
Em O Olho do Mundo, primeiro
volume da série A Roda do Tempo, do autor Robert Jordan e publicado pela Intrínseca,
conhecemos Rand al'Thor, um jovem de uma distante vila na região de Dois Rios.
O inverno estava demorando a passar, e a comida a faltar, e entre os festejos
de final de Inverno uma estranha chega a vila, mas nada disso fez com que ele
fosse prevenido do que viria a seguir: um grupo de Trollocs invade a sua casa e
sua vila, revirando tudo de cabeça para baixo.
A estranha não só ajuda Rand como
também seus amigos. E revela uma triste verdade, os Trollocs procuravam por ele
e seus amigos, e eles precisam fugir para longe, não só para defender suas
vidas mas para compreender quem são, e porque são importantes. Uma jornada
perigosa e fantástica se inicia pelo mundo, o que será que Rand e seus amigos
farão quando descobrirem a verdade?
Ahhhh alta fantasia, não há
prazer maior na literatura. Jordan fez a lição de casa de Tolkien diretitinho:
temos um mundo criado com povos diferentes, seres diferentes, línguas próprias
e a dualidade do bem e do mal. A jornada do herói é o fio condutor da trama que
segue no ritmo que a história pede, detalhando cada passo do grupo e
apresentando pedaços do que vai se tornando um quadro bem aos poucos.
A narrativa não é rápida, pois
trata-se de um livro mais denso. Talvez soe cansativo para quem não está
acostumado ao estilo, eu particularmente amo a forma como foi conduzido, mas
não é para todos. Ela é feita e, terceira pessoa, focando em boa parte do tempo
a visão de Rand. A capa é simples e objetiva, mas transmite bem o que o livro
trabalha. A diagramação é simples, com fonte reduzida.
Não encontrei referência a vida
de Jordan quanto sua relação com Tolkien, mas o paralelos das histórias são
muitos. Primeiro ambos autores são frutos de guerras, isso é explicito em suas
obras. Depois assim como em Sda um grupo de forma com um objetivo maior, e a
estrutura do grupo de ambos os livros é parecida- os humanos de Dois Rios
lembram muito os hobbits; a Moraine é a figura mágica e poderosa como é Gandalf
(embora Gandalf seja uma figura mais próxima de um deus pois é um dos
responsáveis pela Terra Média); Lan- o guardião assim como Passolargo- Aragorn
tem um passado não 'assumido' e um comportamento taciturno. Os paralelos não
param por ai, mas como a resenha não é uma comparação fico por aqui nas
comparações.
A grande pergunta talvez seja se
ele soa tão parecido com Tolkien não soa como uma cópia? Não! Ele foi muito
criativo na criação de sua mitologia. Ela é poética e definida a partir da
ideia de um mundo que gira como uma roda, é um tempo cíclico e tece seus
padrões como uma teia. Essa teia mistura passado, presente e futuro. Podemos
escolher dentro do que a teia nos permite, mas nunca fugir do que é tecido ao
nosso redor.