras eu acredito que poderiam ter sido mantidas por conta da essência da história e dos personagens, inclusive porque também ficariam boas no filme. Como, por exemplo, o motivo e quando Alex se mudou de país, a dinâmica do baile de formatura e os acompanhantes (no livro só Rosie foi, com o futuro pai de sua filha), o motivo de Rosie ter ficado grávida, a maneira como Alex soube de Katie, a idade que a filha conhece o pai (criança no filme x pré-adolescente no livro) e o relacionamento que eles dois desenvolvem (no filme este praticamente não existe, visto que o pai é mais babaca). Descaracterizaram as duas esposas de Alex, que no caso do filme só casa com a segunda. Também são bem diferentes: o relacionamento de Alex com Sally, sua primeira esposa, de quem ele realmente gostou e com quem teve um filho (no filme ela o engana e nem fica grávida dele, mas, sim, de outro), o namoro dele com Bethany, inclusive a forma como voltaram a ficar juntos no futuro e o casamento dos dois com um filho, e até a “amizade” de Rosie com ela (não existe de maneira nenhuma no livro, o que eu achei mais do que ridículo no filme!). Também houve cortes de pessoas muito importantes na vida e família de Alex e Rosie.

O roteiro também teve algumas mudanças utilizando personagens para mais de um papel, ou seja, enquanto no livro duas pessoas distintas faziam algumas cenas, no filme uma das pessoas não existe e a outra faz as cenas das duas. Vou exemplificar: o garoto que tirou a virgindade de Rosie e é o pai de Katie no livro é o Brian, que inclusive fez parte da vida dos protagonistas desde novos e nenhum dos dois gosta muito dele, mas futuramente se torna muito importante. Enquanto no filme este personagem simplesmente não existe e Greg, que na obra literária é outro personagem, e é marido de Rosie em ambos, ganhou o papel de pai de Katie e responsável por tirar a virgindade de Rosie na formatura. Acontece isso em outros momentos, como quando Rosie descobre que Greg a trai, no livro é o irmão mais novo quem descobre sem querer, enquanto no filme é Ruby. Não gostei destas junções.

Um dos segredos do livro, revelado mais para a metade, acontece logo no começo do filme, mas até entendo este motivo, já que este começa com eles na adolescência, enquanto na obra eles ainda são crianças.
Apesar de o livro ter sido todo narrado em cartas e outros materiais escritos, no filme nada disto ganha importância, mas para falar a verdade não senti tanta falta assim destas coisas, já que não iriam funcionar na produção cinematográfica tão bem assim.
E eu gostei mais dos personagens de forma geral no filme também, o Alex, por exemplo, é muito melhor e até mais fofo, Katie não faz certas coisas com a mãe, e Rosie conseguiu manter sua essência, gostei dela em ambos.

Um ponto que me incomodou demais foi o uso dos mesmos atores para diversas fases da vida dos personagens. Acredito que teria ficado melhor, mais real, se tivessem pelo menos optado por outras pessoas para fazer os dois na adolescência, porque qualquer ser humano do planeta com mais de trinta anos não tem exatamente a mesma aparência que tinha aos dezessete anos. Não entendi muito bem esta dinâmica de manter os dois em todas as fases da vida dos personagens, acho que ficou feio e dá a impressão de que o tempo não passou para eles, mas foram mais de dez anos de vida acontecendo. Mais para o final, por exemplo, a Rosie tem a aparência de ser a irmã de sua filha pré-adolescente.

Em ambos os formatos, o amadurecimento de todos os personagens é bem evidente, mesmo que a história tenha tido vinte anos a menos do que no livro, provando que dava para a autora ter cortado metade de sua história e, ainda assim, teria ficado bom (para mim, muito melhor!).
O filme pode ser considerado uma comédia romântica (adoro!), o livro, apesar de ter tido seus pontos engraçados, é mais profundo, sensível e até mais dramático. Mas eu preferi a forma gostosa de como a história foi contada para os espectadores do filme, mais do que como foi contada no livro.
Uma modificação que eu achei ótima foi o final. No livro, se passam quase cinquenta anos da vida dos personagens para, enfim, eles admirem algo um para o outro, enquanto no filme isto ocorre bem mais rápido, visto que no final eles ainda estão no começo dos trinta anos. A melhor parte disto é que corta boa parte das cenas, que acabaram sendo desnecessárias, já que eram mais do mesmo, e a busca pela felicidade dos dois também ocorre mais rápido, pois ela é encontrada nesta fase da vida e não apenas vinte anos depois disso, como no livro. E o beijo! Fiquei feliz que pelo menos no filme ele aconteceu, já que no livro fiquei imensamente frustrada com a falta de envolvimento físico deles.

No geral, eu gostei mais do filme do que do livro, e talvez tivesse gostado mais ainda se não tivesse lido a obra literária, porque, ao ler, as comparações são inevitáveis e algumas coisas ficaram melhor desenvolvidas no material escrito, como era de se esperar. Porém, a versão cinematográfica ficou mais interessante exatamente porque enxugou as partes muito lentas e repetitivas da versão original. Se houvessem mais personagens no filme para cumprir as cenas deles mesmos, sem misturar as coisas, acredito que teria ficado maravilhoso, porque gostei do tempo mais ágil e a passagem de tempo menor do filme.
Concluindo, preferi assistir ao filme muito mais do que gostei de ler o livro. Isto é raro, mas simplesmente acontece.

Avaliação






Cinema x Bookcase: Bling Ring: A gangue de Hollywood - Nancy Jo Sales

Quando eu vi este livro pela primeira vez, eu ainda não tinha conhecimento da história da gangue de Hollywood, e logo me interessei muito por este título, ainda mais vendo a capa do filme, que trás como uma das protagonistas a Emma Watson.
A história, que trás fatos reais, relata sobre a vida dos adolescentes que roubaram a casa das celebridades como Paris Hilton, Rachel Bilson, Orlando Bloom, entre outros, e causaram um prejuízo de milhares de dólares em itens roubados. A autora Nancy Jo Sales, entrevistou os envolvidos nos arrombamentos e deu a oportunidade de cada um deles falaram a sua versão da história e ainda a oportunidade de contestar os fatos dados pelos outros, fazendo com que muitas vezes, no meio da leitura, a gente encontre a frase “tal pessoa não quis comentar”.
Achei a história bem interessante, e fiquei impressionada pelo fato de adolescentes conseguirem invadir a casa dessas celebridades (que na minha cabeça deveriam ser as casas mais bem protegidas, cheias de seguranças), e de como foi fácil. Era de se pensar pelo menos que daria mais trabalho, mas, pelo que li, sempre tinha uma porta aberta, ou a chave em um local que dava para encontrar, e sempre deram a sorte de pegar o alarme desligado.

Para o pessoal da gangue era tudo questão de planejamento, primeiro Rachel Lee, a japonesa que foi considerada a líder do grupo, escolhia um alvo (por isso a maioria foram mulheres, e quando não foi era porque a namorada era uma mulher importante) por quem ela sentia admiração, e passava o nome para o Nick Prugo pesquisar. Na internet, eles descobriam o local que essas celebridades moravam, e iam fazer um reconhecimento da área, tentando encontrar jeitos fáceis de entrar. Depois destas etapas, estavam prontos para o verdadeiro assalto.
O livro conta muito sobre a obsessão dos jovens americanos com a fama e de como eles querem ter o “estilo de vida” proporcionado pelo dinheiro e poder, fazendo com que a maioria dos jovens queira ter carreiras que resultem neste estilo. Fala também do consumo destes jovens em drogas e bebidas, e que suas vítimas não foram somente celebridades, eles fizeram inúmeros roubos pequenos, procurando carros que estivessem destrancados e até mesmo casas de conhecidos que estivessem viajando.

Pelo que li, a polícia de Los Angeles não tinha encontrado relação nos crimes até que um dos autores confessou, por estar preocupado e não conseguir dormir bem à noite sabendo de tudo o que fez, e que queria reparar as vítimas devolvendo seus pertences (vários deles foram vendidos por pechinchas em uma feira). Nick foi o relator de tudo, fazendo com que várias pessoas o chamassem de X9. Foi também impressionante ler que Rachel, a líder do grupo, se manteve calma o tempo todo, e saber que, para ela, aquilo era como fazer compras, sendo que ela vinha de uma família rica, e não precisava nem um pouco fazer isso. Aliás, a maioria dos responsáveis pelos roubos vinham de famílias muito ricas.
Vimos que Alexis, uma das integrantes, estava atrás da fama e se considerava uma pessoa inocente, além de afirmar que a verdade dela iria aparecer em breve e que o mundo saberia que isso era uma grande injustiça, vimos também que na época do acontecimento, ela ganhou um reality show chamado Pretty Wild, com sua amiga irmã Tess Tayor (que acabou não sendo acusada pelos roubos) e que um dia ela sonhava em ser uma líder.


Sobre a parte gráfica, eu gosto bastante da capa, que é um pôster do filme, e o título está em alto-relevo, a diagramação está bem feita, com fonte e espaçamento confortáveis para a leitura por mais tempo, as páginas são amareladas, e encontramos diversas fotografias de vítimas e dos culpados espalhadas durante todo o livro.
Depois de ler o livro, resolvi assistir ao filme (já tinha visto o trailer e fiquei muito interessada em ver a história nas telonas), e vou comentar um pouco sobre como ficou essa adaptação sob o meu ponto de vista, ou seja, essa não é uma análise crítica de quem entende a produção (câmeras, movimentos, direção de arte, trilha sonora, etc.), somente é o que achei baseado no meu gosto pessoal.
As reportagens de Nancy Jo Sales para a revista Vanity Fair que foram responsáveis por inspirar Sofia Coppola a querer gravar este filme, que tem um foco bem grande na obsessão dos jovens. O filme muda os nomes dos personagens, para não trazer os nomes verdadeiros, e corta alguns dos indiciados e condenados pela polícia.
Antes de assistir, pensei que o filme teria um teor mais fictício, embora fosse baseado em fatos reais, ou seja, pensei que iríamos assistir a história como se fosse um filme normal (eu não sei o nome que se dá aos tipos de filme, mas espero que tenham entendido), mas eu achei que ele apresenta algumas características de documentário.

Nós realmente acompanhamos como foram os assaltos e os personagens (atores) conseguiram trazer bastante realidade ao que estava sendo passado (exceto por Taissa Farmiga, não gostei nada da atuação dela, para mim soou muito forçada), mas as cenas não têm muita emoção, o filme é meio parado (teve gente que assistiu comigo e dormiu antes do meio) e algumas situações eram desnecessárias, já que a cena não fazia sentido e/ou diferença no roteiro, se elas fossem eliminadas não teriam feito nenhuma diferença (tipo quando fica muito tempo focando em algo, como uma cena BEEEEM LENTA de uma menina pegando um perfume, olhando para ele, depois borrifando nela, sem seguida se admirando no espelho...).
Além disso, há alguns depoimentos que aparecem durante o filme, dando mais ainda a impressão de ser algum tipo de documentário. Para ser mais exato, acho que poderia ser considerado uma mistura de documentário com reality show, do tipo Laguna Beach ou The Hills.

Quem se sente incomodado com cenas mais explícitas em relação a drogas e bebidas, não vai gostar de assistir porque essas partes têm grande importância na vida desses jovens e são mostradas diversas vezes.
Apesar de não ter sido como imaginei e estar bem longe de meus filmes preferidos, acho que a adaptação ficou perfeita para aquilo que era proposto: mostrar esses jovens de uma maneira bem realista, com conversas e atitudes fúteis, e tendo obsessão pelo estrelato, e eu gostei bastante de ter assistido.
O livro é super interessante, e por isso recomendo para todo mundo que, assim como eu, se interesse por este tipo de leitura, que aconteceu na vida real, e que deixou inúmera pessoas chocadas. O filme é um complemento que também vale a pena assistir, mas levando em conta que não deve esperar grandes emoções ou cenas intensas e um ritmo gostoso de acompanhar, porque não vai.

Avaliação
Livro: 



Filme:



Vencedor: Livro
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Cinema x Bookcase: O Lado Bom da Vida – Matthew Quick



Em “O Lado Bom da Vida” acompanhamos a vida e o desenvolvimento psicológico de Pat Peoples, um homem com pouco mais de 30 anos que acaba de sair de uma instituição psiquiátrica, onde ficou internado por um grande período por causa de uma situação que ocorreu em seu passado, da qual ele não consegue lembrar porque sua memória ficou nebulosa depois desse trauma e o que ele gerou.
Ele vai morar com seus pais quando sua mãe consegue tirá-lo do “lugar ruim”, já que ele não tem mais casa e nem emprego. Ela fez um tipo de academia para ele no porão, que acaba se tornando seu lugar preferido porque agora ele é um viciado em exercícios físicos, e uma boa parte de seu tempo está malhando ou correndo, porque ele acredita que Nikki gostaria disso. Pat também acredita no lado bom das coisas, no amor e em finais felizes, e faz de tudo para seguir sua nova filosofia de vida, priorizar a gentileza e não a razão.
 Com a ajuda das pessoas próximas a ele, como sua querida mãe, seu irmão, seu vizinho e melhor amigo, além de seu novo médico, o Dr. Patel, um indiano baixinho que não prega o pessimismo (o que para ele é de muita importância), em seu consultório “agradavelmente estranho”, onde ele se sente relaxado, e da amizade de uma mulher que passou por problemas por causa de depressão e também faz tratamento psicológico depois de um acontecimento muito ruim, Pat vai aprendendo a lidar com o que está passando enquanto vai vivendo o filme de sua vida, se lembrando do que aconteceu entre ele e sua mulher, sem deixar a esperança de lado de finalmente acabar o “tempo separados”.
Esse livro foi magnificamente escrito por Matthew Quick, ele soube dosar momentos engraçados, com cenas cativantes, uma bonita lição de superação, esperança, personagens incrivelmente bem construídos, muitos sentimentos, um relacionamento amoroso inesperado, além de saber expressar tão bem mentes perturbadas e depressão, e fazer com que o leitor se insira na história, tudo isso com uma narrativa sensível, gostosa e fluida.
A narrativa é em primeira pessoa, então podemos entender tudo o que se passa na mente de Pat, desde as dificuldades para entender o que aconteceu com o mundo fora da clínica no tempo em que ficou internado, passando por seu complicado relacionamento com o pai, sua esperança em voltar com sua esposa Nikki, chegando a seus esforços para ser uma pessoa melhor, buscando sempre encontrar o lado bom da vida.
Amei conhecer Pat e acho que o livro não teria ficado tão bom se não fosse narrado diretamente por ele. Conhecer seus anseios, acompanhar sua luta interna, ver como algumas coisas não saíam como planejado e ainda assim ver que o otimismo não o deixava nunca. É impossível não admirar sua força de vontade, essa foi uma lição incrível que eu adorei acompanhar.
“Sorrio para ela, (...) não há o menor indício de que 2007 será um ano bom para minha mãe ou para mim, e, no entanto, minha mãe continua tentando encontrar o lado bom da vida, como me ensinou a fazer há tanto tempo.”
É impossível não se cativar com ele e, a cada página avançada da leitura, a gente só consegue torcer mais e mais para que tudo dê realmente certo no final, para que ele consiga entender o que realmente aconteceu e saiba lidar com todos os seus medos e angústias de uma forma positiva. Ele sempre fala se como ele era no passado, como agia errado com Nikki, e hoje se condena por isso. O leitor acaba conhecendo um lado totalmente diferente do protagonista que ele é agora através de seus comentários, e ver como ele mudou e tudo o que faz para ser alguém que dê orgulho a sua ex-mulher, é lindo.
Algumas vezes nosso protagonista lia alguns livros clássicos que Nikki usava em suas aulas, já que ela é professora, e queria estar preparado quando o reencontro entre eles ocorresse. Adorava essas partes, porque o modo que ele ficava revoltado quando lia que os livros não eram tão positivos quanto ele gostaria que fossem, eram ótimos. E, como eu também sou fã de finais felizes, me identifiquei bastante com ele nesses momentos.
Uma característica que eu gostei muito na escrita do autor, é a curiosidade que ele desperta no leitor. Porque não sabemos o que aconteceu a Pat para ele ter sido internado, e o porquê de uma música o afetar tanto. Dá para imaginar que há uma ligação entre as duas coisas, mas só mais para o final do livro é que vamos descobrir exatamente o que ocorreu, e isso de uma maneira muito bem feita, sem soar chato ou cansativo.
Uma coisa que talvez incomode algumas pessoas, mas até que não ocorreu comigo, é a quantidade de vezes que ele cita o futebol americano, principalmente os Eagles, já que quase tudo relacionado ao pai, principalmente a seu temperamento, é devido ao desempenho do time, também há muito da relação entre seu irmão e até seu médico que tem a ver com os Eagles, inclusive eles cantam o hino diversas vezes.
Que final fofo! Admito que não era muito fã de Tiffany em muitos momentos do livro, principalmente porque ela era muito calada, e também não concordo com algumas de suas atitudes, mas entendo que essa visão que eu tive dela tem a ver com o fato de não poder acompanhar seus pensamentos, como ocorre com Pat. Então, por ela ser uma pessoa mais fechada, não dava para conhecê-la tão bem assim.
Uma curiosidade que eu achei interessante comentar e que eu não sabia é que a expressão em inglês “Silver Linings” refere-se a, em um dia nublado, aquela luz que escapa no meio das nuvens, e significa que mesmo as coisas ruins tem seu lado bom, coisa que tem tudo a ver com a mensagem passada no livro e no filme.
“Se as nuvens estão bloqueando o sol, sempre tento ver aquela luz por trás delas, o lado bom das coisas, e me lembro de continuar tentando, porque eu sei que, embora as coisas possam parecer sombrias agora, minha esposa logo voltará para mim.”
Amo essa capa! Além de ter Bradley Cooper (nem preciso de mais comentários! Hahaha) e Jennifer Lawrence nela, o trabalho da Editora Intrínseca está ótimo. Com verniz localizado apenas na parte central, enquanto o resto está fosco. Fora que adoro o jogo de cores utilizado, com preto, branco, cinza e amarelo (inclusive na logo da editora), além do destaque para a única cor diferente ser nos olhos dos dois.
A diagramação está muito bem feita, com um ótimo espaçamento entre as letras e um tamanho de fonte confortável para leitura. Além de as páginas serem amarelas, ótimas para ler por mais tempo.
Com capítulos curtos e uma narrativa ágil, indico essa leitura a todos que gostam de ler algo emocionante, com pitadas cômicas, personagens reais (você com certeza conhece alguém com características próximas a pelo menos um deles), através de uma história de superação e, principalmente, otimismo.
Agora vou falar das minhas impressões sobre o filme. Eu gostei dele, mas nem se compara ao livro. Sei que, quando um livro é adaptado para outro formato tem que haver mudanças drásticas para se encaixar melhor a quem assiste, principalmente porque no livro podemos acompanhar os pensamentos de Pat, já que tudo que acontece é sob seu ponto de vista, mas no filme isso não é possível porque o espectador tem que ouvir com uma visão em terceira pessoa.
Ao mesmo tempo em que sei que isso é necessário, não acho que tantas mudanças assim precisem ser feitas e é isso o que ocorre. A essência da história foi mantida, sendo que em ambos Pat passou um tempo internado em um hospital psiquiátrico, mas a duração foi totalmente diferente. Os personagens apresentam certas características próximas, mas não iguais, algumas situações vivenciadas foram parecidas, mas o rumo que elas tomavam eram outros, a participação de alguns personagens ocorreu de uma forma totalmente oposta, principalmente o modo como vemos a relação entre filho e pai amoroso, coisa que não existe nem de perto no livro, já que seu pai é distante e quase não dirige a palavra ao filho, nem a mulher (no livro eu não o suporto, mas no filme eu o adoro!), o irmão no filme também é um babaca, coisa que no livro ele não é, pelo contrário, é super legal.
Mesmo com essas e outras mudanças, o filme teve um roteiro muito bem escrito e consegue passar uma realidade para quem está assistindo sobre o que se passa com os personagens de uma maneira muito bem feita, claro que isso também pode ser notado devido a ótima interpretação dos atores escolhidos para os papeis, que deram o tom certo a eles, passando emoção e diversão na medida perfeita.
Uma outra característica que eu preciso comentar é que, como disse anteriormente, gostei da curiosidade que Matthew despertou no leitor sobre o que realmente aconteceu no passado de Pat, e isso não ocorre no filme, já que logo no começo sabemos o que o levou a ficar assim, e acho isso uma pena. Então aconselho que leia primeiro para não perder a graça a respeito dessa revelação.
Estou dando quatro casinhas na minha nota ao filme não porque ele é ruim, mas porque o livro é melhor e mais profundo, então eu esperava um pouco mais do filme. E, apesar de melhorar da metade para o final, eles apresentam finais bem diferentes.
Com diálogos inteligentes, performances admiráveis (tanto é que Jennifer Lawrence recebeu o Oscar por sua atuação), uma história comovente ao mesmo tempo em que diverte e tem um certo clima de comédia romântica, indico muito o filme também.
Uma ótima novidade para quem vai à Bienal do Rio esse ano é que o autor, Matthew Quick vai estar presente. Ainda não há uma data certa, mas será ótimo poder conhecê-lo e pegar um autógrafo.
Avaliação
Livro: 



Filme:


Vencedor: Livro
Considerações Finais: Indico ambos, mas por favor leia o livro primeiro para não estragar nenhuma surpresa.
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Cinema X Bookcase: Stardust – O Mistério da Estrela – Neil Gaiman



Em “Stardust” conhecemos Tristan, um jovem que é apaixonado pela moça mais bonita do lugarejo onde vive, Muralha. Só que ele não tem muita chance de conseguir um relacionamento amoroso com essa beldade tão disputada pelos homens do local. Um dia, durante uma conversa com ela, uma estrela cadente cai do céu a uma distância considerável, e ele faz uma promessa em troca de um desejo seu: a mão dela em casamento. Para isso, ele precisa sair em uma aventura em busca dessa estrela e trazê-la até sua amada.
Para conseguir encontrar a estrela, primeiro ele precisa passar pelo muro com guardas que divide seu vilarejo da Terra Encantada, um local onde não é permitida a entrada de humanos, exceto quando há uma feira que comerciantes de lá produzem, a cada nove anos.
Atrás desse muro há um mundo novo, cheio de magia e criaturas diversas, como gnomos, piratas voadores, bruxas más, reis, e muito mais. Sua jornada não será fácil e ele precisará tomar cuidado com o que acontece em seu caminho, já que passará por muitos obstáculos, e deverá temer em quem confiar, principalmente naqueles que não conhece, porque nem todos parecem o que realmente são, e muitos outros estão em busca da mesma coisa que Tristan: a estrela caída, mas nem todos têm planos tão nobres para ela quanto ele.
Nunca tinha lido nada de Gaiman, mas sua narrativa é encantadora e consegue prender o leitor do começo ao fim. Se você gosta de contos de fadas para adultos (mas não erótico, apesar de ter uma cena mais quente), indico totalmente essa leitura.
Vou contar para vocês como conheci esse livro. Na verdade, tudo começou há alguns anos, quando estava assistindo ao filme e percebi que ele era baseado em uma obra de Neil Gaiman. Como eu amei o filme e amo livros, não poderia ter tido uma “notícia” melhor, fui correndo procurar mais sobre ele. Confesso que quando quis comprá-lo, tive muita dificuldade em encontrar qualquer versão (foram lançadas três aqui no Brasil, duas ilustradas e uma não, que é a essa, da Rocco), estava esgotado em todos os lugares e foi uma batalha, até que um dia começou a voltar aos estoques e claro que fui correndo adquirir meu exemplar. Em seguida, não sei por qual motivo, demorei bastante para começar a ler, mas esse ano olhei-o em minha estante e pensei: “Eu preciso ler esse mês!”. E foi isso o que fiz, encaixei em minha pilha de leituras, e posso confessar que não queria ter demorado tanto assim para lê-lo? Eu simplesmente amei o livro, tanto quanto o filme, que tem diversas cenas diferentes, mas encanta bastante.
Gostei muito de todos os personagens com seus adjetivos bem marcantes e de como eles foram criados e desenvolvidos. Algumas vezes temos a impressão de que não existe apenas um principal, já que conhecemos e acompanhamos vários personagens e cada um deles tem uma grande importância no rumo que a história vai tomar.
Também adorei conhecer a Terra Encantada! Foi muito gostoso poder descobrir cada detalhe dessa terra mágica e das criaturas que ali vivem, mas não é muito detalhista e nem deixa a leitura cansativa, o que só ganha pontinhos positivos a mais.
A narrativa é um pouco diferente e pode acabar incomodando algumas pessoas, o que não aconteceu comigo. O livro é dividido em partes, e em cada parte há vários protagonistas, a narrativa é em terceira pessoa e permite que o leitor acompanhe diversos pontos distintos da história através do que está acontecendo com personagens diferentes. Eu consegui entender bem e adoro quando podemos conhecer outros ângulos de uma história que vai se interligar mais para a frente, acho incrível quando o autor consegue fazer isso e Neil Gaiman fez com maestria. Não é à toa que ele é um autor tão consagrado no mundo inteiro.
Na primeira parte conhecemos o pai de Tristan, Dunstan, e um pouco de sua história quando era jovem, e o que aconteceu naquela época que vai modificar a vida de Tristan no futuro (o presente no resto do livro). Achei super interessante poder ler essa parte, para podermos entender melhor a ligação de Tristan com a Terra Encantada.
O filme é bem diferente do livro sim, mas mantém a essência e a história principal do mesmo. Inclusive, achei bem fiel até certo momento, quando tudo fica bastante diferente. A grande maioria das pessoas prefere o filme ao livro, por ser mais movimentado, mais ágil, mais ameno (já que o livro apresenta cenas mais violentas), o romance é mais explorado, e as mudanças feitas com certeza foram para complementar a história e ficaram melhores na telona do que teriam ficado se fossem iguais ao livro. Além de todos esses elementos, o filme conta com um elenco de peso, entre os atores estão Claire Danes, Michelle Pfeiffer, Robert De Niro e Charlie Cox, e eu amei a escolha do cast.
Não vou falar sobre as modificações feitas no filme porque seria um grande spoiler e poderia acabar com a magia de quem for assistir, mas aprovei todas elas, inclusive gostei mais de como elas ficaram no vídeo do que no livro, mas ainda assim eu amei o livro tanto quanto o filme e não poderia deixar de indicar ambos, principalmente porque com a obra dá para conhecermos o incrível trabalho de Gaiman. Por todos esses detalhes, acho mais legal ler o livro primeiro para ficar ainda mais maravilhado quando assistir ao filme e não correr o risco de se decepcionar, já que a maior parte das pessoas preferem o filme.
Sobre a parte gráfica, a diagramação está muito bem feita, a fonte é pequena, mas não tive problemas na hora da leitura, as páginas são amarelas, mas bem finas. Apesar de, infelizmente, a minha edição não ser a ilustrada, no começo de cada parte, há um desenho, e a primeira e na última página do livro são ilustradas com silhuetas. Gosto muito dessa capa, inclusive porque lembra muito uma cena do livro, e o título mais o nome do autor estão em letras douradas, o que dá todo um charme, além de chamar bastante a atenção de quem vê.
Indico a leitura para todos que gostam de fantasia, conto de fadas, diversão, um mundo novo com personagens incríveis, criaturas fantásticas, muita magia e uma história cativante. Também recomendo para aqueles que conhecem Neil Gaiman e suas obras, e também para todos aqueles que gostariam de conhecer um trabalho do autor.
Fidelidade [livro - filme]: 

Avaliação:
Livro: 

Filme:


Vencedor: EMPATE

Considerações Finais: Eu realmente amei o filme tanto quanto o livro, e não poderia deixar de indicar um dos dois, mas não esqueçam de minha dica: leiam antes de assistir ao filme.


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Cinema X Bookcase - As Vantagens de Ser Invisível





Título original: The Perks of Being a Wallflower
Diretor: Stephen Chbosky    Gênero: Drama
Duração: 103min    Ano: 2012                                 Roteiro: Stephen Chbosky    País: EUA
Elenco: E. Watson, Logan Lerman, Miller
Distribuidora: Paris Films   Classificação: 14 anos
Lançamento no Brasil: 19 de Outubro de 2012

Título original: The Perks of Being a Wallflower
Autor: Stephen Chbosky
Editora no Brasil: Rocco Jovens Leitores
Número de páginas: 223
Ano de lançamento: 1999 [EUA]
Ano de lançamento no Brasil: 2007
Veja aqui a nova capa do livro inspirada no filme.

As Vantagens de Ser Invisível conta a história de Charlie, um garoto perturbado e impopular que se vê tendo que encarar o Ensino Médio após tudo o que passou quando era mais novo. Durante a história conhecemos várias lembranças desse seu passado atordoante que nos faz perceber o que levou o protagonista ser o que é hoje: um "outsider". 
Daí vem o nome do livro, já que durante toda a narrativa Charlie nos proporciona uma visão "de fora" dos acontecimentos. Por mais que estivesse em uma reunião com os amigos, por exemplo, estava sempre um tanto à margem. Ele tem problemas em entender a si mesmo - e o mundo ao seu redor, e tenta ajudar a todos nisso, enquanto compreende quem ele é.

"- Ele é uma figura, não é?
- Ele é invisível
- Você vê as coisas. Você guarda silêncio sobre elas. E você compreende.
A Charlie!
- Não pensei que alguém tivesse reparado em mim"
“I am both happy and sad and I'm still trying to figure out how that could be.”
         Durante a história ele amadurece e tentar "participar" da vida. Patrick e Sam, seus novos melhores amigos, o apresenta a territórios antes inexplorados; um mundo de festas, sexo e drogas, e a partir daí Charlie vive seus primeiros encontros amorosos e sua adolescência.
“Maybe it’s sad that these are now memories. And maybe it’s not sad.” 
          O livro de Stephen Chbosky é estranho e confuso. Assim é, creio eu, porque toda obra é reflexo de seu protagonista, que, nesse caso, não é o que chamamos de normal. Nele, conhecemos a vida de Charlie através das cartas que ele escreve para alguém cujo nome não é revelado. Não sabemos onde ele mora, nem ao menos se os nomes dados são os verdadeiros. Ele pode ser qualquer um. Nessas cartas nada de muito extraordinário é descrito. Não há lobisomens, vampiros, bruxos... O remetente apenas conta de seu cotidiano e todas as coisas que um adolescente dos anos 90 (data de publicação) faria. Pode soar um tanto entediante, o que não nego, mas o brilho da obra é exatamente conseguir mostrar que a vida pode ser espetacular apesar de toda a rotina. Além disso, a mente de Charlie é mais agitada do que qualquer guerra em Amanhecer.
“I just want you to know that you’re very special… and the only reason I’m telling you is that I don’t know if anyone else ever has.”
          No filme, no entanto, é acrescentado um toque mais "teen", junto com um elenco de peso, como Emma Watson, Logan Lerman e Nina Dobrev. Com tantos atores conhecidos, a maioria dos jovens espectadores entraram nas salas de cinema sem nem ler a sinopse. Não que precisassem! A versão cinematográfica é maravilhosa! A película misturou facilmente duas emoções totalmente opostas; te faz chorar desesperadamente com a barriga ainda doída da gargalhada com vontade que você deu a um minuto atrás.
"- Why do I, and everyone I love, pick people who treat us like we're nothing?
- We accept the love we think we deserve"
       Logan supergato fez uma ótima atuação sendo Charlie e conseguiu pegar toda a essência do personagem. Emma estava linda como Sam, e Ezra Miller, que eu não conhecida antes, me conquistou totalmente, assim como seu personagem Patrick.
          Existem alguns ocorridos descritos no livro que não aparecem no filme, assim como o contrário. Foram retirados, principalmente, os capítulos mais apáticos, que Charlie fala de sua família. Mas, felizmente, nada mais do que isso, até porque o autor e o roteirista são a mesma pessoa (amo quando isso acontece!). E para completar, o que foi acrescentado caiu perfeitamente com a história.
“I just need to know that someone out there listens and understands and don't try to sleep with people even they could have. I need to know that these people exist.”
Quando sei que está para lançar um filme baseado em um livro, corro para ler a obra original antes de assistir. Não foi o que ocorreu no caso, e não me arrependo.
         Mas sabe o que é melhor? A sensação que você tem ao terminar de ler/ver The Perks of Being Wallflower. Você se sente feliz. E pronto para aproveitar ao máximo a vida.
“I feel infinite.”

Fidelidade [livro - filme]: 
Avaliação:
Livro: 
Filme:

 Vencedor: Filme!

Oi, gente! Essa é a estreia da nova coluna do House of Chick: Cinema x Bookcase. Espero que vocês tenham gostado! Escrevam nos comentários o que acharam, sugestões, críticas, até dicas de livros que tiveram  adaptações cinematográficas e que gostariam que resenhássemos aqui. :)



No People’s Choice Awards, As Vantagens de Ser Invisível ganhou na categoria Filme Dramático Favorito e Emma Watson como Atriz Dramática Favorita!




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